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Entre espiões, lojas e fantasmas

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Andava eu a vaguear pelas internets, a ler as notícias, até que me deparei com mais um artigo de opinião a anunciar, com dramatismo as “ligações perigosas” entre maçonaria e os nossos serviços secretos. Daquelas notícias que de tempos a tempos, aparecem. Sempre com o mesmo titulo de  a maçonaria exercer uma influência excessiva e colocar pessoas no topo. Podem ler aqui Pois bem, sejamos justos. Sim, é verdade que nós influenciamos excessivamente. Eu próprio o faço todos os dias. Influenciamos para que consigamos ser melhores, a crescer intelectualmente, a estudar mais, a trabalhar o carácter, a questionar preconceitos, e também a tentar, com maior ou menor sucesso, chegar ao dia de amanhã um degrau acima daquilo que fomos ontem, na nossa caminhada até ao nosso topo. Se isto é influência excessiva, então assumo a culpa. O artigo apresenta a “descoberta” de que vários responsáveis do SIS e do SIED, ao longo dos anos, passaram por lojas maçónicas, algo que, aparentemente, é no...

Maçonaria não vota, não apoia e não opina

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Esse é um post para não-maçons. Nos últimos tempos, tenho acompanhado com alguma preocupação a forma como a Maçonaria tem sido retratada na mídia, e confesso que isso me incomoda profundamente. Ao ver manchetes como as que se acumulam no print que guardei (e que certamente vocês também já viram por aí ) fico com a nítida sensação de que há uma tentativa insistente de encaixar a Maçonaria numa caixa que simplesmente não lhe pertence. "Maçonaria apoia candidato X", "Maçonaria volta em força com ligações ao Governo", "Líder maçônico agita campanha eleitoral". Parecem trechos de um roteiro de ficção, onde uma entidade monolítica e quase sobrenatural manipula os cordéis do poder. Mas a realidade, meus caros, está muito longe disso. É preciso deixar bem claro, e com letras garrafais se preciso for: A Maçonaria não vota, não apoia e não opina. A Maçonaria é uma instituição de caráter iniciático e filosófico, que reúne indivíduos livres e de bons costumes, unidos ...

Política e Maçonaria Regular...

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(imagem proveniente de Google Images) O próprio título desta publicação poderá parecer por si só uma possível contradição. Uma analogia direta entre política e Maçonaria Regular nunca poderá ser feita em concreto porque em Maçonaria Regular não se discute política. E muito simplesmente porque tal não é permitido pelas suas próprias regras, os seus  Landmarks ,  que no seu sexto artigo impede que este tipo de discussão possa ter lugar numa loja maçónica.  O próprio Rui Bandeira, autor deste blogue, já teve oportunidade de expressar a sua opinião, tanto neste  texto   bem como na sua respetiva “caixa de comentários” foram debatidas outras perspetivas sobre o assunto… Mas no que ao tema deste post concerne, a proibição existente em relação à abordagem de temas políticos numa sessão maçónica é apenas em relação à discussão e debate de ideias relativas à política partidária. Porque abordando a política como conceito em si, conceito este como sendo a...

O que se faz numa sessão maçónica - II

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Na sequência do meu  texto da semana passada o Streetwarrior comentou: "As sessões colocadas desta maneira, parecem ser uma coisa muito chata ! Gostaria de perceber estes 3 aspectos que sempre me deram muita curiosidade. Visto que desde os primordios das nossas civilizações, tudo o que nos rodeia, é ligado á religião tudo é politica, o que sobra para se discutir numa sessão? Se não se pode discutir religião, qual o interesse então de uma maçonaria ser Crente ou não numa entidade religiosa? Por fim...qual a razão do Mestre andar em angulos rectos, terá isto a ver com (Anjos = Angulos ) bom e maus, visto que a nivel Astro-teológico existem bons angulos e maus angulos?" Comecemos pelo fim. "Ângulos" vem do latim angulus , “canto, área remota". "Anjos" vem do latim eclesiástico angelus , derivado do grego antigo άγγελος ("ángelos"), e significa "mensageiro". Em comum têm apenas alguma similaridade fonética. Já no q...

Contra factos...

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Todos conhecemos a controvérsia em torno da educação sexual, mesmo quando uns e outros acordam que esta deva ser instrumento de prevenção de doenças e gravidezes indesejadas. De um lado, uns advogam a promoção da abstinência, de padrões de conduta e de dicotomias entre bem e mal, no contexto de que o ato sexual é público e sagrado e como tal sujeito às leis da moral e da religião. Do outro lado, outros promovem o recurso a meios anticoncecionais, a permissividade perante uma gama alargada de identidades e práticas sexuais, e reduzem o ato sexual a um ato biológico privado e regido pelas leis naturais. Pelo meio, uma multiplicidade de posições mais ou menos moderadas e contemporizadoras. Em poucos países este debate é tão verrinoso e extremado como nos Estados Unidos da América. Recentemente, em face do contexto económico desfavorável e dos inevitáveis cortes orçamentais em tudo quanto se afigure supérfluo, terá recrudescido uma forma muito pragmática de elaborar política...

Votar: direito e dever individual

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Houve hoje, em Portugal, eleições para a Presidência da República. Acompanhei durante as últimas semanas - como, de resto, muitos outros portugueses - os factos e as histórias, as verdades e meias verdades, as cabriolas e acrobacias que cada uma das campanhas apresentava ao eleitorado - a cada um de nós, portanto. Todos assistimos às alianças feitas e desfeitas, aos jogos de conveniências, aos ataques, às defesas, às vítimas silenciosas, aos que gritavam ser vítimas, aos que se faziam de vítimas, às virgens ofendidas, às faces estoicamente  impassíveis, às caras desavergonhadamente impassíveis, às explicações impossíveis, à esperança na mudança, ao desespero pela mudança, à indiferença face à expetativa da mudança das moscas, ao frenesim das contagens, ao sentido do dever cumprido, ao cansaço ao fim de um dia comprido. Em conversa com uma amiga minha - que priva com alguns políticos dos dois maiores partidos - comentou esta que, não obstante haver, como era sabido, can...

A Guerra Civil Inglesa (ou porque não se discute política ou religião em Loja)

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Entre 1500 e 1800 diferentes reis e rainhas de Inglaterra perseguiram, prenderam, mataram ou simplesmente incomodaram católicos, anglicanos, metodistas, puritanos, luteranos, presbiterianos, calvinistas, quakers, e virtualmente qualquer outra variação da Cristandade. A convicção pessoal e a fé de cada monarca tinha graves consequências, muitas vezes fatais, nos seus desafortunados súbditos que não oravam perante o mesmo altar. A Guerra Civil Inglesa , iniciada em 1642 entre Monárquicos, partidários do rei Carlos I de Inglaterra e Parlamentaristas, liderados por Oliver Cromwell foi, na sua essência, uma luta entre a Igreja estabelecida, apoiada pela nobreza (que pretendia ver o seu poder perpetuado) e protestantes puritanos radicais, oriundos de uma classe média emergente, desejosos de se governar a si mesmos. A guerra só terminaria sete anos depois, com a condenação de Carlos I à morte e a tomada do poder por Cromwell e pelos puritanos. Não obstante Carlos I ter sido mal amado pelo se...

O maçom e a Política

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O sexto Landmark (princípio fundamental) da Maçonaria Regular prescreve: A Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das opiniões e crenças de cada um. Ela proíbe-lhes no seu seio toda a discussão ou controvérsia, política ou religiosa. Ela é ainda um centro permanente de união fraterna, onde reinam a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam estranhos uns aos outros. No texto que, neste blogue, dediquei ao sexto Landmark , escrevi: Por isso, em Loja não se discute Política nem Religião. Esta, porque sendo do foro íntimo da cada um, não faz sentido discuti-la. Aquela, porque sendo susceptível de grandes paixões poderia cavar insanáveis conflitos entre Irmãos. Ademais, reconhecendo cada maçon no seu Irmão um homem livre e de bons costumes, grave atentado a essa liberdade seria não lhe reconhecer o direito à sua crença religiosa e ao seu entendimento político. Não quer isto dizer que um maçon não possa ou não deva afirmar a sua convicção religiosa ou a su...