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Do valor da parábola

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Quem acompanha este blogue sabe que, com exceção das "alegorias" de (algumas) sextas-feiras, privilegio a publicação de textos originais meus. A recente publicação de "Tive um sonho" e de " O último grau " é a exceção que conforma a regra. Estes dois textos - que, afinal, são apenas um, apenas dividido, por razões de extensão, em duas publicações no ótimo blogue The Beehive , do excelente sítio Freemason Information - impressionaram-me quando os li e decidi pedir autorização ao seu autor, Irmão Frederic L. Milliken, para os traduzir e publicar aqui no A Partir Pedra , autorização essa aliás pronta e simpaticamente concedida e que eu agradeço. Duas razões me motivaram ao labor de traduzir e publicar trabalho alheio. A primeira, resultante de uma identificação com a mensagem constante da "palestra" do "último grau", explico-a neste texto. A segunda ficará para um outro. Escrevi já várias vezes, a última das quais há não muito tempo ( O...

O último grau

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Quando entrei na sala da Loja, privado de visão, ouvi a mais bela música que alguma vez ouvi. Não era uma música com que eu estivesse familiarizado, nem com o que a produzia, nenhum instrumento que eu pudesse identificar. Mas era, oh, tão pacífica, trespassava a minha alma e criava uma noção de harmonia e de acordo total. Eu era energia arrastada ou conduzida em pensamento em torno da Loja por esta música, seguindo o que parecia um rumo ao acaso, mas, após oito repetições, fui capaz de discernir que havia quatro repetições de duas manobras, uma sendo um círculo e outra um triângulo . A repetição de manobras foi necessária, como mais tarde me foi explicado, para criar a imagem de um símbolo tridimensional para este grau. E este símbolo era um dos existentes na Câmara do Meio onde recebi este grau. O Esquadro e o Compasso continuavam a adornar o exterior do edifício da Loja, mas dentro deste edifício existia uma Câmara do Meio, onde Pirâmide e Globos eram os símbolos utilizados. Pude ma...

Tive um sonho

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Tive um sonho há não muito tempo. E nesse sonho eu tinha passado para a Loja Celestial e encontrava-me mesmo junto ao Portão das Pérolas. Não era S. Pedro quem me aguardava, mas antes um Peregrino de bordão e lanterna, vestido com um manto ou túnica larga, com o capuz puxado por cima da cabeça. Estava tão dobrado que mal se viam os seus olhos ou o movimento dos seus lábios. "Eis um Viajante", disse ele com uma voz rouca. "Sim, sou e acho que fiz uma longa viagem", retorqui. "Podes prová-lo?", perguntou o Peregrino. "Tenho a certeza que posso provar, sem margem para dúvidas de ninguém, que sou um Mestre Maçon", respondi. "Está bem. Segue-me." "Para onde vamos?" “Para a Loja Celestial.” "A Loja Celestial no além, que bom". "Não, só Loja Celestial; no além já nós estamos." Para iniciarmos o caminho, tentei dar um passo largo, mas permaneci no mesmo sítio. O Peregrino disse: "Aqui, o caminho faz-se em pen...

Da Maçonaria teísta à Maçonaria deísta (II)

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A Maçonaria começou por ser como toda a vivência religiosa era na Europa Medieval: teísta. Com o advento da Maçonaria Especulativa e o progressivo controlo das Lojas pelos maçons aceites, não operativos, sob as influências do Iluminismo e do Racionalismo, tal como na sociedade em geral também na Maçonaria aparece o deísmo. Só que em Maçonaria é muito importante a postura do Homem perante o Divino. É essencial. É constituinte do ideário maçónico. O deísmo não se limita a aparecer na Maçonaria. Irrompe. Jorra. Molda-a. A Maçonaria original, operativa, era essencialmente cristã. Na Europa esse era o pensamento religioso largamente dominante. Para além deste, existia apenas o judaísmo, minoritário e simplesmente tolerado. As vezes, pouco. Nalguns locais (na Península Ibérica, por exemplo), nada. Todos os textos primitivos maçónicos espelham a doutrina cristã. Mesmo as Constituições de Anderson o mostram. Na redação original dos Landmarks, os princípios enformadores da Maçonaria, não se faz...

Da Maçonaria teísta à Maçonaria deísta (I)

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Definido o que se deve entender por deísmo e por teísmo, estamos então em condições de indagar se existe uma Maçonaria teísta e uma Maçonaria deísta, quais os significados destas expressões e as diferenças entre elas. Na época da Maçonaria Operativa, não havia discussões na Europa. Era-se cristão ou judeu e ponto final. A religião entrava na vida de cada indivíduo, não através de uma busca racional, mas como uma caraterística essencial. E a religião era o que os responsáveis da Igreja diziam que era. Analisar questões teológicas era encargo de muito poucos de entre os pouquíssimos que sabiam ler e escrever. A grande massa dos Povos tinha a religião do Estado onde se encontrava ou do senhor a quem servia. Não era, sequer, uma questão de escolha. Era de sobrevivência. Literalmente falando. Não se punha, pois, a questão de se ser deísta ou teísta. O conceito de deísmo nem sequer existia. Todos eram teístas, porque todos eram crentes. E quem não fosse, calava e fingia sê-lo, se queria cont...

Deísmo, teísmo, ateísmo

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Em peças anteriores, procurei chegar às definições de deísmo e teísmo, resultando, por contraste, também a de ateísmo. Hoje, pretendo relacionar estes conceitos. Recordemos primeiro as definições que se utilizarão, para que se saiba sempre do que se está a falar: Deísmo - posição filosófica que pretende enfrentar a questão da existência de Deus, através da razão, em lugar dos elementos comuns das religiões teístas tais como a "revelação divina", os dogmas e a tradição . Teísmo - posição que resulta da crença na existência de Deus através da fé, designadamente por via da crença na Revelação em textos sagrados e ou nas profecias de portadores de mensagens tidas como oriundas da Divindade. Ateísmo - posição que postula a inexistência de Deus. Em termos de oposição polarizada, ateísmo opõe-se a teísmo e deísmo. Quem postula a inexistência de Deus insanavelmente se opõe a quem postula a sua existência, seja pela fé, seja pela razão. Entre teísmo e deísmo não existe uma relação de ...

Deísmo - II

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Vimos já que, na versão francesa da Wikipedia, a definição de deísmo, em aparente contradição com o que se escreve na versão inglesa, postula (tradução livre minha): O deísmo, do latim deus , é uma crença ou doutrina que afirma a existência de um Deus e a sua influência no Universo, quer quanto à sua criação, quer quanto ao seu funcionamento. Mas , tal como fizémos em relação à versão inglesa da enciclopédia virtual, olhemos um pouo mais fundo. Verificamos que o artigo prossegue, do seguinte modo (sempre em tradução livre minha): Para o pensamento deísta, certas caraterísticas de Deus podem ser compreendidas pelas faculdades intelectuais do homem. Cá está, afinal, o fio condutor, o cerne efetivamente definidor do conceito! Afinal, as versões das três línguas da enciclopédia virtual acabam por confluir no conceito de deísmo... Pena que tenham dado destaque a elementos secundários diferentes, criando a confusão onde deveria haver esclarecimento... Mas, no anterior texto sobre este tema, ...

Deísmo - I

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Quando se fala em deísmo ou deísta, é necessário estar-se ciente de que o nosso interlocutor ou os nossos ouvintes ou leitores utilizam tais palavras com o mesmo significado que nós lhes damos. Com efeito, há grande probabilidade de duas ou mais pessoas utilizarem estas mesmas palavras com significados mais ou menos diferentes. Daqui à confusão e à incapacidade de entendimento da real posição que se está a procurar transmitir vai um passo muito curto... Facilmente demonstro esta minha afirmação. Se recorrermos à edição em inglês da Wikipedia , verificamos que a noção de deísmo ( deism ) que ali se transmite é a seguinte (tradução livre minha): Deísmo é a crença teísta que existe um Deus Supremo e que criou o Universo físico, mas que não intervém no seu normal funcionamento. Porém, reorrendo em seguida à edição em francês da Wikipedia , verificamos que a noção ali dada de deísmo ( déisme ), surpreendentemente, é a oposta da versão inglesa (de novo tradução livre minha): O deísmo, do la...