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Um trecho de Albert Pike, a propósito de Maçonaria, Crise e Sociedade

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Um leitor deste blogue, em comentário ao texto Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXX , expressou a sua insatisfação pelo facto de, em tempos de crise em Portugal e na Europa, não ver aqui comentário à mesma. Seguiu-se uma troca de comentários em que penso ter explicado a posição dos maçons que aqui escrevem sobre o assunto. Mas, ao documentar-me sobre as respostas a dar, recordei uma passagem de M orals and Dogma , de Albert Pike, que julgo interessante para se ver como a Maçonaria já desde há muito tempo que sabe muito bem como cada um dos maçons deve intervir na Sociedade. Os teóricos da conspiração costumam muito citar Pike e a sua obra Morals and Dogma  para elocubrarem sobre o pretenso projeto da Maçonaria de dominar a Humanidade e criar a Nova Ordem Mundial  (seja lá o que isso for). Mas não se dão ao cuidado de ler Pike e Morals and Dogma ... Este excerto que aqui transcrevo ilustra bem, creio, a postura dos maçons perante a Sociedade. E, quanto à prese...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXXIII

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Mas se os Mestres e os Vigilantes, na dita reunião particular antes do jantar ou no dia anterior, não desejarem a continuação do atual Grão-Mestre, ou este, quando desejado não tenha consentido, então o último Grão-Mestre deve nomear seu sucessor para o ano seguinte, o que, se aprovado por unanimidade pela Grande Loja, e se ali presente, deve ser proclamado, saudado e declarado o novo Grão-Mestre como atrás dito, e imediatamente empossado pelo último Grão-Mestre de acordo com o Costume.  As Regras anteriores postulavam o que se fazia quando a assembleia de representantes das Lojas desejava a continuação em funções do Grão-Mestre em exercício e este acedia a continuar. Esta Regra regula a situação em que, ou a assembleia de representantes das Lojas não queria a continuidade do Grão-Mestre em exercício, ou este não aceitava continuar em funções. A regra para a escolha do sucessor era assim de que o Grão-Mestre em fim de mandato tinha o poder de propor o seu sucessor,...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXXII

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Se o Grão-Mestre em exercício, após conferenciar com os Mestres e Vigilantes em particular, antes do jantar, concordar em continuar como tal no ano seguinte, alguém da Grande Loja, nomeado para esse efeito, fará o elogio, perante todos os Irmãos, da sua gestão, etc, pedindo-lhe  humildemente, para dar a Grande Honra à Fraternidade (no caso de ser um Nobre; e se não o for, dirá a "grande gentileza"), de continuar a ser o seu Grão-Mestre no ano seguinte. Então o Honorável declarará o seu consentimento, através de uma vénia ou um discurso, como desejar. Após o que, o dito delegado membro da Grande Loja, proclamá-lo-á Grão-Mestre, e todos os membros das Lojas devem saudá-lo como tal. E todos terão, então, alguns minutos para que manifestem a sua satisfação. prazer e congratulações.  Esta Regra retoma o que já constava da Regra XXIX: previamente ao jantar, em privado, os Veneráveis Mestres e os Vigilantes de todas as lojas, isto é, os representantes de todas as L...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXXI

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Depois do jantar a Grande Loja reúne, não em separado, mas na presença de todos os Irmãos, mesmo os que dela ainda não são membros, os quais, no entanto, não poderão falar exceto se autorizados e se a palavra lhes for concedida.  Esta Regra elucida-nos que, na assembleia anual, festiva, a reunião formal da Grande Loja encerrava o dia. Com efeito, a festividade que tinha lugar pelo São João iniciava-se com uma reunião de trabalho, administrativa, onde eram resolvidos os assuntos urgentes e deliberada a continuidade do Grão-Mestre em funções ou escolhido quem iria ser apresentado para eleição formal, seguindo-se o jantar e terminando o dia com a assembleia formal, cerimonial, mas na qual era formalmente reeleito ou eleito o Grão-Mestre. Nos dias de hoje, a refeição tomada festivamente em conjunto costuma ocorrer depois do encerramento dos trabalhos, até porque, com frequência, essa refeição é um  ágape branco, em honra das senhoras e não faria sentido que, finda a re...

Que significa Huzza, Huzza, Huzza?

A pergunta que dá título a este texto, foi a mesma que um I:. da R:.L:.Fernando Pessoa, me colocou há uns tempos atrás, por ocasião da minha primeira visita à sua Loja. Não lhe soube oferecer resposta alguma, porque, efetivamente não tinha forma de lhe responder, eu, pura e simplesmente não tinha informação suficiente para lhe responder com a assertividade que o momento exigia. Não considero grave não saber a resposta, seria enquanto maçom, muito mais grave não saber a resposta e ignorar esse desconhecimento, portanto o que havia a fazer era trabalhar para, investir para e por fim, ter aprendido. Pareceu-me um bom móbil para escrever um artigo sobre isso. E o texto que se segue é o fruto desse trabalho. Assim: Huzzé, tem origem hebraica, que pronuncia-se “Huzzá”, há mesmo várias formas de a escrever, desde Uzé, Huzzé, Houzzé e claro está Huzzá. Para os antigos árabes, Huzzá era o nome dado a uma espécie de Acácia, consagrada ao Sol, sendo símbolo da imortalidade, que signif...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXX

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Após esta conversa, os Mestres, Vigilantes e todos os Irmãos podem conversar livremente, ou entreterem-se juntos, até que o jantar seja servido, devendo cada Irmão tomar o seu lugar à mesa.  Esta singela Regra aparenta ser desnecessária, ou mesmo sem dignidade suficiente para ser incluída no conjunto das Regras Gerais da Fraternidade. Com efeito, nada de especial, aparentemente, consigna. Mas se a considerarmos com um pouco mais de atenção, não é tão  inútil ou fútil como aparenta, porquanto, ao inocentemente  referir que, entre a reunião preparatória da Assembleia anual e a deliberação sobre a continuidade, ou não, do Grão-Mestre em funções e o Jantar Festivo, a que se seguirá a reunião pública da Grande Loja,  haverá um período de descontração, de convívio livre entre Irmãos, está também a referir o que não se pode fazer ! E o que não se pode fazer é prosseguir na discussão ou comentário dos assuntos tratados na reunião preparatória ou relativos à delib...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXIX

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Depois de todos esses assuntos discutidos, o Grão-Mestre e seu Vice Grão-Mestre, os Grandes-Vigilantes, ou seus representantes, o Secretário, o Tesoureiro, os Funcionários, e todas as pessoas, devem retirar-se e deixar só os Mestres e Vigilantes das Lojas para que possam discutir amigavelmente sobre a eleição do novo Grão-Mestre ou a continuidade do atual se não o tiverem feito no dia anterior. Se forem unânimes sobre a continuidade do atual Grão-Mestre, este deverá ser chamado e humildemente convidado a que honre a Fraternidade, dirigindo-a no ano seguinte. Mas só após o jantar será conhecida a decisão, pois tal só pode ser revelado como resultado do ato eleitoral.  Esta regra regulava a tomada de decisão sobre a continuidade ou substituição do Grão-Mestre em funções. O mandato do Grão-Mestre era anual, podendo haver, sem limite, recondução do titular em exercício. A regra da duração anual do mandato do Grão-Mestre permanece na maioria, se não na totalidade, das G...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXVIII

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Todos os Membros da Grande Loja devem apresentar-se bastante antes do Jantar, incluindo o Grão-Mestre, ou o seu Vice Grão-Mestre, para reunirem, dirigidos por este, a fim de:  1 - Receber qualquer Apelo devidamente apresentado, como atrás regulamentado, para que o queixoso seja ouvido, e para que o assunto seja amigavelmente decidido antes do jantar, se possível; mas se assim não for possível, deve ser adiado até que o novo Grão-Mestre seja eleito; e se não puder ser decidido após o jantar, a decisão deve ser adiada e o caso entregue a um comité especial, que deve resolver o mesmo em harmonia, relatando o resultado na Reunião Trimestral seguinte; para que o amor fraternal seja preservado.  2 - Prevenir que qualquer querela ou diferença ocorra nesse Dia; para que nada perturbe a harmonia e o prazer dessa Grande Festa.  3 - Analisar tudo o que diga respeito à decência e decoro dessa Grande Assembleia, para evitar qualquer indecência, mau comportamento ou promiscui...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXVII

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Os Grandes Vigilantes, ou os seus Ajudantes, deverão nomear, antecipadamente, um certo número de Irmãos para servir à mesa, de acordo com que achem necessário para a execução de tal tarefa; se desejarem poderão aconselhar-se com os Mestres e Vigilantes das Lojas, sobre quais as pessoas mais capazes para tal função, e seguir as suas recomendações, mas só podem ser maçons livres e aceites, para que nesse dia a reunião seja livre e harmoniosa. A regra XXVII insere-se num conjunto de regras que regulavam a Festa Anual dos maçons de Londres e Westminster que tinha lugar pelo S. João. No ágape integrado nessa festa apenas podiam participar maçons. Daí a necessidade de providenciar quem efetuasse o serviço de mesa, já que as vitualhas e bebidas não se movimentam sozinhas e, na época, ainda não  se praticava o conceito de repasto em self service... Ainda hoje, nos ágapes formais, onde apenas estão presentes maçons, se procede de forma semelhante, sendo a tarefa de transportar e ...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXVI

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O Grão-Mestre deve escolher dois ou mais Irmãos de confiança para Porteiros, ou guardadores das portas, os quais devem também apresentar-se cedo no local, por óbvias e evidentes razões, e estarão às ordens do Comité. Esta Regra - que, recorde-se, figura entre o conjunto de regras relativas à organização da reunião festiva anual da Grande Loja de Londres e Westminster, no primeiro quartel do século XVIII - contém referência a ofício que permanece em todas as Lojas maçónicas, de vários ritos: Guarda Interno  ou a dicotomia Guarda Interno e Guarda Externo. O Guarda Interno é o ofício mais "modesto" da Loja. Tem uma muito breve intervenção no ritual de abertura dos trabalhos e, para além dela, apenas intervém sempre que se torna necessário que alguém entre ou saia da sala onde decorrer a reunião, abrindo e fechando a porta. Não admira que, familiarmente, seja, por vezes referido como o "Oficial Porteiro"...  Porventura quando, descontraída e jocosamente, se fa...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXV

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Os Mestres das Lojas devem, cada um, nomear um Companheiro de sua Loja, discreto e experiente, para formar um Comité, constituído por um Companheiro de cada Loja, com a incumbência de receber, em lugar conveniente, qualquer pessoa convidada para admissão, o qual tem poder para o informar, se o acharem merecedor para ser admitido, ou barrarem-lhe a entrada se tiver razões para isso; mas não excluirão ninguém antes de explicarem, a todos os Irmãos, em Loja, quais essas razões, para que se evitem erros. E que nenhum verdadeiro Irmão seja excluído, nem um falso Irmão, ou embusteiro, seja admitido. Este Comité deve reunir-se no local da Festa de São João, antes do seu início e antes que qualquer pessoa chegue com o convite (para ser admitido).  Esta regra postula o que podemos considerar a origem do telhamento, ou seja, o exame das credenciais de quem, sendo desconhecido da Loja (visitante), pretende participar de uma reunião maçónica. As sessões das Lojas maçónicas são reserv...

O saber calar-se

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A sessão fora produtiva e algo longa, e todos ansiavam já pelo momento de confraternização que se lhe seguiria. Como é regra, todos os aprendizes e companheiros haviam observado absoluto silêncio durante a sessão, não podendo pedir a palavra nem manifestar-se. Agora que a sessão tinha terminado, falavam aberta e incessantemente de tudo e de nada, uns aqui sobre um pormenor da sessão que não tinham percebido ou sobre o qual queriam saber mais, outros de assuntos mais mundanos, outros ainda auxiliando-se mutuamente na arrumação do templo - que é, precisamente, uma das incumbências dos aprendizes. Seguiu-se o ágape - uma refeição em conjunto - em que todos podem falar. E todos o fazem, e é precisamente o que se pretende. //  Em sessão de loja não se pode falar sem primeiro pedir a palavra, mas não basta pedir, não basta um "com licença" para legitimar que se tome a palavra de imediato; é necessário esperar que quem tenha a palavra termine o que tem a dizer, pedir...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXIV

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Os Vigilantes e os Ajudantes devem, atempadamente, ouvir as orientações do Grão-Mestre, ou seu Vice Grão-Mestre, acerca do local. Mas se o Sapientíssimo e seu Vice Grão-Mestre estiverem doentes, ou ausentes, devem reunir-se com os Mestres e Vigilantes das Lojas para aconselhamento e ordens; ou então podem tomar o assunto totalmente em suas mãos e fazerem o melhor que puderem.  Os Grandes Vigilantes e os representantes devem dar conta de todo o dinheiro que recebem e gastam, à Grande Loja, depois do jantar, ou quando a Grande Loja achar ser o melhor momento para tal.  Se o Grão-Mestre assim desejar, pode, no tempo devido, reunir todos os Mestres e Vigilantes de Loja para consultá-los a respeito da grande festa, e acerca de qualquer emergência ou acidente relativo a esta, que requeira aconselhamento; ou então tomar para si a responsabilidade. Esta é a segunda de um conjunto de nove regras dedicadas especificamente à organização da Festa Anual. Das trinta e nova Regras...

Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXIII

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Se se achar conveniente, e o Grão-Mestre, juntamente com a maioria dos Mestres e os Vigilantes, concordarem em realizar uma grande festividade de acordo com o antigo e salutar costume da Maçonaria, então os Grandes Vigilantes devem cuidar de preparar os convites, selados com o selo do Grão-Mestre, enviá-los, receber o dinheiro das inscrições, comprar os materiais para a festa, encontrar um local conveniente, e tratar de tudo aquilo que for necessário a tal evento.  Mas para que este trabalho não seja pesado para os dois Grandes Vigilantes, e de modo a que todos os assuntos sejam cuidados segura e diligentemente, o Grão-Mestre, ou seu Vice Grão-Mestre, podem nomear ou indicar um certo número de ajudantes, tantos quantos achar necessários, para actuar em conjunto com os dois Grandes Vigilantes. Tudo o que tenha a ver com a Festividade será decidido entre estes por maioria de votos, excepto quando o Grão-Mestre, ou seu Vice Grão-Mestre, intervenha dando orientações. Desde o in...