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A Medida do Tempo

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Há lugares que conhecemos muito antes de os visitar. O Egipto é um deles. Desde a escola que nos habituámos a olhar para as pirâmides como uma das maiores realizações da Humanidade, a reconhecer os nomes de alguns faraós e a admirar uma civilização que floresceu nas margens do Nilo há milhares de anos. Crescemos com imagens de templos monumentais, de hieróglifos misteriosos e de túmulos onde a vida e a morte parecem encontrar-se numa mesma narrativa. Mas uma coisa é conhecer o Egipto através dos livros, outra, bastante diferente, é estar diante da Grande Pirâmide de Quéops e tentar compreender o que significou erguê-la há cerca de quatro mil e quinhentos anos. À primeira vista, a grandeza das pirâmides está nas suas dimensões. A quantidade de pedra, o peso dos blocos, a precisão das linhas e a extraordinária resistência ao passar dos séculos impressionam qualquer visitante. Porém, à medida que nos aproximamos, a admiração começa a deslocar-se da obra para aqueles que a construíram. É ...

Dos Devoristas ao Gang do Avental

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Há poucos dias, Paulo Pinto publicou no Observador um artigo intitulado “ Maçonaria: os Devoristas ”, um texto que vale a pena ler porque toca num tema que acompanha a Maçonaria há muito tempo, a relação entre Maçonaria, poder, influência e a suspeita que muitas vezes nasce apenas da condição de alguém ser maçom. O ponto de partida é histórico e leva-nos ao liberalismo português do século XIX, quando a presença de maçons na vida política era relevante e quando a Maçonaria se cruzava naturalmente com muitos dos homens que participaram na construção do Estado liberal, mas talvez seja importante olhar para esse século com os olhos desse século, numa época em que era absolutamente normal políticos, militares, diplomatas, comerciantes ou académicos pertencerem a clubes, sociedades, associações e outros círculos privados de sociabilidade, como o White’s, o Brooks’s, o Athenaeum, o Reform Club ou o Travellers Club. A Maçonaria não era apenas mais um desses clubes, porque tinha uma dimensão in...

Dá-me lume, Jorge

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Já foram quase duas semanas e continuo a dar por mim a ouvir Jorge Palma. Nestes últimos dias talvez mais do que o normal, mas a verdade é que nunca andou longe das minhas playlists. Não sou propriamente um groupie de concertos, nem tenho por hábito andar atrás de músicos de terra em terra. Os que me fizeram fazer alguns quilómetros só para os voltar a ouvir contam-se provavelmente pelos dedos das mãos. Jorge Palma foi um deles. Tive o privilégio de o ver ao vivo mais de um par de vezes, em sítios diferentes, e havia sempre qualquer coisa de Jorge Palma num concerto que não se explica bem. Podia não estar tudo perfeito, bem longe muitas vezes, podia uma música começar de uma maneira e acabar sabe-se lá onde, mas estava lá ele, o piano, aquela voz que parecia já ter vivido umas quantas vidas e, principalmente, as palavras. Obrigado por ler A Partir Pedra! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho. Não sei se Jorge Palma foi maçom. Não sei se foi ou se não...

JoãoB - Uma nova era na Cadeira de Salomão

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Na passada quarta-feira, dia 23 de Setembro, no Templo e a coberto dos profanos, a Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues viveu mais um momento de profunda relevância e significado com a cerimónia de instalação do seu novo Venerável Mestre, o Irmão João B. O Irmão João B. iniciou o seu percurso na Ordem em 27 de abril do ano maçónico de 6016, tendo desde então servido a nossa Loja com notável empenho e regularidade. Ao longo dos anos, construiu uma caminhada sólida e diversificada de serviço ao Templo, desempenhando com mestria os cargos de Tesoureiro, Mestre de Cerimónias, 2.º Vigilante e 1.º Vigilante. Este percurso constante e demonstrado compromisso conduziram-no agora à Cadeira de Salomão, o lugar de máxima responsabilidade e liderança da nossa Loja. Obrigado por ler A Partir Pedra! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho. Para mim, este momento reveste-se de uma emoção e de um significado ainda mais profundos, por ter a honra de ver instalado n...

Conversas com a IA: Caridade, Solidariedade e Beneficência

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Fiz novamente. Não aguentei e fui aconselhar-me com o ChatGPT. Se não viu ainda quando fiz isso anteriormente, leia em  Conversas com a IA: Declaração pública de pertencer à maçonaria Esse assunto já foi debatido na loja de forma muito profunda e interessante. Ao desafiar a IA, não quis necessariamente respostas. Queria validar meu próprio entendimento. Devo dizer que a simplicidade com que a IA escreveu foi uma surpresa positiva. Veja você mesmo:  Fábio:  Oi, Chat, nós ouvimos falar muito sobre caridade, solidariedade e beneficência. Mas, afinal, qual é a diferença entre elas? E o que deveria ser um dever do maçom? ChatGPT: Eu faria uma distinção simples. Caridade é responder a uma necessidade; beneficência é transformar essa disposição em ações organizadas; e solidariedade é reconhecer que o sofrimento do outro também nos diz respeito. Para o maçom, eu não resumiria o dever a simplesmente "dar". O desafio é praticar o bem de maneira consciente e desinteressada , pro...

A TERRA É CÚBICA!

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Introdução Ao longo do tempo, o ser humano criou várias teorias acerca da forma do planeta em que habitamos há milénios. Inicialmente, na Antiguidade mais remota, a observação direta levava a crer que a Terra era plana e que, ao navegarmos em direção ao horizonte, iríamos cair num enorme precipício. Contudo, a curiosidade humana não se deteve aí. Mais tarde, pensadores como Pitágoras e Aristóteles deduziram teoricamente que a Terra só poderia ser redonda, observando a sombra do nosso planeta na Lua e a posição das estrelas. No entanto, durante séculos, a perceção popular e o medo do desconhecido mantiveram a ideia de um mundo plano e limitado, onde quem ousasse desafiar os dogmas estabelecidos arriscava a marginalização ou a punição. A consciência de cada um tinha de ser como um planisfério: uniforme e sem desvios. A validação prática viria mais tarde. Foi através das grandes viagens marítimas, como a circum-navegação iniciada por Fernão de Magalhães, que se demonstrou empiricamente ...