A sobreposição de monologos
As redes sociais vieram dar um novo ritmo à vida. Aproximaram pessoas, afastando-as ao mesmo tempo. Parece paradoxal, no entanto, essa aproximação vem do diálogo através das aplicações (apps) que conseguem manter várias pessoas a comunicar à distância; ou seja, passámos a falar de longe, mesmo estando perto.
Esta distância física acaba por ganhar proporções psíquicas, pois o conforto do sofá faz com que haja uma preferência pelo isolamento em detrimento da presença física. O que torna toda esta experiência interessante é que muitas destas interações são altamente distanciadas e desprovidas de empatia. O resultado prático são discussões online acesas, tanto por temas impactantes como por assuntos ditos “sem jeito nenhum”.
Paralelamente a tudo isto, a qualidade de vida melhorou substancialmente nas últimas décadas, o que permitiu que a maioria da população tenha acesso direto a um telemóvel que, por sua vez, dá acesso às redes sociais. O desenvolvimento da sociedade ocidental atingiu um ponto em que o acesso a um smartphone e à internet já é um dado adquirido. A grande maioria da população possui o objeto e o serviço. Se juntarmos a este cenário uma população cada vez mais literada, temos todos os ingredientes para um fenómeno curioso.
População com tecnologia, internet, acesso ilimitado a redes sociais e ausência de presença física. Levamos tudo ao forno e… BUM!
Ficamos com discussões estéreis nas redes sociais, pessoas que dialogam sem se conhecerem e uma falta de empatia crescente. A este cenário apocalíptico acresce a pesquisa rápida, que cria "especialistas instantâneos" em qualquer tema. O conhecimento que outrora demorava décadas a adquirir, hoje parece estar à distância de meia dúzia de cliques.
Neste cenário de ruído constante, existe um pequeno paraíso onde ainda conseguimos dar uma opinião, ouvir e refletir. Neste espaço, procura-se combater as paixões. E o que são estas malditas paixões? As paixões são os impulsos movidos pela reação imediata e não por atos refletidos. Neste sentido, a paixão é algo que deve ser controlado pela racionalidade.
Ao verbalizarmos ou escrevermos uma opinião, devemos fazê-lo de forma refletida, o que raramente acontece no turbilhão das redes sociais. Além disso, a linguagem escrita é muito mais impessoal do que a falada, fazendo com que os erros de interpretação e de entoação ressaltem. Se essa linguagem for movida pela paixão momentânea, pode gerar um ambiente tóxico.
É por isso que em lojas maçónicas fazemos questão da presença física: para podermos olhar nos olhos uns dos outros, sentir a empatia, refletir sobre os assuntos e sobre a nossa própria maneira de estar. Só quem cultiva este meio conhece a diferença.
E tu? Vais querer sair da tua rede social para começar a construir?
