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A mostrar mensagens de junho, 2025

IA e Maçonaria: uma nova ferramenta ou um atalho perigoso?

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  “O que chamas de prompt engineering , eu chamo de preguiça mental.” “Se usares isso para fazer pranchas, deixas de pensar por ti.” “Isso do chatgpt, não é trabalho” “Vai dar cabo do espírito iniciático.” Ouvi tudo isto, e mais alguma coisa, de Irmãos que respeito e admiro e percebo o seu ponto de vista. A Maçonaria é, acima de tudo, um caminho pessoal, é natural que, quando se introduz algo novo, especialmente algo que parece vir do mundo da superficialidade, surjam resistências. É humano e os Maçons, mesmo que super Humanos, não deixam de ser Humanos. Mas também é humano evoluir. Depois de algumas discussões em conversas, àgapes ou até em Loja, de trocas de ideias mais acesas, outras mais serenas, decidi partilhar o meu ponto de vista sobre o papão que é a Inteligência Artificial, principalmente na "pessoa" do Sr ChatGPT. Não tenho certezas, nem quero ter razão, mas talvez o meu percurso com a Inteligência Artificial, ajude a desmontar alguns receios e a abrir espaço ...

Carta ao meu afilhado

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Tenho apenas um afilhado na maçonaria. Lamento muito que quando da sua iniciação, não tinha a experiência e a maturidade maçónica que tenho agora. Fiz e faço meu melhor por ele, mesmo a distância. Entretanto, se pudesse voltar no tempo, gostava de ter-lhe escrito a seguinte carta: Meu querido afilhado e agora irmão, É com profunda satisfação e responsabilidade que me dirijo a ti, nesta nova jornada em que te encontras, como teu padrinho maçónico. Hoje, desejo partilhar contigo algumas reflexões e conselhos que acumulei ao longo dos anos, na esperança de que te proporcionem algum conforto e orientação nesta senda de aprendizado e descoberta. "Tudo podes, mas nem tudo te convém." Ao refletires sobre estas palavras, verás que se trata de um convite à consciência sobre as escolhas que irás fazer. Na maçonaria, encontrarás um horizonte vasto, repleto de oportunidades para expandires teu entendimento e tua prática. No entanto, escolher o melhor caminho às vezes requer que sejamos p...

Como entrar na Maçonaria?

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Este é um tema já por várias vezes falado neste blog, mas que continuará sempre a sê-lo, porque a pergunta volta e meia aparece: como se entra na Maçonaria? A resposta, na verdade, é simples: há dois caminhos possíveis. Ser convidado por um maçom. Aqui convém desfazer um mito, o convite não costuma surgir do nada, é quase sempre dirigido a alguém que já se conhece, em quem se confia, e cujo carácter foi sendo naturalmente observado nas relações do dia-a-dia. Autopropor-se. Para tal, contactar uma Loja ou GLLP/GLRP, há quem pense que possa ser visto como falta de educação ou atrevimento, mas não o é. É um tão válido como se um convite se tratasse. Agora, seja por uma via ou por outra, há sempre requisitos base para que uma candidatura possa ser considerada: Ser crente (não importa a confissão religiosa, mas é necessário acreditar num princípio superior). Ser um homem livre e de bons costumes. Estar de boa fé. Ter a vida organizada e poder assumir as despesas i...

Quando é que uma piada deixa de ser piada?

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Vivemos tempos curiosos, humoristas em tribunal por piadas que geram processos. Juízes a decidir o que se pode ou não dizer em palco, um comediante condenado porque, dizem, as suas piadas passaram do riso à ofensa. Não estou dentro dos assuntos destes casos actuais em concreto, o que me interessa é o dilema que fica no ar. Até onde vai, ou deve ir, a liberdade de expressão? Quando é que uma piada deixa de ser apenas isso? Sou alentejano, cresci a ouvir anedotas sobre alentejanos, umas com graça, outras nem tanto. Nunca me passou pela cabeça meter alguém em tribunal por causa disso, talvez devesse ter feito e enriquecido à base de indemnizações. Mas imagine-se, se alguém me disser “João, seu alentejano preguiçoso”, o que é isto? Uma piada? Uma provocação? Uma ofensa? Depende de quem diz? Depende do tom? Do contexto? Se for num jantar entre amigos? Se for num espectáculo de stand-up? Ou se for em resposta a este post? Deduzo que a linha exista, mas alguém sabe exactamente onde? E os hu...

O Futebol e o Espírito da Maçonaria

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  Diz-se, e com razão, que em Loja não se discute futebol. Tal como a política ou a religião, o futebol desperta paixões intensas. As paixões, quando desgovernadas, nunca ou raramente constroem. Mas há um lado luminoso nessas mesmas paixões, a capacidade de juntar milhares em torno de uma ideia, de um símbolo, de um propósito comum. E quando essa energia é canalizada com elevação, pode erguer verdadeiras catedrais humanas, dentro e fora do Templo. Há poucas coisas no mundo profano que consigam unir tantas pessoas, de tantos cantos do mundo, como o futebol. Línguas diferentes, culturas opostas, crenças divergentes, e ainda assim, num estádio, ou diante de um ecrã, milhares erguem-se ao mesmo tempo, pelo mesmo motivo. É um fenómeno de comunhão., de pertença, do símbolo. E, curiosamente, não está assim tão longe do espírito da Maçonaria. Também nós, Maçons, vestimos aventais, às vezes, de cores diferentes mas trabalhamos para o mesmo fim. Também nos reunimos em assembleias silencio...

Estás no Ritual ou apenas numa sala?

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Há quem diga que o ritual é um formalismo, uma peça decorada, um guião repetido. Talvez, visto de fora, seja mesmo isso. Mas o erro começa precisamente aí,  o ritual não é para ser visto ., ele é para ser vivido. Cada palavra tem o seu peso, cada gesto tem o seu tempo, cada pausa tem o seu silêncio e é nessa cadência, que não é nossa mas que nos é facultada por séculos de trabalho, que se esconde a força do ritual. Não é uma invenção moderna, é uma herança e como tal, deve ser recebida com reverência e transmitida com fidelidade. Seguir o ritual à letra pode parecer, a quem ainda não compreendeu, uma rigidez sem sentido. Eu, sem dúvida, que lhe vejo um sentido. Um sentido em acender a vela com a mão certa, em bater o malhete no tempo exacto, em dar o passo no momento justo, com o pé certo, na direcção certa. Seguindo o gestos, afina-se a atenção e onde há atenção, há presença. Onde há presença, pode sempre haver transformação. O ritual não é inicio ou fim, é parte do caminh...

Portugal, Pedra sobre Pedra

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Hoje é dia de  Portugal, não apenas a geografia ou a língua, mas a ideia. A ideia de uma Nação moldada ao longo de séculos, onde o engenho venceu a geografia e o sonho navegou antes da ciência. Vivemos tempos em que se tenta reescrever o passado com as tintas voláteis do presente. Julgam-se descobrimentos como se fossem crimes, alianças como se fossem submissões, batalhas como se fossem vergonhas. Há quem peça que nos ajoelhemos perante o tempo, como se a História fosse um tribunal e não uma herança. Portugal não se deve ajoelhar, conhecemos o peso da pedra que carregamos. Somos Aljubarrota, onde um povo defendeu o seu futuro com braços e foices. Somos os mares por dobrar, os cabos por nomear, as constelações por medir com astrolábios. Somos a ousadia de lançar velas ao desconhecido e a coragem de não voltar atrás. Somos o início da globalização, ligando novos mundos e continentes, línguas, saberes, mercadorias e mitos. O mundo tornou-se redondo quando nós o começámos a perco...

Ciência e Religião: Ainda um falso conflito?

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Relendo uma prancha que escrevi há alguns anos, no  RLMAD , sobre o eterno tema da ciência e da religião, surpreendi-me com a sua actualidade. Continuamos a debater se são opostas ou complementares. Continuamos, no fundo, a tentar descobrir se o universo tem apenas leis — ou também sentido. Na altura escrevi que não via ali conflito, mas antes dois caminhos diferentes para uma mesma busca: compreender o que nos rodeia e o nosso lugar nisso tudo. A ciência diz-nos como as coisas funcionam. A religião tenta explicar porquê. Hoje, o cenário até parece que mudou, mas não para melhor, a ciência é questionada por teorias da conspiração e vídeos de TikTok, por seu lado a religião continua a ser usada para justificar guerras e ódios. Ninguém ouve, poucos pensam, e muitos gritam "o meu Deus é melhor que o teu". E assim voltamos ao essencial. Mesmo Stephen Hawking, tantas vezes apontado como ateu, dizia que se descobríssemos uma teoria unificada, estaríamos a conhecer a mente de D...

Como entrei para a Maçonaria e porquê.

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Não sei dizer ao certo quando ouvi falar pela primeira vez da Maçonaria. Talvez tenha sido numa reportagem de televisão, daquelas que falam mais do que explicam, deixando no ar um certo mistério. Ficou a curiosidade e, com o tempo, nasceu uma vontade mais séria de perceber o que estava por trás de tantos símbolos e de tanta suspeita. Mais tarde, enquanto vivia em Inglaterra, comecei a ler com mais atenção. Havia polémicas, é verdade, sobretudo em Portugal, mas também testemunhos de homens que falavam de ética, de esforço pessoal, de um trabalho que era mais interior do que exterior. Em terras de sua Majestade, também via, como os maçons continuavam activos, discretos, mas empenhados em fazer melhor pela comunidade, e isso despertou-me, não para uma aventura, mas para um caminho, um caminho que me pareceu ter método, exigência e sentido. Na altura em que estava a viver na Colômbia, descobri este blog, A Partir da Pedra . Escrevi ao autor de um dos textos que mais me marcou, ainda nã...