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Maçonaria e Solidariedade

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É recorrente. Sempre que ocorre algum evento que cause vítimas, destruição de bens ou deixe pessoas em dificuldades e que tal evento cause comoção pública, há quem - admito que bem-intencionadamente - sugira, proponha, exija que a Grande Loja lance uma campanha pública de recolha de fundos e solidariedade. Essa não é, contudo, a melhor das ideias - e vou procurar explicar porquê. As instituições maçónicas e os maçons devem - isso é inquestionável! - proporcionar a sua aolidariedade e prestar ajuda a quem passa momentos de aflição. Mas duvido muito que deva fazê-lo lançando campanhas públicas nesse sentido. Se uma instituição maçónica está em condições de auxiliar, deve auxiliar, seja disponibilizando meios financeiros (do respetivo Tronco da Viúva ou do seu orçamento geral), seja disponibilizando trabalho, tempo e energias dos elementos que a integram. Mas deve fazê-lo discretamente! Deve fazê-lo discretamente, não por hábito ou mania da discrição, mas porque deve auxi...

Comunicação do Grão-Mestre por ocasião do equinócio de outono

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O ABANDONO DO INTERIOR, O ABANDONO DE PORTUGAL Queridos II. em todos os vossos graus e qualidades, a todos saúdo, sede bem-vindos à casa dos valores, à casa dos irmãos, à nossa casa. Celebramos hoje em Grande Loja o Equinócio de Outono. O fenómeno astronómico ligado ao equinócio, define o instante em que o Sol, na sua órbita aparente, cruza o equador celeste, garantindo nesta data, igual duração entre os dias e as noites. Através desta sugestão igualitária cósmica, reavivo os princípios que norteiam a nossa Augusta Ordem: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. A partir deles extrapolo deveres para o maçon como o dever de solidariedade, o dever da promoção da igualdade de oportunidades, o dever da compaixão fraternal para com o semelhante, o dever de respeito pela dignidade humana, o dever em defender a democracia plena. E faço esta introdução, porque queria hoje falar-vos do problema maior de Portugal, ao qual nós todos temos obrigação de prestar socorro: O ABANDONO D...
A CÉLULA Era uma vez uma CÉLULA… era uma vez uma célula pequenininha… muito pequenininha… tão pequenininha que mal se via, mesmo ao microscópio. E para complicar a vida ao observador… ou bisbilhoteiro que é o que os observadores são, esta célula nunca estava quieta. Além de pequenininha… era uma célula viva, posta assim a funcionar pela Mãe. A Mãe Natureza… naturalmente, pois claro. E a Mãe Natureza ao pô-la na vida deixou-a com regras. Todas as células vivas têm regras ! Para poderem conviver umas com as outras.. e esta também tinha regras, naturalmente. As regras das células são todas mais ou menos iguais, embora as células sejam diferentes umas das outras. As células são diferentes umas das outras, mas as regras são iguais. E a regra base manda que a célula se mantenha viva. Todas as células têm essa regra base. A regra base, como já disse, comum a todas as células implica que têm de se alimentar para continuar a viver. Desta forma a nossa célula, a inicial, a que começou e...

Um Clone para Deus - o caos sobre a ordem

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Kennio Ismail é um maçom brasileiro, professor universitário e pesquisador académico, que regularemente escreve sobre temas maçónicos. Mantém o blogue NO ESQUADRO , um dos que regularmente visito, lendo com agrado as lúcidas opiniões e exposições ali expressas.  Mestre Instalado da Loja Flor de Lótus, n.º 38, filiada na Grande Loja Maçónica do Distrito Federal, publicou já vários livros sobre a Maçonaria: Desmistificando a Maçonaria (2012), O Líder Maçom (2014), Debatendo Tabus Maçónicos (2016), Ahiman Rezon - A Constituição dos Antigos, tradução comentada sua da 3.ª edição do original de Laurence Dermott (2016) e História da Maçonaria Brasileira para Adultos (2017). Kennio Ismail lançou-se agora numa nova, e diferente aventura: a ficção! Acaba de ser publicado pela Chiado Editora, na sua coleção Viagens na Ficção , o livro UM CLONE PARA DEUS - o caos sobre a ordem , interessante novela escrita em escorreita prosa, que prende o leitor de princípio ao fim. Para não estra...

Um maçon nunca está sozinho

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Quando o meu avô morreu, a meio da sua nona década de vida, comentou-me uma das minhas tias: "O avô morreu três vezes. A primeira foi quando a avó morreu. A segunda foi quando se apercebeu de que era o último dos da geração dele que ainda estava vivo. E a terceira foi agora." E continuou: "Sabes, há um par de anos foi ao funeral de um dos amigos de infância, e quando olhou em volta, viu-se sozinho. Aqueles com quem ele cresceu, os que fizeram a escola ao mesmo tempo... já tinham ido todos. A partir daí, limitou-se a ficar à espera." Confesso que senti um arrepio ao imaginar como seria sertir-me assim. Anos volvidos, estou bastante mais seguro de que tal não me acontecerá. Não porque tencione morrer cedo - nunca se sabe, mas não tenho grande pressa... - mas porque os meus amigos não estão todos na mesma faixa geracional; é certo que tenho uns quantos amigos chegados que são de idade próxima da minha, mas a gama de idades dos que me são próximos é bastante ala...

O ofício de Venerável Mestre

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Em regra anualmente, as Lojas maçónicas elegem um dos Mestres do seu Quadro para assumir a função de Venerável Mestre.  O Venerável Mestre tem a incumbência de dirigir administrativamente a Loja, com o auxílio, designadamente, do Secretário, do Tesoureiro, do Arquivista e do Orador (este com a expressa função de dirimir e/ou tentar fazer com que se ultrapassem eventuais litígios e de instruir qualquer procedimento disciplinar que porventura se mostre necessário). Deve também providenciar pela adequada instrução e formação dos Aprendizes e Companheiros da Loja, a daqueles sob a direção do Segundo Vigilante, a destes mediante a coordenação do Primeiro Vigilante. Deve ainda assegurar a adequada e correta execução do ritual praticado pela Loja, contando, para isso, com o especial contributo do Mestre de Cerimónias, do Experto e do Guarda Interno. Deve mais garantir que, quando se justifique, a solidariedade da Loja perante qualquer dos seus obreiros seja efetiva e atempadament...

Porque só um crente pode ingressar na Maçonaria Regular

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Um dos requisitos para se ingressar a Maçonaria Regular é a "crença no Grande Arquiteto do Universo". Ora, quem não esteja inteirado do significado de tal expressão nunca poderá, de boa fé, responder afirmativamente. A pergunta que daí inevitavelmente decorre é: "Mas quem é o Grande Arquiteto do Universo?" E daqui costuma advir uma longa explicação, mais ou menos complicada, e mais ou menos extensa, referindo a tolerância religiosa, a história da maçonaria e os valores de harmonia e paz que à maçonaria são caros. Vou tentar outra abordagem. Em muitos países - e o nosso não é, infelizmente, exceção - perde-se o nome quando se é investido de um cargo; passa-se de "João", "Bruno" ou "António" a "Senhor Professor", "Senhor Diretor" ou "Senhor Ministro". Não que se perca o nome; este fica é reservado àqueles que nos são mais próximos. Os restantes tratam-nos pelo nome do cargo. É comum, em muitas or...