22 dezembro 2025
20 dezembro 2025
O Inexplicável, explicável!
A ciência ensinou-nos que o universo teve um início, o Big Bang, uma expansão primordial onde nasceram o espaço, o tempo e as leis que ainda hoje regem todo o conhecido. Muito mais tarde, nesse mesmo universo aparentemente indiferente, a matéria inerte deu um salto improvável, uma faísca, a química transformou-se em biologia, e a vida começou.
Estes factos não diminuem o mistério. Pelo contrário, ampliam-no.
Dos trilhões de combinações possíveis, num universo vasto e silencioso, as condições para a vida na Terra alinharam-se, um euromilhões galáctico. Não por uma vez apenas os números se acertaram, mas sim o suficientemente para de forma estável para permitir evolução e consciência. Chamar a isto simples coincidência parece-me intelectualmente insuficiente.
É também aqui que se afirma a minha crença no Grande Arquitectom não como um Deus pessoal, interventivo ou religioso. Não como resposta fácil para o que ainda não compreendemos, mas como princípio criador, como a faísca inicial que a ciência descreve nos seus efeitos, mas não explica na sua origem. Algo que não se define plenamente, mas que se intui na ordem, na coerência e na existência de leis que precedem qualquer obra.
Talvez o verdadeiro trabalho não esteja em provar ou refutar essa ideia, mas em perceber o que ela exige de nós. Se o universo não é caótico, então também o nosso caminho não o deve ser, se houve método na criação, então o método importa na construção de nós próprios.
João B. M∴M∴
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Marcadores: Ciencia, Grande Arquitecto do Universo, Vida
13 dezembro 2025
Greve. O Momento em que o Direito se Esquece do Dever
Em Maçonaria, não discutimos política partidária, mas reflectimos, com a profundidade que o silêncio da Loja permite, sobre as forças que moldam a sociedade onde o Homem vive, trabalha e aperfeiçoa a sua Obra.
A greve, enquanto direito fundamental, é uma dessas forças, expressão da Liberdade, afirmação da Igualdade, busca pela Justiça. Mas, como em tudo o que é humano, também a greve pode afastar-se da sua natureza original quando o seu uso deixa de servir o Homem e passa a servir outros desígnios.
A greve geral da passada quinta-feira convida-nos a essa meditação.
Historicamente, salvo uma única excepção marcada por fortes pressões externas (pré-troika) ao País, todas as greves gerais em Portugal surgiram quando um determinado lado do espectro político se encontrava mais representado no nosso parlamento. Não é este detalhe que importa, o que verdadeiramente nos deve inquietar é a regularidade do padrão, como se a decisão de parar o Trabalho do país obedecesse mais a ritmos de conjuntura política do que à real necessidade da defesa dos trabalhadores.
A Greve, como instrumento nobre que deveria proteger o Trabalhador parece hoje preso a mecanismos que não iluminam, antes obscurecem, interesses não dos trabalhadores, mas de quem vive à conta deles.
A greve, quando usada como ferramenta de construção, ergue pontes e corrige injustiças, mas quando se transforma em arma de sombra, perde a sua Luz.
1. Que a representação laboral brote do próprio local de trabalho, onde os Homens constroem juntos o seu caminho, e não de vínculos externos que desviam a sua voz. Que os representantes sirvam a empresa e a comunidade que conhecem, e não interesses partidários alheios ao Labor.
2. Que sejam garantidos serviços mínimos universais, porque todos os ofícios são dignos e todos os cidadãos merecem igual protecção, não penso existirem funções mais ou menos importantes, apenas funções com propósitos diferentes.
3. Que nenhuma greve seja decretada sem a voz livre, expressada por voto secreto, daqueles que a irão cumprir, para que a decisão seja justa e não imposta. Que lideres sindicais seguiam a vontade dos trabalhadores e não que lideres sindicais imponham a sua vontade (interesses) aos trabalhadores.
4. Que nenhum Trabalhador seja tocado pela força nem pela sombra da força, pois a liberdade de consciência é sagrada. E que os piquetes, que actualmente tantas vezes se transformam em instrumentos de intimidação, regressem ao seu propósito legítimo de esclarecer antes da decisão, nunca condicionar no dia da greve, sobretudo se esta foi votada livremente pelos próprios trabalhadores.
5. Que exista sempre equilíbrio entre o direito de parar e o dever de fazer continuar aquilo que a sociedade não pode deixar de sustentar. E que, nesse equilíbrio, as empresas possam assegurar a continuidade mínima do seu labor, substituindo temporariamente quem está em greve, desde que assumam as contrapartidas justas, para que a protecção do direito não se transforme em prejuízo para o todo, nem a continuidade em injustiça para quem exerce o seu legítimo protesto.
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06 dezembro 2025
A mesa está posta! Qualquer candidato pode aparecer
Nos últimos dias, voltou à discussão sobre o nosso futuro Presidente da República a ideia de que a Maçonaria apoia determinado candidato, ultimamente com mais ênfase no Almirante Gouveia e Melo. O Fábio respondeu com inteligência no seu “Vamos jantar, Cotrim?”, mas parece-me importante clarificar alguns pontos, porque estes equívocos reaparecem sempre que entramos em época eleitoral e acabam por transformar um tema sério numa caricatura conveniente.
A verdade é simples e jamais que explicada, seja neste blogue ou na imprensa. A Maçonaria não apoia candidatos, não apoia partidos e não participa em campanhas. Não deve, não pode e, acima de tudo, não quer fazê-lo. Está tudo inscrito nos landmarks, que, desde o século XVIII, determinam que nenhuma Loja pode envolver-se em política partidária ou tomar posições eleitorais. Qualquer Obediência que o fizesse deixaria de ser reconhecida como Maçonaria legítima.
Por isso, em Portugal, falamos apenas de três Obediências sérias. A Grande Loja Regular de Portugal (Maçonaria Regular), o Grande Oriente Lusitano (Maçonaria Irregular) e a Obediência feminina. São estas que seguem as regras, que têm reconhecimento internacional e que respondem perante a tradição iniciática. Depois há muitos grupos de amigos espalhados pelo país que se auto-intitulam “maçonaria”, uns são soberanos, outros simbólicos, outros tradicionais, até pode aparecer um “grupo maçónico do bailinho da Madeira”. Existem dentro da liberdade de associação, claro, mas não representam, de todo, a Maçonaria Universal, nem são reconhecidos por qualquer autoridade maçónica legitimada. Confundir estas realidades distintas é abrir a porta ao ruído e, por vezes, ao oportunismo. Qualquer grupo pode auto-denominar-se maçónico, mas daí até ser reconhecido como tal o caminho é longo e são precisas várias viagens.
Outro ponto que parece sempre surpreender quem vê de fora é que, dentro de uma mesma Loja, podem conviver irmãos com visões políticas radicalmente diferentes. Um pode votar Bloco de Esquerda, outro Chega, outro CDS, outro PS, é indiferente. Trabalham lado a lado, como irmão e no fim da sessão seguem alegremente para junto das suas famílias e amigos. Basta lembrar exemplos como Paulo Portas e Miguel Portas, ou Adriano Moreira e Isabel Moreira, que representam leituras políticas opostas e continuam família. Na Maçonaria, como na vida, as diferenças não anulam a relação, tornam-na mais rica. Estamos aqui para aprender uns com os outros, não para concordar uns com os outros. Como se diz com humor, se todos gostassem do vermelho, o que seria do verde?
Dentro de uma Loja não se discute política partidária, tal como não se discute religião ou futebol. Não porque sejam temas tabus, mas porque despertam paixões que facilmente transformam o racional em irracional. O que se discute são questões universais como liberdade, justiça, dignidade humana, combate à desumanidade, entre muitos outros temas que nos permitem crescer enquanto homens mais justos e um pouco mais perfeitos, como tão bem descrito no texto da nossa Loja sobre o bom standing maçónico.
A Maçonaria não elege governos nem nomeia CEOs, trabalha consciências e forma Homens.
Por isso, quando alguém afirma que “a Maçonaria apoia o candidato tal”, está simplesmente a confundir a instituição com a liberdade individual dos seus membros. Se há maçons que apoiam Gouveia e Melo, é porque são cidadãos livres. Se há maçons que simpatizam com Cotrim de Figueiredo, igualmente. E se há maçons que não se revêem em nenhum dos dois, também está correcto. O voto pertence ao cidadão, não ao avental, seja ele de cozinha ou de maçom. Estou seguro que dentro dos apoiantes de qualquer um dos actuais candidatos Presidente da Republica, existem muitos maçons, como existem muitos médicos, jornalistas, professores, canalizadores, o que seja...
No meio disto tudo, há o convite do Fábio. E já que foi lançado, deixo o meu também, não só a Cotrim de Figueiredo, mas estendido a qualquer um que queira sentar-se connosco e conversar de frente. Lá estaremos, seja à esquerda, à direita ou ao centro. Um jantar franco, entre pessoas livres, vale sempre mais do que qualquer suspeição lançada ao longe. Porque, no fim, é sempre mais fácil falar olhando para a pessoa do que discutir fantasmas.
A Maçonaria é um caminho de aperfeiçoamento pessoal, a política, o jogo do poder. Confundi-las dá sempre mau resultado.
João B. M∴M∴
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Marcadores: Eleições, presidência da républica
29 novembro 2025
Vamos jantar, Cotrim?
Na sequência do meu texto, onde deixei claro que a Maçonaria não vota nem emite opiniões partidárias enquanto instituição, sinto a necessidade de voltar ao tema. Desta vez não o faço por minha iniciativa, mas porque o candidato da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, decidiu trazer o fantasma maçónico para o centro da campanha eleitoral. Ao criticar o almirante Gouveia e Melo por eventuais apoios ou almoços com irmãos maçons, Cotrim recorreu a um moralismo que disfarça mal o taticismo político e que merece, da minha parte, uma reflexão e um convite sincero.
Custa muito entender como alguém que lidera um movimento dito liberal, defensor intransigente das liberdades individuais, tenha tanta dificuldade em aceitar um dos pilares da democracia que é a liberdade de associação. Demonizar um grupo de cidadãos apenas por se reunirem, debaterem ou almoçarem não é liberalismo, é exatamente o oposto. A postura ficou evidente quando, no recente frente a frente televisivo, ao ser confrontado com a ubiquidade da Maçonaria na sociedade, o candidato da IL tentou sacudir a água do capote com uma frase que ficará para os apanhados da campanha: "Uso avental, mas na cozinha".
Esta tirada, que pretendia ser espirituosa, revela um desconhecimento constrangedor ou uma má vontade calculada. Recorrer ao velho espantalho do avental para atacar adversários é um truque gasto e indigno de quem promete modernizar Portugal. É uma tática que associo mais a regimes populistas do que a liberais iluminados e cosmopolitas. O que talvez o candidato não saiba, ou finja desconhecer por conveniência, é que a Maçonaria não é um bloco de pensamento único. Existem maçons de todas as tendências políticas e, a julgar pela simpatia que muitas ideias liberais despertam em mim e em muitos que conheço, arrisco dizer que há muitos irmãos que são eleitores do próprio Cotrim.
Ao diabolizar a Ordem com piadas de cozinha e suspeições de "cavalo de Troia", ele não ataca apenas o seu adversário político momentâneo. Insulta também uma parte do seu próprio eleitorado. Insulta homens livres e de bons costumes que acreditam na meritocracia e na liberdade económica, mas que veem agora o seu candidato a cair num preconceito primário. Esta postura levanta uma dúvida legítima sobre a verdadeira natureza política do candidato: será ele um verdadeiro liberal ou apenas um conservador escondido sob uma etiqueta moderna? Um liberal genuíno defende a privacidade e entende que o indivíduo é soberano nas suas escolhas associativas.
Por isso aqui deixo o repto, sem paramentos e sem rituais, apenas como um eleitor que observa a partir da pedra bruta. Vamos jantar, Cotrim? Eu pago a conta. Prometo que não falaremos de teorias da conspiração nem decidiremos o futuro do mundo entre a entrada e a sobremesa. Falaremos apenas sobre Liberdade, Igualdade e Fraternidade, valores que quero acreditar que ainda fazem parte do vocabulário de quem se diz liberal. Talvez nesse jantar descubra que o fantasma que criou não existe e que, para defender a liberdade dos outros, é preciso primeiro libertar a própria mente de preconceitos.
Fábio Serrano, MM
*esse texto não necessariamente reflete a opinião da maçonaria, da RLMAD ou de qualquer outra organização ou associação. Afinal, somos indivíduos livre.
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Marcadores: Eleições, liberdade, liberdade de expressão, Livre Associativismo
22 novembro 2025
O Bicho Papão da IA - Inteligência Artificial
“Not doing bad is not the same as doing good.”
A IA devolve-nos apenas a qualidade daquilo que lhe damos, se dermos pouco, devolve pouco, se dermos profundidade, devolve profundidade.
Para tentar demonstrar isto de modo claro escolhi um símbolo a nós familiar: a Coluna B. Não para explicar o tema, mas para mostrar como a IA só funciona bem quando a nossa prompt é clara, intencional e contextualizada.
Ex:1. Quando não damos contexto (resultado irrelevante)
Prompt:
“Escreve sobre a Coluna B.”
Output:
"A Coluna B é a segunda coluna de uma tabela ou folha de cálculo, usada para organizar dados e complementar a coluna A."
Ex:2. Quando damos pouco contexto (resultado vago)
“Escreve um parágrafo sobre o significado simbólico da Coluna B em tradições históricas.”
"A Coluna B surge em algumas tradições como símbolo de sustentação e força, marcando entradas ou momentos cerimoniais."
- Já tem mais um pouco de "sumo", mas continua longe da dimensão que pretendemos.
Ex:3. Quando dizemos que é maçónico (resultado aceitável)
Prompt:
“Explica o significado da Coluna B na Maçonaria, focando-te na sua dimensão de força moral e sustentação do Aprendiz.”
Output:
"Na Maçonaria, a Coluna B representa a força moral que sustenta o Aprendiz no início da sua jornada. Marca a passagem do profano para o trabalho interior, lembrando a necessidade de disciplina e carácter."
Ex4. Quando damos contexto completo (resultado verdadeiramente útil)
Prompt:
“Escreve um parágrafo profundo, historicamente fundamentado e simbolicamente rigoroso sobre a Coluna B, ou Boaz, no Rito Escocês Antigo e Aceite praticado em Portugal. Explica a sua origem bíblica no Livro de Rute, a linhagem de Boaz, a ligação ao Templo de Salomão, o significado de ‘em vigor’, as razões pelas quais os Aprendizes se sentam na Coluna do Norte e a relação com fenómenos solsticiais. Evita exageros esotéricos e privilegia uma leitura ética, histórica e humana.”
Output:
"Na Maçonaria no Rito Escocês Antigo e Aceite, a Coluna B, ou Boaz, tem raízes profundas no Livro de Rute, onde Boaz se destaca como homem justo, generoso e fiel, cuja união com Rute originou a linhagem de Jessé, David e, por fim, Salomão. É por isso que, ao erguer o Templo, Salomão nomeia a coluna esquerda como Boaz, “em vigor”, homenageando a rectidão e coragem do seu bisavô. Os Aprendizes sentam-se na Coluna do Norte porque, nos tempos operativos, ali se alinhavam para receber instrução e salário, carregando as pedras imperfeitas que iniciavam o labor. A posição a Norte relaciona-se ainda com fenómenos solsticiais, simbolizando menor luz e maior necessidade de trabalho interior. Assim, Boaz torna-se símbolo de força moral, humildade e perseverança, fundamentos que sustentam o caminho iniciático desde a Antiguidade."
Resumindo. a IA é uma grande tool, e goste-se ou não se goste veio para ficar. Ela já cá está há muito tempo, os primeiros standards da IA são de 1955 (se não me engano), o que acontece é que ela agora tem a capacidade de ser bastante mais rápida e acessivel para o comum dos mortais.
Usem-na, explorem-na e principalmente, conduzam-na. O futuro é "Human-Led, AI Powered"
Não se esqueçam, que como o malho que desbasta a pedra bruta não trabalha sem mão que o segura e que o cinzel não corrige sem intenção, A IA não produz se nós não a orientarmos.
Quando usada com critério, rigor e propósito, pode elevar, mas nunca substituir, o trabalho do maçom.
Não se esqueçam que na IA, como em maçonaria, é a intenção que faz toda a diferença.
João B. M∴M∴
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Marcadores: boaz, IA, Inteligência Artificial
15 novembro 2025
Entre espiões, lojas e fantasmas
Andava eu a vaguear pelas internets, a ler as notícias, até que me deparei com mais um artigo de opinião a anunciar, com dramatismo as “ligações perigosas” entre maçonaria e os nossos serviços secretos. Daquelas notícias que de tempos a tempos, aparecem. Sempre com o mesmo titulo de a maçonaria exercer uma influência excessiva e colocar pessoas no topo.
Pois bem, sejamos justos. Sim, é verdade que nós influenciamos excessivamente. Eu próprio o faço todos os dias. Influenciamos para que consigamos ser melhores, a crescer intelectualmente, a estudar mais, a trabalhar o carácter, a questionar preconceitos, e também a tentar, com maior ou menor sucesso, chegar ao dia de amanhã um degrau acima daquilo que fomos ontem, na nossa caminhada até ao nosso topo.
O artigo apresenta a “descoberta” de que vários responsáveis do SIS e do SIED, ao longo dos anos, passaram por lojas maçónicas, algo que, aparentemente, é notícia sempre que convém incendiar um pouco o imaginário popular. Recorda também as famosas “lojas de poder”, como a Mozart, a Mercúrio ou a Brasília, num tom entre o policial e o mitológico. Eu aqui tenho que discordar, pois a meu ver, mais poderosa que a RLMAD n5, a minha loja, não há. Mas esta é a minha humilde, mas poderosa opinião.
O autor diz, por exemplo, que “a maçonaria atrai até os espiões” e que estas lojas tinham “objetivos estratégicos de intervenção social e política”. Acredito nesta parte de atrair espiões, penso que A maçonaria atrai pessoas curiosas, cultas, inquietas, atrai quem procura reflexão, filosofia, ética, simbolismo, camaradagem, silêncio interior e, sim, também debate civilizado. E até aceito que se diga que debatam políticas, não partidárias, mas politicas importantes para a humanidade, filosóficas, civilizacionais, éticas e sociais, política no sentido clássico, ou seja, aquilo que molda a sociedade e o ser humano.
Agora se entre os maçons, há espiões, médicos, professores, militares, advogados, camionistas ou calceteiros… é porque somos um espelho (imperfeito) da sociedade. Nada mais. Na RLMAD, e isto talvez desiluda os mais ávidos de teorias, não há um único político, mas, nas cento e muitas lojas da maçonaria regular em Portugal, é óbvio que existirá de tudo: presidentes de câmara, secretários de estado, médicos, engenheiros, calceteiro, pedreiros e até desempregado, todos homens livres e de bons costumes.
A maçonaria não escolhe profissões, aceita pessoas.
Há também a velha tese de que a maçonaria vive num reino de sombras, reunindo-se secretamente em lugares misteriosos e maquiavélicos. Reunimo-nos discretamente, sim. Não para esconder algo obscuro, mas porque aquilo que cultivamos exige silêncio, interioridade e foco, é difícil “elevar o espírito” com jornalistas ou lives no Instagram. A discrição protege também os Irmãos da caricatura fácil, num país onde basta dizer “maçonaria” para acender fantasmas e suspeições. Se fôssemos totalmente públicos, autores como o do artigo em questão teriam matéria infinita para reduzir pessoas reais a personagens de conspiração. A discrição não oculta, preserva o essencial e evita que o trabalho humano e interior que fazemos seja transformado em ruído.
Por fim, o artigo conclui com a ideia de que, se o novo diretor do SIED for confirmado, teremos no topo das secretas portugueses vários “maçons adormecidos”. A palavra parece quase ameaçadora, “adormecidos”, como se estivessem prestes a acordar para tomar o país e em vez de Républica de Portugal, se tornasse a Maçonaria de Portugal.
A maçonaria regular portuguesa, com todos os seus defeitos e virtudes, continua a ser:
Se isso incomoda, talvez o problema não esteja na maçonaria.
João B. M∴M∴
Publicado por JoãoB às 12:00 0 comments
Marcadores: ártigo opinião, política




