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A conversa que ninguém quer ter

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    Introdução O presente artigo é uma reflexão sobre um artigo que saiu no Financial Times  ( Link do artigo ) e que retrata a realidade da maçonaria regular na Inglaterra, assim como as dificuldades que tem tido no recrutamento e na consequente continuação.    É inegável que a maçonaria teve uma grande importância no desenvolvimento dos ideais iluministas, na forma de pensar e mesmo na conduta dos governos do final do séc. XIX e no decorrer de todo o séc. XX. Desde o seu início em 1717 que a maçonaria esteve empenhada em construir o grande edifício que é a sociedade. Umas vezes construiu edifícios fortes, noutras edifícios mais frágeis, sem nunca, claro está, haver alguma polémica por trás.    A maçonaria regular como irmandade iniciática tem algumas características que a definem: a beneficência e a ritualística filosófica. No que concerne à primeira, há várias associações que o fazem de forma muito eficiente e que dispensam toda a ritualística da ma...

O Peso do Malhete

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Na primeira sessão de Julho, fui eleito Venerável Mestre da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues, e e screver ou até pensar nesta frase ainda me parece estranho. É uma mistura de orgulho, alegria, gratidão e, há que dizê-lo, também de algum peso. Ainda não fui instalado, nem tão pouco me sentei na Cadeira de Salomão ou peguei no malhete de VM, mas penso que comecei a sentir o peso da responsabilidade no momento em que o resultado da votação foi anunciado. Na nossa Loja, como em outras, existe a tradição de o caminho até ao Oriente não aparecer de repente, vai-se fazendo através do exercício de diferentes cargos, primeiro observando, depois ajudando, assumindo responsabilidades e aprendendo a olhar para a Loja de diferentes lugares. É um percurso que se vai preparando e que, de alguma forma, também se vai esperando e até ambicionando. Mas uma coisa é sabermos que estamos nesse caminho, outra é chegar o momento em que os nossos Irmãos são chamados a votar.  Por muito que a tradi...

Como entrei para a Maçonaria e porquê.

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Não sei dizer ao certo quando ouvi falar pela primeira vez da Maçonaria. Talvez tenha sido numa reportagem de televisão, daquelas que falam mais do que explicam, deixando no ar um certo mistério. Ficou a curiosidade e, com o tempo, nasceu uma vontade mais séria de perceber o que estava por trás de tantos símbolos e de tanta suspeita. Mais tarde, enquanto vivia em Inglaterra, comecei a ler com mais atenção. Havia polémicas, é verdade, sobretudo em Portugal, mas também testemunhos de homens que falavam de ética, de esforço pessoal, de um trabalho que era mais interior do que exterior. Em terras de sua Majestade, também via, como os maçons continuavam activos, discretos, mas empenhados em fazer melhor pela comunidade, e isso despertou-me, não para uma aventura, mas para um caminho, um caminho que me pareceu ter método, exigência e sentido. Na altura em que estava a viver na Colômbia, descobri este blog, A Partir da Pedra . Escrevi ao autor de um dos textos que mais me marcou, ainda nã...

E agora... no Facebook!

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Hesitámos durante muito tempo. Chegámos a ter, por duas vezes, projetos de páginas preparados. Das duas vezes não os ativámos publicamente. A rede social Facebook tinha (e tem) vantagens, mas também inconvenientes. Um deles o de parecer, por vezes, "território" em que as normas de boa educação e de convívio social são facilmente menosprezadas, com frequentes comentários em que o insulto soez e a provocação gratuita são moeda corrente. O que não deixa de ser curioso, para além de lamentável, numa... rede social... Decidimos, portanto, aguardar e ser prudentes. Fizemos experiências. Por exemplo, desde há vários anos que coloco na minha página do Facebook ligação para os textos que escrevo e publico no A Partir Pedra. Verifiquei que, felizmente , o número de comentários malcriados ou provocatórios foi baixo e com tendência decrescente ao longo do tempo e que uma política firme de não complacência com violações das normas sociais de respeito e consideração pelos outros -...

"A Maçonaria e as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação..."

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A Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues Nº5, Loja que acolhe os membros deste blogue, encontra-se inserida na denominada e reconhecida Maçonaria Regular, Maçonaria esta com um aspeto mais conservador e tradicional, uma vez que respeita e faz por respeitar os Landmarks maçónicos consagrados pela Grande Loja Unida de Inglaterra. Mas apesar desta Maçonaria ser conservadora nos seus princípios, ela não se tornou arcaica nem deixou de evoluir com a passagem do tempo e teve de se adaptar às mudanças que foram ocorrendo com o progresso da sociedade, nomeadamente no que toca às "Novas Tecnologias". No caso da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues Nº5, para além do blogue que está neste momento a visitar, ela tem também uma página na Internet que pode consultar aqui , para além da Obediência Maçónica em que está filiada, a Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal ter a sua página própria na "rede" que também pode ser visitada aqui . ...

Almoço-Convívio de Solstício de Inverno 6015...

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Teve lugar durante este fim-de-semana o habitual almoço/convívio de obreiros do quadro da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues e seus familiares referente ao Solstício de Inverno, numa localidade a oriente de Palmela. Num dia frio de inverno, mas bastante ensolarado (a Luz "fazia-se notar" e bem!) sentiu-se o calor humano que desponta e emana das relações fraternais e de amizade que se existe entre os convivas. Maçonaria também é isto, confraternizar, consolidar relacionamentos e afetos. Quem participou neste ágape fraternal e familiar saiu dele, talvez, mais "rico", mais "experiente" e quiçá mais "sabedor", só os participantes o saberão. Mas é certo e sabido que certamente saíram de lá contentes e satisfeitos tal a harmonia e a felicidade que pairava no ar, mas principalmente pela amizade que se fazia questão em sentir. Caras que não se viam há algum tempo e abraços que já não se davam por os seus intervenientes não se cruza...

Sessão de Equinócio da Primavera da Grande Loja Legal de Portugal/GLRP…

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Por altura do Equinócio da Primavera, e também celebrando este como o é habitual, reuniu em Assembleia Magna a Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, num local a coberto da indiscrição de profanos. Estiveram presentes bastantes Irmãos provenientes de várias Respeitáveis Lojas e de várias localidades do nosso país, do Norte ao Sul, do Oriente ao Ocidente , como gostamos de dizer em maçonês . Nesta digníssima Sessão Maçónica tratou-se do que havia de se tratar e falou-se do que se deveria falar, ou não fosse ela uma sessão mais administrativa ... Mais uma vez, a Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues nº5  esteve presente com uma parte do seu quadro de Oficiais de Loja bem como com elementos do seu quadro de obreiros que integram o corpo do Grão-Mestrado. De salientar ainda o contributo que esta mesma Respeitável Loja deu em relação à Regulamentação da Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, no âmbito da elaboração de uma proposta de determinado documento, demonstran...

O trabalho da Coluna da Harmonia...

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(imagem proveniente de Google Images) Durante o decorrer de uma sessão ritual maçónica existe o hábito generalizado de existir música ambiente. Música essa que deverá criar certos estados de espírit o aos seus ouvintes para possibilitar uma certa harmonia entre todos os presentes na sessão. A responsabilidade da condução musical numa loja maçónica é do Mestre da Harmonia , o qual também é designado por Coluna da Harmonia . A seleção musical a ser utilizada deverá ser preferencialmente escrita e/ou musicada por autores maçónicos, nomeadamente Ludwig van Beethoven, Frédéric Chopin, Wolfgang Amadeus Mozart entre outros,   mas também pode ser utilizada música de qualquer tipo de autor sem prejuízo para os anteriormente citados. O género musical a ser utilizado também dependerá daquilo a que se proponha fazer o Mestre da Harmonia em consonância direta com o programa da respetiva sessão maçónica; sendo que ao conjunto de músicas que integram o seu trabalho se designar por Pr...

Quinze anos, 10 dias e 12 horas depois

Terminou a contenda, a separação e a desunião.  Já aqui neste blog foi falado e escrito sobre os negros momentos de separação vividos no passado quando aconteceu a cisão em 1996. Não pode acontecer de maneira diversa agora que aconteceu a união. É apenas normal que aqui dela se fale. Este sábado,  15 anos, 10 dias e 12 horas deu-se a junção das duas facções resultantes da cisão de 1996 sob a liderança do MRGM José Moreno, Grão Mestre da GLLP/ GLRP. Nunca a sigla GLLP/ GLRP significou tanto, quanto a partir desse momento. Mas e haverá muito mais a dizer ? Há mas não agora !  E quem sabe se agora a Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues vai ficar novamente completa. Quem sabe se os desígnios do GADU permitirão que a esperança plasmada num documento  cuja maioria da resoluções foi votada unanimemente se torne uma realidade. Quinze anos, 10 dias e 12 horas depois recomeçou o futuro. José Ruah

Deveria ser Instrução em Maçonaria -VII - Mas Não é ! é outra coisa !

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Salvo raríssimas excepções não são publicados neste blog  dois textos no mesmo dia. Hoje é um desses dias.O texto das quartas-feiras, assinado pelo Rui, aparecerá à hora do costume, ao meio dia. Este aparece pela noite, embora a dia 14, porque está escrito “ e foi noite e foi dia “. Ultimamente tenho escrito às segundas-feiras, não o tendo feito propositadamente esta semana porque o tempo não dá para dois textos por semana. O dia 14 de Dezembro é no calendário de 2011 dia de sessão da Loja Mestre Affonso Domingues, mais propriamente dia da primeira sessão do Mês. Este facto na história da Loja só aconteceu nos anos de 2002, 1996 e 1991, isto é a primeira sessão do mês de Dezembro da Loja Mestre Affonso Domingues calhar ao dia 14. Ora, em 1996 apesar de ser dia de sessão, esta não ocorreu.. Analisando as datas ao abrigo do método usado com muito apreço dos leitores e de grande fiabilidade aqui temos então que: A soma dos algarismos da data de 1991 = ...

Instrução em Maçonaria - VI

As minhas desculpas pelo atraso no texto, mas algumas dificuldades técnicas impediram-me de o concluir em tempo util . Continuando a serie sobre instrução em Maçonaria e tendo os artigos anteriores sido essencialmente dirigidos à instrução de mestres e à auto instrução, creio que é momento de abordar a instrução tal como ela é compreendida na sua vasta generalidade. Tradicionalmente são os Vigilantes de cada Loja que estão encarregues de proceder à instrução dos aprendizes e dos companheiros. Não existe uma regra para proceder a esta instrução. Existem Vigilantes mais proactivos e outros mais passivos, às vezes até em excesso que de proactividade quer de passividade. Em minha opinião é melhor ser proactivo que passivo, mas como em tudo há que ter limites. O excesso de proactividade pode ser invasivo do espaço de cada um e pode gerar também reacções adversas ao excesso de trabalho exigido. E como pode um maçon falar em excesso de trabalho !  Pode. Antes de tudo s...

Instrução em Maçonaria - V

E ao fim de uns anos larguei a música. Não que tenha deixado de a ouvir (porque tocar … isso não é para mim) mas porque este ano deixei o cargo de Organista. O Venerável pediu e o meu dever era aceitar o seu pedido e fui consequentemente fazer outras coisas. Foram uns anos, mais de 3. Foi mais que isso, foi um percurso, um estudo e uma evolução. Tive a necessidade de entender sob um outro prisma o que se passava em Loja. A leitura dos rituais não foi suficiente, as ordens de trabalhos insuficientes e muitas vezes incompletas ou tardias, as alterações de ultima hora comunicadas, e as não comunicadas. O esquecimento que esta ou aquela cerimónia tinha também mais esta deslocação ou este momento de silencio. Os momentos de silêncio e sua análise. Podiam ou não ser preenchidos por música? e sendo como ? A aprendizagem de cada momento de cada sessão, a respectiva interiorização e visualização em pensamento e em memória “RAM equivalente” considerando ou pelo meno...

Instrução em Maçonaria - IV

Fico curioso! Eu aqui a falar de uma coisa, essencialmente de métodos que podem até ser transversais a outras áreas do conhecimento e os comentadores (por acaso sempre os mesmos) a comentarem ao lado. Imaginemos por um instante que eu escrevia aqui sobre temas de culinária, aliás exemplo usado por um dos comentadores para explicar a outro qualquer comentador coisa que este ultimo teimava em não perceber, e os comentadores sempre questionando sobre carburadores e cilindros e outros assuntos de mecânica automóvel. E que lendo e relendo o que escrevia, via com clareza que lá estavam métodos de cocção, formas de arranjar alimentos, maneiras de fazer molhos, apreciações objectivas sobre as quantidades dos ingredientes, da farinha, do sal, do azeite e do vinho. Pequenos truques para as especiarias aromatizarem e para os óleos não se queimarem, enfim lendo e relendo e voltando a verificar que o escrito era mesmo sobre o tema anunciado e depois quando chegam os comentários só m...

Instrução em Maçonaria - III

“Estou suficientemente instruído” é, estou certo disso, o que muitos pensam quando chega a altura de estarem em crer que é o momento de passar de grau ou de ocupar uma função. E quando assim pensam abrandam o estudo e a respectiva auto instrução. É, eventualmente, mais recorrente o pensamento nos Mestres, porque acham que como já podem falar, usar da palavra para dizer coisas estão num patamar em que o conhecimento adicional é acessório e que logo deve passar para segundo o terceiro plano. Provavelmente também terei pensado assim, nos idos de 1992 quando atingi o grau de Mestre Maçon e pensei que tinha chegado. Na verdade acabara de partir, de iniciar a grande viagem da Maçonaria, aquela que só termina no momento de passar ao Oriente Eterno. Não percebi isso imediatamente. Demorei a perceber que nessa viagem é necessário reequacionar os fundamentos, reler o lido e voltar a ler novamente. Pensar nas origens, no que levou a que esta ou aquela forma de fazer aparecesse. ...

Instrução em Maçonaria - II

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Ao longo destes anos tenho vindo a constatar que em muitas Lojas há muita dificuldade em debater temas, em comentar pranchas, em usar da palavra. Amiúde essa dificuldade advém de simples desconhecimento do Modus Faciendi,  noutras de uma falsa noção que o uso da palavra se esgota no Venerável e que em condição alguma se deve discordar do seu discurso quase proverbial ou tampouco porque simplesmente não há tema. A instrução começa nestes casos num patamar completamente diferente daquele que é normalmente considerado como o ponto de instrução. Na verdade muitos não se apercebem que é impossível um 2º Vigilante dar instrução, ou melhor que o resultado desse trabalho é quase inconsequente, quando a própria Loja é disfuncional. De que serve estar a dizer como se faz se depois os destinatários dessa informação constatam que não é nada daquilo que ocorre. Mas centremo-nos apenas nos casos em que a dificuldade é o desconhecimento da forma. Nestes casos os membros in...