Mensagens

Lavagem solidária e cómoda

Imagem
A associação CAIS desde 1994 que vem efetuando um assinalável trabalho de apoio à reinserção social de sem-abrigo. O mais conhecido projeto desta associação é a revista com o mesmo nome, CAIS, cuja forma de distribuição é, a meu ver, exemplar no auxílio à recuperação da dignidade de quem , por erros próprios ou desafortunados golpes do destino, caiu numa situação de desamparo e exclusão social. A revista é exclusivamente vendida por sem-abrigo e outras pessoas em risco, mediante a assunção de rigoroso compromisso de cumprimento de regras de conduta, entre as quais a venda da revista sempre devidamente identificado como vendedor autorizado pela CAIS, manutenção de higiene e limpeza pessoal e de vestuário e renúncia à mendicidade. O preço de capa da revista CAIS são dois euros e 70 % dele reverte para o vendedor. Habituei-me a adquirir as edições da revista que vão sendo publicadas, como uma pequena e insignificante forma de contribuir para a reinserção de quem caiu fundo e ...

O maçom, a vida e a morte

Imagem
Só pode ser admitido maçom regular quem seja crente num Criador, qualquer que seja a sua conceção Dele, e creia na vida para além desta vida. Só assim faz sentido o processo iniciático maçónico, só assim é profícuo o labor de análise, interpretação e aprofundamento da simbologia maçónica, alguma dela diretamente baseada em elementos extraídos de textos de natureza religiosa. No seu processo de construção de si mesmo segundo o método maçónico, o estudo, a meditação, a associação livre, a descoberta de significados dos significantes que são, afinal, os símbolos, o maçom, se bem fizer o seu trabalho, inevitavelmente que nalgum momento se confrontará com a busca do significado da Vida, do seu lugar no Mundo e na Vida, com a Vida ela mesma e com a morte do seu corpo físico. Se bem faz o seu trabalho, o confronto com a morte física, à luz da sua crença na vida para além da vida e dos elementos colhidos nos seus estudos simbólicos, algo de muito positivo lhe traz: a perda do me...

Os construtores da Utopia

Imagem
Desde que, no século XVI, Thomas More inventou a palavra e dela fez título de uma das suas obras que se designa por Utopia a sociedade ideal, perfeita. Em termos sociais, os maçons procuram contribuir para a construção dessa Utopia. Fazem-no desde logo procurando melhorar a qualidade dos materiais de que se fazem todas as sociedades: os homens, suas ideias e suas ações. Nenhuma sociedade organizada, qualificada e funcionando com um exigível nível mínimo de organização, qualidade, liberdade e eficiência pode assentar em pessoas desqualificadas, seja em termos de conhecimentos e preparação, seja do ponto de vista da Moral e dos Valores inerentes a uma sã, agradável e produtiva vida em comum. Não há Valores sociais que se fundem perenemente em homens de baixo caráter e inferiores qualificações pessoais e relacionais. Homens apenas primários, sem capacidade para ver e agir para além dos seus interesses pessoais egoísticos e imediatos não geram nem acalentam valores essen...

Reflexão

Imagem
No século XVIII, quando se expandiu a Maçonaria Especulativa, esta seguia e divulgava os princípios do Iluminismo. A Maçonaria foi então um farol que apontou o caminho da evolução social, da conceção laica, livre, igual, fraterna e tolerante do mundo, da sociedade e do lugar nela do Homem.  O pensamento escolástico é substituído pela Ciência Experimental; racionalismo e empirismo substituem o pensamento arcaico apenas fundado nas interpretações teológicas dominantes; Locke teoriza a Tolerância como valor social; emerge o reconhecimento e proteção dos direitos humanos; o absolutismo é substituído pela submissão à Lei; a soberania por direito divino é substituída pelo conceito de que a soberania pertence ao Povo e deve ser exercida em nome do Povo, para o Povo e pelos representantes designados pelo Povo; emerge e triunfa a noção de que as sociedades devem prezar e preservar a Liberdade, assegurar a Igualdade, possibilitar a vivência em Fraternidade; o princípio da separaçã...

O Vigésimo Segundo Venerável Mestre

Imagem
Foi o primeiro maçom iniciado já no século XXI que assegurou o ofício de Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues. Cedo se destacou como um elemento interessado, muito válido e dinâmico. Rapidamente conquistou a confiança da Loja e viu serem-lhe confiados diversos ofícios, que sempre cumpriu a contento. Conhecia de experiência feita os deveres dos ofícios burocráticos (indispensáveis ao funcionamento da Loja) e dos ofícios rituais. Fora iniciado ainda jovem e atingia o veneralato no auge da vida.  O Vigésimo Segundo Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues foi talvez o maçom que mais bem preparado foi e estava para assumir o ofício de dirigir a Loja quando tal lho foi solicitado pelo conjunto dos obreiros, em unânime eleição ocorrida em julho de 2011.  Os mais veteranos reconheciam-lhe a preparação, as capacidades, a dinâmica, o mérito e o espírito de liderança e gostosamente o acompanharam e auxiliaram. Os mais jovens elementos da Loja viam-no c...

Força e Razão

Imagem
A Força, incontrolada ou mal controlada, não é apenas desperdiçada no vazio, tal como a  pólvora queimada a céu aberto e vapor não confinado pela ciência; mas, golpeando no escuro e  seus golpes atingindo apenas o ar, ricocheteia e se auto-atinge. É destruição e ruína. É o vulcão,  o terramoto, o ciclone, não crescimento ou progresso. (...) Precisa ser regulada pelo  Intelecto. O Intelecto é para as pessoas e para a Força das pessoas o que a delicada agulha da  bússola é para o navio – sua alma, sempre orientando a enorme massa de madeira e ferro, e sempre apontando para o norte. (Albert Pike, Morals and Dogma) A Força é uma das qualidades essenciais dos atos e obras que os maçons devem empreender (as outras são Sabedoria e Beleza). Para os maçons, o conceito de Força abrange a Força de Caráter, a Força de Vontade de quem realiza, mas também a Eficácia e a Durabilidade do que se realiza. O excerto acima transcrito alerta-nos para o mod...

Maçonaria e Democracia

Imagem
Em 1700, era rei de Portugal D. Pedro II, terceiro filho de D. João IV, que depusera seu irmão, D. Afonso VI. Por sua morte, sucedeu-lhe no trono D. João V. Todos foram reis absolutos. Com exceção de Afonso VI, deposto por um golpe de Estado dirigido por seu irmão, todos exerceram o Poder, após a sua ascensão ao mesmo, de forma vitalícia. Carlos II era rei de Espanha, Nápoles e Sicília à data da sua morte, em 1 de novembro de 1700. Morreu sem filhos e o seu decesso originou a Guerra da Sucessão espanhola entre 1700 e 1713, no termo da qual se afirmou como rei de Espanha aquele que Carlos II designara no seu testamento para lhe suceder no trono (!): Filipe V, Filipe de Anjou, neto de Luis XIV de França. Ambos foram reis absolutos - e vitalícios. Luis XIV de França, o Rei-Sol, reinou neste país até à sua morte, em 1715, sucedendo~lhe Luis XV. Ambos foram reis absolutos - e vitalícios. No norte da Europa, travava-se por essa altura a Grande Guerra do Norte, opondo o Impér...