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Tempo

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O que há de mais valioso no Mundo não é dinheiro. nem jóias ou diamantes. Muito menos ouro, dourado ou negro. Nem sequer as crianças - como muitas vezes dizemos. O que há de mais valioso no Mundo é o Tempo. Não se pode comprar nem vender, não se pode guardar nem acumular. Tem-se o que se tem e é esse que se pode e deve administrar o melhor possível. O que há de mais democrático no Mundo não é o voto. Nem as eleições. Muito menos a separação de poderes. Nem sequer a limitação de mandatos. O que há de mais democrático no Mundo é o Tempo. O dia tem vinte e quatro horas, a hora tem sessenta minutos, o minuto tem sessenta segundos, quer para o multimilionário mais rico do planeta, quer para o mais miserável pária sem abrigo do mais pobre recanto deste Mundo. O rico, por mais que o deseje, não consegue que o seu dia tenha trinta horas, nem a sua hora oitenta minutos, nem o seu minuto cem segundos. O pária miserável pode não ter nada de nada, mas tem exactamente as mesmas horas no seu dia que...

Do tempo, ...

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Já aqui o mencionei. Fui iniciado na Alemanha, no último ano da década de oitenta do século passado. Não residia na Alemanha. À míngua de existência, na época, de Maçonaria Regular em Portugal, e aguardando a sua institucionalização aqui, optei por seguir o conselho do meu padrinho, um alemão que, na altura se encontrava em Portugal, e buscar a Luz numa Loja de língua espanhola de Bona, a Loja Miguel de Cervantes y Saavedra, minha Loja-mãe. Aí fui iniciado. Aí, cerca de um ano depois, fui passado a Companheiro. E foi como Companheiro que ingressei na Loja Mestre Affonso Domingues, pouco tempo depois da sua Consagração, em pleno período de reconhecimento internacional da emergente Maçonaria Regular em Portugal. Assim o decidi, assim o fiz. Mas paguei um preço. É esse preço que constitui o ponto de partida deste texto. Para que se entenda que todas as escolhas têm um preço. Também em Maçonaria. Talvez particularmente em Maçonaria. O preço que eu paguei foi que não aprendi a ser maçon, o ...

Sobre o tempo que deixámos de ter

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 O texto recente do Ir∴ Fábio Serrano fez-me parar, não porque seja uma denúncia inédita, mas porque coloca o dedo num ponto que muitos de nós preferimos contornar. A Maçonaria não se tornou menos valiosa, tornou-se mais difícil de habitar. E essa dificuldade não nasce de uma crise moral da Ordem, mas de uma transformação profunda da sociedade onde ela tenta continuar a existir. Entre os vários “ladrões de tempo” que o Fábio identifica, com lucidez, o entretenimento digital, a obsolescência profissional, a paternidade intensiva, o futebol transformado em Big Brother, há um fio comum que atravessa tudo, a erosão do Tempo enquanto espaço habitável. Vivemos numa sociedade que não apenas ocupa o tempo, mas o fragmenta. O tempo deixou de ser um campo onde se permanece e passou a ser um corredor de passagem. Tudo é feito em trânsito, em simultâneo, em aceleração constante. Já nem o lazer escapa a esta lógica, a juventude de hoje em dia consome os conteúdos acelerados, vídeos a 1.5x ou 2...

Interstício

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Interstício quer dizer solução de continuidade, o intervalo entre duas superfícies da mesma ou diferente natureza. A Maçonaria utiliza a expressão em termos de tempo. Interstício é o intervalo de tempo que deve decorrer entre dois factos. Designadamente , interstício é o intervalo de tempo que deve decorrer entre a Iniciação do Aprendiz e a sua Passagem a Companheiro e também o tempo que se impõe decorra entre essa Passagem e a Elevação do Companheiro a Mestre. O interstício é uma regra que admite excepção: o Grão-Mestre pode dele dispensar um obreiro e passá-lo ou elevá-lo de grau sem o decurso do tempo regulamentar ou tradicionalmente observado. No limite, a Iniciação, Passagem e Elevação podem ocorrer no mesmo dia. Mas a dispensa de interstícios é rara – deve ser verdadeiramente excepcional – e só por razões muito fortes deve ocorrer. Assim sucede genericamente na Maçonaria Europeia. Já a Maçonaria norte-americana é muito menos exigente neste aspecto, sendo corrente a prá...

O Diário do Aprendiz - lançamento do meu livro

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Meus queridos irmãos e demais leitores do A Partir Pedra ,  É com muita emoção que escrevo este post para falar do lançamento do meu livro “O Diário do Aprendiz”. Publicado em junho de 2025, o livro conta a história de Uri, um jovem judeu que abandona uma vida confortável para trabalhar nas obras do grande Templo de Salomão. Durante sua jornada, Uri documenta cada aprendizagem em seu diário e percebe que nunca mais será o mesmo. “O Diário do Aprendiz” é uma leitura muito útil aos aprendizes de todas as lojas e uma preparação para os demais graus. Ao mesmo tempo que não revela nenhum segredo maçónico, o livro traz questionamentos e analogias a vida diária de todos os irmãos. Compartilho convosco um dos capítulos do livro, que pode ser encontrado para venda na Amazon nos seguintes links: - Portugal: https://amzn.eu/d/cppGh8Z  - Brasil: https://a.co/d/ftqXO2e   - Estados Unidos: https://a.co/d/itprtpU   18º Dia do Mês de Nisan , no primeiro ano da Grande Obra . Ca...

O tempo, esse maravilhoso conselheiro.

Há algum (muito) tempo atrás, tinha adquirido de forma instintiva um exercício diário, visitar o A Partir Pedra. Era por aqui que passava o meu tempo livre, por aqui vagueava horas a fio, onde lia e relia todos os textos, desde os novos aos mais antigos, desde os que me chamavam de forma natural a atenção até àqueles que pouco ou nada me diziam. O tempo, esse maravilhoso conselheiro, que tudo cura e tudo constrói, foi passando e quando me apercebo o exercício era já rotineiro, em que a necessidade era superior à curiosidade. Quando se perde a necessidade e, a curiosidade é algo sempre presente, algo está por acrescentar no nosso dia a dia… Era inevitável o querer ser maçom, disse-o uma e outra vez, durante alguns dias. Se mais depressa o decidi, mais devagar o concretizei. O tempo, esse maravilhoso conselheiro, surpreendeu-me pelo seu lado original e à altura negativo, pois avançou silenciosamente e sobretudo sem pressa alguma e como eu tinha pressa, queria ser maçom, queria ...

Do ritual

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Todas as sessões de Lojas maçónicas se processam segundo um ritual padronizado. Cada sessão de cada Loja inicia-se sempre da mesma maneira, repetindo-se sempre as mesmas palavras, efetuando-se as mesmas ações. E igualmente termina também sempre da mesma maneira, com as mesmas palavras e ações que foram ditas e executadas em todas as vezes que anteriormente a Loja se reuniu em sessão formal. Por que razão homens adultos, alguns homens maduros ou mesmo idosos, pais de filhos, alguns avós de netos, muitos deles com importantes responsabilidades profissionais e sociais, semanal, quinzenal ou mensalmente se juntam para repetir, vezes sem conta, as mesmas palavras e executar sempre e sempre as mesmas ações? A primeira resposta  consiste na consideração de que a prática do ritual, o facto de se iniciar as sessões sempre da mesma forma e igualmente as terminar com os mesmos procedimentos marca uma diferença, estabelece um tempo e um espaço próprios, diferentes das experiências...

Temos Tempo ou apenas Pressa?

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Há dias em que sinto que o tempo já não é meu, desde que o teletrabalho se instalou como o "novo normal", no pós confinamento pandémico, o que era suposto trazer liberdade trouxe, afinal, uma aceleração quase silenciosa. Já não há separação entre o que é trabalho e o que é pausa, e mesmo quando há, é invadida por notificações, prazos, chamadas e a estranha urgência de responder a tudo. Se me perguntarem quando foi a última vez que parei mesmo, sem telemóvel, sem tarefas, sem estímulos, talvez tenha de recuar até à última sessão de Loja e a todas as ultimas sessões. Isso, por si só, já diz muito. Na vida profana, tudo parece correr, nas estradas, nos corredores dos supermercados, nos gabinetes e nas escolas., até os reformados. Aqueles que deveriam ter tempo para o “dolce far niente” ou descansar à sombra do chaparro, parecem sempre com algo urgente para fazer.  O tempo tornou-se um luxo e a lentidão, um pecado. Quem abranda é ultrapassado. Quem pára, fica para trás. E, no ...

O tempo

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Hoje vais ser um pouco diferente das outras sextas-feiras. Normalmente, neste dia da semana publico uma historieta para reflexão, quase sempre de autor que desconheço, selecionada de entre a correspondência eletrónica que recebo. Hoje, publico uma pequena história, mas integrada num texto que me enviou José Restolho. Uma reflexão merecedora de atenta consideração e, portanto, geradora de mais reflexão. Hoje enquanto dialogava com alguém a quem devo muito, por sinal, dei por mim a reflectir sobre o Tempo. Não sobre a meteorologia mas sim sobre o Tempo enquanto medida de intervalos de duração. Bom, Einstein, na sua teoria da relatividade, demonstrou que o Tempo não era afinal absoluto, mas sim relativo. Mas não é sobre a mecânica relativista que a minha reflexão se baseia. O Tempo é como uma cascata de água. Sempre contínuo, impossível de parar. E, tal como se estivéssemos no meio dessa cascata, por mais que se nade contra, acabamos sempre por ir no mesmo sentido da corrente. Já que não ...

A integração do Aprendiz (III)

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Se é dever e do interesse da Loja providenciar pela correcta e bem sucedida integração do novo Maçon, o processo, no entanto, é bidireccional: também o novo Maçon deve providenciar pela sua correcta e bem sucedida integração na Loja e na Maçonaria. Essencial, desde logo, é a sua assiduidade. A Integração do novo Maçon é, em larga medida, efectuada com recurso a factores emocionais. A Cerimónia de Iniciação terá marcado o novo Maçon. Mas essa marca, se não for protegida, desenvolvida, acarinhada, desaparecerá com o tempo, com o desvanecer da memória, com o diluir das sensações experimentadas. Todo o processo de integração na Loja é, não só racional, como afectivo. A sua interrupção, o distanciamento dele, o desinteresse na sua prossecução, ferem-no de morte. A maior parte dos abandonos de Aprendizes – isto é, de falhanços no processo de integração de Aprendizes – decorre da sua deficiente assiduidade. Os laços, não só emocionais e afectivos, mas também desta natureza, que deviam ter sid...

O tempo de Companheiro

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O tempo de Companheiro é um tempo difícil. O obreiro já não é um Aprendiz rodeado, apoiado, apetece até dizer mimado, por todos os Mestres da Loja. Alcançado o seu aumento de salário, afinal o prémio que obtém é apenas uma mudança do seu lugar na Loja, um pouco de cor no seu avental e... uma sensação de menor apoio. Após uma Cerimónia de Passagem que é um verdadeiro anti-clímax em relação à sua recordação do que experimentou quando foi iniciado, depara-se com um par de símbolos novos, metem-lhe uns regulamentos e um ritual e catecismo na mão e... parece que se desinteressaram dele, ele que se oriente... Não é assim, embora pareça que seja assim. E é assim que deve ser. A Iniciação foi o nascimento para a vida maçónica. O tempo de Aprendiz é a sua infância, em que se é guiado, educado, amparado, mimado. O tempo de Companheiro, esse, é o da adolescência. Já não se admite ser tratado como criança – como Aprendiz – pois já se cresceu – já se evoluiu – mas... sente-se a falta do apoio que s...

“Chegadas e Partidas…”

Este é o último texto que irei partilhar com os nossos leitores nos próximos tempos… Serão dias, semanas, meses ou quiçá anos, somente o GADU o decidirá. A Maçonaria faz-se de chegadas e de partidas, tudo tem um tempo, um tempo próprio para fazer, seja ritual ou não. A própria evolução do Homem é temporal, sem Tempo ela não se cumpre. E no meu caso pessoal o meu tempo foi este! Já alguém dizia que “Tempus Fugit” e é verdade, ele passa sem darmos-nos conta da sua passagem. Passaram, sensivelmente, cerca de 2 anos e oito meses que iniciei aqui o meu percurso como membro do painel de autores neste blogue,  tendo saído da minha caneta cerca de 50 textos e republicado cerca de 25 outros tantos textos de autores membros do painel deste blogue. Sempre fiz esse trabalho de escrita com a motivação da partilha de “saberes” que eu poderia deter e fí-lo despretensiosamente e despreocupadamente, ou seja, fí-lo porque senti que era meu dever o fazer… Maçonaria também é isto:...
A VOLTA DO “TEMPO”... QUE EU NÃO TENHO ! Os últimos textos publicados pelos meus Irmãos Fábio Serrano e João B. sobre o "tempo" reavivaram uma chama que se tem mantido latente a corroer-me o juízo. É obviamente uma questão pessoal, esta que refiro ter sido reavivada, mas que sendo esta referência meramente pessoal não é mais do que o reflexo de uma das doenças (doença digo eu…) que tem corroído a relação humana tal como a conhecemos, sendo que os mais antigos como eu, a conheceram nos idos dos meados do séc. XX. Na época a vida conseguia ser bem vivida esperando umas horas, vulgarmente não menos de um dia,  pelas conclusões de uma qualquer reunião importante dos políticos locais, ou pela informação dos vencedores dos Globos de Ouro , ou por… quase tudo ! Falar ao telefone era coisa que se fazia uma vez de 2 em 2 dias, nos pares de dias em que se falava ao telefone.  Primeiro era necessário que houvesse um telefone, depois que ele estivesse disponível, depois ainda e mais di...

O estoque encalhou. É hora de pormos a maçonaria nos saldos?

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Tenho refletido muito sobre uma provocação que o meu querido irmão JR me fez recentemente: a de que, a cada dia que passa, a Maçonaria se torna um "produto" menos vendável. Não porque a qualidade da nossa "mercadoria" moral tenha decaído, mas porque o mercado onde operamos sofreu um choque tectónico. A verdade inconveniente é que já não competimos apenas com outras ordens discretas ou clubes de serviço; competimos ferozmente pelo "novo petróleo" dos tempos modernos: a atenção e o tempo dos homens. E nessa economia de escassez, onde a atenção é a moeda mais valiosa e volátil, o nosso modelo de "negócio"exige um investimento temporal altíssimo com retorno difuso e diferido: tudo que está tecnicamente em falência para as novas gerações.  O cenário é de uma clareza brutal quando olhamos para os "ladrões de tempo" que nos cercam, começando pela colonização digital do nosso lazer. Vivemos na era do entretenimento de "atrito zero", o...

A Maçonaria nos dias de hoje

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A Maçonaria teve historicamente o seu auge, em termos quantitativos, após o final da Segunda Guerra Mundial. Tinham-se vivido anos de horror e de violência inauditos. Os sobreviventes dos combatentes no conflito necessitavam de manter a camaradagem, a união, o espírito de corpo, que sentiam ter possibilitado a sua sobrevivência. Uma das formas que, sobretudo nos países anglossaxónicos, acharam para o fazer foi buscar a admissão nas Lojas maçónicas e aí praticarem essa particular forma de camaradagem que inexoravelmente os marcou. Por outro lado, os horrores vividos e assistidos mostraram a muitos e muitos a necessidade de um espaço de convivência sã e de aprimoramento ético. Quem conviveu com o mal aprecia mais plenamente o bem! O pós Segunda Guerra Mundial foi assim um período de grande florescimento da Maçonaria, em que os números dos maçons cresceram até atingirem níveis nunca antes historicamente atingidos. Mas a vida é feita de ciclos! A essa fase de crescimento seguiu-se - inexor...

A Maçonaria nos dias de hoje (republicação)

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Este texto foi originalmente publicado no blogue A Partir Pedra em 20 de outubro de 2010  A Maçonaria teve historicamente o seu auge, em termos quantitativos, após o final da Segunda Guerra Mundial. Tinham-se vivido anos de horror e de violência inauditos. Os sobreviventes dos combatentes no conflito necessitavam de manter a camaradagem, a união, o espírito de corpo, que sentiam ter possibilitado a sua sobrevivência. Uma das formas que, sobretudo nos países anglossaxónicos, acharam para o fazer foi buscar a admissão nas Lojas maçónicas e aí praticarem essa particular forma de camaradagem que inexoravelmente os marcou. Por outro lado, os horrores vividos e assistidos mostraram a muitos e muitos a necessidade de um espaço de convivência sã e de aprimoramento ético. Quem conviveu com o mal aprecia mais plenamente o bem! O pós Segunda Guerra Mundial foi assim um período de grande florescimento da Maçonaria, em que os números dos maçons cresceram até atingirem níveis nunca ...