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Tentar tirar sentido do que não tem sentido

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Mais de seis dezenas de mortos. Mais de seis dezenas de feridos, alguns com gravidade. Mais de uma centena de pessoas que ficou com a sua casa destruída ou fortemente danificada. A maior tragédia do género de que há memória recente em Portugal. Um incêndio grassa desde sábado na zona centro de Portugal. Ainda não está debelado no momento em que escrevo.  Todos os anos Portugal é assolado pelas chamas. Clama-se contra o eucalipro. Denuncia-se a falta de prevenção. Aponta-se o dedo a incendiários. Prometem-se medidas. Reforçam-se meios. Mas todos os anos recomeça o calvário. No entanto, desta vez não há dedos a apontar, culpas a denunciar. Desta vez, pura e simplesmente aconteceu porque a natureza fez acontecer e nada nem ninguém podia ter evitado que acontecesse. Uma trovoada seca. Um raio que cai sobre uma árvore e a incendeia. Temperatura altíssima, da ordem dos quarenta graus centígrados. Humidade baixíssima. O incêndio que a natureza ateou propaga-se como um rasti...