20 maio 2010

7º Encontro Nacional da APNF

Ora desta vez apareço fora do período tradicional dos fins de semana.

Por razão óbvia.

Aqui faço divulgação de um encontro importante, para os que suportam a doença e para todos os que com ela contactam diariamente.
Limitar-me-ei a transcrever o texto que recebi, para Vosso conhecimento e participação.


É com grato prazer que convidamos para o 7º Encontro Nacional da APNF que se realizará no próximo dia 22 de Maio de 2010, a partir das 13,30 h., no INR - Inst. Nac. Reabilitação, sito na Avª Conde Valbom, 63, Lisboa .
O programa/convite e cartaz seguem junto.

Compareçam e façam a melhor divulgação.

Divulgar é ajudar!... Este é um momento importante para os nossos sócios, familiares e amigos que renovamos em cada ano.

No encontro, aberto a todos os interessados, para além da parte científica com a participação de médicos e outros técnicos, haverá ainda a possibilidade de serem divulgados testemunhos de sócios e/ou familiares que queiram, na primeira pessoa, partilhar a sua vivência com a NF. Para o efeito, poderão enviar até ao dia 20 do corrente mês de Maio, para a sede da APNF ou para o E-mail: info.apnf@gmail.com, um depoimento sobre o modo como têm vivido ou convivido com a NF, que será posteriormente preparado para ser exposto no local do encontro.

Para mais informações : 960 173 375 ou consulte a página www.apnf.eu
Ajudem, colaborem... Há quem precise de Solidariedade, de Fraternidade e de Igualdade.
JPSetúbal

19 maio 2010

Loja Mestre Affonso Domingues - 20 Anos de História

A imagem acima é a da (simples, como convém) capa do livro que a Loja Mestre Affonso Domingues tem já no prelo e vai publicar brevemente. A sessão de lançamento terá lugar precisamente no dia em que, dia por dia, se completam exatamente vinte anos sobre a emissão, pelo Grão-Mestre da Grande Loge Nationale Française, da carta-patente que marca a criação da Loja, o próximo dia 30 de junho, pelas 19 horas, no Grémio Literário, Rua Ivens, n.º 37, em Lisboa (gente fina é outra coisa...).

No livro, com bem preenchidas 152 páginas, consta a memória dos vinte anos vividos pela Loja. Os bons e os maus momentos, os êxitos e os fracassos, a participação, ao longo deste tempo, de quase duzentos obreiros. Regista-se e dá-se a conhecer os tempos de implantação, o primeiro crescimento, a grande crise de 1996/1997, a recuperação, os tempos mais recentes. São também evocados aqueles que, em qualquer momento, foram obreiros da Loja e já passaram ao Oriente Eterno. Publicam-se dezoito trabalhos (nós, maçons, chamamos-lhes "pranchas") de dezoito obreiros atuais da Loja - e apenas dezoito porque só isso o espaço disponível permitiu...

O livro é edição de autor - da Loja. É a Loja que paga os respetivos custos de produção, armazenagem e comercialização. Mesmo assumindo o risco destes custos, a Loja,confiante no bom acolhimento desta sua iniciativa de comemoração do seu vigésimo aniversário, abalançou-se a uma edição considerável, que ultrapassa a média das edições de autor, de poucas centenas de exemplares.

A comercialização desta primeira edição do livro vai ser exclusivamente feita fora do circuito comercial. Vai ser totalmente efetuada diretamente pela Loja. A sua divulgação vai assentar essencialmente na Internet.

O preço fixado para o livro é de 14 Euros. Porém, uma vez que a Loja assume o risco da publicação, decidiu privilegiar as compras e encomendas efetuadas até ao dia do lançamento. Assim, os livros vendidos no dia do lançamento e os livros encomendados e pagos até esse dia custarão apenas 12 Euros.

As encomendas podem ser feitas mediante o envio de mensagem de correio eletrónico para mestreaffonsodomingues@gmail.com, indicando nome, o número de exemplares pretendido e endereço postal para envio. Será acusada a receção da mensagem e fornecido o NIB da conta para onde deverá ser efetuada transferência do custo de aquisição e um código que deve ser mencionado na ordem de transferência (esta menção de código é essencial para determinar quem procedeu ao pagamento, em ordem a ser-lhe enviada a encomenda). A expedição da encomenda para a morada indicada será confirmada por envio de mensagem de correio eletrónico para a caixa de correio de onde partiu a encomenda.

Em alternativa, pode também a encomenda ser feita mediante envio de cheque do valor correspondente ao número de livros encomendados e indicação de nome e endereço postal para envio para Apartado 22777, EC Socorro, 1147-501 LISBOA.

Em qualquer dos casos, o envio será feito, a partir de 15 de junho, no prazo máximo de cinco dias após a receção do pagamento e, para as encomendas anteriores a esta data, entre 15 e 18 de junho. De onde resulta que quem fizer rapidamente a encomenda receberá o livro ainda antes do seu lançamento público!

Bom, e agora o aviso: a edição é grande, mas não é ilimitada. Este blogue é lido nos cinco continentes, a Loja Mestre Affonso Domingues é conhecida por muita gente, entre os maçons e os profanos. COMO É QUE É? ESTÁ À ESPERA QUE ESGOTE E NÃO CONSIGA O LIVRO? Toca mas é a despachar e proceder à encomenda do livro!!!!

Rui Bandeira

14 maio 2010

A Grande Máquina

Eis a GRANDE MÁQUINA !

Aí está ela tão bem explicadinha que até eu percebo.

E não é fácil conseguir esse resultado... (sou eu que digo !)

Quando estudei, com o saudoso Prof. Sedas Nunes, a revolução industrial e seus efeitos (há que anos...) nunca me passou pela cabeça que ao fim de tantos anos fosse levado a estabelecer estas analogias, chegando a conclusões bem conservadoras.

De facto continua mais ou menso claro como se mantem a máquina em funcionamento.
Um pingo de óleo aqui, um pouco de massa lubrificante acolá...
Talvez uma vez ou outra a substituição de alguma peçazita, uma reparaçãozita mais além...

Mas... quem deu à manivela a primeira vez ?
E o primeiro exemplar, mesmo pensando-o simplicado, quem o montou ?


Estamos com o anúncio de um campeonato, ou algo semelhante, de robôts e esses eu conheço, ou posso conhecer facilmente, quem os monta agora e quem os montou no passado.
É mesmo muito fácil saber quem construiu/montou e pôs a funcionar (o tal primeiro movimento da manivela) o primeiro dos primeiros robôts.

São elas, também, máquinas complexas, com muitos sub-sistemas que se organizam num conjunto harmónico com um único e comum objetivo à vista.

Mas aquele do boneco ?
Quem foi o primeiro ?
Qual foi o primeiro ?
Quando foi o primeiro ?


BUUUUMMMMMMMMMM.... e lá salta um daqueles... Pois, talvez...

Recorro à expressão de um outro professor, e desse dizia-se que era maluco (e devia ser já que foi o único 20 da minha carreira de estudante).

Diria ele neste momento da "conversa", "talvez sim, talvez não ou talvez talvez ?"

Nunca soube a resposta a esta pergunta que ele fazia continuamente já que a nossa insegurança nos faz muito pouco assertivos. Refiro a época dos 15 aos 18 anos na qual se misturam as certezas absolutas com as dúvidas sistemáticas.

É tudo... muito talvez !!!

Vocês já não se lembravam destas charadas para distração de fim de semana.

Deixo-vos esta. Entretenham-se.

Bom fim de semana.

J.P.Setubal

12 maio 2010

Loja Mestre Affonso Domingues: o sítio e o blogue


A presença na Internet da Loja Mestre Affonso Domingues processa-se em dois planos: o sítio da Loja (http://www.rlmad.net/) e este blogue. São dois espaços de comunicação diferentes, embora ambos expressamente pensados e organizados para serem lidos por maçons e por profanos.

O sítio da Loja assume um cariz mais institucional - embora não demasiado. Publica textos maçónicos e material de divulgação, que consideramos interessante. Em suma, procura espelhar a identidade coletiva da Loja.

Este blogue procura ser mais coloquial, diversificado, subjetivo. O seu objetivo é mostrar como pensam, o que são, os maçons da Loja Mestre Affonso Domingues. Por isso, o subtítulo deste blogue afirma que este é feito por maçons da Loja Mestre Affonso Domingues - não pela Loja! Este blogue é a concretização de um dos princípios essenciais da Maçonaria: o respeito da identidade individual de cada um, a riqueza que constitui a integração da diversidade - de pensamento ou da simples opinião, da religião, de sentimentos, de estilos, de personalidades.

Com estes dois diferentes instrumentos (sítio e blogue), a Loja mostra a quem quiser ver duas diferentes facetas da Maçonaria: enquanto grupo, com um acervo de valores comuns (o sítio, cujo responsável sabe que tudo o que ali é publicado é visto, lido e entendido como manifestação da Loja) e (blogue) enquanto indivíduos, pessoas, maçons individualmente considerados, que espelham as suas opiniões, sentimentos, estilos, com a diversidade que cada um que aqui escreve mostra. O todo composto por indivíduos com um núcleo de valores comuns (sítio), os indivíduos que, na sua diversidade, contribuem para as caraterísticas específicas do grupo (blogue). Quem consulta o sítio, consulta a informação, as ideias do grupo, do todo, da Loja; quem lê o blogue, contacta com as ideias de quem escreve, assumindo-se como maçom e como integrante da Loja, mas sempre e principalmente posições individuais, independentes, pessoais. No sítio, tem-se o pensamento coletivo da Loja; no blogue os pensamentos individuais dos maçons que integram a Loja e que se dispõem a aqui os expressar, e quando a tal se dispõem.

Por isso, ainda que este blogue tenha tido, até agora, a maior parte dos textos nele publicados escrita por mim, sempre deixei bem claro e bem frisado que este blogue não é o blogue do Rui Bandeira e amigos, é o blogue dos Mestres Maçons da Loja Mestre Affonso Domingues. A maioria dos textos, até agora ter sido minha, haver períodos em que só se publicam textos meus, são apenas elementos circunstanciais, alteráveis a todo o tempo e, seguramente se, como espero, este blogue tiver longa existência e prosseguir enquanto a Loja existir, a médio ou longo prazo inevitavelmente alterados. Tempo virá - talvez mais próximo do que longínquo - em que os textos que eu aqui publico serão minoria; tempo se seguirá em que outrem assegurará o essencial deste blogue; tempo chegará em que este blogue prosseguirá sem novos textos meus, em que, na coluna da direita o meu nome não estará mais no rol dos que escrevem aqui - quando muito será porventura referenciado no número dos que aqui escreveram...

As caraterísticas que este blogue foi assumindo, individualidade de textos, interatividade com os leitores que decidem comentar, diálogo entre os maçons que escrevem e aqueles, profanos ou maçons, que comentam, os caminhos, quiçá anárquicos mas de uma riqueza e abertura gratificantes, que segue, à boleia da interação dos pensamentos de quem escreve e de quem comenta, podem, por vezes, fazer esquecer que este é um projeto executado por maçons da Loja Mestre Affonso Domingues, um meio, um tipo, uma forma específicos, de comunicação da Loja com o seu exterior. Mas é! Que isso por vezes não se note é a confirmação do êxito do projeto! O blogue A Partir Pedra espera merecer ser considerado um Hino à Liberdade de Pensamento dos Maçons da Loja, enquanto o sítio da Loja, desejavelmente, é a Sinfonia do Pensamento da Loja.

Aqui no blogue, vamos falando, debatendo, expondo ideias sobre de tudo um pouco, sejam matérias maçónicas, seja temas que nada têm a ver com a Maçonaria. O tema aqui é, afinal, a forma como os maçons pensam e vêem o Mundo, as coisas e os interesses que têm e que cultivam. O tema do sítio é o pensamento maçónico, que se divulga e mostra, para que quem quiser encontre, veja e leia. O responsável do sítio entende que alguns dos textos que se publicam aqui no blogue merecem estar incluídos também no sítio - e assim o sítio é também uma espécie de arquivo de textos selecionados do blogue. Isso mostra que o que os maçons da Loja Mestre Affonso Domingues aqui escrevem, sendo o produto do seu labor, do seu pensamento e da sua liberdade individuais, também integra o acervo do conjunto multifacetado de fontes que integram o pensamento institucional da Loja - e deixa-nos, aos que aqui escrevem, felizes.

A diferente natureza dos meios sítio e blogue é conscientemente utilizada em planos diversos. Que seja do meu conhecimento, a Loja Mestre Affonso Domingues é pioneira nesta utilização integrada e diferenciada das ferramentas proporcionadas pelas atuais Tecnologias de Informação. Procura utilizar rentavelmente os diferentes meios do século XXI para divulgar uma mensagem cujas raízes ideológicas provêm do Iluminismo e de mais além. E, com isso, procura desmontar dois mitos em relação Maçonaria: o seu secretismo e o seu poder oculto. Ninguém de boa fé pode acusar de secretismo uma Loja que põe à disposição de quem a ela quiser aceder dois meios de comunicação diferentes, com diferentes níveis e estilos de comunicação e com mais de dois milhares de textos sobre si própria, o seu pensamento, a forma como se organiza, o que faz, porque o faz, como o faz, etc., etc.. E quem ler e souber ler, atentar e souber entender, facilmente concluirá que o único poder que a Maçonaria busca é o de esclarecer, divulgar e, sobretudo, praticar os seus princípios.

A Loja Mestre Affonso Domingues está à beira e comemorar o vigésimo aniversário da sua criação. Esta comemoração envolve iniciativas internas e iniciativas pensadas e trabalhadas e colocadas à disposição de todas as pessoas, sejam ou não maçons. Nos tempos mais próximos, as duas diferentes dimensões do sítio e do blogue vão, temporariamente, aproximar-se. O blogue e o sítio, ambos, vão dedicar parte dos seus espaços à divulgação do vigésimo aniversário da Loja e às iniciativas por esta efeméride suscitadas.

Para já, fiquem atentos: a primeira iniciativa a ser divulgada é dedicada a todos, profanos e maçons. Mas só vou revelar o que é daqui por uma semana...!

Rui Bandeira

08 maio 2010


Ora meus Queridos Manos, Amigos, Curiosos e demais gente boa que vai lendo o que se passa neste "hemisfério discursivo" e "blogueiro".

Sei que têm dado muito pela minha falta, de tal maneira que tenho a caixo do correio cheia de mensagens de agradecimento pelo meu desaparecimento do circuito.

Mas desiludam-se... isto está a correr mal para o Vosso lado.

ESTOU DE VOLTA ! PIM !

E regresso porque a partir de hoje, 8 de Maio, arranca a Campanha do Pirilampo Mágico 2010.
E esta eu não perdôo.

É mais uma tradição do Maio português a que todos, novos e velhos, homens e mulheres, nacionais ou estrangeiros, costumam corresponder com entusiasmo comprando o boneco, este ano de côr “salmão”, lindo, amável e patusco como sempre, pelos 2 euros de sempre.
O resultado da venda vai direitinho para as Cerci’s, que bem necessitam de ajuda, com a certeza do agradecimento das “crianças” ali recolhidas e tratadas.
Comprem o Pirilampo, e/ou o PIN que sempre o acompanha, e contribuam para a alegria das “Crianças” das CERCI’s.

E não se demorem.
Não arrisquem a estragar a coleção dos Pirilampos anuais por falta de um exemplar.

Em caso de dificuldade deixem aqui um comentário com a V. indicação, porque tratarei de vos fazer chegar um Pirilampo, destes, lindos por todos os lados.

E tão fofiiiinhos......

JPSetúbal


05 maio 2010

Réplica e tréplica


Na sequência dos textos A viagem e Repto aceite, Diogo apresentou a seguinte réplica:

Confesso que no meu comentário anterior me desviei da alegoria de Charles Evaldo Boller para mergulhar de cabeça nos aspectos físicos da questão. Com isso ter-me-ei agarrado ao acessório científico e perdido o essencial do pensamento filosófico do autor. Peço desculpa ao Rui por isso. Li e reli de novo o artigo. Não consigo deixar de fazer um paralelismo entre a maçonaria e um misto de teísmo [O Grande Arquitecto, o Sol que tudo ilumina] e de Budismo – a constante procura da perfeição pessoal: Retirado de “O que é o budismo?” - «no entanto, o praticante Vajrayana iniciado nas instruções secretas, muitas delas dadas somente de mestre para discípulo oralmente, também denominadas, verdades sussurradas ao ouvido, iria pelo rio em busca das bagas venenosas, para as retirar directamente do rio, e assim todos poderem livremente beber a água o mais rápido possível.» Mas eu sou ateu. A minha filosofia de vida é aprender o mais possível (não num sentido moral) e fazer conscientemente o máximo de bem e o mínimo de mal. Bom, posto isto, vamos então ao debate: Rui: «E, desculpar-me-á o Diogo, mas a sua afirmação de que, na ausência de um terceiro ponto de referência nem sequer se pode afirmar que há movimento, não está certa: se variar a posição relativa entre o ponto A e o ponto B, é indesmentível que há movimento. O que pode desconhecer-se, na ausência de um terceiro ponto de referência, é se o movimento foi de A, foi de B ou foi de ambos...» Sem um terceiro ponto de referência não pode afirmar que há movimento. O movimento é sempre relativo. A move-se em relação a B em função de C. Mais, o movimento é uma função do espaço e do tempo. Pior, o tempo é uma função de um movimento em relação a outro movimento. Enfim, uma grande salgalhada. Evidentemente, estou a falar num sentido estritamente físico, o que não era a intenção do autor. Quanto ao ponto 4 – O que é o Tempo? Há algum relógio universal a medir o Tempo? Rui: «Esta pergunta, Diogo, tenho-a por retórica... Então o nosso céptico, hiper-racionalista Diogo esqueceu-se da teoria do Big Bang e de que ela postula que com o dito cujo se criou o Universo, o espaço e o tempo (conferir http://pt.shvoong.com/exact-sciences/496537-teoria-da-grande-explos%C3%A3o-big/)? Meu caro Diogo, essa sua pergunta deveria ter sido formulada ao Einstein, não ao Irmão Charles Evaldo Boller... Não lhe faço a injúria de considerar que estava a colocar esta objeção a sério... Assentemos em que estava só a testar se eu estava distraído...» Estou a falar muito a sério Rui. Tanto a teoria da relatividade como a do Big Bang estão muito longe de estarem confirmadas. Eu estou convencido que ambas estão erradas. Acredito num Universo infinito e estacionário, sem princípio e sem fim. Quanto ao ponto 5 – Mas haverá matéria sólida? Se continuar a diminuir de tamanho e entrar dentro dos núcleos dos átomos e dos electrões não irá perceber que afinal todo o Universo é apenas energia? «Meu caríssimo Diogo, está a objetar a quê? Esta sua afirmação é precisamente a afirmação do texto do Irmão Charles Evaldo Boller...» - estou de acordo consigo. Quanto 6 - «Será que legitima a expressão do penso, logo existo, de Descartes? » - também estamos de acordo. Rui: «Para cada argumento que se possa aduzir em abono de que Deus existe, existe um argumento com igual força que o refuta; para cada argumento que se apresente demonstrando que Deus não existe, existe um outro, de igual fortaleza que defende essa existência.» Onde é que o Rui foi buscar este postulado? Rui: «à pergunta quem criou o Mundo?, respondem os crentes que foi Deus; mas de imediato surge então a irrespondível pergunta de quem criou Deus?; similarmente, a tese da Ciência contemporânea de que o Universo teve origem num Big Bang é reduzida à sua dimensão de nada realmente explicar se se pergunta o que (ou quem...) criou, originou esse Big Bang, como e de onde surgiu essa tão fenomenal e extraordinária Força que do Nada fez surgir o Tudo. E, sendo postulado da Ciência que tudo o que existe pode ser reproduzido (e nisso se baseia a Ciência Experimental), como se explica que, desde há biliões e biliões de anos, só haja conhecimento de UM Big Bang, quando seria de esperar uma repetição do fenómeno?» Como lhe disse acima, a teoria do Big Bang está muito longe de estar provada. Eu não acredito nela. De qualquer forma, um Deus, qualquer Deus, teria de ser considerado um ser vivo por mais imaterial que o consideremos. Ele não pensa? Não age? Rui: «Respondendo directamente às suas perguntas, Diogo, o significado da Vida e da criação (ou da primitiva aparição) da Vida é o Grande Enigma. Uns, como eu, crêem só poder ter sucedido e existir pela intervenção de um Poder Criador (que eu designo por Grande Arquiteto do Universo); outros acreditam que a Vida surgiu de uma enorme e incalculável sucessão de acasos cumulativos, que superam em milhões de milhões de milhões (e ponha ainda mais milhões aí...) de vezes as probabilidade de ganhar o Euromilhões. Por mim, tudo bem: cada um acredita no que acredita. Mas, se eu sou crente, quem acredita nessa incalculável megassucessão de mega-acasos, o que é? Talvez... crédulo???» Curiosamente, eu também não sou darwinista e portanto também não acredito que a vida e a evolução sejam fruto do acaso. Mas o que é a vida? Entre as muitas dezenas de descrições que podemos encontrar aqui – http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:http://pt.wikipedia.org/wiki/Vida - uma diz que: «Vida é um sistema que reduz localmente a entropia mediante um fluxo de energia» Donde, será aquilo a que chamamos vida apenas um aglomerado relativamente vulgar no Universo de matéria e energia? Moléculas com um determinado comportamento? Algo, afinal, sem nada de mágico? Quanto ao ponto 9 - «O caminho para a liberdade e perfeição do maçom é dominar suas paixões com o objectivo de acabar com atitudes extremadas e fanáticas. E a vereda do espírito passa pela capacidade de sonhar, com grandes chances de converter a fera humana, apenas controlada pelas leis, em ser humilde diante da grandiosidade do que daqui divisamos. » Rui, aqui não vou discutir consigo. Você já sabe a minha opinião.

E eu formulo a tréplica que se segue:

Uma vez que Diogo reconhece que as suas primitivas críticas ao texto A viagem não tiveram em consideração o caráter alegórico do mesmo, tenho-as por retiradas.

De factual ou científico, a única diferença de opinião que, se bem ajuízo, resta entre Diogo e eu próprio é a questão da necessidade de um terceiro ponto de referência para a verificação se, entre um observador A e um ponto B, algum deles, ou ambos, se movimentam(m). Questão menor, convenhamos. E que, para a economia do debate das nossas ideias e do aprofundamento delas me parece perfeitamente lateral. Desde já declaro não ser um especialista da matéria (aliás, já o declarei neste blogue, considero que não sou especialista de nada, a não ser, hipoteticamente, um "especialista em ideias gerais"), pelo que a minha posição é meramente empírica. E como melhor ilusto as minhas ideias com imagens, procure o Diogo ver a razão da minha afirmação - de que discorda: imagine-se num comboio que, a certa altura, parou numa estação, e está a olhar pela janela. Do lado de lá dela, está um outro comboio, igualmente parado e, olhando pela janela, em sua direção, está uma bela mulher que chama a sua atenção, ao ponto de só a fixar a ela e nada mais. (Temos outra situação de observador A e ponto B e nada mais - que capte a atenção, pelo menos). A certa altura, a sua perceção é que a mulher que fixa se está movimentar para a sua direita. Dois pontos, um observador e o observado. O observador, sem necessidade de mais qualquer ponto de referência, regista a existência de movimento. Precisa efetivamente de um terceiro ponto de referência é para determinar se é o comboio "dela" que suavemente se movimenta, ou o "seu" (ou ambos, eventualmente). Dito isto, não procuro convencer o Diogo de nada, tal como certamente o Diogo não espera convencer-me do contrário do que afirmei. Fique cada um com a sua convicção - e felizmente que esta matéria é de irrisório interesse para nosso debate.

Diogo introduz a sua réplica com uma afirmação interessante e que eu não vejo motivos para rejeitar liminarmente: afigura-se-lhe que a Maçonaria será um misto de teísmo e budismo. É uma forma curiosa de pôr a questão. E é, no meu ponto de vista, irrespondível: a Maçonaria defende precisamente o máximo de liberdade da interpretação individual dos fenómenos. Certamente algumas pessoas partilharão facilmente da curiosa interpretação do Diogo, algumas outras dela discordarão, outras ainda tenderão a concordar, mais ou menos difusa ou parcialmente com a mesma. Em termos de ética maçónica a única reação a ter é registar a tese, respeitá-la e integrá-la como mais um elemento para a nossa própria análise. Ou seja: o Diogo tende a considerar a Maçonaria um misto de teísmo e budismo. Tudo bem, é a sua análise, que não é, de todo, inverosímil. E mais não há que comentar...

O outro aspeto da réplica de Diogo que considero merecer especial realce é o conjunto de proposições que começa com a sua afirmação de princípio (que é esclarecedora e que também só pode merecer uma atitude de respeito pela mesma) de que se considera ateu. Fica esclarecido. Nada a comentar ou objetar. Já na sua réplica especificada, Diogo formula ainda uma reveladora e (para mim) inesperada consideração: está pessoalmente convencido que, quer a teoria da relatividade, quer a teoria do Big Bang estão erradas. E prossegue declarando que acredita num Universo infinito e estacionário, sem princípio nem fim. Estas afirmações de princípio de Diogo abrem, creio, um campo de análise porventura interessante e que talvez o próprio Diogo não tenha ainda detetado.

Não vou tecer qualquer crítica ao entendimento expresso pelo Diogo - isso seria a violação daquilo que, como maçom, acredito dever-lhe: respeito e tolerância pela sua opinião. Nem vou procurar aproveitar-me para extrair conclusões porventura indevidas das suas proposições. Pretendo apenas contribuir para uma reflexão - de quem me ler e do próprio Diogo, em particular. Vou, portanto, formular apenas algumas perguntas. As respostas cada um as dará. O Diogo em particular, em especial no íntimo de si mesmo - onde não tem de temer reações, nem necessita de ninguém impressionar.

Já reparou o Diogo que as caraterísticas que atribui ao Universo que concebe (infinito, estacionário, sem princípio nem fim - portanto, eterno) são aquelas que os crentes atribuem à Divindade? Já reparou que eu poderia descrever o Grande Arquiteto do Universo nos mesmos termos? Será que o ateu que o Diogo se declara afinal se limita a transferir a resposta ao Grande Enigma da Divindade para o Universo? O que é então esse Universo infinito, estacionário, eterno? Não será afinal o ateu Diogo afinal um crente no panteísmo? Não andaremos afinal todos a falar da mesma coisa - só que chamando-lhes nomes diferentes?

Se assim o entender, pense o Diogo, calma e maduramente, nestas questões e nas que estas sugerem. Mas faça-o apenas perante si mesmo. Não com o intuito de refutar outrem ou de concordar com quem quer que seja. Apenas para aprofundar efetivamente as suas ideias, as suas dúvidas, as suas certezas,os seus desconhecimento. E tirar as suas conclusões. Que - se o Diogo for como eu - serão sempre provisórias. E serão suas. Que ninguém tem o direito de criticar ou pôr em causa. Que guardará para si ou partilhará com quem entender, quando entender, se entender.

É esta a felicidade e glória de ser Humano! Seja-se maçom ou profano, ateu ou crente, teísta, ateísta, budista, deísta, panteísta ou outro "ista" qualquer!

Rui Bandeira

28 abril 2010

Repto aceite


A publicação do interessante texto de Charles Evaldo Boller A Viagem motivou, até o momento em que escrevo este texto, quatro comentários. O primeiro a ser produzido, claramente crítico: "Li o texto cuidadosamente e sou da opinião que o Mestre Maçon, Charles Evaldo Boller, mistura alhos e bugalhos, faz várias afirmações contraditórias e outras das quais não tem ideia nenhuma. Nada das suas premissas lhe permite tirar qualquer conclusão. Estou disposto a discutir consigo o artigo, ponto por ponto." (Diogo). Depois, dois comentários sintéticos e adjetivantes: "Inspirador e belo" (LuxAeterna) e "Maravilhoso" (Júnior). Finalmente, um novo comentário de Diogo, no qual, em nove pontos, procura concretizar as razões das suas considerações inclusas no seu anterior texto.

Estas reações mostram-me que acertei ao ter pedido ao Irmão Charles Evaldo Boller autorização para aqui publicar o seu texto: só textos de qualidade são suscetíveis de gerar tão contraditoriamente extremas reações...

Se aos comentários adjetivantes pouco mais há a acrescentar, os comentários críticos - absolutamente legítimos - do Diogo abrem perspetivas interessantes e que talvez propiciem um diálogo frutuoso, de onde resulte um melhor entendimento do texto de Charles Evaldo Boller.

Aceito a proposta do Diogo. Discutamos o texto, então. Troquemos opiniões, analisemos o que nele se escreve. Vamos lá então, ponto por ponto, conforme sugerido.

1 - «Este é nosso novo Universo: nada ao nosso redor, o tempo parado e apenas o Sol a nos iluminar. Neste ambiente especial construído por nossa imaginação, apenas nós nos movemos. Estamos sem ponto de referência a não ser o sol. Longe de tudo. Não existe ruído ou necessidade de ar. Somos poderosos.»

1 – Se estamos só nós e o Sol e sem ponto de referência a não ser o Sol, não podemos afirmar que nos estamos a mover ou que o Sol se está a mover. De facto, sem um terceiro ponto de referência, nem sequer podemos afirmar que há movimento.

Esquece o Diogo que, assumidamente, o texto é uma alegoria - não um tratado científico. Não atentou que, no próprio trecho que transcreve, consta "Neste ambiente especial construído por nossa imaginação".

A premissa apenas nós nos movemos é estabelecida pelo autor. Faz parte da alegoria...

E, desculpar-me-á o Diogo, mas a sua afirmação de que, na ausência de um terceiro ponto de referência nem sequer se pode afirmar que há movimento, não está certa: se variar a posição relativa entre o ponto A e o ponto B, é indesmentível que há movimento. O que pode desconhecer-se, na ausência de um terceiro ponto de referência, é se o movimento foi de A, foi de B ou foi de ambos... Mas, mesmo assim, na economia da alegoria, uma vez que um dos pontos é o observador e este é um ser senciente, é possível ao observador afirmar que ele se move (porque sente o movimento).

É certo que, mesmo com esta premissa, não se pode afirmar, com certeza absoluta, que só o observador se move e o Sol está imóvel, pois o observador sente o seu movimento, verifica a diferença de posição relativa em relação ao Sol, mas não pode afirmar, com absoluta certeza que essa variação de posição relativa se deve apenas ao seu movimento ou também ao movimento do Sol. Mas, mesmo considerando este aspeto, a objeção do Diogo carece, a meu ver, de sentido, em face do enquadramento semântico da frase: o Sol - o segundo ponto de referência, na economia do texto está fora do ambiente referido pelo autor. É assim logicamente correta a afirmação de que Neste ambiente especial construído por nossa imaginação, apenas nós nos movemos.

Parece-me, consequentemente, infundamentada esta primeira objeção do Diogo.

2 - «Olhamos ao redor e observamos a imensidão. Como é diminuta a nossa estatura em relação a este Universo ilimitado e sem horizonte. »

2 – Que imensidão, se existo apenas eu e o Sol? Novamente preciso de outro ponto de referência para medir um espaço (a tal imensidão).

Esquece o Diogo, ao formular esta sua objeção, que o ponto de partida da alegoria não é um observador absoluta e completamente desconhecedor do mundo e da vida e das leis da Natureza. A alegoria coloca um ser vivente, que viveu, que sentiu, que viu, que algo sabe, enfim, um ser humano normal - metaforicamente o leitor que acompanha o autor na viagem - na situação descrita. Ora, o observador assim hipotizado tem uma experiência de vida, um conhecimento ao menos empírico, que lhe permitem interpretar as suas sensações. Esse conhecimento empírico permite-lhe recordar a dimensão normal como o Sol é visto, no dia a dia, o conhecimento do seu tamanho e a noção de perspetiva. Logo, em função do tamanho aparente da estrela e da noção empírica de perspetiva, qualquer observador mediano pode ter uma noção, ainda que porventura não precisamente precisa da distância a que estará o objeto observado, de forma a poder considerá-la uma imensidão.

Mais uma vez, não é absolutamente necessário o terceiro ponto de referência pretendido pelo Diogo, pelo que também me parece infundamentada esta segunda objeção.

3 - «não passamos todos de simples viajantes espaciais, é o que todos somos; astronautas deslocando-se permanentemente pelo espaço sideral numa velocidade estonteante a um destino desconhecido. »

3 – Mais uma vez, sem outros pontos de referência, tanto de espaço como de tempo, não posso ter nenhuma ideia de velocidade.

Não atenta o Diogo no contexto da frase, que demonstra que a situação descrita é a hipotizada. A afirmação de que a velocidade de deslocação é estonteada não é uma conclusão - é uma premissa.

Ora leia lá o parágrafo todo:

Se olharmos todo o trajeto que nos trouxe até aqui é realmente um salto imenso para a nossa pequenez de criatura vivente do espaço tridimensional. Aqui só existe a noção de espaço porque trouxemos junto conosco as carcaças que nos contêm. Qualquer forma que adotarmos, seja ela material ou assim como nos imaginamos agora, não passamos todos de simples viajantes espaciais, é o que todos somos; astronautas deslocando-se permanentemente pelo espaço sideral numa velocidade estonteante a um destino desconhecido.

Atente lá: Aqui só existe a noção de espaço porque trouxemos junto conosco as carcaças que nos contêm. A premissa dada é que existe noção de espaço, logo de dimensão, logo - e mais uma vez sensorialmente se usando a perspetiva e a sensação de movimento - é possível a noção de velocidade, independentemente de "outros pontos de referência" (que, aliás, nesta passagem do texto se não diz que não existam; apenas não são expressamente referidos, obviamente por desnecessários para a exposição...).

Também rejeito, consequentemente, a pertinência desta terceira objeção do Diogo. E atrevo-me a inferir que, subjacente a estas infundadas objeções do Diogo está sempre a desatenção a que se está perante e numa alegoria, em que assumidamente o autor - logo no início! - declara ser necessário utilizar a imaginação, a fantasia.

E, por favor, não me objete, Diogo, que a imaginação não tem lugar no pensamento científico. Se me fizesse essa objeção, de novo teria de afirmar estar errado: a própria ciência experimental baseia-se na confirmação, repetida, através de experiências práticas, de hipóteses colocadas como objeto de investigação. De onde surgem essas hipóteses iniciais senão da imaginação, da capacidade de considerar algo que pode ser verdadeiro ou falso (as experiências o confirmarão ou infirmarão...)?

4 - «Vamos restaurar o fluxo do tempo. »

4 – O que é o Tempo? Há algum relógio universal a medir o Tempo?

Esta pergunta, Diogo, tenho-a por retórica... Então o nosso cético, hiper-racionalista Diogo esqueceu-se da teoria do Big Bang e de que ela postula que com o dito cujo se criou o Universo, o espaço e o tempo (conferir http://pt.shvoong.com/exact-sciences/496537-teoria-da-grande-explos%C3%A3o-big/)? Meu caro Diogo, essa sua pergunta deveria ter sido formulada ao Einstein, não ao Irmão Charles Evaldo Boller...

Não lhe faço a injúria de considerar que estava a colocar esta objeção a sério... Assentemos em que estava só a testar se eu estava distraído...

5 - «É assim, de forma espantosa, com quase nada de matéria, com quase absoluto espaço vazio que o Grande Arquiteto do Universo produziu toda a matéria sólida do Universo. »

5 – Mas haverá matéria sólida? Se continuar a diminuir de tamanho e entrar dentro dos núcleos dos átomos e dos electrões não irá perceber que afinal todo o Universo é apenas energia?

Meu caríssimo Diogo, está a objetar a quê? Esta sua afirmação é precisamente a afirmação do texto do Irmão Charles Evaldo Boller...

Ora atente lá nesta passagem do texto do Irmão Boller:

É assim que se forma a matéria sólida de que são formados nossos corpos, o mausoléu de nossos pensamentos. A velocidade com que os elétrons giram ao redor de seus núcleos cria a matéria, lhe proporciona solidez. É como tudo no Universo físico é construído.

Esta é a assinatura do Grande Arquiteto do Universo dentro de nós mesmos.

E releia mais esta passagem:

O que acabamos de afirmar e virtualmente constatar, foi baseado na informação de que o elétron e o próton contêm massas, isto é, que sejam efetivamente feitos de matéria sólida, mas que o garante?

Existem considerações científicas atuais que dizem terem os átomos ora o comportamento de partícula e ora de fenômeno ondulatório, isto é, não possuírem massa e serem constituídas exclusivamente de campos de força, de campos eletromagnéticos, de energia.

Aí então a nossa pasma intelectualidade entra em pane!

Se os átomos não são nada mais que campos de força, então somos efetivamente feitos de puro espaço vazio, nada somos!

Diogo, cuidado! Onde pensava haver divergência, há, afinal, correspondência de pontos de vista!

6 - «Será que legitima a expressão do penso, logo existo, de Descartes? »

6 – Legitima. O facto de pensar implica a existência de algo que pensa.

Corretíssimo, Diogo. Se reparar bem, a pergunta do texto do Irmão Boller é meramente retórica. Ele também pensa assim - igualzinho ao Diogo!

Mau! Duas vezes seguidas o Diogo a pensar o mesmo que um maçom? Onde é que este mundo vai parar? (Não se zangue com a brincadeira, Diogo! Isto só demonstra que les bons esprits se rencontrent...)

7 - «Tudo o que existe é feito essencialmente de espaço vazio, somos feitos do nada, então nada deveríamos ser. Existimos apenas como que por milagre. Um maravilhoso feito do Incriado. Heidegger argumentava que o ser se faz no tempo; e é o que constatamos em nossa experiência; o ser é o nada que o constitui. »

7 – O nada de Heidegger é energia.

Bem, Diogo, aqui confesso a minha ignorância! O que não quer dizer falta de diligência... Da breve busca que fiz, apurei que a primeira obra importante de Heidegger se intitulou O Ser e o Tempo - daí talvez a referência do Irmão Boller.

Mas nada encontrei que confirmasse a sua afirmação de que "o nada de Heidegger é energia" (confira-se, designadamente, na Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Heidegger - e em http://aquitemfilosofiasim.blogspot.com/2008/07/sobre-ser-e-tempo-de-heidegger-i.html).

8 - «Porque olhando em nossa própria essência, sequer deveríamos existir! É um milagre! Os fatos apontam para uma realidade onde a vida tem uma insignificante possibilidade de se manifestar… Conscientizou-se agora do quanto somos livres e iguais neste Universo criado pelo Grande Arquiteto do Universo? »

8 – Como é damos o salto da existência da vida para a existência de um Grande Arquitecto? Não é muito mais simples aceitar o aparecimento da vida no Universo do que a existência de um «Grande Arquitecto»? Porquê a existência de um «Grande Arquitecto» que criou um Universo e depois criou a vida?

Diogo, para o peditório do debate entre crentes e ateus (ou agnósticos) já dei... Se quiser fazer o favor de conferir o que escrevi no texto Serei crente?, já há mais de dois anos, entenderá perfeitamente a minha posição sobre a inutilidade desse debate:

Deparei há dias com um notável texto intitulado Serei ateu?, que me inspira o texto de hoje. Não é uma resposta, nem uma manifestação de desacordo - pelo contrário! O meu propósito é tão somente complementar as ideias expressas naquele texto com o meu, de algum modo simétrico, entendimento. Daí, aliás, a escolha do titulo deste meu escrito...

Mas, para bem entender ao que aqui venho, faça o leitor, antes de mais, a fineza de aproveitar o atalho que acima coloquei e ler o dito texto Serei ateu?, da autoria de Carl Sagan. Vale a pena!

Já está? Prossigamos, então!

Ao ler o referenciado texto de Carl Sagan, a minha primeira reacção foi de admiração por ser possível uma tão grande comunhão de pensamento entre duas pessoas que, de alguma forma, estruturaram a sua forma de ver o mundo a partir de pressupostos opostos: noventa e muitos por cento daquilo que Carl Sagan naquele texto escreveu poderia ter sido escrito por mim - se, para tanto, tivesse tido engenho e arte... No entanto, enquanto Carl Sagan se define como ateu (embora colocando na devida perspectiva a sua posição), eu defino-me como crente. E, parafraseando o que Carl Sagan escreveu, também eu julgo adequado colocar um ponto de interrogação à frente da minha afirmação, porquanto também eu, na mesma linha, me considero crente até que alguém me prove racional e definitivamente que não existe um Criador.

Concordo plenamente com o entendimento de Carl Sagan sobre a racionalidade, o método científico, o cepticismo, a invenção de seres sobrenaturais pelo Homem, a inocuidade moral do ateísmo, as religiões, os fundamentalismos e os princípios que nos unem na Augusta Ordem Maçónica, independentemente das suas variantes!

No entanto, com essa tão grande, tão extensa, concordância, definimo-nos simetricamente: ele ateu, eu crente; ambos cum granum salis, o que vale por dizer, salvo melhor opinião e com reserva de mudança de opinião, se sobrevierem elementos que levem ao convencimento da necessidade dessa mudança.

Como é isso possível? Como é possível que tão similar forma de pensar conduza a conclusões diversas e, não diria opostas, mas simétricas? Será que a um se sobrepõe a Fé à Razão, ao contrário do outro? A tentação primária é afirmá-lo. Mas creio que seguir tal tentação seria um erro!

Pelo contrário, julgo ser asado concluir que ambos baseamos a nossa postura não só em postulados racionais, como até no mesmo postulado essencial: pese embora todo o Conhecimento Científico, toda a Especulação Racional, todos os Postulados de todas as Crenças, há duas afirmações opostas que, até agora, são racional e cientificamente indemonstráveis e racional e cientificamente irrefutáveis em absoluto: Deus existe; Deus não existe!

Para cada argumento que se possa aduzir em abono de que Deus existe, existe um argumento com igual força que o refuta; para cada argumento que se apresente demonstrando que Deus não existe, existe um outro, de igual fortaleza que defende essa existência.

Para não alongar muito este texto, apresento uma sumaríssima demonstração desta realidade, a um nível propositadamente primário: à pergunta quem criou o Mundo?, respondem os crentes que foi Deus; mas de imediato surge então a irrespondível pergunta de quem criou Deus?; similarmente, a tese da Ciência contemporânea de que o Universo teve origem num Big Bang é reduzida à sua dimensão de nada realmente explicar se se pergunta o que (ou quem...) criou, originou esse Big Bang, como e de onde surgiu essa tão fenomenal e extraordinária Força que do Nada fez surgir o Tudo. E, sendo postulado da Ciência que tudo o que existe pode ser reproduzido (e nisso se baseia a Ciência Experimental), como se explica que, desde há biliões e biliões de anos, só haja conhecimento de UM Big Bang, quando seria de esperar uma repetição do fenómeno?

E por aí fora se poderia, horas e dias e meses e anos, argumentar, especular, refutar, insistir. Bem o pontua Carl Sagan: não é possível, à luz dos nossos conhecimentos e da nossa razão, nem provar, nem refutar a existência de Deus.

Carl Sagan, legitimamente, acolhe-se ao seu cepticismo científico para concluir (se bem ajuízo): porque não está provado que exista Deus, não creio que exista e portanto classifico-me como ateu; não posso, no entanto, excluir que se possa vir a provar que existe e, se assim vier a suceder, mudarei de posição.

Com igual legitimidade, a minha posição é a de que se não pode provar e se não provou que Deus não exista e a única explicação que encontro para o Universo e para o sentido da Vida é essa existência e portanto classifico-me como crente; não posso, no entanto, excluir que outras prova e explicação possam vir a surgir e, logo, mantenho a minha mente aberta e atenta...

Quando olho, numa noite sem nuvens, o Firmamento e vejo milhares e milhares de pontos de luz, maravilho-me com a grandeza, o rigor, a precisão, do Universo e concluo que só uma Vontade Superior e uma Capacidade inentendível ao nível humano pode ter criado toda aquela incomensurável maravilha e mais a Vida que alberga e mais o Homem e a sua capacidade de abstracção, de ética, de razão... Penso que, se tudo isto fosse tentado explicar como um mero fenómeno natural, então ficava por explicar como e porque foi único, e assim, e de onde veio a força, e a matéria, e...

É exactamente pelo mesmo uso da Razão que sou crente. É por ter o mesmo cepticismo que Carl Sagan que, como ele, acrescento um ponto de interrogação ao meu postulado.

Temos a mesma ética, os mesmos princípios. Olhamos ambos para a mesma cerca - só que cada um do seu lado. O que não é nenhuma tragédia... O que nos diferencia não é a Razão, que ambos partilhamos, nem a Fé, que, penso, ambos admitimos apenas como possível consequência, nunca fundamento. O que nos diferencia, creio, é algo intermédio: a Convicção. A Convicção que se funda na Razão e que, quando a Razão não sabe, não pode, dar resposta, parte dela para ir além dela. A Convicção que parte da Razão para, de braço dado com a Intuição, procurar descortinar para além do ponto de partida e do horizonte que nele é visível.

É por isso que dois homens habituados a ser racionais e cépticos podem, sem desdouro nem problema, ter diferentes convicções. Até ao horizonte, vêem o mesmo e de igual forma; para além do horizonte, cada um interpreta os elementos que tem e intui o que pensa que para lá estará.

Respondendo diretamente às suas perguntas, Diogo, o significado da Vida e da criação (ou da primitiva aparição) da Vida é o Grande Enigma. Uns, como eu, crêem só poder ter sucedido e existir pela intervenção de um Poder Criador (que eu designo por Grande Arquiteto do Universo); outros acreditam que a Vida surgiu de uma enorme e incalculável sucessão de acasos cumulativos, que superam em milhões de milhões de milhões (e ponha ainda mais milhões aí...) de vezes as probabilidade de ganhar o Euromilhões. Por mim, tudo bem: cada um acredita no que acredita. Mas, se eu sou crente, quem acredita nessa incalculável megassucessão de mega-acasos, o que é? Talvez... crédulo???

Nesta grande interrogação, o que impera é a convicção. Fique cada um com a sua e não apode quem tem diferente convicção de errado.

Neste ponto, Diogo, assentemos num empate! Nenhum de nós pode provar ou infirmar aquilo em que acredita!

9 - «O caminho para a liberdade e perfeição do maçom é dominar suas paixões com o objetivo de acabar com atitudes extremadas e fanáticas. E a vereda do espírito passa pela capacidade de sonhar, com grandes chances de converter a fera humana, apenas controlada pelas leis, em ser humilde diante da grandiosidade do que daqui divisamos. »

9 – Quase nada separa a maçonaria das outras grandes religiões.

Quase que fui tentado a pensar que todo o seu comentário foi uma introdução a esta frase final, Diogo...

Pois bem, Diogo, não vá por aí: releia o texto precisamente anterior ao que motivou o seu comentário (A Maçonaria não é uma religião) e não insista em afirmações inconsequentes como a da sua última frase: além do mais, esta tecla de afirmar que a Maçonaria é uma religião é normalmente tocada pelos fundamentalistas evangélicos americanos - e o Diogo vale muito mais que isso e do que eles!

Rui Bandeira