08 dezembro 2010

Quite


Um maçom deve estar sempre quite para com a sua Loja, isto é, ter cumpridas as suas obrigações para com esta. As obrigações mínimas do maçom perante a Loja respeitam ao dever de assiduidade, isto é, à comparência em todas as sessões de loja para que for convocado, e o pontual pagamento da quota mensal.

Estar quite é cumprir estes deveres SEMPRE. Sempre que um obreiro injustificadamente falte a uma sessão, viola o dever de assiduidade e, portanto, não está quite. Sempre que se inicia um mês do calendário civil sem ter pago a sua quota do mês anterior, não está quite.

Não está quite perante si próprio, perante a sua consciência. Porque, incumprindo o seu dever de assiduidade, sem justificação para tal, incumprindo, podendo fazê-lo, o seu dever de pagar a sua quota mensal, o obreiro está, antes de mais, a faltar aos compromissos que assumiu, respetivamente, de assiduidade e de comparticipação para o Tesouro da Loja. E o cumprimento dos compromissos livremente assumidos é uma questão de honra! Logo, o maçom que injustificadamente falte a uma sessão de Loja para que foi convocado, que se deixa, sem razão que o justifique, entrar em mora no cumprimento do seu dever de contribuição para as despesas da Loja, antes de tudo e cima de tudo sente-se ele próprio desonrado.

O atraso no pagamento das quotas pode ser remediado: basta pagar o que está em dívida e ficar-se-á quite. Já o incumprimento do dever de assiduidade causa sempre prejuízo. À Loja porque fica privada do contributo do maçom. E todos os contributos de todos os maçons da Loja são inestimáveis e imprescindíveis. Do Mestre mais antigo ao Aprendiz mais recente, todos e cada um são essenciais para o aperfeiçoamento de cada um e global da Loja. Mas o incumprimento do dever de assiduidade prejudica sobretudo o próprio incumpridor. E, de alguma forma, é incompreensível: pois não tomou o maçom a decisão de pedir a Iniciação para beneficiar da ajuda da Loja no seu crescimento pessoal, na sua jornada própria? E vai prejudicar a sua demanda, prescindir do contributo do grupo não comparecendo? O tempo não para, não se pode rebobinar o filme. A única forma de remediar a falta sem motivo é diligenciar pelo estrito cumprimento do dever de assiduidade. Assim se diluirá o atraso, assim se recuperará o trabalho que ficou um dia por fazer. Assim se fica, de novo, quite. Quite para com a Loja. Mas sobretudo – e principalmente! – quite perante si próprio!

O maçom tem, a todo o tempo, direito a que a sua Loja certifique que se encontra quite. Se o fizer na constância e na permanência da ligação à sua Loja, é-lhe emitida uma declaração de good standing, com a qual poderá provar, perante qualquer outra Loja que visite, ser um maçom quite, em boa posição, de pé e à ordem, perante a Loja, a Maçonaria e ele próprio. Se o fizer no âmbito do processo de desvinculação da sua Loja – que é um direito que todo o maçom a todo o tempo pode exercer -, seja por entender dever adormecer, isto é, suspender a sua atividade maçónica ou por decidir mudar de Loja, é-lhe então emitido um atestado de quite. Com esse documento, fica ultimada a sua desvinculação da Loja. O maçom pode assim pedir a sua admissão a outra Loja, comprovando perante a mesma estar quite de todas as suas obrigações perante a Loja de que se desvinculou. Ou, se simplesmente pretender suspender a sua atividade maçónica, pode, se e quando o entender, retomá-la reintegrando-se na mesma ou em outra Loja, comprovando que cumpriu os seus deveres enquanto esteve em atividade maçónica, pelo que saberá voltar a cumpri-los ao retomá-la.

Mas, no fundo, o atestado de quite é apenas uma declaração num papel. O que verdadeiramente interessa é que o maçom se sinta, ele próprio, pessoalmente, perante si mesmo, sempre quite. E é para que assim seja que a Loja existe e se disponibiliza e auxilia e coopera. Porque a razão de ser da Loja, da Obediência, da Maçonaria é, afinal, simplesmente, o maçom. Cada um deles. Cada um de nós. Livre, especial, insubstituível e... quite!

Rui Bandeira

11 comentários:

Nuno Raimundo disse...

Boas...

Uma dúvida...

Se por uma infelicidade na vida, um Maçon ficar desempregado e não lhe for possível pagar a quota mensal, como deve agir ( falo em sentido lato)?
Pede atestado de quite e suspende a sua atividade maçónica durante o periodo em que não lhe for possivel contribuir?
Ou a R.L. suspende o pagamento de quota ou faz algum tipo de "desconto" no valor da respetiva quota? Tornando assim possivel a presença do maçon em desempregado em sessão de Loja?

abr...prof...

Rui Bandeira disse...

@ Nino Raimundo:

Na situação que descreve, o maçom deve procurar o Hospitaleiro da sua Loja e expor-lhe a sua situação de dificuldade. o Hospitaleiro coordenará as ações adequadas á situação concreta, que poderão passar por uma ajuda económica, um auxílio na busca de emprego, uma assunção pela Loja, total ou parcial, do dever de pagamento da quotização, ou outras medidas ao caso concreto adequadas.

Os problemas individuais só pelo próprio podem ser resolvidos, mas podem ser aliviados e a solução para eles ser facilitada com a solidariedade do grupo.

Jocelino Neto disse...

Nuno,

Ocorreu-me a mesma dúvida. Após a resposta do Rui, creio, compactuamos da mesma luz. Sempre relevante sua participação!

ps. não sei se estou a sofrer de uma crise de ansiedade (é provável), mas sinto uma mudança no ritmo das publicações. Estarei equivocado?

Abraços Fraternos!

Nuno Raimundo disse...

Boas...

Obrigado Rui pela explicação, e ao Jocelino pelas palavras que me endereçou :)

abr...prof...

Rui Bandeira disse...

@ Jocelino Neto:

Eu publico uma vez por semana. O Paulo M. começou por publicar duas vezes por semana e reduziu para uma (não é fácil manter um ritmo superior, a não ser que não se faça mais nada na vida...) e, esta semana, assoberbado por outros afazeres, não pôde publicar. Os demais Mestres da Loja só ocasionalmente publicam.

Manter um blogue temático não é fácil, sobretudo quando se escreve num blogue que vai no quinto ano de publicação regular e já com mais de um milhar de textos...

Como eu costumo dizer, nem sempre é possível dar ópera, mas... seguramente que, com agradável frequência, vão surgindo algumas árias...

Um abraço.

Jocelino Neto disse...

Mestres (Rui Bandeira, Paulo M., José Ruah,...),

Peço-lhes que minha dúvida quanto a frequência de postagens não seja interpretada como "cobrança". Aceitem-na como um gesto de insegurança (será que não haverão postagens devido aos inumeros afazeres relativos as festividades?) e apreço pelo saber singular que tendes proporcionado.

Abraços Fraternos!

JPA disse...

Depois de ler o texto e os comentários acho bem referir que os Mestres da RLMAD estão quites perante o blogue e os leitores.

Cumprimentos
JPA

Paulo M. disse...

Peço desculpa pelo sobressalto que involuntariamente causei, mas de facto tive um fim de semana cheio de imprevistos que me impediram, de todo, de escrever o costumeiro artigo semanal.

Obrigado pelas vossas palavras de apreço; é bom sentirmos que sentem a nossa falta. Tentarei que tais ocorrências sejam raras e excecionais.

Um abraço a todos do
Paulo M.

Litle disse...

Qual o valor da quota??

Rui Bandeira disse...

@ Litle:

O valor da quota é fixado por cada Loja. Na Loja Mestre Affonso Domingues é presentemente de € 20,00 mensais.

Diomaique Lopes disse...

Olá a todos. Meu nome é Diomaique, não sou maçom, mas um acíduo admirador dos preceitos maçônicos e nas horas vagas me dedico aos estudos possíveis. Como não sou maçom não tenho acesso aos estudos que só são repassados em loja. Tenho um desejo ardente de tornar-me maçom e aperfeiçoa-me porém não sei como começar. Peço a ajudas de todos vocês.
Um forte abraço!