15 outubro 2020

A Loja pós-pandemia


A interrupção dos trabalhos presenciais em resultado da pandemia constituiu, obviamente, um apreciável transtorno para a Loja. Interrompeu-se a programação do ano, bem como o contacto presencial entre os obreiros da Loja. Ao fim de algum tempo, passou-se a utilizar os meios técnicos disponíveis para passar a reunir em videoconferência, nas mesmas noites em que normalmente haveria sessões de Loja. Foi o remédio possível, mas rapidamente se verificou que... não é a mesma coisa! Nem poderia ser, claro.

Inicialmente, nas duas ou três primeiras videoconferências, ainda houve a alegria do reencontro, ainda que por meios virtuais. Mas depois começou a ouvir-se o lamento, de cada vez mais de nós até ser evidente haver unanimidade nesse sentimento, de que... falta o ritual! E falta, efetivamente. 

Mas em quase todas as situações podemos escolher ver o copo meio vazio ou olhar para o copo meio cheio. O copo está meio vazio, porque falta o ritual. Mas, por outro lado, afinal o copo está meio cheio, porque nos demos conta de que falta o ritual!

Efetivamente, antes da pandemia (e subjetivamente este “antes da pandemia” começa a parecer-nos algo como “no século passado”...) quantos de nós REALMENTE tínhamos a noção da importância do ritual? Cada um que confesse a si próprio: é ou não verdade que, antes da pandemia, ao menos uma vez, em momento de maior cansaço ou num assomo de aborrecimento, se pensou que a repetição uma e outra vez do ritual era, afinal, uma perda de tempo e que mais valia tratar-se do que se tinha a tratar, debater-se o que se tinha a debater, decidir o que se tinha a decidir sem se “perder tempo” com a repetição de um ritual já conhecido? E não terá porventura havido alguma vez em que o ritual de encerramento foi “despachado” em alta velocidade porque já era tarde e o ágape esperava?

 Pois bem, agora vimos, agora sentimos, que o ritual nos faz falta. Que a repetição daquelas frases, por alguns já centenas de vezes ouvidas, nos conforta, que a audição desse diálogo nos sintoniza, que os princípios, os lemas, os símbolos  dele constantes nos relembram as condutas que devemos seguir, as melhorias que nos esforçamos por fazer, o sentido da vida que buscamos.

 Se algo de bom para a Loja resultou da paragem em resultado da pandemia, foi isto mesmo: lembrou-nos como o ritual é importante, como nos faz falta, como integra a essência de ser maçom.

 Assim, enquanto nos mantemos nesta “apagada e vil tristeza” de nos irmos vendo (alguns de nós, que a outros as videoconferências nada dizem) bimensalmente por videoconferência, comecemos, cada um de nós de si para si e todos em conjunto, a preparar o regresso à Luz das nossas reuniões presenciais e ao reencontro com o ritual.

 Porque – não nos enganemos – há que preparar esse regresso e nos prepararmos para esse regresso, pois este interregno deixou marcas, fez-nos perder o hábito de “ir à Loja”, potenciou a nossa preguiça (e venha de lá o mais pintado dizer que preguiça é coisa que não sente e nunca sentiu, que eu logo fraternalmente terei de o apodar de Irmão mentiroso... Um dos vícios para que cavamos masmorras é a preguiça...). Pelo que, quando regressarem as reuniões presenciais, haverá que sacudir todos e cada um de nós para desalojar a instalada rotina de “não ir à Loja” e motivar todos para comparecer... até porque vai haver ritual!

 Na minha ótica, três ações serão necessárias, quiçá indispensáveis.

 1)      Nas duas ou três primeiras sessões, fazer um trabalho mais pronunciado de divulgação e de motivação de todos a comparecer. No limite, organizar que cada um da metade mais assídua tenha a tarefa de contactar, motivar e tentar, por todos os meios exceto a força física, que os menos assíduos agora venham. Não só porque vai haver ritual, mas afinal porque vai haver um RECOMEÇO, um novo ciclo, a organização e funcionamento de uma nova Loja pós-pandemia (quer nós estejamos cientes disso ou não, este interregno pandémico é um corte, uma separação, entre a Loja de antes e a Loja de depois, que será o que nós quisermos, pudermos e conseguirmos fazer dela. Então, os menos assíduos, os menos interessados, os mais ocupados com trabalho, família e tudo o resto que normalmente se atravessa à frente da “ida à Loja”, que melhor oportunidade têm de contribuir para uma Loja mais à medida do seu interesse, das suas necessidades, do que aproveitar o RECOMEÇO e a folha em branco que ele transporta para escrever nela o que mais lhe interessa, para ajudar a fazer da Loja o que eles sentem que falta? A Loja pós-pandemia far-se-á com todos, os que antes vinham mais e os que antes vinham menos (ou não vinham de todo...), que agora podem ajudar a refazer a Loja mais a seu gosto!

 2)       A segunda necessidade a satisfazer é... RITUAL, RITUAL, RITUAL. Se sentimos que o ritual nos está fazendo falta, vamos matar a fome dele! Deveremos dar prioridade, nos primeiros tempos, à execução ritual e, sobretudo, à execução de vários rituais, designadamente o de Iniciação, o de Passagem e o de Elevação. Exceto os dinossauros da Loja (eu e mais um ou dois), miraculosamente ainda não extintos, os elementos do Quadro da Loja podem porventura ter ouvido falar, mas não tiveram experiência dos primórdios dela. E os primórdios dela resume-se a uma palavra triplamente dita: ritual, ritual, ritual. Durante mais de um ano, por imposição do Grão-Mestre Fundador, era a nossa Loja e só a nossa Loja que fazia Iniciações, Passagens e Elevações. No fim desse tempo estávamos exaustos, já deitávamos ritual pelos olhos fora, mas foi com esse trabalho que forjámos a argamassa que constituiu a coesão da Loja e que nos ajudou, ao longo de três décadas, a superar crises e adversidades. A Loja pós-pandemia vai recriar a sua coesão e a execução ritual vai certamente ter um papel nisso. Mas não esqueçamos que para fazer um ritual de Iniciação temos de ter candidatos já inquiridos e admitidos pela Loja à Iniciação. Aproveite-se o tempo de pausa para ultimar as inquirições de quem está nos passos perdidos, de forma a votarmos a sua admissão à Iniciação na primeira sessão presencial de Loja. Para fazer Passagens, temos que ter Aprendizes com o interstício cumprido e as respetivas pranchas lidas. Haverá que verificar se estão reunidas as condições de Passagem também logo na primeira sessão presencial, para programar a Passagem de quem pode fazê-lo logo nas sessões seguintes e assegurar o cumprimento dessas condições aos que ainda as não reunirem, para serem passados logo depois, numa fase subsequente tão rápida quanto possível. E o mesmo quanto às Elevações.

 3)       Finalmente, a terceira necessidade a satisfazer é cíclica na nossa Loja: estabelecer qual o nosso projeto nos tempos mais próximos, que iniciativas vamos assegurar, em que é que nos podemos distinguir das demais Lojas.

Para satisfazer esta necessidade vai ser necessário apresentar ideias, formular projetos, debater prioridades. Este é, por exemplo, um dos pontos que porventura permitirá que os mais desinteressados se voltem realmente a interessar. Mas não tenho ilusões. O passado mostra-nos que este não é um processo fácil, nem rápido, nem sequer particularmente eficiente. Ter ideias, apresentá-las, defendê-las, harmonizar com as sugestões dos demais, estabelecer pontos de entendimento e planos de ação nunca foi, não é e não será nunca fácil. Mas se há algo que os trinta anos da nossa Loja mostram é que este processo, quantas vezes anárquico ou demorado, acaba sempre por, cedo ou tarde, dar resultados positivos. Às vezes de forma não esperada, às vezes sem decisão formal da Loja, mas por avanço de dois ou três a que outros se juntam e acaba por se estar perante um projeto da Loja. Pouco importa. A seu   tempo, algo se fará. E cada coisa que se faça é mais um elemento fortalecedor da Loja e da sua coesão. Nem sempre poderemos avançar rápido. Teremos porventura de fazer pausas, de reordenar prioridades. Mas algo se fará. E muito mais se discutirá e projetará e fará mais à frente.

E verificaremos que, compreendendo que o ritual é importante e dando-lhe a importância que lhe é devida, ele não é tudo. Na Loja, como na vida, o equilíbrio é fundamental e o caminho faz-se caminhando. A Loja pós-pandemia vai necessariamente ser diferente da Loja de antes, mas a essência do que nós somos, essa, vai permanecer. Esta é a Loja Mestre Affonso Domingues! 

Rui Bandeira

Prancha apresentada na sessão virtual da Loja de 14 de outubro de 6020, E. M.


22 setembro 2020

Comunicação do Grão Mestre da GLLP/GLRP aos Irmãos por ocasião do Equinócio de Outono


Lisboa, 22 de Setembro de 6020 

O Equinócio dos tempos que desconhecemos 

Meus Queridos Irmãos, 

Muito gostaríamos de estar reunidos na Assembleia Maçónica da Grande Loja para comemorar o Equinócio do Outono, à semelhança do ano passado, ocasião que foi para todos nós muito especial porquanto estiveram presentes mais de 800 Irmãos, e muitos e ilustres visitantes de 34 delegações oriundas de 26 países espalhados por todo o mundo. 

Há muito que vivemos tempos desafiantes, inquietantes, estranhos e perigosos. Mas a humanidade, ao longo dos milénios, sempre teve enormes problemas para resolver e agora, não sendo os mesmos, incumbe-nos a nós estar à altura dessas interrogações, enfrentando esses perigos e receios. 

O Equinócio é o evento celeste que ocorre duas vezes no ano, em Março e em Setembro. Nos equinócios ambos os hemisférios se encontram igualmente iluminados pelo Sol, na sua órbita aparente vista da terra passa pelo equador celeste, tornando o dia e a noite iguais na sua duração. 

Assim, a linha divisória entre o dia e a noite observada do cosmos torna-se vertical, "ligando" os polos Norte e Sul do nosso planeta. Dá-se o início da mudança das estações. 

É nos equinócios que os maçons recebem as bênçãos do equilíbrio, da igualdade e da justiça, sempre numa contenda para prevenir o desequilíbrio moral, espiritual e social que quotidianamente nos afectam e prejudicam. 

Devemos todos reflectir nisto porque a Maçonaria não vive fora do mundo e das realidades que a cercam e, por isso mesmo, não poderemos nunca ser indiferentes face ao tão vasto horizonte de eventos e desafios com que nos confrontamos. 

Hoje, dia 22 de Setembro de 2020, assinalamos o Equinócio do Outono e não podíamos deixar de o celebrar apesar de o mundo todo - e a maçonaria também - estar confrontado com incógnitas, dúvidas e receios de tamanha dimensão que a todos inquietam e a todos afectam de sobremaneira. 

E celebramos a efeméride porque somos fiéis ao nosso passado histórico e aos “landmarks” que nos impelem a manter viva a chama da maçonaria universal, independentemente dos tempos, devido a esses mesmos constrangimentos que se torna mais premente dizermos presente, e avançarmos para a linha da frente das carências e daquilo que se impõe fazermos. 

Provavelmente, nunca como hoje o planeta Terra, o nosso mundo, se tornou tão próximo de nós. 

Evidenciando as suas fragilidades, é certo, mas também dizendo-nos que o mundo é um só e que, se a todos pertence, igualmente de todos necessita para que a sua sustentabilidade continue a vigorar. 

A pandemia trouxe incomensuráveis problemas e brutais malefícios, mas serviu e serve para mostrarnos que a humanidade é uma só e que todos precisamos de nos unir para subsistir, lutando contra o que desregula a natureza e prejudica a sobrevivência humana e todo o ecossistema planetário, com a sua incontável e maravilhosa biodiversidade. 

É urgente, pois, intervir onde for e como for necessário, visando a recuperação da normalidade da vida em sociedade, mantendo a economia a funcionar, até para que o essencial, como os alimentos, nunca faltem. 

Todavia, é também preciso equilibrar tal desiderato com as acções de combate à pandemia, fazendo o que as entidades sanitárias entendem dever ser feito para evitar as infecções na população, e para diminuir as sobrecargas dos serviços hospitalares. 

Nada é ou será fácil neste equilíbrio, até pelos custos económicos que lhe estão associados e sobretudo quanto aos gastos com a saúde e com os subsídios aos desempregados. Mas torna-se imperioso prosseguir nesta linha para não colocar em risco a nossa saúde e a nossa sobrevivência colectiva. 

É tempo de agir! 

E agir é, por exemplo, dar atenção e reflectir sobre temas que já fazem parte das nossas preocupações e sobre os quais devemos mostrar a nossa inquietação cívica, como as Migrações e as Alterações Climáticas. 

Há um ano realizámos uma Conferência sobre as Migrações, esse enorme problema que continua, infelizmente, na ordem do dia. As migrações continuam a ser hoje uma questão incontornável a nível mundial, e como fenómeno social, económico e político assumem um papel central na opinião pública e no debate político. 

Com base na Carta das Nações Unidas para os Direitos do Homem, documento tão nobre e respeitado por todos aqueles que reconhecem nos valores da maçonaria o melhor quadro genético para a sociedade atingir a felicidade desejada, devemos encarar o problema das migrações como um desafio à própria afirmação do Homem como Ser Justo e Solidário. 

Cientes dos problemas decorrentes de semelhante fenómeno e das suas naturais reacções locais, não deixaremos que nesta reflexão se esqueça a dimensão humana de um problema, que a todos afecta, e perante o qual ninguém pode ficar indiferente. 

O Governo português transmitiu recentemente à Comissão Europeia a sua disponibilidade para participar no esforço europeu de solidariedade para o acolhimento de pessoas que se encontravam no campo de refugiados de Moria. O Secretário-geral da ONU, António Guterres, pede solidariedade europeia para com os Refugiados de Lesbos. Em Lesbos mais de 10.000 pessoas (quase 1.000 são crianças) dormem ao relento e estão a passar fome, situação perante a qual ninguém deve ficar de braços caídos. 

Está na hora de passarmos das palavras aos actos e demonstrarmos a nossa solidariedade. Solidariedade essa que não deve reduzir-se a simples ajuda ou assistência, dando-lhe apenas um significado económico ou material. Não há Solidariedade sem Caridade, sendo esta a principal fonte de todo o valor moral que impregna cada um de nós, no nosso coração. A solidariedade significa a dimensão social da caridade. Na verdade, não há futuro sem solidariedade

Citando Dionigi Tettamanzi: “Há muitas etnias e povos diferentes, mas todas as etnias têm a sua raiz e o seu desenvolvimento na única etnia humana, de modo que todos os povos se encontram num mesmo tecido vivo e unitário da família humana”

É preciso olhar para os migrantes numa óptica global, como pessoas, portadoras de direitos e deveres, merecedoras do nosso respeito e de igual dignidade pessoal, que é devida a cada ser humano. 

No discurso do “Estado da União” Úrsula von der Leyen pediu uma gestão conjunta de todos os países da EU na questão dos Refugiados. 

A crise sanitária é agora, segundo von der Leyen, outro meio para afirmar a Europa como potência à escala global. A crise pandémica mostrou “quão frágil é a nossa comunidade de valores”, afirmou ela defendendo que a União tem de “liderar a resposta global” à covid-19. Criticou ainda os “nacionalismos” na busca de uma vacina, e defendeu a cooperação no desenvolvimento de uma vacina disponível para todos, e não apenas para aqueles que tenham capacidade para as adquirir. von der Leyen assegurou ainda que “a Comissão atribui a maior das importâncias ao Estado de direito” e que o respeito pelas regras democráticas “não é negociável”. E revelou também estar em preparação um plano para combater discursos racistas e de ódio. 

Nós, Maçons, temos o dever de olhar para as questões climáticas. O Secretário-geral da ONU defendeu que os Estados "devem agir juntos face à ameaça climática", a qual é "muito mais grave do que a pandemia em si". "É uma ameaça existencial para o planeta e para as nossas próprias vidas", referiu. "Ou estamos unidos ou estamos perdidos", avisou o secretário-geral da ONU, apelando, em particular, à adopção de "verdadeiras medidas de transformação nos domínios da energia, transportes, agricultura, indústria, e no nosso modo de vida, sem as quais estaremos perdidos". 

Por causa da pandemia do novo coronavírus, várias reuniões internacionais sobre questões ambientais agendadas para este ano tiveram de ser adiadas, suscitando receios de novos atrasos na luta contra as alterações climáticas. 

A 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP26), que pretendia relançar o Acordo de Paris (após o anúncio da retirada dos Estados Unidos em 2017), estava prevista para este ano em Glasgow (Escócia, Reino Unido) e foi adiada para Novembro de 2021. 

Apesar do confinamento em massa, registado a nível mundial por causa da pandemia ter desencadeado uma quebra nas emissões (até 8% a nível mundial, de acordo com algumas estimativas), os cientistas já salientaram que o desenvolvimento global não irá abrandar sem mudanças sistémicas, particularmente nas áreas da energia e da alimentação. 

De acordo com os especialistas da área do ambiente da ONU, a emissão de gases com efeito estufa teria de diminuir 7,6% por ano durante a próxima década. 

A transformação a partir do Green Deal tem na prossecução da neutralidade carbónica da UE até 2050 o “coração da nossa missão”, disse a presidente da Comissão Europeia, von der Leyen. 

Defendeu, assim, que é preciso acelerar o passo para atingir esse objectivo, e anunciou que iria propor que a meta de redução de emissões até 2030 suba de 40% para 55%. 

Ao nível das temperaturas, o ano de 2019 foi o segundo mais quente desde 1880, altura em que começaram os registos modernos de temperaturas. 

Temos de nos mobilizar em torno destes objectivos e procurar influenciar todos para as causas que, pela sua dimensão humana e solidária, nos tocam, enquanto maçons, de forma especial. 

Recuperar e trazer para o tempo presente aquilo que de bom e útil nós maçons fizemos no passado, deve estar sempre na base do nosso pensamento e acção. 

Neste equinócio do Outono quero agradecer e saudar todos os Veneráveis Mestres, e a todos aqueles maçons, que ousaram contrariar esse imobilismo resultante da pandemia, realizando Sessões virtuais, e mantendo dessa forma viva a egrégora da Loja, para satisfação intelectual, filosófica e espiritual de todos os Irmãos. 

É verdade que todos sentimos a falta dos Templos e do Ritual. Os Rituais são acções simbólicas, cuja encenação e participação têm um efeito poderoso na nossa mente e espírito ao ensinar-nos importantes lições e, no limite, e ao ajudar-nos a moldar o nosso carácter e a pautar a nossa vida, através de cerimónias iniciáticas de celebração e passagem. 

Os rituais, como actos simbólicos, representam os valores que produzem uma comunidade coesa, que é capaz de harmonia e de um ritmo comum, sem os quais cada um de nós se sente isolado. A repetição, e portanto a sua prática, é uma característica essencial dos rituais. 

Nós não nascemos maçons, tornamo-nos maçons. E por isso impõe-se também uma palavra especial para todos os Irmãos Aprendizes. Do Aprendiz espera-se trabalho, conhecimento e construção permanente. Não basta a cerimónia de iniciação, nem os juramentos. É preciso o trabalho no Templo, numa busca permanente pela separação entre a luz e as trevas. A maçonaria pretende fazer de um homem bom um homem melhor.

Há, no entanto, Irmãos Aprendizes que, por força da pandemia, desde o dia da sua iniciação não voltaram a reunir em Templo. Mas não devem esmorecer! Eu estarei convosco, estaremos todos convosco, neste nosso caminho na busca incessante de mais luz e, portanto, de mais conhecimento. 

Assim, fruto da nossa experiência adquirida iremos a partir de Outubro, salvo se a situação pandémica e a DGS não o permitirem, realizar Sessões, em regime experimental, gradual e transitório, com um número máximo de 10 Irmãos em Templo e cujas regras estão em fase final de conclusão, e que oportunamente serão divulgadas. 

Esta solução resulta, por um lado, do trabalho e reflexão no seio da nossa Grande Loja e, por outro, de reuniões virtuais, realizadas com outras Obediências Regulares como a UGLE e a GLNF. 

Todos temos a firme convicção que alguma coisa tem de ser feito, sem riscos desnecessários, preservando a nossa segurança, na estrita observância das regras sanitárias, que nos permita de forma gradual retomar a nossa tão desejada e necessária actividade maçónica, para nossa alegria e felicidade. 

O que move o mundo é a busca constante da felicidade e isso é sobretudo um caminho, um percurso individual e colectivo que nunca tem fim pois se tivesse, a obra estaria concluída e tal resultado, bem sabemos, nunca poderá estar terminado, a não ser quando o GADU nos chamar para junto Dele, fechando-se, então, para cada um de nós, a magnifica Abóbada Celeste. 

Durante estes novos tempos de pandemia, que nos têm mantido afastados dos nossos afectosfraternais e contactos pessoais e sociais, realizámos diversas iniciativas. Pela sua importância e mérito destaco duas iniciativas, ambas com a “chancela” da Academia Maçónica: a Revista “O Aprendiz” que hoje publica o n.º 1, desta nova fase editorial; e a Academia de Verão - que contribuiu, seguramente, para ampliar o conhecimento e sabedoria de todos os Irmãos. 

Vamos continuar a demonstrar, por palavras e pelo nosso trabalho e obras, que a Maçonaria e os Maçons, estejam onde estiverem e sejam quais forem as condições, continuam a ser, como sempre foram, obreiros da liberdade, da paz, da harmonia, da justiça, da tolerância e do amor. Mas também motivadores de progresso, de desenvolvimento, de ciência, de educação e de solidariedade. 

Fraternalmente, 

Armindo Azevedo 

Grão Mestre

Recordando Luiz Miguel Roza Dias (2)

 


Miguel Roza, Templário

Trago ao "A-Partir-Pedra" mais um extrato de uma conversa entre amigos. Muito mais do que um programa de televisão, estes encontros com o Luiz Miguel foram conversas entre amigos sobre temas do trabalho literário do nosso Luiz Miguel. Há uma bela coleção de livros saídos da imaginação e do trabalho do Luiz que contempla desde a compilação de documentação relativa à vida de Fernando Pessoa até ao romance passando, com alguma preferência, pela poesia.

Neste extrato falamos sobre "O Templário que Viveu Duas vezes", 1º romance do Luiz Miguel, abrindo uma trilogia que terminou em data já muito próxima da sua passagem ao Oriente Eterno. Mas falamos também de outras coisas. Com o Luiz não era possível estar encerrado num tema. Os assuntos saltam, tal como a vida, e há sempre algo mais e diferente a dizer e a fazer.

É mais um pedaço do nosso querido Luiz Miguel na primeira pessoa. Deixo para todos mais esta recordação da verdade, da alegria de viver que sempre o acompanhou e que espalhou em catadupas por entre todos nós.


18 setembro 2020

Recordando Luiz Miguel Roza Dias (1)



Luiz Miguel na 1ª pessoa

Há poucos dias completou-se um ano sobre a data em que deixámos de ter a presença física do Luiz Miguel entre nós. É uma saudade imensa e salta-me a recordação permanente da alegria, do companheirismo, de tanta coisa que, se quiser ser justo, daria para preencher um blog inteiro com as qualidades humanas deste Homem exemplar. Só quem teve a felicidade de conviver com o Luiz sabe o exemplo de vida que ele nos legou. Companheiro como poucos, solidário como muito poucos, fraterno como raros. 
Neste primeiro ano de ausência resolvi recordar o Luiz Miguel por Si próprio.
É um excerto de uma conversa que tivemos os dois. É o Luiz na 1ª pessoa.

14 setembro 2020

Recordando Alexis Botkine (3)




Passaram algumas semanas e retorno ao encontro dos nossos acompanhantes para terminar esta recordação do nosso Querido Alexis,  sempre presente entre todos os que o conheceram e com ele tiveram a oportunidade de conviver. É a terceira intervenção do Alexis, com a Maria Delfina no piano, que incluo nesta recordatória de um grande Maçon, grande Amigo e enorme Homem do mundo.

21 agosto 2020

Recordando Alexis Botkine (2)


“RAMO DE FLORES E DANÇA”

Conforme prometido aqui Vos deixo um momento que é bem a recordação de um grande interprete, na verdade de dois grandes interpretes, da música do mundo. O título da peça pode muito bem representar a imagem do caracter do Alexis. Ele que foi um amante da vida, que espalhou as flores da sua alegria por todos os que com ele conviveram. Fica-me para todo o meu sempre, a memória do sorriso vivo e malandro com que pegava no violino ou na balalaika e andava entre as mesas dos nossos ágapes brancos, tocando para todos, mas com dedicatória especial junto do elemento feminino. Nunca perdeu a oportunidade de um piropo musical, ele que sobrepôs sobre tudo, o respeito pelas pessoas e pelos seus sentimentos.

20 agosto 2020

Recordando Alexis Botkine (1)


 

No arquivo histórico da RLMAD existem peças de inestimável valor histórico e sentimental com valor absoluto, claro, mas especialmente valorizadas pelos mais antigos da “casa” que por isso mesmo, tiveram maior convivência com a história da Loja. Tem acontecido que Irmãos deixem os seus espólios ao cuidado da Loja por sentimento, ou por passagem ao Oriente Eterno. É este o caso do nosso queridíssimo e saudosíssimo Irmão Alexis Botkine. Ele foi um exemplo para todos nós e é uma saudade permanente para quem com ele conviveu, participando da sua enorme sabedoria, da sua permanente alegria, da sua espantosa disponibilidade para participar e ajudar.

Sobre a sua memória escreveu José Ruah:

Alexis era o mais velho, o mais antigo, o mais conhecedor de todos nós, e era talvez o mais otimista e alegre de todos.

E era assim de facto o Irmão Alexis.

O Alexis quis que parte importante do seu espólio ficasse à guarda da Loja, e desse conjunto extraí 2 peças da sua música que ajudam a recordá-lo. Hoje deixo uma peça com um grupo de dança organizado e dirigido por ele, em Geneve.

Numa próxima mensagem incluirei uma peça com Balalaika e Piano, sendo que ao piano estará a nossa Cunhada Maria Delfina Botkine.


22 junho 2020

Comunicação do Grão-Mestre da GLLP/GLRP aos Irmãos por ocasião do solstício de verão


Queridos Irmãos,

Começo por enviar as minhas saudações fraternas e amigas a todos os meus queridos Irmãos. Faz hoje um ano em que estávamos reunidos, em Assembleia da Grande Loja, para comemorar o Solstício de Verão, como é tradição Universal na nossa Fraternidade.

Infelizmente, hoje como no Equinócio da Primavera, continua a não ser possível vivermos esta data em convívio fraterno, que marca um dia especial para a Maçonaria e para os Maçons.

Nos últimos meses fomos confrontados com um surto epidemiológico que alterou de forma radical as nossas vidas, e que nos trouxe privações nunca antes vivenciadas.

Nunca o planeta foi atingido de forma tão extensa e profunda por uma pandemia como a que estamos ainda atravessar, porquanto a doença chegou até aos confins lugares mais distante da Terra, incluindo ilhas e ilhotas, no mais recôndito dos oceanos.

Desde o início desta nefasta ocorrência que nós, Maçons Regulares portugueses e também de todo o mundo, nos manifestamos pela palavra, por actos e obra feita. Sempre discretos, mas assertivos no combate ao vírus e às consequências provocadas nas sociedades humanas.

Chegados aqui, com o decrescer dos efeitos negativos da pandemia, impõe-se dizer que sempre acreditamos na força e inteligência do homem para enfrentar a desdita e, claro, nunca duvidamos de que com a protecção do G.A.D.U. a nossa tarefa seria um êxito. E é isso que está a acontecer pois, iluminados pelo Todo-Poderoso, seguimos o único caminho certo: continuar a obra do nosso Templo Interior.

Estas palavras antecedem o essencial da mensagem por ocasião do tão esperado Solstício de Verão, que comemoramos a 20 de Junho. Este ano, ainda semi-confinados, não poderemos festejar como sempre, o raiar da nossa estrela, da qual dependemos para a vida.

Mas o Solstício aí está, com o movimento aparente do Sol na esfera celeste a atingir a maior declinação em relação à linha do equador, no caso, no hemisfério norte.

E é assim que nos obrigamos a receber essa luz para enfrentar as lutas, todas as lutas que dificultam o avanço do progresso ou impedem o crescimento do conhecimento do homem.

Estes tempos de confinamento e distanciamento social, a que a pandemia nos obrigou, não nos afastaram das nossas preocupações mundanas.

E bem vemos o que se passa no mundo de hoje, em que a pandemia tanto contribui para que as misérias humanas crescessem volumosamente, criando milhões de desempregados, doentes e esfomeados.

Nunca tantos sofreram tanto em tão pouco tempo.

Se já tínhamos antes, os migrantes e refugiados, passamos a ter os sem trabalho a uma escala inaudita, com reflexos em todos os aspectos essenciais da vida, e que se resumem ao desespero das famílias para fazerem face aos seus compromissos.

É verdade que a pandemia também permitiu muita solidariedade, levou os povos a questionarem a política e a procurarem novos caminhos para o futuro, mas o mais significativo que poderá ter produzido, é a noção de que o planeta é um todo singular, que pertence a todos os que nele habitam e nele fazem um ecossistema de interdependências que obrigam a uma prolixa conectividade biológica (a vida) entre todos os seres, desde os micróbios, às florestas e aos homens. E certamente, tudo e todos, dependentes do Sol, da sua radiação, do seu calor, da sua iluminação.

Este momento deve fortalecer a solidariedade e despertar a responsabilidade individual para com o colectivo, para com a sociedade.

O Homem, soberano e árbitro de si mesmo, no seu livre arbítrio, apesar de portador de uma capacidade criativa, e de transformação do mundo, não tem sido capaz de se transformar a si mesmo.

O Homem é um ser eminentemente social. Esta circunstância impõe, a cada um de nós, um forte compromisso e respeito para com os outros e, com a nossa consciência.

Agora, mais do que nunca, teremos de aproveitar esta situação para defender o nosso planeta e criarmos a sustentabilidade de que carece para nos mantermos vivos e vivermos na beleza desta Terra, tão longinquamente colocada no espaço e num extremo do braço da Via Láctea.

E se temos a certeza de que os nossos valores e crenças, aqueles que enformam todos os Maçons, nos garantem o bom caminho e o bom augúrio, então digo-vos que se não aproveitarmos os dias longos banhados pelo nosso Sol, para fazermos o bem e lutarmos por um mundo melhor, as noites que se seguem a partir deste Solstício começam a ganhar forças crescentes até ao Equinócio do Outono e assim perderemos a luz de que tanto precisamos para procurarmos concluir as obras do nosso templo.

Hoje gostaria de honrar aqueles Irmãos corajosos que tomaram a decisão de restaurar a Regularidade no nosso país e ousaram criar a Grande Loja Regular de Portugal em 29 de Junho de 1991, com o apoio da G.L.N.F..

Presentemente, é mais fácil entender porque um grupo de Maçons tenha decidido, aquilo que para muitos, naquele tempo, parecia uma aventura: a instalação da Regularidade em Portugal.

Este caminho foi encetado por um grupo liderado por homens, infelizmente alguns já desaparecidos, e dos quais se destaca a figura de Fernando Teixeira, primeiro Grão Mestre da Grande Loja Regular de Portugal.

A G.L.R.P. agrupando diversas Lojas e personalidades, das mais variadas origens, profissões, idades e ideologias uniram-se pelas mesmas crenças, foi reconhecida pelas potencias maçónicas Regulares do mundo.

Assim, passou a existir em Portugal a Maçonaria Regular disposta a abrir-se a todos os Maçons que, de forma consciente, se sentissem atraídos por ela e pelos seus princípios e valores. A postura dos Maçons Regulares é diferente dos Maçons, ditos irregulares, perante as grandes questões.

Muitas obras publicadas referem-se à Maçonaria em geral, sem qualquer distinção entre a Maçonaria Regular e a irregular. A Maçonaria Regular deve continuar a lutar para evitar que lhes sejam imputados princípios e atitudes que não são os seus.

Nas Constituições de Anderson (1723), documento fundamental para a Maçonaria, os seus autores, dois pastores protestantes, Desagulliers e Anderson, referiam-se à Maçonaria: “como lugar de encontro de homens de uma certa cultura e preocupações intelectuais, interessados por uma certa fraternidade humanista, situada acima das oposições sectárias, causadoras de sofrimento, e que tinham como objectivo fundamental a criação de uma atmosfera de tolerância e de fraternidade”.

A Maçonaria Regular está intimamente ligada à Maçonaria Universal dos últimos trezentos anos, congregando pessoas de todas as ideologias democráticas, não devendo, como tal, intrometer-se na vida político-partidária, como aliás, resulta imperativamente da sua Constituição.

A Maçonaria Regular é a maior e a mais antiga fraternal ordem secular no mundo, que reúne homens de todos os países, raças, crenças e opiniões, em paz e harmonia. É uma fraternidade Universal, dedicada ao aperfeiçoamento intelectual, moral e espiritual dos seus elementos, e por essa via, à melhoria e ao progresso da Sociedade.

Pertencemos a uma Ordem iniciática que, em estrita fidelidade aos juramentos e às regras ancestrais e imutáveis, deve balizar o nosso horizonte espiritual em conformidade com os valores da Maçonaria.

Na Maçonaria Regular só é admitido aquele que declare a sua Crença em Deus, Grande Arquitecto do Universo (1º Landmark). Os Maçons prestam os juramentos mais solenes sobre os livros fundamentais das suas religiões (7º Landmark) e trabalham à Glória do Grande Arquitecto do Universo, expressão que utiliza para designar o Princípio Divino Criador, que cada um dos seus elementos conceba ou aceite, segundo a sua convicção religiosa ou espiritual.

Este princípio de tolerância religiosa vem ao encontro do movimento ecuménico, pelo que acreditamos que o espírito de desconfiança e ressentimentos, dos tempos idos, contra a Maçonaria Regular, está a ser gradualmente ultrapassado.

O 6º Landmark proíbe, formalmente: “…no seu seio, toda e qualquer discussão ou controvérsia política e religiosa.” Ou ainda, o 10º Landmark: “os Maçons cultivam nas suas Lojas o amor da Pátria, a submissão às leis e o respeito pela autoridade constituída.”
Compreender que todos somos essencialmente iguais, valorizar as diferenças inerentes à nossa individualidade, articular o que é comum com o que é diverso, em harmonia e tolerância, são características da Maçonaria. Para nós os Maçons Regulares, reconhecer a Igualdade é valorizar e aproveitar a Diferença.

E, por isto, no coração do Maçom, Igualdade e Solidariedade são meios para atingir o fim, ainda mais nobre, da União entre todos os Homens, independentemente da sua origem, da sua religião ou filiação política ou, empregando uma narrativa maçónica: “Encontrar o Equilíbrio e Reunir Tudo o que anda Disperso”.

A Maçonaria Regular aspira à melhoria da Sociedade através da melhoria dos seus membros e do exemplo por eles transmitido.

A Maçonaria Regular pretende precisamente SER e FAZER melhor do que o comum da sociedade e, assim, contribuir, pela via do aperfeiçoamento dos seus membros, para a melhoria, para o desenvolvimento e para o avanço ético da Sociedade. Esta tem de ser uma hora e um tempo de solidariedade.

Estima-se que nos próximos meses muitas empresas, em diversos sectores de actividade, deixem de laborar, que muitos milhares de pessoas possam perder os seus empregos, diminuição das condições de vida, de empobrecimento, que trará inevitavelmente problemas agravados para um Sistema Nacional de Saúde, centrado no Covid-19, e que por isso tem prestado pouca atenção a outras doenças mais graves ou às patologias cronicas.

D. José Tolentino de Mendonça, uma das vozes mais esclarecidas e inspiradoras da nossa contemporaneidade, disse (10JUN20): “desconfinar não é simplesmente voltar a ocupar o espaço, mas é poder, sim, habitá-lo plenamente”.

O cardeal português pediu ainda um “novo pacto ambiental”, citando a encíclica “Laudato Si” (Papa Francisco), que apela a uma ecologia integral, na qual os seres humanos sejam “cuidadores sensatos” do mundo em que vivem.

D. Tolentino de Mendonça, cita o Canto Sexto d’Os Lusíadas: “a tempestade não suspendeu a viagem, mas ofereceu a oportunidade para redescobrir o que significa estarmos no mesmo barco”. Neste enorme barco que é a nossa vida e numa clara alusão ao perigo que representa a desunião global.

E continua D. Tolentino de Mendonça, e cito: “a tempestade provocada pela covid-19 obriga-nos, como comunidade a reflectir sobre a situação dos idosos, que estão mais sós, mais pobres, remetidos muitas vezes para precários contextos de institucionalização”; e, por ultimo enfatizou: “A vida é um valor sem variações e por isso, mesmo uma vida mais curta não tem menos valor intrínseco que uma vida mais longa”. Que extraordinária lição de vida, de afectos e de humanismo!

Se estamos ainda no tempo do mote lançado por mim, há seis meses: Temos de Agir! Precisamos de saber “Se Agimos” e se o fizemos é porque as sementes, então lançadas estão agora a florir. E isso reconforta-nos porque os Maçons querem sempre ser os melhores – e não os maiores – mas melhores no benefício dos outros e do engrandecimento da humanidade.

Cada maçom tem a possibilidade de aperfeiçoar-se, de instruir-se, de disciplinar-se, de conviver com pessoas que, pelas suas palavras, pelas suas obras, podem constituir-se em exemplos na sociedade, e encontrar afectos fraternais em qualquer lugar que esteja, dentro ou fora do país.

Finalmente, o Maçon obtém a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo que em pequena escala, para a obra moral e grandiosa levada a efeito pelos homens.

É por essa razão que os Maçons espalhados pela Terra são convocados a agir, isolada ou colectivamente, para minorar o sofrimento, para evitar as doenças, para promover o desenvolvimento, para matar a fome, para elevar a ciência, para defender a liberdade, para tolerar as diferenças, para combater as injustiças, e apelar aos governantes para as emergências sociais das guerras e dos conflitos.

O Futuro não vai ser fácil. Só unidos e com a Luz do Grande Arquitecto do Universo a iluminar o nosso caminho é que chegaremos lá.

Devemos estar orientados para objectivos que nos cativem, porque só assim conseguiremos, em prol do bem da humanidade, contribuir para o bem estar das pessoas. É isso que nos deve nortear.

Eu estarei sempre na linha da frente de todas as “batalhas” na defesa intransigente da dignidade humana, da verdade e da justiça, no combate contra a miséria, a fome e a exclusão.

Mas sei que não estou sozinho, e que o meu olhar se perde na enorme imensidão de todos os Maçons que me acompanham, e que me fazem sentir forte e determinado para concretizar a nossa nobre missão, com bondade, denodo e amor fraternal.

“Ninguém, absolutamente ninguém, deve ficar à beira da estrada”.

Armindo Azevedo
Grão-Mestre