14 fevereiro 2026

A VOLTA DO “TEMPO”... QUE EU NÃO TENHO !

Os últimos textos publicados pelos meus Irmãos Fábio Serrano e João B. sobre o "tempo" reavivaram uma chama que se tem mantido latente a corroer-me o juízo.

É obviamente uma questão pessoal, esta que refiro ter sido reavivada, mas que sendo esta referência meramente pessoal não é mais do que o reflexo de uma das doenças (doença digo eu…) que tem corroído a relação humana tal como a conhecemos, sendo que os mais antigos como eu, a conheceram nos idos dos meados do séc. XX.

Na época a vida conseguia ser bem vivida esperando umas horas, vulgarmente não menos de um dia,  pelas conclusões de uma qualquer reunião importante dos políticos locais, ou pela informação dos vencedores dos Globos de Ouro, ou por… quase tudo !

Falar ao telefone era coisa que se fazia uma vez de 2 em 2 dias, nos pares de dias em que se falava ao telefone. Primeiro era necessário que houvesse um telefone, depois que ele estivesse disponível, depois ainda e mais difícil , que o pretendente interlocutor tivesse ele também aceso a um telefone.

As notícias, agora chama-se informação, sobre um desastre em França eram conhecidas pelo jornal da manhã do dia seguinte. O começo de uma guerra conhecia-se na semana seguinte e o seu fim talvez um mês depois. E vivia-se !

Pergunte-se hoje a uma criança de 6 ou 7 anos como é que se entretém quando está sem aulas… Ou pergunte-se aos Pais dessa mesma criança qual o assunto sobre o qual discorreram durante o jantar…

A televisão é omnipresente, a internet uma necessidade absoluta, as “conversas” pelas correntes ditas sociais desafiam a atenção permanentemente, esteja onde estiver. Com isto e sendo assim, as 24 horas do dia não chegam para todos os “compromissos” ditos “sociais”.

Como contrapartida dos telefonemas de 2 em 2 dias temos hoje 2 ou 3 chamadas em simultâneo no telemóvel, umas em espera da que começou primeiro ou da que o atendente considera prioritária.

E tem de ser assim porque o “tempo” é pouco para se responder ao(s) interlocutor(es). Este retrato da vida diária nesta primeira metade do séc. XXI só peca por cores pouco acentuadas.

Estas referências não são uma queixa, são apenas uma constatação, nada mais do que isso. Não advogo o saudosismo, mas não descarto a crítica ao "atualmente correto". O progresso é bem vindo, sempre. Entretanto convém definir o que é progresso e separá-lo do que são os "gadgets" (palavra horrorosa) que invadiram a vida diária e que sendo isso mesmo, "gadgets", se tornaram indispensáveis e inseparáveis de muitos de nós.

Sobre este assunto (há quem lhe chame “problema”) há centenas de divagações. São muitos, mesmo muitos, os autores de estudos, análises, sugestões, relatos de situações que refletem sobre o tema “tempo”.

Quem não se lembra (dos mais antigos) ou quem nunca viu (e riu) com pedaços do Charlie Chaplin nos “Tempos Modernos”, modernos em 1936… Foi a questão “tempo” da época.

Por outro lado e numa abordagem completamente diferente, que tal entrarmos nas pesquisas atuais do italiano Carlo Rovelli sobre a não existência do “Tempo” ?  Sim, há essa pesquisa e, pelos vistos, essa possibilidade. O Tempo afinal não existe…

Se tal se confirmar todos os atrasados ficam desculpados…

Estando no espaço humano em que nos movimentamos, com horários para trabalhar ou para ir ao espetáculo, ou para ir rapidinho ao supermercado ou para almoçar também rapidinho, ou para ver o programa… ou para entrar na reunião do “zoom”… neste espaço humano é a vida diária que nos apoquenta sobremaneira.

No “A-PARTIR-PEDRA” por maioria de razão é a Humanidade que nos convoca e, nesta, a Família a que damos corpo, existência e participação. E neste mundo assim pequenino da Família, à nossa dimensão, talvez possamos fazer alguma coisa para melhorar a nossa relação com essa 4ª dimensão que afinal, se calhar, nem sequer existe.

Tal como de outras vezes e porque não gosto de reinventar a roda, trago um pequeno vídeo com palavras que obviamente eu não escrevi, mas que, também obviamente, gostaria de ter escrito:


Fica a certeza de que cada um tem à disposição TODO o tempo que existe e que a FELICIDADE não é uma corrida, é um objetivo !

Fevereiro/2026

J.Paiva Setúbal (MM∴)


 

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