A Pedra de Cada Um e o Templo de Todos
Na semana passada estive na PMI Global Summit Lisbon e, no meio de tantas conversas sobre projectos, liderança, tecnologia e impacto, tive também a oportunidade de estar com alguns irmãos que já conhecia. Não houve surpresa nem coincidências místicas, apenas aquele cruzamento natural de pessoas que, apesar de caminhos diferentes, acabam muitas vezes por se encontrar nos mesmos espaços de reflexão e discussão séria.
Curiosamente, um dos temas mais presentes ao longo do evento foi a Sustentabilidade. E admito sem problema nenhum que percebo perfeitamente porque é que tanta gente revira os olhos quando ouve essa palavra. Durante anos o tema foi capturado por extremos, por discursos políticos cansativos e por uma espécie de militância histérica que transformou qualquer conversa séria numa competição para ver quem grita mais que “o mundo está a acabar”, que “a culpa é dos fascistas” e dos “capitalistas”, dos carros, das vacas ou do vizinho que não separa o lixo.
Aí e tal as metas da europa, carros eléctricos, tudo muito bonito, mas no fim de contas quem os têm é para serem sustentáveis com as carteiras deles, bem mais barato suportar um tesla, do que um carro a gasolina (os preços de hoje em dia nossa senhora!!!).
Porque sustentabilidade não é apenas emissões, árvores ou reciclagem de papel no azul e plástico no amarelo, isso é uma parte minúscula. Sustentabilidade é também ética, responsabilidade, segurança, prosperidade, impacto social, decisões equilibradas e consciência sobre as consequências daquilo que fazemos. É perceber que crescimento sem princípios destrói, e que idealismo sem realidade também não constrói absolutamente nada.
Talvez por isso este seja um tema muito mais próximo da Maçonaria do que parece à primeira vista.
Quando trabalhamos a nossa pedra, não o fazemos apenas para benefício individual ou para polir o ego espiritual, a pedra de cada um vai inevitavelmente impactar o templo comum de todos. Um homem sem ética afecta os que o rodeiam, um líder irresponsável afecta equipas, famílias e comunidades. Uma sociedade sem sentido de responsabilidade colectiva degrada-se lentamente, mesmo quando continua a parecer funcional por fora.
É precisamente aqui que a conversa se torna verdadeiramente importante, jámais numa lógica partidária ou numa aberração de visão “woke” importada das redes sociais, mas sim numa reflexão séria sobre responsabilidade. Sobre perceber que todas as decisões têm impacto e que maturidade também é conseguir discutir estes temas sem cair em fanatismos, slogans ou guerrilhas ideológicas.
A Maçonaria sempre procurou formar homens melhores, e homens melhores não são apenas homens cultos ou ritualisticamente correctos, longe disso. São homens conscientes do impacto que têm no mundo à sua volta. Homens capazes de construir prosperidade sem destruir tudo pelo caminho. Homens que percebem que ética, responsabilidade e equilíbrio não são modas modernas, mas necessidades permanentes de qualquer sociedade minimamente saudável.
Talvez o erro tenha sido deixar que outros se apropriassem do tema e o transformassem numa caricatura, porque, despido de politiquices e extremismos, aquilo a que hoje chamamos Sustentabilidade é, no fundo, apenas uma versão moderna de algo muito antigo.
A obrigação moral de deixar o templo um pouco melhor do que o encontrámos.
João B. M∴M∴

Sem comentários:
Enviar um comentário