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Regular, Reconhecido, Irregular — três palavras que não significam o que pareces pensar

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O vocabulário que usamos todos os dias na loja merece uma revisão honesta. As frases que já ouviste: "Aquela potência não é reconhecida.", "Esse irmão é irregular.", "O REAA deles é espúrio." Frases assim circulam em qualquer encontro maçónico em Portugal ou no Brasil. Quem as diz raramente está errado na conclusão, mas quase sempre confunde os conceitos pelo caminho.  E a confusão importa porque, quando misturamos  o regular  com o  reconhecido,  chegamos a conclusões que os factos não sustentam. Vale a pena separar as peças. O que é uma potência (e o que não é) Uma potência maçónica (também chamada obediência) é uma entidade que governa as lojas por meio de um Grão-Mestre. O que distingue uma potência de uma confederação é simples: na potência, as lojas respondem a um único Grão-Mestre; numa confederação, várias potências independentes agrupam-se voluntariamente, mas cada uma mantém o seu próprio Grão-Mestre sem responder ao de outra. Em Portugal temos d...

Um auspicioso começo

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Cardeal Gianfranco Ravasi No passado dia 14 de fevereiro, na página 29 do jornal italiano Il Sole 24 Ore , o Cardeal Gianfranco Ravasi publicou, sob o título Cari fratelli massoni   (Queridos Irmãos Maçons) um texto no qual convida ao diálogo entre a Igreja Católica e a Maçonaria. O Cardeal Ravasi é o Presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, um organismo da Cúria Romana, o que nos deve alertar para o peso institucional que esta iniciativa terá. No seu texto, o Cardeal Ravasi invoca os valores comuns entre as duas instituições, a dimensão comunitária, a beneficência, a dignidade humana e a luta contra o materialismo, e invoca mesmo a necessidade de "superar a atitude de certos setores integristas católicos que - para atacar alguns representantes hierárquicos da Igreja de que eles não gostam - recorrem à arma da acusação de uma sua apodítica filiação maçónica" (tradução minha). No primeiro parágrafo, está o atalho para o texto original, em italiano. Pode t...

Contradição fundamental

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A Maçonaria regular só admite no seu seio crentes. Deixa, porém, ao critério de cada um a crença concreta que cada um professa, nada lhe importando a forma como cada um vive a sua crença. as obrigações que respeita (ou infringe...), a forma como se organiza (ou não) a estrutura que porventura enquadre a prática da religião professada, nem sequer a designação que cada um atribui à divindade que concebe e em que crê. Por isso, adotou uma forma de se referir à Divindade por cada um venerada, que é independente da designação utilizada em qualquer religião e que pretende seja reconhecida por cada crente como referindo-se à Divindade da crença que professa: Grande Arquiteto do Universo. Assim, para a Maçonaria, um maçom pode perfeitamente, sem problemas ou reservas, ser católico, batista, anabatista, mórmon, pentecostal, evangélico, luterano, calvinista, testemunha de Jeová, muçulmano, judeu, hindu, ou o que quer que seja. A sua crença é do seu foro íntimo e é com ela que se junta a...

5 de Outubro, revolução e maçonaria (republicação)

O texto que hoje  republico para Vossa leitura celebra hoje 5 anos e foi escrito pelo  Paulo M.  e pode ser consultado no seu original  aqui ;  sendo que  na data da sua publicação teve um agradável debate de ideias na sua "caixa de comentários". Assim, aqui fica o respetivo texto: "5 de Outubro, revolução e maçonaria Não pode deixar-se passar a data de 5 de Outubro - aniversário da implantação da República em Portugal - sem se falar na Maçonaria. É público e conhecido o papel que a maçonaria teve neste evento. De facto, a revolução não só terá sido promovida, arquitetada e executada - pelo menos em parte - por maçons, como a maçonaria terá na mesma participado ativamente de forma institucional. O que poucos saberão é que tal modo de atuação é daqueles que distingue a Maçonaria Regular da Maçonaria Liberal. Não se questiona o mérito da causa, mas a forma e os meios utilizados. De facto, as razões invocadas para a revolução - o despotismo po...

Política e Maçonaria Regular...

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(imagem proveniente de Google Images) O próprio título desta publicação poderá parecer por si só uma possível contradição. Uma analogia direta entre política e Maçonaria Regular nunca poderá ser feita em concreto porque em Maçonaria Regular não se discute política. E muito simplesmente porque tal não é permitido pelas suas próprias regras, os seus  Landmarks ,  que no seu sexto artigo impede que este tipo de discussão possa ter lugar numa loja maçónica.  O próprio Rui Bandeira, autor deste blogue, já teve oportunidade de expressar a sua opinião, tanto neste  texto   bem como na sua respetiva “caixa de comentários” foram debatidas outras perspetivas sobre o assunto… Mas no que ao tema deste post concerne, a proibição existente em relação à abordagem de temas políticos numa sessão maçónica é apenas em relação à discussão e debate de ideias relativas à política partidária. Porque abordando a política como conceito em si, conceito este como sendo a...

Quinze anos, 10 dias e 12 horas depois

Terminou a contenda, a separação e a desunião.  Já aqui neste blog foi falado e escrito sobre os negros momentos de separação vividos no passado quando aconteceu a cisão em 1996. Não pode acontecer de maneira diversa agora que aconteceu a união. É apenas normal que aqui dela se fale. Este sábado,  15 anos, 10 dias e 12 horas deu-se a junção das duas facções resultantes da cisão de 1996 sob a liderança do MRGM José Moreno, Grão Mestre da GLLP/ GLRP. Nunca a sigla GLLP/ GLRP significou tanto, quanto a partir desse momento. Mas e haverá muito mais a dizer ? Há mas não agora !  E quem sabe se agora a Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues vai ficar novamente completa. Quem sabe se os desígnios do GADU permitirão que a esperança plasmada num documento  cuja maioria da resoluções foi votada unanimemente se torne uma realidade. Quinze anos, 10 dias e 12 horas depois recomeçou o futuro. José Ruah

Como se pode - ou não - falar de religião em loja

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A proibição de discussão religiosa em loja é assunto reiteradamente debatido. Não há, todavia, como o exemplo para ilustrar o princípio. Quando procurava uma ocorrência - real ou fictícia - que não soasse forçada, recebo um simpático cumprimento feito por um leitor aqui num dos comentários: "Que o Senhor lhe conceda discernimento para encontrar a verdade que liberta e está em Cristo Jesus!" . Nem de propósito. Este cumprimento, feito sem qualquer dúvida com a melhor das intenções, consubstancia, precisamente, o tipo de discurso que, apesar de socialmente admissível fora de loja, não o é numa loja maçónica. Mas porque é que um simples cumprimento como este - que até é auspicioso, traduzindo os desejos de que suceda ao seu destinatário uma coisa que o emissor tem por positiva - não é admissível em loja? Vejamos com mais atenção o que se diz. "Que o Senhor"... Até este início insuspeito pode gerar controvérsia; se, por exemplo, se pertencer a uma religião que denom...

Vida em sociedade: confiança vs. ordem?

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A população mundial há apenas 200 anos era 8 vezes menor do que é hoje. Recuemos alguns milénios e veremos a população mundial reduzir-se a poucas dezenas de milhões, número que hoje associamos a uma grande cidade. Primeiro nas tribos nómadas, depois nas aldeias após o advento da agricultura, agremiavam-se poucas dezenas de pessoas que se conheciam e conviviam do berço ao túmulo. Não havia como se esconder numa pequena povoação; mais valia não se ter nada a ocultar. Sabia-se precisamente quem eram "os nossos" e quem eram "os outros", os "da casa" e os "de fora". Se algo a isso obrigava, tinha que se fugir para outra povoação mais longínqua; não havia como permanecer e passar despercebido. Esse facto condicionava fortemente o comportamento das pessoas, que agiam em função da reação da comunidade, que por seu lado estava vigilante e atenta (sempre houve coscuvilheiras...) e caía implacavelmente em cima do prevaricador. Como a Terra não estica, o ...

5 de Outubro, revolução e maçonaria

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Não pode deixar-se passar a data de 5 de Outubro - aniversário da implantação da República em Portugal - sem se falar na Maçonaria. É público e conhecido o papel que a maçonaria teve neste evento. De facto, a revolução não só terá sido promovida, arquitetada e executada - pelo menos em parte - por maçons, como a maçonaria terá na mesma participado ativamente de forma institucional. O que poucos saberão é que tal modo de atuação é daqueles que distingue a Maçonaria Regular da Maçonaria Liberal. Não se questiona o mérito da causa, mas a forma e os meios utilizados. De facto, as razões invocadas para a revolução - o despotismo político-religioso, a ausência de liberdade de culto e da liberdade de consciência que se viviam no regime de então - são válidas e meritórias, e pode mesmo dizer-se que pertencem ao ideário maçónico. Todavia, algumas questões de fundo separam inexoravelmente as duas correntes da Maçonaria - Regular e Liberal - e podem ser apreciadas neste contexto. Por um lado, ...

A Maçonaria incorpórea

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"Ministro da Saúde acusa Medicina de incoerência". "Engenharia desacredita cursos do ensino privado". "Dança moderna na bancarrota". "Atletismo acusado de burla". "Geografia convoca eleições". "Química sobe os preços dos combustíveis". Imaginem qualquer destas frases na primeira página de um jornal. Nenhuma delas faz sentido, pois não? Agora imaginem-nas alteradas desta forma: "Ministro da Saúde acusa Ordem dos Médicos de incoerência". "Associação dos Engenheiros Civis desacredita cursos do ensino privado". "Escola Nacional de Dança Moderna na bancarrota". "Tesoureiro do Conselho Superior de Atletismo acusado de burla". "Sociedade Lisbonense de Geografia convoca eleições". "GALP sobe o preço dos combustíveis". Já se percebe melhor, não acham? A Medicina, a Engenharia, a Dança, o Atletismo, a Geografia, a Química, não são entidades; são, quando muito, nomes de áreas ...