A Musica e o Algoritmo: A Criatividade Humana em Confronto com a Inteligência Artificial
A Inteligência Artificial (IA) tem múltiplas aplicações, desde a correção de textos e a geração de histórias à pesquisa e à interligação de conceitos. É uma ferramenta que nos ajuda no dia a dia, e eu próprio a utilizo para pesquisa avançada e para melhorar a redação dos meus textos. No entanto, a revisão final é sempre minha. Um texto assinado por mim tem de refletir a minha alma e o meu coração. A IA torna os meus textos mais objetivos e fáceis de entender, mas sem nunca retirar a essência que os torna meus.
A IA na Criação Musical: Uma Perspetiva Crítica
"Jazz, com guitarra clássica e guitarra portuguesa, suave, com uma atmosfera calma e descontraída em 3/4 de tempo. Não quero que muitas notas sejam pagas de uma só vez. É música maçônica."
O resultado foi desastroso. A IA utilizou os instrumentos que pedi, mas falhou no estilo, na suavidade e na descontração. Gerou uma música ao estilo de Carlos Paredes, sem o swing característico do jazz, e muito repetitiva. A única semelhança com o jazz era, talvez, o uso da cadência ii V I.
Tentei um segundo prompt, mais generalista:
"Interação instrumental, guitarra clássica e portuguesa, texturas suaves e fluidas."
O resultado foi quase igual, com pouco de suave ou fluido. Os instrumentos estavam lá, mas a IA voltou a falhar na interpretação da atmosfera que pedi fazendo uma boa musica digna do Mestre Paredes.
A IA no Reconhecimento de Estilos
A IA geralmente não falha em géneros populares, mas a voz gerada ainda soa robótica. O maior erro ocorreu num pedido para criar uma música ao estilo de Tiago Bettencourt, que resultou numa mistura de música latina e pimba.
Com base nestas experiências, cheguei a algumas conclusões:
- A IA gera apenas aquilo que conhece. Não é capaz de criar algo novo se lhe forem dados dois estilos muito fortes. Por exemplo, a IA associou "guitarra portuguesa" ao estilo de Carlos Paredes, um padrão mais forte nos seus dados, e sobrepôs-no ao "jazz". A IA não se conseguiu dissociar da sua referência mais dominante.
- A IA é incapaz de ser criativa dentro de um género musical ou de analisar o estilo de um autor e criar música a partir daí.
- A IA foi "criativa" ao gerar a música latina pimba, mas não foi capaz de reconhecer que se tratava de um erro grave de interpretação.
O Funcionamento da IA: Uma Explicação
"O Suno é um modelo de inteligência artificial (IA) generativa que cria música. A sua forma de funcionar pode ser resumida em três etapas principais:
* Treino: O Suno foi treinado com um vasto conjunto de dados de música e letras, analisando padrões, estruturas musicais, melodias, harmonias e até mesmo como diferentes géneros musicais soam.
* Entrada do utilizador: Quando você fornece um texto (o "prompt"), a IA usa esse texto como base para a criação. Você pode descrever um género musical, um sentimento, um tema lírico ou simplesmente dar a letra.
* Geração: O modelo usa o conhecimento que adquiriu no treino para criar a música a partir do seu pedido. Ele gera a melodia, a harmonia, os ritmos, os instrumentos e até mesmo a voz. A música é completamente nova e original, baseada apenas nas instruções que lhe deu."
Esta resposta confirma que a IA se limita a replicar padrões que lhe são fornecidos. Não substitui o ser humano, que tem a capacidade de ser genuinamente criativo, combinando o conhecimento adquirido com intuição e emoção para gerar novos estilos e música verdadeiramente original.
O Futuro da Música: Uma Reflexão
Se a profissão de músico desaparecer e a música se resumir a prompts, será que as pessoas se continuarão a juntar para tocar na praia? O que acontecerá aos concertos de verão, que sustentam músicos e técnicos e proporcionam entretenimento?
Será que teremos concertos com música gerada instantaneamente por prompts através de uma aplicação, sem a necessidade de um DJ ou músico? Ou a música será gerada pela IA, e o artista limitar-se-á a fazer playback e uma coreografia para atrair multidões?
Em qualquer um destes cenários, a profissão de músico estaria em risco, e a música deixaria de ser humana, interpretada e criativa. Sinceramente, espero que o caminho não seja nenhum destes e que a música continue a ser uma expressão profundamente humana.
Nota: A IA ajudou a tornar este texto mais objetivo, mas a sua autoria e a revisão final são minhas.
M∴ M∴