“Num tempo em que tudo parece exigir
alinhamentos rígidos e pertenças exclusivas, talvez devêssemos olhar para cima
e aprender com o céu, pois ele apenas cumpre o seu percurso. A questão é
saber se nós fazemos o mesmo ou se continuamos a confundir o nosso ponto de
vista com a verdade absoluta.”
Começo pelo fim…
Este primeiro parágrafo é reprodução do último
do texto aqui em baixo (2 andares abaixo deste prédio) da autoria do J.B.
Peguei nele porque nele está parte da grande
questão da Humanidade, considerando que a existência do homem teima em reger-se
por “números", sejam distâncias, sejam horas, sejam capacidades individuais, ir
mais longe, ir mais depressa, saltar mais alto mas também a dimensão da sala ou
saldo da conta bancária.
Tudo números.
E nada que não sejam “milhões”, “biliões”,…
zeros, muitos zeros à direita.
No futebol como na política, na economia como no clima, na miséria como na riqueza.
Números pornográficos são “pertenças exclusivas” de uns tantos, poucos, muito poucos cujo divertimento maior são guerras inexplicáveis para todos. É aqui que os números são maiores, com maior número de zeros à direita, por vezes tantos que se torna difícil verbalizá-los.
Jornais, revistas, televisão fazem questão de deixar bem à vista os pertences exclusivos gigantescos, quanto mais gigantescos melhor, para suposta glória de quem os possui ou de quem os consome.
Quanto custou o teu iate versus quanto custou o
meu jacto…
J.B. aconselha, sugere, que se olhe para cima para aprender com o céu.
Conselho sagaz. Decisão inteligente.
Em muitos locais do planeta, deste planeta, é verdadeiramente
muito importante olhar para o céu ! Não pelas razões a que J.B. se refere mas
porque os drones, os foguetes, os misseis “viajam” em permanência sobre “nós”
rumo à nossa auto destruição e a ansiedade resultante da expectativa do último
momento nos obriga a fazê-lo !
“Num tempo em que tudo parece exigir
alinhamentos rígidos e pertenças exclusivas…”
Maçonaria é tudo menos pertença exclusiva.
A Maçonaria sabiamente deixa os “metais” à porta do Templo.
Há razões fortes que justificam o recato.
É que não vale a pena. A vaidade não é boa conselheira !
Um Maçon vaidoso com os seus metais não cumpre
a condição de Maçon.
O Princípio pelo qual em Maçonaria se deixam os
metais à porta do templo tem a ver com a possibilidade de utilização
comunitária.
As capacidades de alguém que se disponha a ser
recebido Maçon devem ser consideradas ao serviço dos Irmãos, se necessário.
E não apenas as capacidades financeiras, direi
que nem são essas as mais importantes.
Um técnico, um médico, um advogado,… têm muito
mais a partilhar na ajuda aos seus Irmãos do que simplesmente a disponibilidade
bancária.
Mais ainda me parece que o apoio em conhecimento é bem mais valioso do que o apoio em metais.
A Cadeia de União une capacidades Humanas, não une capacidades financeiras.
O Maçon está, deve estar, em
permanente Cadeia de União. As pertenças exclusivas devem ser reduzidas, aqui, à
expressão mais simples.
Para além de tudo o mais há que perceber o
quanto tem de ridículo a busca incessante de riquezas materiais, em ansiedade
permanente, em disputas constantes, em guerras ! Não vale a pena !
Há algum tempo, alguns anos já, trouxe à Loja
um trabalho feito a partir de uma visita a Auchwitz.
Esse trabalho tinha uma intenção que procurei
ficasse bem clara. Queria fazer a força possível, ao meu nível, para acabar com
os chamados “senhores da guerra”.
Hoje, quando me lembro desse trabalho e dessa
intenção sinto uma imensa frustração.
Não só os “senhores da guerra” não acabaram
como se multiplicaram.
A minha vaidade intelectual não chegava ao ponto de me
considerar capaz de influenciar os “governantes” mundiais nem de alterar as
suas decisões absurdas. Mas ao menos que pudesse deixar uma sementinha entre os
Homens livres e de bons costumes que me acompanhavam na apresentação. Não sei
se alguma coisa ficou para além da frustração que agora sinto.
Estou a pôr em paralelo 2 níveis muito diferentes de capacidade de decisão. Mas meus II:. não escondo que me dói
não ter qualquer poder para alterar a cegueira que a vaidade, a ganância e a
estupidez dos homens mais ricos do planeta os leva aos morticínios a que
assistimos diariamente. E não é ao morticínio próprio. É o morticínio de outros
...
E claramente por razões de vaidade desmesurada,
de ganância sem limites, de completa desumanidade.
E nada disso, nada disso, vale a pena. É tudo uma questão de escala, de números, de dimensão !
Apetece-me dizer, ponham-se no vosso lugarzinho e vivam a vida.
Como diz J.B., “olhemos para cima” e tentemos
aprender alguma coisa.
Como de costume deixo-vos um vídeo que apanhei por aí…
Reparem que para confirmar tudo isto basta mesmo olhar para cima. É suficiente. Com os olhos abertos !!!

Sem comentários:
Enviar um comentário