24 junho 2008

Do tempo, ...

Já aqui o mencionei. Fui iniciado na Alemanha, no último ano da década de oitenta do século passado. Não residia na Alemanha. À míngua de existência, na época, de Maçonaria Regular em Portugal, e aguardando a sua institucionalização aqui, optei por seguir o conselho do meu padrinho, um alemão que, na altura se encontrava em Portugal, e buscar a Luz numa Loja de língua espanhola de Bona, a Loja Miguel de Cervantes y Saavedra, minha Loja-mãe. Aí fui iniciado. Aí, cerca de um ano depois, fui passado a Companheiro. E foi como Companheiro que ingressei na Loja Mestre Affonso Domingues, pouco tempo depois da sua Consagração, em pleno período de reconhecimento internacional da emergente Maçonaria Regular em Portugal. Assim o decidi, assim o fiz. Mas paguei um preço. É esse preço que constitui o ponto de partida deste texto. Para que se entenda que todas as escolhas têm um preço. Também em Maçonaria. Talvez particularmente em Maçonaria.

O preço que eu paguei foi que não aprendi a ser maçon, o que era a Maçonaria, o que deveria ser e fazer e procurar, no tempo em que o deveria ter aprendido. O facto de ter sido iniciado na Alemanha e residir e trabalhar em Portugal e não poder deslocar-me regularmente à Alemanha, levou a que viesse a ser passado a Companheiro na terceira reunião da Loja em que participei. Leram bem: participei na sessão em que fui iniciado, participei numa outra, meses depois e, cerca de um ano depois da minha iniciação... interstício decorrido e ultrapassado, compareci a uma terceira sessão... para ser passado a Companheiro. Só em Portugal, e na Loja Mestre Affonso Domingues, vim a participar regular e assiduamente nos trabalhos da Loja.

O tempo de Aprendiz serve para isso mesmo: para aprender. Para aprender o que é ser maçon, o que é estar e integrar-se numa Loja, o simbolismo subjacente a tudo o que nos rodeia, o que se deve fazer, como se deve fazer, porque se deve fazer de uma maneira e não de outra. É um tempo de preparação e de início de mudança pessoal. Será complementado com o tempo e a actividade enquanto Companheiro. Para que, chegado a Mestre, se esteja habilitado a usar as ferramentas de beneficiação do nosso carácter que só devemos pousar quando a nossa meia-noite chegar.

Esse tempo não é apenas tempo. É trabalho. É presença em Loja. É observação. É meditação. É tentativa, erro e correcção. É um processo, quantas vezes não conscientemente notado, de mudança, de aperfeiçoamento.

Desse tempo, desse trabalho, não beneficiei. Não o utilizei um nem executei o outro. As circunstâncias foram o que foram. E eu aceitei-as. Mas paguei o preço. O preço que paguei foi que só considero que aprendi a ser maçon, a entender o que é e deve ser um maçon, a fazer o que deve ser feito, já era Mestre e bastante tempo depois de a tal grau ter sido elevado.

Isso teve uma única vantagem: aprendi naturalmente que o Mestre deve sempre continuar a ser e considerar-se um eterno Aprendiz, sem qualquer dificuldade, porque efectivamente fui um Aprendiz em avental de Mestre.

Mas esta opção que então fiz envolveu - compreendo-o hoje! - um enorme risco. O risco de nunca encontrar o caminho. De me perder e porventura levar a que outros se perdessem. O risco de não saber fazer, porque o fazer e, portanto, de nada de jeito aprender. Porque não estava preparado. Porque fazia coisas antes de tempo. Antes de realmente saber o seu significado. Não só com a cabeça. Também, e principalmente, com o coração e com o espírito.

A minha sorte terá porventura sido que, naquela época de organização e institucionalização da Maçonaria Regular em Portugal, tirando muito poucos, pouquíssimos, todos estavam a aprender. Em conjunto. Errando e tirando lições do erro. Não fui apenas eu. Outros foram - porque era imperioso que fossem! - Mestres antes do tempo. Temos hoje a consciência disso. Alguns - como eu - aprenderam e cresceram e evoluíram. Outros - mais do que nós gostaríamos que tivessem sido - ficaram pelo caminho. Nunca chegaram verdadeiramente a entender o que é ser maçon, por muitos aventais bonitos e graus e títulos que porventura tivessem ostentado. Esse foi um preço que teve que ser pago.

Mas esse é um preço que nós, os que tivemos a honra de ser pioneiros, não queremos que aqueles que agora se juntam a nós paguem. Porque não precisam. Porque eles têm tempo. O tempo que nós não tivemos e que, felizmente, os que conseguiram passar o cabo da "aprendizagem em movimento", trabalharam e trabalham para que os que agora se nos juntam tenham.

Por isso, a minha mais insistente recomendação aos Aprendizes da minha Loja é que não tenham pressa. Que dêem tempo ao tempo. Que trabalhem, que se integrem, que meditem, sempre sem pressa. A Maçonaria não é uma ciência. Nem uma filosofia. É um estilo de vida. Que, mais do que se aprender ou se seguir, se entranha no maçon. Quase que por osmose. O importante é estar, estar atento, estar disponível. Um dia, quase que sem darmos por isso, tudo começa a encaixar, tudo faz sentido. Então, entende-se que a Ética do maçon só poderia ser a que é. Que o nosso comportamento é o que deve ser. E não se faz esforço nenhum para se ser melhor. Naturalmente, tornamo-nos melhores. Como uma criança cresce, assim crescem os maçons. Porque ética e espiritualmente crescem. Como uma criança precisa de tempo para crescer, assim dele também os maçons necessitam.

Tempo. Talvez, bem vistas as coisas, o bem mais precioso de que dispomos. Não tenhamos pressa de o gastar. Não o vejamos como um empecilho. Que todos e cada um dos Aprendizes saibam aproveitar e usar o seu tempo enquanto tais. Demorará talvez muito até o compreender, mas um dia será possível entender que não foi um tempo desperdiçado.

Rui Bandeira

23 junho 2008

Como entrar na Maçonaria - II

Lancei aqui há uns tempos o tema “Como entrar na Maçonaria”. Iniciei com um post simples pedindo opiniões, que obtive.

Comecei então a passar “a papel – electrónico entenda-se” o texto a apresentar. De repente ainda não tinha escrito quase nada e já ia em 3 ou 4 páginas.

Decidi então dividir o Post em pelo menos 2 partes, primeira das quais publico hoje e a(s) seguinte(s) em dias futuros mas não distantes.



É a minha convicção, baseada em tudo o que li, que não existe um método absoluto, nem existe uma fórmula certa e outra errada, para se entrar na Maçonaria.

Existem tradições, usos e costumes, mais ou menos locais, mais ou menos universais, mais ou menos usados, mais ou menos torneados.

Usando o que as Obediências dizem, e um pouco do que penso vou tentar deixar ao leitor informação que lhe permita tirar as respectivas conclusões, porque na Maçonaria uma das coisas que se aprende é a que cada um deve saber tirar conclusões.

Assim passo a citar, qualificando-as com critério meu, as informações que se obtêm nos sites das obediências e nas respectivas linguas:


Os Opostos:

TO BE ONE YOU MUST ASK ONE!
In order to become a member of the Grand Lodge of Virginia you must have two Master Masons vouch for your character and recommend you into our Craft. You also have to be a man, 18 years old or older, of good character, and believe in a God that promotes peace, love, and harmony towards all mankind. These are some of the basic requirements for membership into our Fraternity.

Grand Lodge of Virginia - USA


"COMO SE FAZ PARA SER MAÇOM?
É preciso que o candidato seja indicado por um Mestre Maçom e tenha a sua iniciação aprovada pela Loja.
Ninguém se inscreve para ser maçom.
Por suas qualidades, ele é notado por um maçom que o indica para a sua Loja.”

Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro


Os Omissos

"Typiquement quelqu’un devient Franc-maçon parce qu’il éprouve le besoin d’évoluer dans un esprit d’ouverture et qu’il a rencontré cet esprit d’ouverture auprès de personnes qui se sont fait connaître comme Francs-maçons.”
Grande Loje Suisse Alpina


Os Universais

“J'aimerais devenir Franc-Maçon. Que dois-je faire?
L'entrée en Franc-Maçonnerie procède selon deux voies très différentes.
Le plus souvent, le processus fonctionne de proche en proche : un ami, un voisin, un collègue vous demande un jour un entretien entre quatre yeux, il se dévoile et vous explique qu'il aurait grand bonheur à partager avec vous sa démarche. Alors commence un dialogue qui va construire une relation entre vous deux, bientôt partagée avec ses autres Frères en Franc-Maçonnerie.

Plus rarement, mais régulièrement, cette rencontre est attendue par l'impétrant, mais ne se matérialise pas. Dans ce cas, rien de plus simple : il suffit d'envoyer à l'attention du secrétariat de la Grande Loge Régulière de Belgique une lettre de candidature reprenant les éléments suivants :
votre curriculum vitae vos motivations personnelles profondes à vouloir être reçu en Franc-Maçonnerie

Grande Loje Reguliere de Belgique


Os Tradicionais

“Suggested Steps After reading the various booklets on this site, see 'All About Masonry' in the menu bar, and if you are still interested in becoming a Freemason, we advise that you first talk to a family member, friend or colleague whom you already know to be a member. They will be able to explain to you what they can about the fraternity and help you find a suitable Lodge. If you don't know anyone at all who is a member, then get in touch with a Masonic Office in your area. Write to that office, telling them a little bit about yourself and your reasons for wishing to join.”
United Grand Lodge of England


Os Torneados

We would welcome your involvement - but we won't be pushy”
Grande Loja do Sul da Austrália e Territórios do Norte


Temos aqui exemplos dos Estados Unidos, Brasil, Europa, Austrália e muitos mais podem ser encontrados, que nos demonstram inequivocamente que não há um padrão comum.

Comecemos pelo sistema Americano.

A premissa não se convida espera-se que o candidato apareça de livre e espontânea vontade não é também universal, em minha opinião, a todas as Grandes Lojas Americanas.

Algumas, embora dizendo que o candidato deve subscrever a petição de livre e espontânea vontade, juntam que tem também que ser apadrinhado por 2 Mestres Maçons que o avalizem, e logo o conheçam. Indicam também que será útil abordar algum Maçon que se conheça e perguntar-lhe como é que se faz, o que é a Maçonaria, etc.

O exemplo que ilustra esta situação é o seguinte:


"Qualifications for Membership

Application for membership is open to men who:
Have been an Ohio resident for at least one year
Are at least 19 years old
Have a belief in a Supreme Being
Live a good moral and social life
Do not advocate the overthrow of the government
Can read and write English
Are recommended by two members of the Lodge they wish to join. (If you do not know two members of a Lodge, the secretary of the Lodge to which you are applying can arrange a meeting with two members of the Lodge for you.)
"
Grand Lodge of Ohio - USA

Como se pode ver é necessária a recomendação de 2 Mestres da Loja onde se pretende entrar. E se não conhecer ninguém então a Loja organiza um encontro para conhecer o candidato.

O que se pode depreender daqui é que embora formalmente se mantenha o tradicional “2b1ask1” na verdade o sistema de apadrinhamento funciona.

Aliás, em minha opinião, as Obediências Americanas abandonaram há muito o conceito de não convidar, ao substitui-lo por agressiva presença na Internet e nos “média”. Desta maneira conseguem com que muita gente venha bater à porta, e isto é de tal maneira verdade que em muitas lojas a idade média dos membros tem vindo a baixar substancialmente pois os novos maçons vindos da Internet são pessoas mais jovens.

... Continua num próximo Post.

José Ruah

20 junho 2008

A ajuda


Hoje, deixo aqui mais uma historieta simples. Inspira-se num texto, de autor anónimo, que circula pela Rede. Mas o texto é totalmente escrito por mim.

O homem, chamemos-lhe Adão, quase não viu a senhora, já idosa, dentro do carro parado junto ao passeio. Chovia fortemente. Adão reparou que o carro tinha um pneu furado. Percebeu que a senhora não conseguia resolver o simples problema de mudar o pneu. A idade avançada da senhora, o seu aspecto frágil, impediam que a senhora dispusesse da força e agilidade necessárias para efectuar as acções necessárias para tal. E a chuva forte e fria não ajudava...

Adão aproximou-se e disse à senhora:

- Não se preocupe, senhora, eu vou ajudá-la. Deixe-se ficar dentro do carro, que eu mudo a roda num instante.

E assim fez. A senhora, agradecida, quis pagar-lhe o serviço. Mas Adão não tinha prestado ajuda pelo dinheiro. Disse então à senhora:

- Se quer realmente pagar este pequeno serviço, na próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, ajude-a, na medida em que possa fazê-lo, e lembre-se de mim.

A senhora, aliviada, pôde seguir viagem. Parou não muito longe dali, num café, para se recompor da aflição que sentira, por se ver incapaz de resolver um problema tão corriqueiro.

Foi atendida por uma empregada simpática e atenciosa, mas que se via que fazia o seu serviço com alguma dificuldade, pois estava em avançado estado de gravidez, quase em tempo de dar à luz.

A senhora idosa comentou à jovem empregada que, naquela fase já tão avançada de gravidez, ela já não deveria estar a trabalhar. Era-lhe certamente muito penoso e, além disso, era tempo de se preparar para a ocasião, sempre difícil, em que traria ao mundo uma nova vida.

Mas a jovem empregada respondeu-lhe que, embora efectivamente lhe fosse muito difícil estar a trabalhar no seu estado, não podia deixar de o fazer. O seu marido estava desempregado e, embora procurasse todos os dias emprego, não conseguia obtê-lo, e só ela conseguia ganhar algum dinheiro para o sustento de ambos. Aliás, se o marido não conseguisse muito brevemente emprego, não sabia como iria ser, com mais uma boca a sustentar... Mas alguma coisa havia de se arranjar. A vida não era fácil, mas não era lamentando-se que a tornava melhor. E prosseguiu na sua labuta, atendendo outros clientes.

Após alguns minutos de repouso, a senhora idosa pediu a conta. A jovem e muito grávida empregada deixou-lhe na mesa um pratinho com um papel onde constava o montante da despesa da senhora e logo, pesada mas ao mesmo tempo de uma forma estranhamente leve, se afastou, na sua atarefada lida.

A senhora idosa lembrou-se então do homem que há pouco a ajudara e do que lhe dissera. Aquela jovem precisava de ajuda e, manifestamente, merecia ser ajudada. Deixou então no pratinho o par de euros em que importara a sua despesa, acompanhados de uma muito generosa gorjeta: a nota de maior valor que tinha consigo, cem euros. A gorjeta era cinquenta vezes superior ao pagamento. Mas assim correspondia ao pedido do homem que a ajudara, sem nada querer em troca. Deixou ainda um bilhete, para que não houvesse dúvidas:

"Minha jovem, desejo que tenha uma boa hora. Vejo que está necessitada. Este dinheiro certamente será uma ajuda. Hoje fui ajudada por alguém e é a minha vez de ajudar. Se quiser corresponder, da próxima vez que vir alguém que precise de ajuda, dê-a, dentro daquilo que possa.

Naquela noite, quando a jovem chegou a casa, findo mais um duplo turno de trabalho, o seu marido já dormia. Deitou-se, fatigada, mas satisfeita. Pensou no seu dia, cansativo, mas em que recebera uma inesperada gratificação. Pensou no que a senhora tinha deixado escrito no bilhete. Agradecida e aliviada, pensou que aquele dinheiro lhe permitia resolver o problema que mais a preocupava. Podia enfim comprar roupas para o bebé que estava quase a chegar, sem precisar de retirar dinheiro do seu salário para isso! Aquela gratificação fora uma bênção!

Prestes a cair no sono, chegou-se para junto de seu adormecido marido e sussurrou-lhe:

- Tudo se vai arranjando. Amo-te... Adão!

Nem sempre as coisas correm como nesta singela história. Nem sempre o bem que fazemos nos é retribuído. Mas, afinal, não é a expectativa de retribuição que deve nortear os nossos actos altruístas. Senão, não seria, altruístas. Seriam... egoístas! Mas se cumprirmos o nosso dever de procurar tornar o Mundo um pouco melhor e incentivarmos os demais a agirem de forma semelhante, o Mundo torna-se efectivamente um pouco melhor. E nós, mais cedo ou mais tarde, também disso beneficiamos! E, além do mais, postura e a disposição de ajuda desinteressada, dá-nos satisfação e ajuda-nos a ser mais felizes. E é isso que todos queremos!

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Segunda-feira próxima estou de novo ausente, por motivos profissionais. Consequentemente, não publicarei nada nesse dia.

Rui Bandeira

19 junho 2008

Guarda Externo / Guarda Interno

Nos Ritos de York e de Emulação, a privacidade da sessão de uma Loja Maçónica é assegurada por um Guarda Externo, isto é, um Oficial da Loja que, armado de uma espada, guarda, pelo lado de fora, a porta do local onde se processa a reunião. Em inglês, este Oficial é denominado Tyler. Daí a designação de Telhador que também em português foi atribuída a este ofício, em evidente corruptela da designação inglesa.

O Guarda Externo é o Oficial que deve aguardar a chegada do Venerável Mestre ao local onde vai decorrer a reunião da Loja e imediatamente iniciar as suas funções, só franqueando a entrada no local a quem se faça por ele reconhecer como maçon, e como maçon do grau (ou superior) em que a Loja vai nesse dia trabalhar. Esse reconhecimento é feito através dos sinais, toques e palavras passes adequados à circunstância. Designa-se esta actividade de efectuar o reconhecimento de um maçon, em ordem a franquear-lhe (ou recusar-lhe) a entrada no local onde vai reunir ou está reunida a Loja como o acto de telhar.

Esta designação, como disse, advém da corruptela da palavra inglesa tyler, mas acabou por, através de associação se confundir com outro termo maçónico. Telhar e telhador facilmente se associam a telha, material utilizado para cobertura de edifícios. Se uma reunião maçónica está telhada, então está coberta. Daí que facilmente se concluísse que, se uma reunião maçónica está coberta, isso equivale a dizer que está a coberto (da indiscrição dos profanos).

Esta associação, por sua vez, originou uma outra designação do Guarda Externo, ou Telhador: a de Cobridor, o Oficial que mantém a Loja a coberto. Esta designação, até pela susceptibilidade de confusão com um mais vernáculo significado da palavra cobridor (basta recordar que, nas pecuárias de criação de gado vacum costuma existir um touro cobridor...), determinou que esta última designação caísse em desuso. A Maçonaria preserva a Tradição. mas não exageremos...

No Rito Escocês Antigo e Aceite, a função de guardar a privacidade da Loja é assegurada por um Guarda Interno, ou seja, o Oficial que assegura esse ofício, não se mantém, como nos Ritos de York e Emulação, do lado de fora da porta do local onde decorre a reunião, mas do lado de dentro, possibilitando-se-lhe, assim, que participe plenamente na reunião.

É errado (embora um erro a que tenho assistido com alguma frequência) denominar o Guarda Interno por Telhador, porque, ao contrário do Guarda Externo nos Ritos de York e de Emulação, não compete ao Guarda Interno, no Rito Escocês Antigo e Aceite, telhar, isto é, testar a condição e o grau de quem se apresenta como maçon, quem chega. No REAA, essa função é assegurada pelo Experto e também, no início da sessão, pelos Vigilantes, através de uma acção ritualmente prevista.

A razão porque a função de assegurar a privacidade da Loja é exercida, nos ritos de York e de Emulação, por um Guarda Externo, enquanto no REAA tal é efectuado por um Guarda Interno, radica em que, naqueles ritos, ao contrário deste, não são admitidas armas no interior do local onde decorre a reunião da Loja. É levado, naqueles ritos, ao limite da observância literal o princípio de que os maçons devem deixar os seus metais à porta do Templo. Este princípio (que tem simbolicamente um mais amplo significado - um dia escreverei sobre isso), literalmente observado, impede que o metal da espada seja admitido no interior da sala onde decorre a reunião da Loja. No REAA, um rito que foi, desde o seu início, adoptado por Lojas militares e Lojas, que o não sendo, acolhiam militares, este princípio não é tão literalmente observado e, não só são admitidas espadas em Loja, como o uso de espada faz parte do equipamento de alguns Oficiais de Loja e é requerido, em algumas circunstâncias, a todos os Obreiros presentes.

Não se faça, porém, qualquer confusão: o Rito Escocês Antigo e Aceite é um rito de Paz. E a admissão de armas no local onde decorre a reunião da Loja não o contradiz, antes o acentua: tem-se arma, mas nunca se usa contra um Irmão, e muito menos como reforço de qualquer argumento. A verdadeira Paz não resulta de não dispor de armas; advém de as ter, mas não as usar. No Rito Escocês Antigo e Aceite o uso de espadas é meramente cerimonial. E, para que não haja acidentes, que, nos dias de hoje já não se fazem espadachins como antigamente, por via das dúvidas as espadas utilizadas são rombas, isto é, não possuem lâminas afiadas...

Nos Ritos de York e de Emulação, o ofício de Guarda Externo é considerado de alguma importância e muita responsabilidade, como facilmente se deduz da tarefa de verificação das credenciais de quem se apresenta para entrar em Loja.

No Rito Escocês Antigo e Aceite, a sua responsabilidade é manifestamente menor, quase se resumindo, na prática, ao exercício de funções de "Oficial Porteiro". É, na ordem hierárquica dos Ofícios, colocado em último lugar. Por isso mesmo, o seu titular é sempre um maçon experiente. Leram bem. E eu não me enganei na formulação da frase. Para não haver dúvidas, repito: por isso mesmo, o seu titular é sempre um maçon experiente. Passo a explicar.

Porque é o ofício considerado com menos dificuldade, com menor execução ritual, colocado em último lugar na hierarquia dos ofícios de Loja, no Rito Escocês Antigo e Aceite, o exercício do ofício de Guarda Interno é considerado uma prova de humildade. é, assim, prioritariamente, reservado, ao maçon que, dois anos antes, exerceu o ofício máximo na Loja, o de Venerável Mestre, e que no ano anterior, exerceu a função de Ex-Venerável, principal conselheiro do Venerável Mestre seu sucessor. Após ter exercido o principal ofício na Loja, ter manuseado os símbolos do Poder de uma Loja, o malhete de Venerável e a Espada Flamejante, após seguidamente ter aconselhado quem lhe sucede nesse mais importante ofício (e ser, assim, simbolicamente, o Poder por detrás do Poder...), o maçon vai exercer o mais humilde ofício na Loja, o de Guarda Interno. Demonstra assim, e aprende dessa forma, que o maçon deve exercer todas as funções, da mais importante à mais humilde, com igual interesse e empenhamento. Mostra assim que mereceu exercer o mais importante ofício em Loja e com ele aprendeu que tão necessário é o mais humilde dos ofícios como o mais importante deles e que, portanto, exerce este com a mesma naturalidade com que exerceu o outro. E, assim, com o exercício do mais humilde ofício, o maçon passa à honrosa categoria de Antigo Venerável. Findo ele, retomará, em princípio, o seu lugar nas Colunas da Loja, onde se manterá à disposição de seus Irmãos.

Rui Bandeira

18 junho 2008

Nota dos Editores - Comentários

Este Blog, por critério editorial, apenas permite comentarios de leitores registados. Até há uns tempos atrás o unico registo que era aceite pelo servidor que alberga o nosso Blog era o feita na Google/Blogger, situação que se modificou recentemente passando também a ser aceite o registo OpenID.

Assim e por decisão editorial foi aberta a possibilidade de leitores registados no Open ID poderem usar o seu "nome de utilizador" para comentarem neste Blog.

Agradecemos todos os comentários de incentivo, todas as questões, todas as opiniões, ajudas. Da nossa parte faremos por ir correspondendo.

A Partir Pedra

17 junho 2008

A um Irmão em dificuldade

Um Irmão da minha Loja está muito preocupado. Eu e todos os demais obreiros da Loja partilhamos a sua preocupação.

Sua mulher, companheira de muitos anos, teve um súbito e agudo problema de saúde, que originou a necessidade de uma rápida intervenção cirúrgica. Quando, há pouco mais de uma semana, guiámos os nossos Irmãos da Fraternidade Atlântica no passeio pela Lisboa Pombalina que para eles organizámos, tínhamos a nuvem de preocupação sobre o estado de saúde da nossa cunhada pairando sobre nossas cabeças. Tal nuvem desvaneceu-se, estávamos nós em frente à casa onde nasceu Fernando Pessoa, quando recebemos mensagem de que a intervenção cirúrgica correra bem.

Ontem, soube que a convalescença não decorreu como o previsto e que nova intervenção cirúrgica foi necessária. Já sei que também correu bem e que se espera que, agora, tudo entre finalmente nos eixos e seja apenas questão de tempo e de algum desconforte até que a recuperação total advenha.

Assim o espero, assim o desejo, assim todos o desejamos.

À natural preocupação da afecção de saúde, junta-se o facto de a doença ter ocorrido estando a doente longe de casa. Ela e seu marido, nosso Irmão, suportam ainda o incómodo de estarem distantes de casa e do resto de sua família.

Meu Irmão: sabes que partilhamos a tua preocupação e a tua esperança no breve resolver da situação. Sabes que eu e qualquer de nós estamos à simples distância de um toque de telefone para fazermos tudo o que pudermos e que tu nos informes que necessitas. Sabes que esperamos poder ter-te connosco na nossa próxima reunião. Mas, se tal não for possível, estarás connosco em espírito e a ti e à tua mulher será dedicada a Cadeia de União.

Aqui, neste espaço que também é teu, te deixo uma palavra de conforto e encorajamento. Tudo há-de correr bem. E brevemente tudo estará passado e resolvido a contento.

Um abraço de todos os teus Irmãos. E, porque sou egoísta e aproveitador, um outro especialmente meu. E um beijo da tua cunhada, minha mulher, que junta os seus votos de rápida recuperação aos meus. Ela não me perdoaria se aqui não o referisse expressamente! Aliás, para ser justo, ela disse: "já que gostas tanto de escrever no teu blogue, vê lá se escreves uma mensagem de apoio ao teu amigo..." E eu, que até tinha pensado respeitar a tua privacidade e aqui nada dizer, vi que ela tinha razão: eu seria capaz de, sem beliscar a tua privacidade, aqui te mandar uma mensagem de incentivo. Em nome dela, em meu nome, em nome de todos os demais da Loja e respectivas famílias. Todos gostam de ti. Todos estão contigo!|

Sabemos que só desejarás regressar a tua casa acompanhado da tua mulher, já restabelecida. Portanto, do nosso brinde ritual, relembro e aqui te desejo: "que tenhas um rápido regresso a tua casa, se for esse o teu desejo".

Rui Bandeira

16 junho 2008

Instituto Português do Sangue

É sobejamente sabido, e tem sido largamente difundido aqui no blog, que a Loja Mestre Affonso Domingues tem um grupo de dadores de sangue e que regularmente reune voluntarios e patrocina essas dadivas.

Hoje recebi o seguinte SMS do IPS:

"Visite www.ipsangue.org No espaço do dador pode visualizar as suas doações, imprimir declaraçao de presença e marcar a próxima doação."

Curioso como sou, fui la ver o site. E sem problemas de maior consegui aceder à minha ficha.

Verifiquei que há uma area onde estão listadas as associaçoes de dadores, mas a Affonso Domingues nao estava, mas também me parece que pelo pequeno numero aí mencionado que ainda está em construção.

Quanto ao resto do site pareceu-me muito bem feito.

Caro leitor, se também recebeu o mesmo SMS vá ao site e inspire-se a ir fazer mais uma dádiva, se ainda não recebeu o SMS faça o favor de ir ao IPS inscrever-se como dador e esticar o seu braço.

A Causa é nobre e quem precisa agradece.

Torne-se Dador nao custa nada.

Como fazer FACIL FACIL

www.ipsangue.org tudo explicadinho.


José Ruah