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A mostrar mensagens de 2025

Um Bom Natal

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O Natal é, antes de tudo, uma pausa.  Um momento em que a luz volta a ganhar espaço, mesmo quando os dias ainda são curtos. É tempo de recolhimento, de silêncio útil, de olhar para dentro e perceber o que ficou por trabalhar, o que foi bem talhado e o que ainda pede paciência, método e tempo. Nenhuma obra se faz de um dia para o outro, e as mais importantes raramente se veem à primeira vista. Que este Natal seja simples.  Com poucos excessos e principalmente, c om sentido. Que haja luz suficiente para orientar o caminho, firmeza bastante para continuar a trabalhar e humildade para reconhecer que todos estamos ainda em construção. Aos que caminham connosco, aos que vieram antes e aos que virão depois, desejo um Natal sereno, consciente e verdadeiro. Boas Festas. 
                                                            DIA DE NATAL   Na verdade este poema desta minha querida Amiga Paula Nunes foi apresentado há já alguns anos numa emissão da TVL na rubrica "Um Poema e um café", espaço que apresentavamos regularmente com a participação de alguns dos Amigos que connosco quiseram colaborar. A Paula Nunes foi uma das principais e mais assíduas colaboradoras dizendo maravilhosamente palavras de outros mas dizendo também as suas próprias palavras como é o caso deste "Dia de Natal". Aqui Vos deixo este presentinho da Paula. J.Paiva Setúbal

O Inexplicável, explicável!

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A ciência ensinou-nos que o universo teve um início, o Big Bang, uma expansão primordial onde nasceram o espaço, o tempo e as leis que ainda hoje regem todo o conhecido. Muito mais tarde, nesse mesmo universo aparentemente indiferente, a matéria inerte deu um salto improvável, uma faísca, a química transformou-se em biologia, e a vida começou. Estes factos não diminuem o mistério. Pelo contrário, ampliam-no. Dos trilhões de combinações possíveis, num universo vasto e silencioso, as condições para a vida na Terra alinharam-se, um euromilhões galáctico. Não por uma vez apenas os números se acertaram, mas sim o suficientemente para de forma estável para permitir evolução e consciência. Chamar a isto simples coincidência parece-me intelectualmente insuficiente. É também aqui que se afirma a minha crença no Grande Arquitectom não como um Deus pessoal, interventivo ou religioso. Não como resposta fácil para o que ainda não compreendemos, mas como princípio criador, como a faísca inicial q...

Greve. O Momento em que o Direito se Esquece do Dever

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Em Maçonaria, não discutimos política partidária, mas reflectimos, com a profundidade que o silêncio da Loja permite, sobre as forças que moldam a sociedade onde o Homem vive, trabalha e aperfeiçoa a sua Obra . A greve, enquanto direito fundamental, é uma dessas forças, expressão da Liberdade, afirmação da Igualdade, busca pela Justiça.  Mas, como em tudo o que é humano, também a greve pode afastar-se da sua natureza original quando o seu uso deixa de servir o Homem e passa a servir outros desígnios. A greve geral da passada quinta-feira convida-nos a essa meditação. Historicamente, salvo uma única excepção marcada por fortes pressões externas (pré-troika) ao País, todas as greves gerais em Portugal surgiram quando um determinado lado do espectro político se encontrava mais representado no nosso parlamento. Não é este detalhe que importa, o que verdadeiramente nos deve inquietar é a regularidade do padrão , com o se a decisão de parar o Trabalho do país obedecesse mais a ritmos...

A mesa está posta! Qualquer candidato pode aparecer

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Nos últimos dias, voltou à discussão sobre o nosso futuro Presidente da República a ideia de que a Maçonaria apoia determinado candidato, ultimamente com mais ênfase no Almirante Gouveia e Melo. O Fábio respondeu com inteligência no seu  “ Vamos jantar, Cotrim? ” , mas parece-me importante clarificar alguns pontos, porque estes equívocos reaparecem sempre que entramos em época eleitoral e acabam por transformar um tema sério numa caricatura conveniente. A verdade é simples e jamais que explicada, seja neste blogue ou na   imprensa . A Maçonaria não apoia candidatos, não apoia partidos e não participa em campanhas. Não deve, não pode e, acima de tudo, não quer fazê-lo. Está tudo inscrito nos  landmarks ,  que, desde o século XVIII, determinam que nenhuma Loja pode envolver-se em política partidária ou tomar posições eleitorais. Qualquer Obediência que o fizesse deixaria de ser reconhecida como Maçonaria legítima. Por isso, em Portugal, falamos apenas de três Ob...

Vamos jantar, Cotrim?

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Na sequência do meu texto , onde deixei claro que a Maçonaria não vota nem emite opiniões partidárias enquanto instituição, sinto a necessidade de voltar ao tema. Desta vez não o faço por minha iniciativa, mas porque o candidato da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, decidiu trazer o fantasma maçónico para o centro da campanha eleitoral. Ao criticar o almirante Gouveia e Melo por eventuais apoios ou almoços com irmãos maçons, Cotrim recorreu a um moralismo que disfarça mal o taticismo político e que merece, da minha parte, uma reflexão e um convite sincero. Custa muito entender como alguém que lidera um movimento dito liberal, defensor intransigente das liberdades individuais, tenha tanta dificuldade em aceitar um dos pilares da democracia que é a liberdade de associação. Demonizar um grupo de cidadãos apenas por se reunirem, debaterem ou almoçarem não é liberalismo, é exatamente o oposto. A postura ficou evidente quando, no recente frente a frente televisivo, ao ser confron...

O Bicho Papão da IA - Inteligência Artificial

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Estive há pouco tempo num workshop onde se falou muito sobre IA e aprendi ali uma lição importante. a Inteligência Artificial não substitui a inteligência humana, amplifica-a, para o bem e para o mal. Uma frase ficou-me particularmente na memória, dita por L. Skinner, um dos oradores: “Not doing bad is not the same as doing good.” Ou seja: não basta evitar erros; é preciso intenção, critério e propósito. I sto aplica-se que nem uma luva ao uso da IA. Ela não pensa por nós, nã o sente por nós e muito menos  decide por nós. A IA devolve-nos apenas a qualidade daquilo que lhe damos, s e dermos pouco, devolve pouco, s e dermos profundidade, devolve profundidade. Para tentar demonstrar isto de modo claro escolhi um símbolo a nós familiar: a Coluna B. Não para explicar o tema, mas para mostrar como a IA só funciona bem quando a nossa prompt é clara, intencional e contextualizada. Ex:1. Quando não damos contexto (resultado irrelevante) Prompt: “Escreve sobre a Coluna B.” Output: "A C...

Entre espiões, lojas e fantasmas

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Andava eu a vaguear pelas internets, a ler as notícias, até que me deparei com mais um artigo de opinião a anunciar, com dramatismo as “ligações perigosas” entre maçonaria e os nossos serviços secretos. Daquelas notícias que de tempos a tempos, aparecem. Sempre com o mesmo titulo de  a maçonaria exercer uma influência excessiva e colocar pessoas no topo. Podem ler aqui Pois bem, sejamos justos. Sim, é verdade que nós influenciamos excessivamente. Eu próprio o faço todos os dias. Influenciamos para que consigamos ser melhores, a crescer intelectualmente, a estudar mais, a trabalhar o carácter, a questionar preconceitos, e também a tentar, com maior ou menor sucesso, chegar ao dia de amanhã um degrau acima daquilo que fomos ontem, na nossa caminhada até ao nosso topo. Se isto é influência excessiva, então assumo a culpa. O artigo apresenta a “descoberta” de que vários responsáveis do SIS e do SIED, ao longo dos anos, passaram por lojas maçónicas, algo que, aparentemente, é no...

Regularidade, a Geometria do Invisível

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  Numa conversa, pós um ágape regado de canhões cheios de pólvora amarela, falou-se sobre Regularidade. É um tópico onde cabem vários temas, o reconhecimento, as constituições, homens e mulheres, o que seja. Para mim, o foco da Regularidade é a crença no GADU, a Fé necessária para que possamos ser maçons. Resumindo, a Regularidade de que falo não se escreve em papel timbrado, nem se confirma por decreto. Não nasce de um reconhecimento externo, mas sim de uma coerência interna, é o reflexo de algo que vibra no mesmo compasso da Luz, p orque um homem pode ser reconhecido por todas as potências do mundo e, ainda assim, ser irregular, se o seu coração não for crente no Grande Arquitecto do Universo. A Maçonaria, como é sabido, é uma Ordem Iniciática. E toda a iniciação é um ato de fé, não uma fé imposta, nem cega, mas lúcida . A confiança de que há sentido no invisível, ordem no caos, proporção naquilo que os olhos ainda não entendem. Há quem lhe chame Deus, quem lhe chame Allah, quem ...

A honra de ser o Tesoureiro da RLMAD

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O trabalho de Tesoureiro, como qualquer ofício que honra a Ordem, é começar a desbastar a Pedra Bruta. Não se trata de uma simples contabilidade fria, mas de construir a confiança mútua, que deve ser feita com o rigor de quem sabe que um erro pequeno pode comprometer o alicerce da Obra. O Tesoureiro é o guardião da integridade financeira da Loja. Servi aos Irmãos da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues o que é uma honra e uma responsabilidade que carrego com a humildade de quem administra um legado. Esta Loja é um repositório da nossa história, e cada valor é um compromisso tecido na nossa tapeçaria. A dignidade de servir a uma coluna tão antiga exige um rigor que vai além dos débitos e créditos.  O meu primeiro mandato de tesoureiro revelou que a Pedra Bruta do ofício exige um aperfeiçoamento constante. A gestão do fluxo de quotas, por exemplo, é um exercício que exige escrutínio. Como identificar um depósito feito sob o nome de "Joana", “Maria” ou “L&M LTD” (nomes ...

Ó malhão, malhão… que raio de malhete és tu?

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Há expressões e músicas populares que se colam à memória e de repente ganham outro sentido quando aplicadas à nossa vida, até mesmo à nossa vida para além da profanidade. Foi isso que me aconteceu numa sessão, quando ao encostar o malhete ao peito me veio à mente a tradicional cantiga do malhão. "Ó malhão, malhão, que raio de malhete és tu? Um gesto tantas vezes repetido, quase automático, mas que me soou estranho. Porque fazemos isto? De onde vem? Que sentido tem? É ritual? Ou simplesmente foi um erro que se tornou hábito, que virou costume, fez-se tradição e adaptou-se como princípio? Nunca se valeu como norma, muito menos se fundamentou como Lei, Landmark. O malhete, sabemos, é símbolo de autoridade e de comando. Marca decisões, ordena silêncios, abre e fecha trabalhos, mas quando um Vigilante o encosta ao peito, o gesto parece inverter o significado. Em vez de comando, submissão, em vez de palavra, silêncio. É aí que surge o paradoxo, porque no Ritual o malhete junto ao coraç...

A Voz e o Silêncio

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Na semana passada, aqui neste rectângulo à beira mar plantado, fomos novamente chamados às urnas, mas para agora eleger os 308 presidentes de câmara e também os 3091 presidentes de junta de fréguesia. Foi mais um momento em que cada um de nós teve a liberdade para poder exercer o direito de escolher quem o representa, não apenas um partido, mas, tantas vezes, uma pessoa. Nas autárquicas, essa escolha ganha uma dimensão mais humana e próxima, vota-se em quem se conhece, em quem caminha nas mesmas ruas, em quem partilha as mesmas preocupações, talvez aqui não se olhe tanto aos partidos mas sim às pessoas, àqueles que podem fazer diferente. É aqui que a democracia mostra o seu rosto mais autêntico, o da confiança pessoal e da responsabilidade partilhada. Votar é um ato de liberdade. E a liberdade não se impõe, exerce-se. Não temos o dever ou a obrigação de ir votar, temos o direito e o não votar, ou votar branco é uma expressão tão válida da nossa liberdade do que escolher algum dos nome...

Mulheres, a Beleza Invisível na Vida de um Maçom

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Hoje, no aniversário da minha esposa, não posso deixar de elogiá-la e reflectir sobre o papel das mulheres na vida de um maçom, bem como sobre a razão pela qual a Maçonaria Regular mantém a tradição de não as admitir em Loja. A Maçonaria que praticamos nasceu das antigas corporações de pedreiros, compostas apenas por homens, que erguiam templos de pedra com a força dos braços e a ciência do ofício. Quando, em 1717, se consolidou como Maçonaria Especulativa em Inglaterra, herdou essa forma e cristalizou-a nos Landmarks , os princípios imutáveis que definem a Regularidade. Também é importante recordar que as primeiras Lojas reuniam-se no fundo de tabernas, locais vedados a mulheres de bem, a consequência foi natural, a Maçonaria estruturou-se como espaço masculino e, com as Constituições de Anderson (1723), essa tradição ficou formalizada. Albert G. Mackey, no seu Text Book of Masonic Jurisprudence (1865), resumiu esse Landmark de forma inequívoca: “ The Persons admitted Members of a Lo...

O Diário do Aprendiz - lançamento do meu livro

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Meus queridos irmãos e demais leitores do A Partir Pedra ,  É com muita emoção que escrevo este post para falar do lançamento do meu livro “O Diário do Aprendiz”. Publicado em junho de 2025, o livro conta a história de Uri, um jovem judeu que abandona uma vida confortável para trabalhar nas obras do grande Templo de Salomão. Durante sua jornada, Uri documenta cada aprendizagem em seu diário e percebe que nunca mais será o mesmo. “O Diário do Aprendiz” é uma leitura muito útil aos aprendizes de todas as lojas e uma preparação para os demais graus. Ao mesmo tempo que não revela nenhum segredo maçónico, o livro traz questionamentos e analogias a vida diária de todos os irmãos. Compartilho convosco um dos capítulos do livro, que pode ser encontrado para venda na Amazon nos seguintes links: - Portugal: https://amzn.eu/d/cppGh8Z  - Brasil: https://a.co/d/ftqXO2e   - Estados Unidos: https://a.co/d/itprtpU   18º Dia do Mês de Nisan , no primeiro ano da Grande Obra . Ca...

E se a loja fosse tratada como uma empresa?

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Grande parte dos irmãos das Lojas são empresários. Então, nada mais curioso que tentemos trazer uma visão estratégica para saber como nossa “empresa” está indo e para onde devemos rumar. Pensando nisso, imaginei como seria o Balanced Scorecard ( BSC ) de uma Loja Maçônica. Claro que é uma adaptação livre, mas ainda assim pode nos trazer algumas reflexões valiosas. O BSC, é uma ferramenta de gestão utilizada em empresas para equilibrar objetivos em quatro dimensões: financeira, clientes, processos internos e aprendizado. Mas, e se transportássemos essa lógica para a Loja? Será que não encontraríamos paralelos interessantes? Vejamos a tabela abaixo: Perspectiva Objetivos Indicadores possíveis Financeira Garantir sustentabilidade da Loja e capacidade de beneficência - Regularidade de contribuições;  - equilíbrio entre receitas e despesas;  - fundos para projetos sociais Irmãos & Sociedade Satisfação e engajamento dos Irmãos; impacto positivo na comunidade - Retenção de membr...