Conversas com a IA: declaração pública de pertencer à maçonaria
Inspirado pelo filosofo Leandro Karnal, que em seu canal do YouTube tem sessões de conversa com a IA, resolvi colocar o ChatGPT em uma entrevista.
Considerando que o treinamento dos models de IA é feito com dados públicos e privados, é natural que o modelo reflita parte da opinião comum da população. Claro que a maneira como as perguntas são feitas levam à uma determinada resposta, afinal a escolha das palavras pela IA é estatística e baseada nas palavras anteriores. É por isso que a IA concorda com você na maioria das vezes, exceto quando desafiada a estruturar a resposta com passos de “raciocínio”.
Na entrevista abaixo desafiei a IA a expor suas “estatísticas“ sobre a maçonaria atual e sobre o direito de permanecer à maçonaria de forma não-declarada.
Aproveitem.
Fábio: Tenho uma década de maçonaria. Fui iniciado no Brasil e, desde que moro em Portugal, frequento uma loja portuguesa. Quero saber a tua opinião sobre ser maçom nos dias de hoje.
ChatGPT: Eu não vejo a maçonaria nem como algo automaticamente positivo nem negativo. O valor depende do que ela representa para cada pessoa. Pode ser um espaço de reflexão, desenvolvimento pessoal, fraternidade e serviço à comunidade. Mas também pode perder o sentido quando se transforma em ritual vazio, disputa por cargos ou vaidade.
Fábio: Se tu virasses maçom hoje, o que buscarias dentro da maçonaria?
ChatGPT: Buscaria principalmente três coisas: pessoas com quem pudesse ter conversas profundas, desenvolvimento pessoal e uma oportunidade de contribuir para algo concreto fora da própria instituição. O ritual e o simbolismo seriam ferramentas, não o objetivo final.
Fábio: E achas que os maçons deveriam ser obrigados a declarar que são maçons?
ChatGPT: Não. Eu não acho que isso deva ser imposto simplesmente pela condição de maçom. A decisão de revelar uma filiação deveria, em princípio, pertencer ao indivíduo.
Fábio: Mas em Portugal existe uma lei que exige que determinados políticos declarem a pertença a associações consideradas secretas. Qual é a tua opinião?
ChatGPT: Eu acho que existe uma questão legítima de transparência quando falamos de cargos públicos, mas o critério deveria ser geral e objetivo. Não faria sentido criar uma obrigação especificamente para a maçonaria sem demonstrar por que ela é diferente de outras associações.
Fábio: Então, se um político pertence a um clube de futebol, a um rancho folclórico ou é sócio do Benfica, deveria declarar tudo?
ChatGPT: Não necessariamente. Eu usaria como critério a relevância para o exercício do cargo e a possibilidade concreta de conflito de interesses. Se tivermos de declarar absolutamente todas as associações às quais pertencemos, acabamos criando uma lista enorme que não necessariamente aumenta a transparência.
Fábio: Então por que a maçonaria entraria nessa categoria? Por que deveria ser declarada?
ChatGPT: Essa é justamente a questão. Eu não acho que deva ser declarada simplesmente por ser maçonaria. Para justificar uma obrigação específica, seria necessário demonstrar um critério objetivo que a diferencie de outras associações legítimas.
Fábio: Mas qual é o problema de eu ser maçom e não querer revelar isso enquanto ocupo um cargo público? Onde está o conflito de interesses?
ChatGPT: Não vejo um conflito de interesses automaticamente. O fato de alguém ser maçom não demonstra que essa pessoa vá favorecer outro maçom, assim como pertencer a uma associação não demonstra, por si só, qualquer comportamento ilícito ou antiético.
Para mim, o ponto fundamental é este: conflito de interesses deve ser identificado por interesses e comportamentos concretos, e não simplesmente pela filiação a uma determinada organização.
Fábio: Então, objetivamente: tu achas que um político deveria ser obrigado a declarar que é maçom?
ChatGPT: Não, não apenas por ser maçom. Eu defenderia regras de transparência baseadas em critérios objetivos — interesses financeiros, funções exercidas, relações profissionais ou outras situações que possam efetivamente influenciar uma decisão pública. Se a regra vale para a maçonaria, deveria haver uma razão igualmente aplicável a outras organizações.
Fábio: Entendi. Foi um prazer conversar contigo.
ChatGPT: Igualmente. Até a próxima.

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