13 outubro 2010

Maçonaria e Modernidade


Modernidade não é substituir o antigo pelo novo. É adicionar o novo ao antigo.

A Maçonaria, herdeira das tradições dos construtores de catedrais da Idade Média, soube, no século das Luzes, reinventar-se, evoluir para a sua atual forma de Maçonaria Especulativa, assumindo a modernidade do Iluminismo sem deixar cair o acervo das tradições, da ética, dos costumes, dos maçons operativos.

Neste dealbar de novo século e milénio, no findar da sua primeira década, importa refletir sobre o papel da Maçonaria num Mundo que evolui e se transforma a um ritmo nunca dantes visto, com um avanço tecnológico ímpar na História da Humanidade, mas também com riscos e desequilíbrios de uma dimensão global, também novos, em tão ampla escala.

Importa refletir sobre a melhor forma de bem utilizar as Novas Tecnologias de Informação. Importa refletir sobre como integrar os novos conhecimentos, os avanços científicos, as evoluções sociais, no paradigma maçónico. Importa refletir sobre o papel, o interesse, a contribuição, da Maçonaria nas sociedades de hoje e do amanhã. Importa refletir, em suma, sobre como adicionar o novo ao antigo.

A Maçonaria é uma contínua sucessão de atos de construção de cada um de nós, em que cada um de nós é simultaneamente a obra, a ferramenta e o construtor. Nesta permanente tarefa, o uso, a prática, a execução, da Tradição, a repetição de palavras, gestos e atos que a nós chegam vindos de tempos para nós imemoriais, é-nos confortável e reconfortante, dá-nos segurança, um ponto de apoio e de equilíbrio. Fazemos o mesmo que muitos outros antes de nós, em muitos tempos e diversos lugares, fizeram, que muitos outros além de nós no mesmo dia em que nós o fazemos também o fazem, esperamos fazer o mesmo que muitos muito depois de nós continuarão a fazer. É-nos confortável, dá-nos segurança, estabilidade, paz de espírito, sabermos que somos individualmente elos de uma imensa cadeia que nos chega de um profundo passado, continua num tranquilo presente e prossegue num risonho futuro...

Nós, maçons, somos os cultores por excelência da Tradição!

No entanto, não recusamos, nunca recusámos, a Modernidade! A nossa história mostra mesmo que, em algumas épocas, nós fomos a Modernidade: muitas das Luzes que iluminaram o século das ditas foram de maçons, espíritos científicos avançados para a sua época, que cultivaram, divulgaram e fizeram avançar a Ciência e a Técnica. Os princípios hoje quase universalmente aceites (e ansiamos pelo dia em que o “quase” desapareça) dos Direitos Humanos foram acarinhados, cinzelados (é o termo), divulgados e defendidos, antes de mais e antes de todos, por maçons. Nós, maçons, orgulhamo-nos de, ao longo da nossa já apreciável história, sabermos aliar a Tradição à Modernidade.

Nós, maçons, procuramos nunca substituir o antigo pelo novo, porque isso seria deitar fora, desprezar, desaproveitar, tudo o que de bom o antigo continua a ter para nos ensinar, ilustrar, proporcionar, antes integramos o novo no antigo, cultivando a Tradição, mas utilizando tudo o que a Ciência, a Técnica e a própria evolução do Homem nos proporciona.

Rui Bandeira

6 comentários:

Nuno Raimundo disse...

Bela Prancha.

Abr...prof...

jpa disse...

Excelente.
Vamos continuar a adicionar o novo ao antigo. Assim se constrói o Templo.
Não devemos esquecer que o que agora é novo, no segundo seguinte já pode ser velho.

Cumprimentos
JPA

José disse...

Gostei caro Rui Bandeira;

A maçonaria não pode concerteza e de forma alguma desprezar o "antigo"...pois até que do "antigo" é fiel depositária...agora pode e deve utilizar a modernidade para melhor fazer esse trabalho...

Abraços
José C

candido disse...

Caro Rui
Um bom texto com uma estrutura e exposição perfeitas como tem sido corrente, parabéns por isso.
Concordo que grandes pensadores e cientistas representaram bem a maçonaria e logicamente que a "contaminaram". O mundo e a ciência tinham uma cadencia lenta, as ideias/ conhecimento tinham mais dificuldade em se afirmar e era em círculos pequenos que se discutiam. Esta cadencia de desenvolvimento permitia ás organizações conservadoras/ tradicionais amadurecerem e olharem para o etnológico com desconfiança ou expectativa. @Rui Mundo que evolui e se transforma a um ritmo nunca dantes visto, com um avanço tecnológico ímpar na História da Humanidade,
Sem duvida, desde 1940 que o mundo se modifica em 10 anos o que demorava 100 .
Como eu me lembro dos laboratórios e das sebentas! Como eu me lembro do que era a tecnologia de ponta onde iniciei a minha vida! Foram 30 anos na pré historia. Quase anedótico quando comparado com o actual que é substancialmente mais simples!
A tecnologia continua a evoluir visando o, quase, impossível “o transporte da matéria”.
Tecnologicamente não temos razão de queixa do mundo da ciência mas o ser humano também se modificou muito. E como é que a tecnologia se integra no homem novo? Ele estará preparado para incorporar as grandes modificações sociais? O homem novo vai para onde se a tecnologia o expulsa do trabalho? Então e depois?......
@Rui Importa refletir, em suma, sobre como adicionar o novo ao antigo.
E foi também por este lado que eu agarrei o seu poste!
Fico por aqui porque não tenho a sua arte.
Abraço

Anónimo disse...

Muito bonito e lucido seu texto. Gostei especialmente da afirmação de que somos uma construção ( me incluo nisso como ser humano) e realmente somos. Nosso presente é o somatorio de nossas atitudes do passado e certamente se refletirao no futuro. Tanto na nossa vida como em nossa identidade reconhecida por nos e pelas outras pessoas. Bacana tb esse reconhecimento de que nao so nao rejeitam a modernidade como muitas vezes foram a modernidade. A historia do Brasil está ai para mostrar o quanto os Maçons foram revolucionarios e trouxeram liberdade e autonomia ao nosso país. Parabéns pelo texto, Cam

José Jorge Frade disse...

Obrigado.