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A Tradição não é prisão

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Numa das últimas sessões, graças a um bom àgape, tive oportunidade de apresentar uma prancha onde falei sobre os hemisférios norte e sul e a culminação do Sol e como isso se transfere para as nossas colunas. Teria lógica os aprendizes e companheiros estarem em posições opostas consoante o hemisferio? Conclusão simples, e pensava eu lógica, tanto aqui como no hemisfério lá de baixo todos nos sentamos nas mesmas posições... Todos não!!!! Isto quase faz lembrar o Astérix e a nossa poção mágica chamada Ritual: "Toda a Maçonaria está ocupada pelo rito escocês antigo e aceite… Toda? Não. Um rito, praticado por irredutíveis obreiros brasileiros, continua a dar o mesmo sabor à salada, mas de forma diferente.” O Irmão Filipe M., visitante de uma Loja brasileira que trabalha no Rito Brasileiro, comentou e esclareceu que no rito dele, os Aprendizes e Companheiros estão em posições invertidas em relação ao que conhecemos no Rito Escocês Antigo e Aceite . Na altura ficou como uma curiosidade,...

Maçonaria: um ato de rebeldia num mundo indiferente

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  A Maçonaria vive de momentos. Ao longo da sua história passou por bons e maus momentos. Na atualidade não podemos dizer que esteja propriamente a passar um mau bocado, mas já vimos dias melhores. O mundo é cada vez menos empático, individualista e cruel. Esta falta de empatia e gosto cada vez maior pela individualidade faz com que se pense menos no coletivo e mais no eu individual. É verdade que, para o coletivo funcionar, é necessário que, em primeiro lugar, estejamos bem connosco próprios. No entanto, após a passagem do nível EU temos de desenvolver os nossos esforços para aperfeiçoar o NÓS como sociedade. Foi assim que a sociedade se desenvolveu até ao nível que conhecemos atualmente. Por outro lado, a Maçonaria, ao longa da sua história, não tem feito pelo abono positivo da sua imagem. Basta olhar para os inúmeros exemplos de boatos que existem à sua volta e desinformação. É pelas razões atrás descritas que é compreensível que o número de iniciações tenha reduzido drasticam...
  AS PERTENÇAS EXCLUSIVAS... “Num tempo em que tudo parece exigir alinhamentos rígidos e pertenças exclusivas, talvez devêssemos olhar para cima e aprender com o céu, pois ele apenas cumpre o seu percurso. A questão é saber se nós fazemos o mesmo ou se continuamos a confundir o nosso ponto de vista com a verdade absoluta.” Começo pelo fim… Este primeiro parágrafo é reprodução do último do texto aqui em baixo (2 andares abaixo deste prédio) da autoria do J.B. Peguei nele porque nele está parte da grande questão da Humanidade, considerando que a existência do homem teima em reger-se por “números" , sejam distâncias, sejam horas, sejam capacidades individuais, ir mais longe, ir mais depressa, saltar mais alto mas também a dimensão da sala ou saldo da conta bancária. Tudo números. E nada que não sejam “milhões”, “biliões”,… zeros, muitos zeros à direita. No futebol como na política, na economia como no clima, na miséria como na riqueza. Números pornográficos são “per...

Onde foi parar o meu Salmo 133?

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Quando troquei os pampas do Rio Grande do Sul pela margem do Tejo e passei a frequentar as colunas da Mestre Affonso Domingues, trazia comigo um "vício" de ouvido. Na minha Loja mãe, da GLMERGS, no Rio Grande do Sul, a abertura do Livro da Lei tinha um ritmo quase musical: "Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união". Era o sinal de que a egrégora estava selada. Por isso, confesso que nas minhas primeiras sessões em Portugal, o silêncio desse momento me causou uma certa "ausência". Aqui, o Livro abre-se solenemente, mas as palavras do Rei Davi não ecoam pelo Templo. Ficamos com o peso do silêncio e o foco na Luz que emana das páginas abertas. Para quem, como eu, se formou na escola das Grandes Lojas brasileiras, esse silêncio parece uma omissão. Mas a história explica o desencontro. O REAA, na sua matriz original francesa, não previa a leitura deste salmo. Se no Brasil hoje respiramos o Salmo 133, devemos isso a uma "manobra diplomática...

O Sol não muda. Nós é que mudamos de hemisfério.

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Na quarta-feira, depois da sessão, durante o nosso ágape, surgiu uma conversa curiosa sobre algo do dia a dia que raramente notamos. Em Portugal o Sol culmina a Sul, no Brasil culmina a Norte. É um facto. Esta constatação levou-nos a uma pergunta que começou por ser quase técnica, mas que rapidamente se tornou maçónica. Se o ponto mais alto do Sol muda de lado conforme o hemisfério, será que também o seu significado simbólico muda? Será que aquilo que para nós, em Portugal, representa plenitude, “lá em baixo” representa sombra? Onde se sentam os irmãos Aprendizes no Brasil? No Sul? Não foi uma pergunta de resposta imediata. Temos a sorte de ter irmãos brasileiros na Loja, mas talvez o mais interessante nem tenha sido a resposta, foi termos parado para pensar nela. Desde tempos imemoriais que o homem organiza o seu espaço segundo o movimento do Sol. Templos megalíticos alinhados com solstícios, cidades orientadas pelo nascer da Luz, civilizações que estruturaram o calendário a partir do...

O que Eu ganhei por ser maçom...

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Se perguntarem a um grupo de maçons o que ganharam com a Iniciação, as respostas tendem a ser muito similares, falam de ética, de fraternidade, de tradição, de serviço. E é verdade, sem dúvida, mas talvez seja uma resposta muito genérica ou muito politica. Há mais, bem mais... uma dimensão mais crua, mais humana, menos “de manual”.  Comecemos pelo mais ouvido e que, para mim é sim ou sim... Uma bússola para o aperfeiçoamento moral O mais citado é talvez o acesso a um caminho coeso de educação moral e filosófica. A maçonaria faz-nos integrar num sistema profundo de iniciação que explora a natureza da alma e os deveres do cidadão. Ganha-se, assim, uma estrutura intelectual que ajuda a navegar pelas complexidades da vida moderna com base em princípios éticos sólidos. A pertença a uma fraternidade universal A Maçonaria é uma fraternidade universal que transcende fronteiras geográficas e linguísticas, o maçom Ganha a capacidade de conhecer “irmãos” de diferentes origens, partilh...
A VOLTA DO “TEMPO”... QUE EU NÃO TENHO ! Os últimos textos publicados pelos meus Irmãos Fábio Serrano e João B. sobre o "tempo" reavivaram uma chama que se tem mantido latente a corroer-me o juízo. É obviamente uma questão pessoal, esta que refiro ter sido reavivada, mas que sendo esta referência meramente pessoal não é mais do que o reflexo de uma das doenças (doença digo eu…) que tem corroído a relação humana tal como a conhecemos, sendo que os mais antigos como eu, a conheceram nos idos dos meados do séc. XX. Na época a vida conseguia ser bem vivida esperando umas horas, vulgarmente não menos de um dia,  pelas conclusões de uma qualquer reunião importante dos políticos locais, ou pela informação dos vencedores dos Globos de Ouro , ou por… quase tudo ! Falar ao telefone era coisa que se fazia uma vez de 2 em 2 dias, nos pares de dias em que se falava ao telefone.  Primeiro era necessário que houvesse um telefone, depois que ele estivesse disponível, depois ainda e mais di...