15 fevereiro 2012

As Obrigações dos Maçons: V - A gestão do ofício durante os trabalhos


Todos os Maçons devem trabalhar honestamente nos dias úteis, e viver honrosamente nos dias santos; a duração do trabalho estipulada pelas leis do país, ou pelo costume, deverá ser observada. O mais hábil dos Companheiros deverá ser o escolhido ou apontado como Mestre, ou Supervisor do Trabalho do Senhor; e deverá ser chamado Mestre por aqueles que trabalham sob sua supervisão. Os Artesãos devem evitar qualquer linguagem ofensiva, e dirigirem-se uns aos outros por Irmão ou Companheiro, e comportarem-se cortesmente dentro e fora da Loja. O Mestre, ciente das suas capacidades, deve conduzir o trabalho do Senhor tão razoavelmente quanto lhe for possível e cuidar dos bens como se seus fossem; não devendo pagar a qualquer Irmão ou Aprendiz mais salário que o que este mereça.
Ambos, Mestre e Maçons, recebendo seu justo salário, devem ser fiéis ao Senhor, executar honestamente o seu trabalho, seja à tarefa ou jornada, e não realizar jornada como se fosse tarefa, se esta foi determinada como jornada.
Ninguém deve mostrar-se invejoso da prosperidade de um Irmão, nem substitui-lo ou retirá-lo do seu trabalho, mesmo se o puder fazer, pois nenhum homem deve realizar o trabalho de outro mesmo que em proveito do Senhor, a menos que esteja bem familiarizado com o Desenho e o Plano do trabalho de quem o tenha começado.
Quando um Companheiro for escolhido como Vigilante do trabalho, sob a orientação do Mestre, deve ser leal com o Mestre e Companheiro, e supervisionar cuidadosamente o trabalho na ausência deste, no interesse do Senhor; e os Irmãos devem obedecer-lhe.
Todos os Maçons devem, humildemente, receber o seu salário, sem murmúrio ou sedição, e não abandonar o seu Mestre até que o trabalho seja concluído.
Um Irmão mais jovem deve ser instruído no ofício, para prevenir o desperdício por falta de critério e para fazer crescer e continuar o amor fraternal.
Todos os instrumentos usados no trabalho devem ser aprovados pela Grande Loja.
Nenhum trabalhador (não maçom) deve ser empregue em trabalho próprio da Maçonaria, nem Maçons Livres devem trabalhar com aqueles que não o são, sem necessidade urgente; nem devem ser ensinados, assim como os Maçons não admitidos, da mesma forma que se ensina um Irmão.

Esta quinta Obrigação também foi, manifestamente, herdada da Maçonaria Operativa. Os princípios que a constituem são um guia do trabalho, de organização do trabalho e da formação dos Aprendizes. Regista ainda regras éticas no relacionamento entre os maçons operativos, que transitaram para a Maçonaria Especulativa. As regras expostas, concebidas para a organização do trabalho de construção de edificações são também válidas para o trabalho de construção de si próprio.

Começa-se por indicar o estilo de vida do maçom: trabalhar honestamente nos dias úteis e viver honrosamente nos dias de descanso. O homem de bem realiza-se e define-se pelo seu trabalho honesto. Quando se trabalha, deve-se aplicar toda a capacidade de que se dispõe na execução das tarefas que se realizam. No trabalho, trabalha-se, ponto final. Não apenas por uma questão de (como agora se diz a propósito e a despropósito de tudo e de nada) produtividade, mas essencialmente por uma questão de realização pessoal. Aquele que se aplica no que faz, que trabalha concentrado, que procura fazer bem feito aquilo que tem para fazer ou se propõe fazer não obtém só melhores resultados. Obtém satisfação, gosto, prazer, no que faz e no que consegue produzir. O trabalho honesto como condição de progresso material pessoal, mas também, e sobretudo, como elemento formador de nós próprios é um elemento essencial na ética do maçom.

Mas nem só de trabalho vive o homem. Há dias e horas para a família, o lazer, o descanso, o cultivo de interesses pessoais. Esses, determina a Obrigação, deve o maçom vivê-los honrosamente. De nada vale trabalhar árdua e honestamente se, nos momentos extra-laborais a pessoa se comporta desonrosamente, ou de forma embrutecida, desmerecendo da sua condição de homem de bem.

A fraternidade não implica quebra do cumprimento dos deveres. Uma organização fraternal continua a ser uma organização, com liderança e distribuição de tarefas. Por isso se enfatiza que, devendo todos tratar-se por Irmãos ou Companheiros, o Mestre deve ser obedecido e deve respeitar o trabalho daqueles que dirige. Cabe-lhe organizar o trabalho, distribuir as tarefas, determinar prioridades. Mas deve respeitar o espaço e as competências de quem executa o que há para ser executado e reconhecer e retribuir o esforço dos que executam os trabalhos por si determinados.

Ínsita no conceito de fraternidade está a noção de lealdade - ao Mestre, à Loja, ao trabalho, no fundo a si próprio.

Por fim, a advertência solene: a Maçonaria é para os maçons. Só quem adquira essa condição está em condições de bem compreender o método maçónico de desenvolvimento pessoal.

Em resumo, as regras operativas para o trabalho de construção permanecem inteiramente válidas e aplicáveis no trabalho de cinzelamento de si próprios que os maçons especulativos agora efetuam.


Fonte:

Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, página 133.

Rui Bandeira

1 comentário:

O INICIADO disse...

Muita das vezes, as pessoas não conseguem entender por que Deus permite que aconteçam coisas como: catástrofes que tiram a vida de milhares, ou doenças que ceifam a vidas de outros mais. Na verdade, não é culpa de Deus que aquelas interferências mudem a história do homem, tão drasticamente. Pense bem. A humanidade, ou boa parte dela, se concentra em pensamentos que dão sempre vazão a vaidade, ao egoísmo, a luxúria e outros vícios, mesmo em detrimento do bem estar dos outros seres humanos. Quando uma grande massa de mentes vibra, durante muito tempo, usando seus pensamentos para o mal, o universo apenas reage a isso e aí então ocorrem catástrofes, como temos visto no presente. Você nunca se perguntou a razão do porque a maioria das religiões e outras formas de espiritismo, na maioria das vezes, pregam contra esses vícios humanos? E porque o amor sempre foi o sentimento mais poderoso, ensinado entre elas? O ser supremo, que nos observa, nos concedeu o poder de vibrarmos a energia que quiséssemos, porque só assim poderíamos atingir a perfeição. Mas quando viramos as costas para a responsabilidade disso, condenamos a nós mesmos e as gerações após a nossa, a sofrerem as consequências de nossos atos. Na bíblia existe uma sentença que teria sido proferida por Deus, que diz: “EU SOU DEUS ZELOSO, QUE VIISITO A INIQUIDADE DOS HOMENS, ATÉ A SUA SÉTIMA GERAÇÃO”. Não seria lógico, admitirmos que o senhor nosso Deus, misericordioso como é, fosse capaz de condenar crianças pelos pecados de seus pais. Mas se mudarmos o entendimento disso, verificaremos que não foi ele que condenou as crianças, os seus filhos e os filhos dos seus filhos. Tomemos por exemplo a degeneração causada pelo uso da droga. É fato, de que seus descendentes sofrerão anomalias em seus organismos, que deverão ser transmitidas geneticamente. Da mesma forma, as energias emitidas por nossos pensamentos e desejos errôneos, produzirão, também, alteração no cosmos, que será captada por gerações, após a nossa. CONTINUA EM

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