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30 agosto 2025

A Musica e o Algoritmo: A Criatividade Humana em Confronto com a Inteligência Artificial


A Inteligência Artificial (IA) tem múltiplas aplicações, desde a correção de textos e a geração de histórias à pesquisa e à interligação de conceitos. É uma ferramenta que nos ajuda no dia a dia, e eu próprio a utilizo para pesquisa avançada e para melhorar a redação dos meus textos. No entanto, a revisão final é sempre minha. Um texto assinado por mim tem de refletir a minha alma e o meu coração. A IA torna os meus textos mais objetivos e fáceis de entender, mas sem nunca retirar a essência que os torna meus.

A IA na Criação Musical: Uma Perspetiva Crítica

Como músico amador, decidi experimentar a IA na criação de música. Pedi-lhe uma canção com o seguinte prompt:
"Jazz, com guitarra clássica e guitarra portuguesa, suave, com uma atmosfera calma e descontraída em 3/4 de tempo. Não quero que muitas notas sejam pagas de uma só vez. É música maçônica."
O resultado foi desastroso. A IA utilizou os instrumentos que pedi, mas falhou no estilo, na suavidade e na descontração. Gerou uma música ao estilo de Carlos Paredes, sem o swing característico do jazz, e muito repetitiva. A única semelhança com o jazz era, talvez, o uso da cadência ii V I.
Tentei um segundo prompt, mais generalista:
"Interação instrumental, guitarra clássica e portuguesa, texturas suaves e fluidas."
O resultado foi quase igual, com pouco de suave ou fluido. Os instrumentos estavam lá, mas a IA voltou a falhar na interpretação da atmosfera que pedi fazendo uma boa musica digna do Mestre Paredes.





A IA no Reconhecimento de Estilos

Posteriormente, analisei os prompts de outro utilizador para músicas que ele tinha gerado, algumas com letras criadas por IA. Os prompts eram genéricos e, em alguns casos, o resultado não foi mau. No entanto, surgiram erros notórios em estilos mais específicos.
A IA geralmente não falha em géneros populares, mas a voz gerada ainda soa robótica. O maior erro ocorreu num pedido para criar uma música ao estilo de Tiago Bettencourt, que resultou numa mistura de música latina e pimba.
Com base nestas experiências, cheguei a algumas conclusões:
  1. A IA gera apenas aquilo que conhece. Não é capaz de criar algo novo se lhe forem dados dois estilos muito fortes. Por exemplo, a IA associou "guitarra portuguesa" ao estilo de Carlos Paredes, um padrão mais forte nos seus dados, e sobrepôs-no ao "jazz". A IA não se conseguiu dissociar da sua referência mais dominante.
  1. A IA é incapaz de ser criativa dentro de um género musical ou de analisar o estilo de um autor e criar música a partir daí.
  1. A IA foi "criativa" ao gerar a música latina pimba, mas não foi capaz de reconhecer que se tratava de um erro grave de interpretação.


 O Funcionamento da IA: Uma Explicação

Decidi questionar a própria IA sobre o seu funcionamento. Eis a resposta que obtive:
    "O Suno é um modelo de inteligência artificial (IA) generativa que cria música. A sua forma de                    funcionar pode ser resumida em três etapas principais:
    * Treino: O Suno foi treinado com um vasto conjunto de dados de música e letras, analisando padrões,             estruturas musicais, melodias, harmonias e até mesmo como diferentes géneros musicais soam.
    * Entrada do utilizador: Quando você fornece um texto (o "prompt"), a IA usa esse texto como base                 para a criação. Você pode descrever um género musical, um sentimento, um tema lírico ou                             simplesmente dar a letra.
    * Geração: O modelo usa o conhecimento que adquiriu no treino para criar a música a partir do seu                 pedido. Ele gera a melodia, a harmonia, os ritmos, os instrumentos e até mesmo a voz. A música é                 completamente nova e original, baseada apenas nas instruções que lhe deu."
Esta resposta confirma que a IA se limita a replicar padrões que lhe são fornecidos. Não substitui o ser humano, que tem a capacidade de ser genuinamente criativo, combinando o conhecimento adquirido com intuição e emoção para gerar novos estilos e música verdadeiramente original.




O Futuro da Música: Uma Reflexão

O que aqui se discute é um exercício puramente académico, já que o futuro dos geradores de música por IA é incerto. No entanto, é importante questionar:
Se a profissão de músico desaparecer e a música se resumir a prompts, será que as pessoas se continuarão a juntar para tocar na praia? O que acontecerá aos concertos de verão, que sustentam músicos e técnicos e proporcionam entretenimento?
Será que teremos concertos com música gerada instantaneamente por prompts através de uma aplicação, sem a necessidade de um DJ ou músico? Ou a música será gerada pela IA, e o artista limitar-se-á a fazer playback e uma coreografia para atrair multidões?
Em qualquer um destes cenários, a profissão de músico estaria em risco, e a música deixaria de ser humana, interpretada e criativa. Sinceramente, espero que o caminho não seja nenhum destes e que a música continue a ser uma expressão profundamente humana.
Gostaria de sublinhar que, para quem nunca tocou um instrumento, o processo de aprendizagem é uma jornada mágica e inexplicável. Apenas quem a vive sabe a verdadeira dimensão da descoberta. Por isso, caro leitor, desafio-o a aprender um instrumento, seja ele qual for, até a flauta de bisel da escola. Vai ver que entrará num mundo novo. A beleza disto é que um músico está em constante evolução; a aprendizagem só termina quando a vontade de descobrir acaba. Se todos se dedicarem a esta jornada, talvez a IA se torne menos relevante..


Nota: A IA ajudou a tornar este texto mais objetivo, mas a sua autoria e a revisão final são minhas.


D∴ G∴ 
M∴ M∴ 

30 junho 2025

IA e Maçonaria: uma nova ferramenta ou um atalho perigoso?

 “O que chamas de prompt engineering, eu chamo de preguiça mental.”

“Se usares isso para fazer pranchas, deixas de pensar por ti.”

“Isso do chatgpt, não é trabalho”

“Vai dar cabo do espírito iniciático.”

Ouvi tudo isto, e mais alguma coisa, de Irmãos que respeito e admiro e percebo o seu ponto de vista. A Maçonaria é, acima de tudo, um caminho pessoal, é natural que, quando se introduz algo novo, especialmente algo que parece vir do mundo da superficialidade, surjam resistências. É humano e os Maçons, mesmo que super Humanos, não deixam de ser Humanos.

Mas também é humano evoluir.

Depois de algumas discussões em conversas, àgapes ou até em Loja, de trocas de ideias mais acesas, outras mais serenas, decidi partilhar o meu ponto de vista sobre o papão que é a Inteligência Artificial, principalmente na "pessoa" do Sr ChatGPT. Não tenho certezas, nem quero ter razão, mas talvez o meu percurso com a Inteligência Artificial, ajude a desmontar alguns receios e a abrir espaço para um debate mais honesto.

Comecei com desconfiança, como qualquer um, mesmo usando-a profissionalmente nunca imaginei passar a fronteira para a vida pessoal profana e para os caminhos que percorro no templo. A primeira vez que pedi ajuda ao ChatGPT para uma prancha, o que recebi foi muito fraco, lixo, um texto genérico, sem sal, sem ponta por onde se lhe pegue, foi directamente para o arquivo morto. Mas a experiência ensinou-me que a IA não substitui o esforço, só responde à pergunta. E se a pergunta for mal feita, a resposta também o será.

Com o tempo, aprendi a usá-la para aquilo em que é realmente boa, pesquisar referências, estruturar ideias, encontrar pontes entre temas improváveis. Um dos casos mais curiosos foi um texto neste blog que escrevi sobre o que une o futebol e a Maçonaria, sem IA, talvez nunca tivesse avançado com ele. Com IA, penso que consegui fazer uma travessia de conceitos, símbolos e vivências que me surpreendeu a mim próprio. A "prompt" (o texto que se dá à IA para gerar algo) foi mais longa que a prancha final, mas valeu a pena.

Com o uso percebi que não se pede à IA que escreva por nós,  pedimos-lhe que penso conosco.

E tal como um Maçom usa o cinzel para desbastar a pedra bruta, eu uso a IA como ferramenta, não me tira o trabalho, mas ajuda-me a ver melhor onde cortar, onde polir, onde aprofundar.

Sim, há quem diga que isto tira autenticidade. Mas o que é mais autêntico? Um texto vazio, mas “feito à mão”, ou uma prancha onde cada frase foi revista, debatida, ajustada até que fizesse sentido, mesmo que com ajuda digital?

A diferença está na intenção, e a IA, como qualquer ferramenta, pode tanto ser usada para empobrecer como para enriquecer. O problema não está nela. Está em nós, ou como se diz corriqueiramente o problema está sempre entre a cadeira e o teclado.

Usar o ChatGPT sem contexto ou reflexão é como chegar ao gabinete de um arquitecto e dizer “quero uma casa”. Qual seria o resultado? A IA, tal como o arquitecto, devolve algo verdadeiramente alinhado com a visão do autor/dono da casa. A casa continua a ser nossa, mesmo que tenha sido desenhada com apoio especializado do arquitecto, o mesmo se aplica a um texto, uma ideia ou uma prancha, a autoria reside na clareza da vontade e na qualidade da orientação, não apenas no instrumento usado. 

Também já ouvi que “isto vai matar o espírito iniciático” e a verdade é que a IA não tem espírito nenhum, o espírito vem de quem a usa. E, até ver, nenhum Maçom deixou de ser Maçom só por ter usado uma nova forma de estruturar pensamentos.

Aliás, talvez o maior valor desta nova tecnologia esteja precisamente aí. Ensinar-nos a fazer melhores perguntas e a estruturar melhor as nossas ideias. A Maçonaria, mais do que dar respostas, sempre foi a Arte de perguntar bem.

Como dizia Einstein:
“The important thing is not to stop questioning. Curiosity has its own reason for existence.”

No fundo, a IA pode ser mais um espelho. Tal como cada um vê algo diferente diante da pedra bruta, cada Maçom verá nesta nova ferramenta aquilo que traz dentro de si. Há que abraçar a mudança e a evolução com vontade. 

"The greatest enemy of change is the illusion of security.",  John C. Maxwell



João B. M∴M∴ e também o Sr ChatGPT