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Entrar é apenas o princípio!

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Há poucos dias, o DG publicou aqui no A Partir da Pedra um texto a que chamou “ A conversa que ninguém quer ter ”, onde abordou uma questão que me parece não só pertinente como também inevitável hoje em dia: o envelhecimento da Maçonaria e a necessidade de conseguirmos atrair e manter novas gerações. Começo por dizer que partilho a sua opinião quase na íntegra e, na verdade, este texto não pretende propriamente apresentar uma visão contrária à sua. Ao lê-lo fiquei sobretudo com vontade de pegar numa das duas partes da questão que colocou, como atrair e como manter, e desenvolver um pouco mais a segunda. Também acho que temos demasiada burocracia, que não faz muito sentido ocupar uma parte importante de uma sessão com assuntos administrativos que poderiam ser tratados de outra forma, que podemos utilizar melhor a tecnologia precisamente para retirar parte dessa burocracia da Loja e que devemos criar mais espaço para a discussão, para a formação e para aquilo que verdadeiramente nos lev...

O Primeiro Passo

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Na última sessão da nossa Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues tivemos a alegria de receber um novo Irmão, o João A. Há momentos que, por mais que os queiramos explicar, perdem sempre qualquer coisa quando passam para palavras, a iniciação é um desses momentos. Não porque tenha de ser escondida atrás de mistérios exagerados, nem porque precise de ser envolvida em dramatismos desnecessários, mas porque há experiências que simplesmente têm de ser vividas. E cada um vive a sua iniciação à sua maneira, cada Maçom guarda dela memórias diferentes, emoções diferentes, silêncios diferentes e até dúvidas diferentes. Talvez seja precisamente essa vivência tão própria que torna a iniciação tão especial, todos batemos à mesma porta e todos somos recebidos da mesma forma, o caminho que trilhamos é que nunca é o mesmo. Quem já passou por ela sabe do que falo, quem ainda não passou, por muito que leia ou que lhe expliquem, nunca conseguirá perceber verdadeiramente o que se sente naquele caminho ...

Como entrar na Maçonaria?

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Este é um tema já por várias vezes falado neste blog, mas que continuará sempre a sê-lo, porque a pergunta volta e meia aparece: como se entra na Maçonaria? A resposta, na verdade, é simples: há dois caminhos possíveis. Ser convidado por um maçom. Aqui convém desfazer um mito, o convite não costuma surgir do nada, é quase sempre dirigido a alguém que já se conhece, em quem se confia, e cujo carácter foi sendo naturalmente observado nas relações do dia-a-dia. Autopropor-se. Para tal, contactar uma Loja ou GLLP/GLRP, há quem pense que possa ser visto como falta de educação ou atrevimento, mas não o é. É um tão válido como se um convite se tratasse. Agora, seja por uma via ou por outra, há sempre requisitos base para que uma candidatura possa ser considerada: Ser crente (não importa a confissão religiosa, mas é necessário acreditar num princípio superior). Ser um homem livre e de bons costumes. Estar de boa fé. Ter a vida organizada e poder assumir as despesas i...

Cerimónia de iniciação e Iniciação

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Como é sabido, a admissão na Maçonartia ocorre através de uma Cerimónia de Iniciação do interessado. Através dessa Cerimónia, o interessado adquire formalmente a condição de maçom. Mas adquire em que termos? É maçom enquanto continuar a integrar uma Obediência maçónica, ou a aquisição dessa qualidade é vitalícia, isto é, perdura mesmo que a pesoa em causa abandone a Maçonaria ou dela seja expulsa ou excluída? Os defensores da primeira alternativa consideram que a admissão na Maçonaria pressupõe a aceitação das regras vigentes na mesma, designadamente na Obediência em que ocorre a integração, e  que essas regras, consubstanciadas normalmente em regulamento, estatuto ou equivalente conjunto de normas, estipulam que aquele que abandone a Maçonaria ou dela seja expulso ou excluído perde a qualidade de maçom. Quem estiver abrangido por qualquer destas situações será um ex-maçom. Os defensores da segunda alternativa contrapõem que esta é uma visão puramente administrativa da ...

Ser reconhecido Maçom...

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(imagem retirada de Google Images) Para alguém ser considerado maçom, primeiramente terá de ser reconhecido por outro como tal. Depois terá de passar por uma conjunto de processos após os quais será aceite ( ou não) por uma Respeitável Loja e a sua consequente Iniciação. Mas não é tão fácil como o parágrafo anterior se apresenta, mas também não será tão difícil como se poderá supor. Nas Maçonarias tipicamente anglo-saxónicas é usual a célebre afirmação   “2B1ASK1 ” ou seja “   To Be One, ask One ” ( Para ser Um, Pergunte a Um; numa tradução literal), o que permitirá mais facilmente atrair mais gente a esta Augusta Ordem. Mas por norma, qualquer Obediência (Potência Maçónica) tem um domicílio físico, isto é, uma porta onde se poderá bater no caso de que algum potencial candidato que se interesse ou identifique com os princípios e causas maçónicas se puderá dirigir caso não tenha nenhum conhecido que seja maçom na sua lista de contatos ou esfera de influência. Ou ...

A minha Iniciação. Parte -3

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Julgado fui, e agora novas provas tinha de passar, pois no fim de tudo a Luz eu ia poder enxergar e o meu Eu, mais íntimo, alcançar. Às provas me dediquei, depois de as aceitar. Guiado fui e pelas várias provas passei, vento e calor sofri, mas com água no final me refresquei e dela bebi, só não esperava o amargo, que no fim senti. Sim o amargo da “doce” frescura, pois com sede “ao pote” eu tinha ido, mas do mais importante me esquecia, que quem daquela água bebe, a ela fica ligado. Provas superadas a Luz me foi mostrada, sim a Luz à minha frente se apresentava. Estaria eu acordado, ou a sonhar? Tudo aquilo à minha frente se declarava e a Luz se mostrava. Estaria a sonhar, ou aquilo era a realidade? Pois por um sonho já eu havia passado e com uma Luz, sonhado, que a mesma me haveria de ser dada, por alguém que eu não vislumbrava, por alguém que eu desconhecia, mas por alguém, que de mim, já algo sabia. Recordo-me e sei, que dessa forma um dia sonhei. E dos sonhos par...

A minha Iniciação. Parte -2

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Eis que de repente a viagem começou e eu por ela não tinha dado, ou melhor, por ela eu não queria dar. Agora do silêncio da espera algo irrompia e de súbito uma mão para mim se estendeu. De onde vinha e ou de quem era, isso agora não importava, o que contava era que a tal viagem para que eu me preparara agora já estava a acontecer. A caminho, e de caminho, a uma porta, eu fui dar, e na consciência eu fui bater. Que consciência? A consciência de que esta viagem tinha de ser feita de uma forma leal e sentida, por isso se o sítio escuro, tinha de ser, porque haveria eu de os olhos querer usar. Bem voltando à Porta, a que eu tinha ido dar, para a conseguir ultrapassar um segredo me foi contado. - Não, claro que o não posso revelar. Lembrem-se, esta foi a viagem ao meu interior e só para mim ela faz sentido e significado consegue ganhar. Depois de, no tal segredo, as respostas ter recebido, foi um tormento, ali logo concedido, mais fundo eu tinha que descer e numa gruta...

A minha Iniciação. Parte -1

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Um dia decidi! Sim decidi tomar uma grande decisão. Decidi fazer uma grande viagem, uma viagem para não mais voltar. Não, não é uma daquelas em que partimos para um outro lado qualquer e por lá ficamos. Esta viagem foi uma viagem muito mais complicada, esta foi aquela viagem! Foi a viagem ao meu interior; Ao meu mais íntimo; À minha razão de ser; A viagem ao principio de tudo. Nesta caminhada decidi encarar todos os meus medos e confrontar os meus receios. Assim e com a decisão tomada comecei a prepara as coisas para levar nesta viagem. Identifiquei de onde eu era; Filho de quem e de que famílias proviam as minhas origens; As razões que me levavam a fazer esta caminhada; O sentido de fazer a mesma; Enfim todas aquelas coisas que normalmente levamos numa viagem, pelo menos numa viagem como esta. Depois de tudo inventariado e Check-List realizado, estava pronto para partir. Parti e decidi, com convicção, de que era o caminho certo, de que este era realmente o meu caminho, s...

Lição de um Mestre ao seu Aprendiz - V

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Meu Irmão, finalmente estás onde deves estar, estás entre nós! Sempre que um novo elemento se junta a nós, toda a Loja se alegra. Mais um homem bom quer tornar-se melhor e, fazendo-o, nos ajudará, a todos e cada um de nós, a sermos um pouco melhores também! Sê, pois, muito bem-vindo, Irmão. Todos esperamos que, sempre, gostes tantos de estar connosco como – não o duvides! – todos e cada um de nós gostaremos sempre de estar contigo. Hoje, encerrou-se um ciclo na tua vida e iniciaste um novo ciclo. Hoje, deixaste para trás a tua vida profana e iniciaste o teu percurso como maçom. E não duvides também que, a partir de hoje, em todos os aspetos da tua vida, em todos os momentos dela, em todos os locais onde te encontrares, com quem estiveres, não mais estará apenas o homem que há algumas horas entrou neste edifício – a partir de agora, sempre, em todos os lugares, com todas as pessoas, estará o maçom! Porque passaste por uma Iniciação que, a ti, como a milhões de outros antes de ti, subtil...

Lição de um Mestre ao seu Aprendiz - IV

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Meu Irmão: Antes de tudo e acima de tudo, quero expressar-te, em nome de toda a Loja o júbilo que aquece nossos corações. Enfim, estás entre nós! Mas, meu Irmão, o júbilo não brota diretamente do facto de estares entre nós. Resulta principalmente de estar entre nós alguém que foi por nós reconhecido como um homem bom. Mas, meu Irmão, nota que esse júbilo não resulta apenas de estar entre nós um homem bom. Nasce principalmente de esse homem bom poder tornar-se e ter a vontade de se tornar um homem melhor. E decorre ainda de termos a esperança de que te podemos auxiliar nessa demanda! O caminho que hoje encetas é um caminho novo e diferente de tudo o que fizeste na vida até agora. Tens à tua disposição um método – o método maçónico de aperfeiçoamento através do estudo dos símbolos e aplicação dos conhecimentos com esse estudo obtido. Não terás, porém, aulas. Terás uma panóplia de símbolos perante ti, para que os descubras e trabalhes por ti, terás um guia para começares a fazê-lo, terás ...

Lição de um Mestre ao seu Aprendiz - III

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(Nota: as lições anteriormente publicadas neste blogue foram escritas por Jean-Pierre Grassi e estão aqui e aqui ) Meu Irmão: A melhor forma de manifestar os calorosos sentimentos fraternos de toda esta Respeitável Loja para contigo é sublinhar que não foste simplesmente aceite aqui, não foste simplesmente admitido à Iniciação, foste verdadeiramente cooptado para este grupo, para esta Loja. Cada vez que alguém entra ou sai da Loja, esta modifica-se, pois a Loja é o conjunto de todos os seus obreiros, a soma de todas as suas capacidades, a multiplicação de todas as suas potencialidades, a divisão por todos dos pesares de cada um, enfim, a Loja é um conjunto vivo cujas células são os seus obreiros. E se, quando um obreiro parte, a Loja pouco perde, perde apenas as suas potencialidades futuras, conservando tudo o que esse obreiro, enquanto entre nós esteve aqui deixou, aqui ensinou, connosco partilhou, a cada um de nós influenciou, sempre que um novo elemento é cooptado pelos que já a in...

Volume da Lei Sagrada

Num dos comentários ao post Indiferença entre semelhanca e diferença o nosso leitor JPA deixou a seguinte questão, todavia precedida ainda de uma consideração sobre o abandono de irmãos. "No final do Ritual de Iniciação, o Neófito, faz o seu juramento sobre o VSL. Como escolhem o Livro, se o candidato acreditar sómente no GADU?" Comecemos pelo assunto mais antigo e que tem a ver com abandonos. As razões do abandono são distintas consoante ele se produz enquanto aprendiz / companheiro ou já como mestre. Nos primeiros casos devem-se essencialmente a uma desadequação entre as expectativas e a realidade, e nisso as responsabilidades podem ter várias origens, nomeadamente o perfil, ou o padrinho nao ter explicado correctamente o que era a Ordem, a expectativa quanto ao tipo de trabalho feito, entre outras, Quando o abandono se dá já enquanto mestre aí as razões tendem a ser resultantes de diferendos, ou muitas vezes apenas de mal entendidos. Vamos então agora à pergunta de hoje. ...

Leçon d'un Maitre à son Apprenti

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Mon très cher Frère A l’instar de millions de Francs-Maçons qui, au long des siècles passés, ont été initiés sur les 5 continents, tu viens de renier ta vie profane pour partir à la recherche de la lumière. Je dois te prévenir que ce sera un chemin long à parcourir, parfois monotone, parfois exaltant, mais ce sera surtout un long travail personnel d’étude et de recherche sur toi-même afin d’atteindre ce que chacun de nous recherche. Ne te décourage jamais, il y aura toujours une main fraternelle qui sera prête à t’aider à franchir les obstacles que tu pourras rencontrer. Notre Ordre est ainsi fait que, où que tu sois, l’universalité de la Maçonnerie sera toujours présente. La Fraternité n’est pas, pour nous, un vain mot, une valeur sans fondements. Aujourd’hui, tu viens d’être reçu Apprenti Maçon. C'est-à-dire que tu vas apprendre pourquoi et comment sera ta nouvelle vie. Le terme « Apprenti » n’est pas péjoratif, loin de là. D’ailleurs, un de mes maîtres en Maçonnerie me disait qu...

A Iniciação (II)

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Os ritos de passagem são frequentemente integrados por referências ou representações à vida anterior dos que se submetem ao rito (de onde vens), por uma ou mais provas que devem ser superadas (o que és) e por referências ou representações daquilo a que se acede (para onde vais), designadamente aos deveres ou obrigações inerentes à nova situação que é atingida. O rito de passagem que é a Cerimónia de Iniciação maçónica não foge a este estereótipo. Tem, porém, a característica de, após uma fase inicial, destinada à preparação psicológica e interior do candidato, tudo isso ocorrer em simultâneo. Durante praticamente todo o decurso da Cerimónia de Iniciação, processam-se, em simultâneo, simbólicas referências à vida passada do profano em geral (e, portanto, também do candidato), ocorre a prestação de provas pelo candidato, por cuja submissão e consequente superação, também simbolicamente, se processa a transformação da realidade anterior para a realidade futura e apresentam-se ao candidato...

A Iniciação (I)

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Quando um profano pede para ser admitido maçon e a Loja que recebeu esse pedido acede a ele, a entrada do novo elemento para a Maçonaria e para a Loja processa-se mediante uma cerimónia, designada de Iniciação. Um dos compromissos que os maçons assumem é o de não divulgar a profanos como se processa a cerimónia de Iniciação. Não por gosto do secretismo. Não porque algo de ilícito, ou perigoso, ou atentatório da dignidade, exista nessa cerimónia. Simplesmente porque o desconhecimento sobre como se processa e o que se passa nessa cerimónia é absolutamente essencial para que esta atinja os objectivos que com ela se procura prosseguir. Dir-se-ia, assim sendo, que, nesse caso, não poderia ou deveria eu aqui escrever sobre a Iniciação. Tudo depende do que se escreve e como se escreve. Obviamente que não vou descrever a cerimónia, dizer o que nela se passa, como se processa. Assumi o compromisso de tal não fazer publicamente ou em privado perante profanos. E concordo e entendo as razões que s...