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Tentar tirar sentido do que não tem sentido

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Mais de seis dezenas de mortos. Mais de seis dezenas de feridos, alguns com gravidade. Mais de uma centena de pessoas que ficou com a sua casa destruída ou fortemente danificada. A maior tragédia do género de que há memória recente em Portugal. Um incêndio grassa desde sábado na zona centro de Portugal. Ainda não está debelado no momento em que escrevo.  Todos os anos Portugal é assolado pelas chamas. Clama-se contra o eucalipro. Denuncia-se a falta de prevenção. Aponta-se o dedo a incendiários. Prometem-se medidas. Reforçam-se meios. Mas todos os anos recomeça o calvário. No entanto, desta vez não há dedos a apontar, culpas a denunciar. Desta vez, pura e simplesmente aconteceu porque a natureza fez acontecer e nada nem ninguém podia ter evitado que acontecesse. Uma trovoada seca. Um raio que cai sobre uma árvore e a incendeia. Temperatura altíssima, da ordem dos quarenta graus centígrados. Humidade baixíssima. O incêndio que a natureza ateou propaga-se como um rasti...

Goose and Gridiron

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(sinal original da taberna "Goose and Gridiron") É conhecido o relato segundo o qual, a 24 de junho de 1717, quatro lojas maçónicas se teriam reunido na taberna "Goose and Gridiron" (Ganso e Grelha) e aí constituido a primeira Grande Loja e eleito o seu primeiro Grão-Mestre. Este acontecimento é consensualmente considerado o "dia zero" da Maçonaria Especulativa. Não obstante a sua importância, não chegou aos nossos dias qualquer prova documental deste evento: nem uma ata (que só começaram a lavrar-se em 1723), nem uma lista, nem sequer um simples relato em primeira mão. De facto, o registo mais antigo de que dispomos são as Constituições de Andersen, na sua edição revista de 1738 - ou seja, 21 anos depois. Curiosamente, a versão original - de 1923 - nada refere a este respeito. Muito se especula, três séculos volvidos, quanto à precisão histórica da descrição de Andersen. Armas da Worshipful Company of Musicians O que é certo é que, num loc...

As Lojas e a Grande Loja: conceção basista - e sua crítica

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Em 24 de junho de 1717, quatro Lojas maçónicas londrinas reunidas na taberna Goose and Gridiron  decidiram associar-se numa Grande Loja e eleger um Grão-Mestre que a todos os seus obreiros representasse. Foi assim que, em síntese, James Anderson registou o nascimento da primeira Grande Loja macónica, hoje normalmente designada por Premier Grand Lodge . Este é o facto que se convencionou constituir o nascimento da Maçonaria Especulativa. Foram quatro Lojas que se associaram e decidiram constituir uma Grande Loja. Foram essas quatro Lojas e os seus respetivos obreiros que decidiram eleger um Grão-Mestre. São as Lojas que dão origem às Grandes Lojas. São os maçons que escolhem o Grão-Mestre. Esta inegável verificação constitui a base fundamentadora da conceção basista do relacionamento entre as Lojas e as respetivas estruturas agregadoras (Grandes Lojas ou Grandes Orientes). Para esta conceção basista, a origem do poder está nas Lojas e nos respetivos obreiros, tanto assim...

O Venerável Mestre, o Grão-Mestre e os obreiros da Loja

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O meu último texto, que intitulei A aventalite , mereceu vários comentários, quer neste blogue, quem numa rede social onde o mesmo foi publicado. Um dos comentadores fez uma afirmação que merece nela nos detenhamos. Rezava esse comentário, na parte que aqui interessa: "(O Venerável Mestre)  como todos sabemos e conhecemos pelo Regulamento Geral, é o único representante em Loja do Muito Respeitável Grão-Mestre." Factualmente, e no que respeita à GLLP/GLRP, este comentador tem toda a razão no que afirma. O art. 64.º, n.º 3, do Regulamento Geral da GLLP/GLRP dispõe expressamente: "O Venerável Mestre em Loja representa o Grão-Mestre." Norma vigente é norma para ser respeitada - e ponto final! Mas tal não implica que não se possa - em bom rigor, mesmo, não se deva! - analisar a pertinência de uma norma, na perspetiva do aperfeiçoamento futuro da regulamentação.  Do meu ponto de vista, esta norma vigora e, enquanto vigorar deve ser respeitada, mas...

O Painel de Aprendiz

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Tal como está no nosso ritual na página 15, vamos aborda-lo de baixo para cima e da esquerda para a direita 1.     Piso branco e preto O pavimento, alternadamente em preto e branco, simboliza, os Princípios de Bem e do Mal, simboliza a guerra entre Miguel e Satanás, dos Deuses e Titãs, entre a luz e a sombra, dia e noite, da Liberdade e Despotismo; O que é bom para mim pode ser mau para ti. Neste Grau de Aprendiz, o pavimento mosaico representa o piso térreo do Templo do Rei Salomão. 2.    As Colunas, os 3 degraus e as Romãs O local de reunião de uma Loja maçónica tem por entrada um espaço delimitado por duas colunas. Estas evocam as duas colunas que existiam no átrio do Templo de Salomão, descritas na Bíblia no 1.º Livro dos Reis, capítulo 7, versículos 15-22: As Colunas “B” e “J”, estão presentes em todos os templos maçônicos e sua posição varia conforme o Rito. Nos Ritos: Escocês, York, Schroeder, a Coluna “B” fica à esquerda e a “J” à di...

A aventalite

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A aventalite é uma afeção que assola alguns maçons, geralmente de forma aguda, passageira e facilmente curável, mas podendo evoluir para uma forma crónica, essa necessariamente mais séria e com um tratamento mais demorado e cura mais problemática. Manifesta-se por uma despropositada inflação do ego, injustificada sensação de superioridade, perturbador sentimento de poder e, nos casos menos ligeiros, inadequado comportamento em relação aos seus iguais, vistos pelo afetado como inferiores ou subordinados, por não usarem aventais XPTO. A aventalite é suscetível de atacar Grandes Oficiais e dignitários de Altos Graus, independentemente da Obediência, seja Grande Loja ou Grande Oriente, assuma orientação mais anglo-saxónica ou mais francesa, e pode atacar tanto homens como mulheres, embora empiricamente pareça ser mais frequente naqueles.   O tratamento da sua forma aguda é fácil e geralmente eficaz, se aplicado na fase inicial da doença. Consiste numa severa e sonora c...

“Chegadas e Partidas…”

Este é o último texto que irei partilhar com os nossos leitores nos próximos tempos… Serão dias, semanas, meses ou quiçá anos, somente o GADU o decidirá. A Maçonaria faz-se de chegadas e de partidas, tudo tem um tempo, um tempo próprio para fazer, seja ritual ou não. A própria evolução do Homem é temporal, sem Tempo ela não se cumpre. E no meu caso pessoal o meu tempo foi este! Já alguém dizia que “Tempus Fugit” e é verdade, ele passa sem darmos-nos conta da sua passagem. Passaram, sensivelmente, cerca de 2 anos e oito meses que iniciei aqui o meu percurso como membro do painel de autores neste blogue,  tendo saído da minha caneta cerca de 50 textos e republicado cerca de 25 outros tantos textos de autores membros do painel deste blogue. Sempre fiz esse trabalho de escrita com a motivação da partilha de “saberes” que eu poderia deter e fí-lo despretensiosamente e despreocupadamente, ou seja, fí-lo porque senti que era meu dever o fazer… Maçonaria também é isto:...

Da ilusória natureza do Poder em Maçonaria

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Na Loja Mestre Affonso Domingues, fora de religião e política, tudo é suscetível de ser discutido e tudo se discute, por vezes acaloradamente. Mas, até hoje, há algo a que a Loja teve o bom-senso de nunca se sujeitar: uma pugna eleitoral. Na nossa Loja, desde há muito que é consensual que o Primeiro Vigilante de um ano é, no ano seguinte, o Venerável Mestre e o Segundo Vigilante de um ano será, no ano seguinte, Primeiro Vigilante e, no subsequente, Venerável Mestre. As exceções a esta regra consensual contam-se pelos dedos de uma mão e ainda sobram dedos (curiosamente, uma dessas exceções envolveu-me a mim, como já neste blogue referi, no texto A ultrapassagem ). Quando imponderáveis se atravessam e assim não pode ser feito, por impossibilidade de o Primeiro Vigilante assumir a função de Venerável Mestre (sucedeu tal, não há muito tempo, na Loja: o Primeiro Vigilante de um ano não pôde assumir no ano seguinte o ofício de Venerável Mestre, porque entretanto foi profissionalment...

Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues, n.º 5

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Cada Loja é um mundo particular. No que tem de bom e no que que tem de menos interessante. A Loja Mestre Affonso Domingues não foge à regra. Uma das suas características é que no seu seio tudo (tudo não: religião e política estão excluídas) pode ser debatido. E o nosso conceito de debate inclui, naturalmente, a livre expressão da opinião de cada um de nós de forma franca, aberta e cara-a-cara. O que cada um acha que tem de ser dito, diz. Se se exceder, é chamado à pedra e dá as suas explicações e, se necessário apresenta o seu pedido de desculpas. Mas disse, não guardou dentro de si.  Claro que quem diz sujeita-se a ouvir... Entre nós, portanto, ninguém engana ninguém. Todos dizem o que pensam, ouvem o que têm que ouvir, toda a gente fica a perceber as posições, as razões, os sentimentos, os estados de alma de cada um. E depois chega-se coletivamente a uma conclusão. Quando há que debater, debate-se. Estejamos sós ou tenhamos visitantes connosco. Às vezes, surprendemos...

Fim do Ciclo

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É propósito deste blog ser uma espécie de voz digital dos saberes da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues. No seu critério editorial a publicação de textos está restrita aos Mestres Maçons da Loja e a convidados. Hoje termina a minha condição de Mestre Maçon da Loja. Termina o percurso nesta Loja continuando noutra. Hoje fecho aqui a minha participação, que nos últimos anos por força de funções desempenhadas tem sido quase inexistente. Um Agradecimento a todos os leitores. Um abraço a todos os demais escribas. José Ruah

Respeitável Loja Comércio e Artes, n.º 99

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Algo que é inerente à vida maçónica é a visita a outras Lojas. Por essa forma, o obreiro pode apreender as semelhanças e diferenças que existem entre a Loja que visita e a sua própria Loja e rapidamente se apercebe que, mesmo com diferenças, apesar das variantes, é a mesma Maçonaria que se pratica. Podem os rituais ser diferentes, podem as palavras e os gestos e movimentos ser diversos, pode a prática e a forma de execução ser dissemelhante, mas o espírito e o propósito são exatamente os mesmos. Só raramente visito outras Lojas. Mais raramente do que gostaria e muito mais do que deveria. Mas recentemente - um dia não são dias... - tive oportunidade de, aproveitando uma deslocação e estada no Porto, visitar a Respeitável Loja Comércio e Artes, n.º 99. Esta Loja tabalha no Rito Adonhiramita, um rito que nasceu em França em meados do século XVIII, foi introduzido em Portugal no século XIX e daqui migrou para o Brasil, onde adquiriu assinalável expansão. Entretanto, caiu em desuso...

Os senadores

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Esta é uma denominação ou classificação que não existe em Maçonaria. Coloquialmente, é uma expressão que, na nossa Loja, é usada para referir os elementos mais antigos dela. Dir-se-ia que é uma expressão desnecessária, que pode muito bem referir-se o mesmo grupo simplesmente como Mestres Instalados. Mas, em bom rigor, nem todos os Mestre Instalados são senadores da Loja e pode muito bem haver senadores da Loja que não são Mestres Instalados.  Mestres Instalados são os Mestres da Loja que exerceram o ofício de Venerável Mestre e é aquele que, no momento, tem a responsabilidade de dirigir a Loja. A designação resulta de a tomada de posse, digamos assim, do ofício de Venerável Mestre se realizar através de uma cerimónia em que o eleito para exercer a função é instalado no assento onde toma lugar o Venerável Mestre, designado por Cadeira de Salomão . Mestres Instalados são, portanto, elementos experientes da Loja, que exerceram vários ofícios da Loja antes de serem eleitos par...