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13 junho 2026

Quem controla o mundo?



Na passada semana iniciou-se a WWDC 26, o tão esperado encontro anual da Apple no qual são anunciadas as novidades tecnológicas para o ano seguinte. Neste encontro foram reveladas as atualizações dos sistemas operativos da marca — com grande destaque para o iOS —, abrindo-se as portas ao futuro do software que dita o rumo de todo o ecossistema. No fundo, para entusiastas ou não, é um evento que nos dá uma noção clara das mais variadas inovações que, muito em breve, vão caber no nosso bolso.

Neste evento, as expectativas estavam todas viradas para a apresentação da nova Siri. Sejamos honestos: a Siri nunca se afirmou como um motor propriamente inteligente. No entanto, após um investimento anual de mil milhões de euros por parte da Apple no desenvolvimento da sua nova Inteligência Artificial, esperava-se que a assistente ganhasse finalmente "mais neurónios". Vale a pena recordar que, até agora, as mudanças de sistema operativo nunca tinham discriminado os equipamentos mais recentes; desde que um dispositivo estivesse dentro do leque de suporte da marca, recebia, de uma forma geral, o software mais atualizado da maçã.

Mas nesta WWDC aconteceu algo inédito: apenas os equipamentos equipados com os chips mais recentes e com capacidades elevadas de memória terão acesso à "Super Siri". Isto acontece porque as novas valências da IA exigem especificações de hardware muito particulares para correrem localmente no dispositivo. Na prática, isto significa que aparelhos com apenas um ano de vida vão ficar privados das atualizações mais modernas — algo nunca antes visto na história da Apple.

À partida, a evolução parece espetacular, mas precisamos de estar atentos aos meandros desta questão. Qual é o fator diferenciador? A IA. O que fez com que um dispositivo topo de gama ficasse "obsoleto" apenas um ano após o lançamento? A IA. Claro que estes aparelhos continuam a funcionar muito bem, mas a perceção do utilizador já não é a mesma. Se juntarmos a isto a competição feroz entre os gigantes dos motores de IA (como a Google com o Gemini, a Anthropic e a OpenAI), temos um retrato claro das tecnologias que controlam o mundo atualmente.

O avanço vertiginoso da Inteligência Artificial está a fazer com que o próprio hardware não consiga acompanhar o ritmo do software. Mesmo para quem, até agora, olhava com ceticismo ou pessimismo para este recurso, o cenário atual acaba por ser assustador, dada a rapidez com que esta tecnologia se torna cada vez mais autónoma e capacitada.

Olhando para este cenário sob uma perspetiva de busca pelo conhecimento e de constante aperfeiçoamento social, o que é que tudo isto tem a ver com a Maçonaria?

Tudo e nada. Por um lado, partilha o princípio de que temos de estar atentos à evolução do mundo — não só para conhecermos as novidades, mas para compreendermos as suas repercussões no futuro da humanidade. Há toda uma geração que vai nascer e crescer com este recurso omnipresente. Que aptidões cognitivas vão desenvolver? Como será o mundo digital daqui a escassos cinco anos? E o futuro dos conflitos armados, haverá frotas de drones autónomos com IA a substituir os humanos no terreno?

Todas estas perguntas podem parecer especulativas hoje, mas são realidades emergentes às quais não podemos fechar os olhos

22 novembro 2025

O Bicho Papão da IA - Inteligência Artificial

Estive há pouco tempo num workshop onde se falou muito sobre IA e aprendi ali uma lição importante. a Inteligência Artificial não substitui a inteligência humana, amplifica-a, para o bem e para o mal. Uma frase ficou-me particularmente na memória, dita por L. Skinner, um dos oradores:

“Not doing bad is not the same as doing good.”

Ou seja: não basta evitar erros; é preciso intenção, critério e propósito. Isto aplica-se que nem uma luva ao uso da IA. Ela não pensa por nós, não sente por nós e muito menos decide por nós.




A IA devolve-nos apenas a qualidade daquilo que lhe damos, se dermos pouco, devolve pouco, se dermos profundidade, devolve profundidade.

Para tentar demonstrar isto de modo claro escolhi um símbolo a nós familiar: a Coluna B. Não para explicar o tema, mas para mostrar como a IA só funciona bem quando a nossa prompt é clara, intencional e contextualizada.

Ex:1. Quando não damos contexto (resultado irrelevante)

Prompt:

“Escreve sobre a Coluna B.”

Output:

"A Coluna B é a segunda coluna de uma tabela ou folha de cálculo, usada para organizar dados e complementar a coluna A."

-  Sem contexto, a IA nem sequer sabe que estamos a falar de Maçonaria.


Ex:2. Quando damos pouco contexto (resultado vago)

Prompt:
“Escreve um parágrafo sobre o significado simbólico da Coluna B em tradições históricas.”

Output:

"A Coluna B surge em algumas tradições como símbolo de sustentação e força, marcando entradas ou momentos cerimoniais."

- Já tem mais um pouco de "sumo", mas continua longe da dimensão que pretendemos.


Ex:3. Quando dizemos que é maçónico (resultado aceitável)

Prompt:

“Explica o significado da Coluna B na Maçonaria, focando-te na sua dimensão de força moral e sustentação do Aprendiz.”

Output:

"Na Maçonaria, a Coluna B representa a força moral que sustenta o Aprendiz no início da sua jornada. Marca a passagem do profano para o trabalho interior, lembrando a necessidade de disciplina e carácter."

Já acerta, mas ainda não chega à profundidade do símbolo.


Ex4. Quando damos contexto completo (resultado verdadeiramente útil)

Prompt:

“Escreve um parágrafo profundo, historicamente fundamentado e simbolicamente rigoroso sobre a Coluna B, ou Boaz, no Rito Escocês Antigo e Aceite praticado em Portugal. Explica a sua origem bíblica no Livro de Rute, a linhagem de Boaz, a ligação ao Templo de Salomão, o significado de ‘em vigor’, as razões pelas quais os Aprendizes se sentam na Coluna do Norte e a relação com fenómenos solsticiais. Evita exageros esotéricos e privilegia uma leitura ética, histórica e humana.”

Output:

"Na Maçonaria no Rito Escocês Antigo e Aceite, a Coluna B, ou Boaz, tem raízes profundas no Livro de Rute, onde Boaz se destaca como homem justo, generoso e fiel, cuja união com Rute originou a linhagem de Jessé, David e, por fim, Salomão. É por isso que, ao erguer o Templo, Salomão nomeia a coluna esquerda como Boaz, “em vigor”, homenageando a rectidão e coragem do seu bisavô. Os Aprendizes sentam-se na Coluna do Norte porque, nos tempos operativos, ali se alinhavam para receber instrução e salário, carregando as pedras imperfeitas que iniciavam o labor. A posição a Norte relaciona-se ainda com fenómenos solsticiais, simbolizando menor luz e maior necessidade de trabalho interior. Assim, Boaz torna-se símbolo de força moral, humildade e perseverança, fundamentos que sustentam o caminho iniciático desde a Antiguidade."

-  Este nível de detalhe só é possível porque o input foi bastante claro. Mas como é lógico tem a ver com o meu input, o input (prompt) de qualquer outra pessoa, trará um resultado diferente.


Resumindo. a IA é uma grande tool, e goste-se ou não se goste veio para ficar. Ela já cá está há muito tempo, os primeiros standards da IA são de 1955 (se não me engano), o que acontece é que ela agora tem a capacidade de ser bastante mais rápida e acessivel para o comum dos mortais.

Usem-na, explorem-na e principalmente, conduzam-na. O futuro é "Human-Led, AI Powered"

Não se esqueçam, que como o malho que desbasta a pedra bruta não trabalha sem mão que o segura e que o cinzel não corrige sem intenção, A IA não produz se nós não a orientarmos.

Quando usada com critério, rigor e propósito, pode elevar, mas nunca substituir,  o trabalho do maçom. 

Não se esqueçam que na IA,  como em maçonaria, é a intenção que faz toda a diferença.

João B. M∴M∴