20 junho 2026

Ser Companheiro

Entre o entusiasmo do Aprendiz e a maturidade do Mestre existe um caminho muitas vezes esquecido, o caminho do Companheiro!


O Aprendiz trabalha sobre si mesmo, aprende o silêncio, a disciplina e a observação. Descobre, também, que a pedra mais difícil de desbastar já foi encontrada, não longe mas mesmo assim muitas vezes é preciso um espelho para percebe que é a sua própria pedra bruta. Com o tempo, mais curto ou mais longo, mas seu e só seu, o aprendiz percebe que é o momento em que esse trabalho interior já não basta, é preciso levantar os olhos da pedra e compreender a construção.

Ser Companheiro é precisamente isso.

É deixar de olhar apenas para a tarefa e começar a perceber a Obra, é aprender a medir, a comparar, a questionar e a procurar conhecimento. Não por mera curiosidade intelectual, mas porque cada novo saber amplia a nossa capacidade de servir.

No Rito Escocês Antigo e Aceite, o Companheiro é convidado a percorrer um caminho marcado pelos cinco sentidos, pelas artes liberais e pelos instrumentos que permitem transformar a matéria em harmonia. Descobrir que a força sem sabedoria é insuficiente e que a sabedoria sem acção permanece estéril.

Talvez por isso este seja um dos graus mais actuais da Maçonaria, mesmo sendo o mais incompreendido. Hoje em dia vivemos uma época rica em informação, mas pobre em compreensão e o Companheiro recorda-nos que conhecer não é acumular factos, mas sim aprender a relacioná-los, a encontrar significado e a colocá-los ao serviço de algo maior do que nós próprios.

Ser Companheiro é continuar a trilhar o próprio caminho, já depois do início do percurso, mas ainda longe do seu destino final. É aceitar que a verdadeira aprendizagem não termina com a iniciação, pelo contrário, é aí que realmente começa.

Porque a pedra pode estar mais lisa, mas o Templo ainda está longe de concluído e muitas mais polidelas serão necessárias para que ela encaixe de forma quase justa e quase perfeita.

João B. M∴M∴

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