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A Arteriosclerose de uma loja

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Antes de tudo, convém assentar uma pedra angular: não escrevo estas linhas para defender o abandono do ritual ou a negligência dos nossos regulamentos. Pelo contrário, sou um fervoroso defensor de que a forma protege o conteúdo. O ritual é a moldura que permite à Loja operar num tempo e espaço sagrados, distintos do profano. Eu não proponho a anarquia, mas a vitalidade. Não questiono a regra, mas o "preciosismo cego" que, sob o pretexto de zelar pela perfeição, acaba por assassinar o espírito real da fraternidade. Na medicina, a arteriosclerose refere-se ao endurecimento das artérias. As paredes, que deveriam ser flexíveis para permitir a circulação do sangue, tornam-se rígidas, estreitas e, eventualmente, bloqueiam o fluxo, levando à morte do tecido ou à falha do órgão. Na Loja, enfrentamos um risco semelhante. Quando o foco de uma sessão se desvia do aprimoramento moral e do calor da fraternidade para uma discussão vazia sobre a vírgula de uma ata ou o alinhamento preciso d...

Polimento da Pedra - Imigração

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A história que vou contar passou-se há muitos anos numa guilda, algures na história do mundo. Estávamos ainda na construção do 1º templo de Salomão. O Mestre Arquiteto do Templo já não era Hiram Habiff... ...mas essa história... Bem, fica para outra ocasião. As guildas eram compostas por pessoas com a mesma profissão que se juntavam para debater assuntos de variada ordem, laboral e não só. Esta guilda tinha um nome hebraico ”ha-moreh” 1  e era a guilda de Noah, o Aprendiz que estava a estudar os instrumentos da arte da pedraria e que já se encontrava num estágio avançado da sua formação. Num certo dia de luz os obreiros juntaram-se para tomar a refeição e discutir alguns dos assuntos que os preocupavam. Paulo um dos Oficiais da guilda, conhecido pela sua justiça e imparcialidade, era um dos elementos que pautava pela união e alegria daquele grupo. Era ele que orientava Noah nos seus trabalhos. Pedro, outro oficial da guilda, era reconhecido entre todos como uma pessoa que pautava a...

Quando a forma engana a essência

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 "Quem acolhe um lobo julgando tratar-se de cão, descobrirá tarde demais que não é o latido que o define, mas os dentes." Às vezes, abrimos a porta a alguém que não iniciou pelo nosso caminho iniciático., chega por transferência de outra, tudo regular, tudo conforme. Inquirido e Iniciado por outros irmão. Confiamos, porque queremos confiar, porque a confiança é parte do que somos e, talvez, porque baixamos a guarda quando um Irmão nos é apresentado por outro. O processo foi cumprido, não houve irregularidade formal, mas falhámos no essencial. Devíamos ter esperado, devíamos ter observado, devíamos ter conhecido antes de acolher. Não o fizemos. Era prático, parecia seguro, mas principalmente porque confundimos silêncio com humildade, e dicção com profundidade. Esse Irmão, ou ex irmão, antigo irmão, "reprofano", lia actas como ninguém, também pranchas o deveria fazer, mas nunca o ouvi. Tinha boa voz, tom grave, ar seguro, mas não construía um pensamento, não ligava id...

Um maçon nunca está sozinho

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Quando o meu avô morreu, a meio da sua nona década de vida, comentou-me uma das minhas tias: "O avô morreu três vezes. A primeira foi quando a avó morreu. A segunda foi quando se apercebeu de que era o último dos da geração dele que ainda estava vivo. E a terceira foi agora." E continuou: "Sabes, há um par de anos foi ao funeral de um dos amigos de infância, e quando olhou em volta, viu-se sozinho. Aqueles com quem ele cresceu, os que fizeram a escola ao mesmo tempo... já tinham ido todos. A partir daí, limitou-se a ficar à espera." Confesso que senti um arrepio ao imaginar como seria sertir-me assim. Anos volvidos, estou bastante mais seguro de que tal não me acontecerá. Não porque tencione morrer cedo - nunca se sabe, mas não tenho grande pressa... - mas porque os meus amigos não estão todos na mesma faixa geracional; é certo que tenho uns quantos amigos chegados que são de idade próxima da minha, mas a gama de idades dos que me são próximos é bastante ala...

FRATERNIDADE MAÇÓNICA

     Esta será a minha primeira colaboração neste “Blogue” que considero como um “esclarecedor”, para quem o frequenta e lê, do que é e deve ser a Ordem “Discreta” da Maçonaria em Portugal. Assim resolvi apresentar um pequeno “Artigo” sobre um tema que eu considero de possível interesse para um leitor interessado nestes assuntos. O titulo será: FRATERNIDADE MAÇÓNICA Quando se fala de “Fraternidade Maçónica”, para mim, tem um  significado muito mais para “além” de considerarmos os maçons de: Todos Irmãos! Consideramos como são “Irmãos”, porque foram “escolhidos” para tal, onde, alem do sentimento fraterno de irmão para irmão, como se tem com um irmão de família, neste caso são escolhidos, não por razões familiares, mas sim por poderem ter “potencialidades” de atuar, fazer, ou dar, não só “Amizade”, não só “Conforto”, não só ”Caridade”, não só “Amparo”, mas antes e ainda mais, que algo que está inerente a qualquer pessoa bem formada vivendo em comum! Devem...

Fraternidade

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Mas afinal em que consiste a apregoada Fraternidade dos maçons? Fraternidade é um espaço, uma cultura, uma postura, um sentimento, que junta um conjunto de pessoas numa teia de relações similares às que se criam ente irmãos de sangue. Tal como os irmãos no seio de uma família, brinca-se, exerce-se o mútuo auxílio, colabora-se, ajuda-se o outro a crescer e cresce-se com a ajuda do outro. Mas também tal como os irmãos no seio de uma família, discute-se, amua-se, têm-se zangas e reconciliações, disputas e alianças. Fraternidade não é um oásis de sol e delícias. Fraternidade é a vida vivida em conjunto, com união mas também com busca de cada um do crescimento da sua individualidade no seio do grupo. Fraternidade implica que quando um dos nossos é injustamente acusado nos levantemos, com indignação, em defesa da honra de quem sofreu o ataque da injustiça. Mas também implica que, quando um dos nossos erra e acusa injustamente alguém, seja severamente criticado. Porque, afina...

"A Irmandade Maçónica"

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A forma habitual de tratamento entre maçons é por "Irmãos". Irmão porque a Maçonaria é uma fraternidade, logo traduzido literalmente "fraternidade" por "irmandade", sendo os "fraters", "irmãos" entre si. Todavia, mesmo não sendo  irmãos de sangue  - que os há! - e inclusive de não fazerem parte da mesma família sanguínea ou por adopção, os maçons sentem-se como tal, como membros integrantes e plenos de uma "família universal". E daqui vem o seu  espírito de corpo  (de corporação, de corporativismo).  E aproveitando este termo também, porque a Maçonaria atual tem as suas origens nas corporações medievais de pedreiros e artificies que trabalhavam na construção civil à época onde nas quais os seus membros se sentiam também como irmãos por partilharem o mesmo ofício e os seus  mistérios ... Enquanto os "construtores de catedrais" trabalhavam efetivamente a pedra em si, os atuais maçons laboram a "pe...

O que os maçons acreditam?

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Como utopia pessoal, cada maçom propõe elevar seu status para ser social, na medida das suas próprias competências, guiado por uma escola iniciática que fundou-a sobre princípios morais. Acredita na necessidade de tolerar a opinião contrária, respeitando a diversidade de crenças religiosas e diferentes filosofias de vida. Então, acredita em tolerância como resseguro à liberdade de pensamento, ela age como uma rede de contenção nos debates e teste, tornando-se permanentemente formado, Maçom em um homem com a capacidade de ouvir, compreender e agir. Acredita na democracia como uma teia onde as diversas formas de pensamento e de crenças que estão interligadas dentro de que, tendo respeito pelos outros e tolerância de divergência, como propõe uma sociedade fraterna e progressista. Eu, Mestre Maçom acredito na ciência, como representante do progresso, mas guiada por valores eternos como a igualdade de Justiça;lealdade sobre a igualdade de oportunidades. Acreditar n...

Porquê "meu irmão", e não "meu amigo"? (republicação)

Tenho andado a fazer uma "reciclagem" de  alguns dos textos que eu considero oportunos para serem republicados de tempos a tempos para nova leitura ou para uma "leitura em primeira-mão". Tais textos, por norma, já têm bastante tempo passado desde a sua publicação original, logo deste modo, alguns leitores poderão nunca os ter lido por se encontrarem no "arquivo" do Blogue, e dada a sua contemporaneidade, considero que devem novamente "vir a lume" como é usual se dizer. Posto isto, o texto de hoje foi escrito pelo  Paulo M.  e pode ser consultado no seu original  aqui  . " Porquê "meu irmão", e não "meu amigo"?  Os maçons tratam-se, entre si, por "irmão", tratamento que é explicitamente indicado a cada novo maçon após a sua iniciação. Imediatamente após terminada a sessão de Iniciação é normal que todos os presentes cumprimentem o novo Aprendiz com efusivos abraços, rasgados sorrisos e, entre rep...

Relacionamento “inter-frates”

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O texto que hoje publico é motivado por um agradável  convívio  entre pessoas que observam os mesmos  princípios  e costumes de vida em que tive o prazer de participar e para o qual fui amavelmente convidado. Aliás, pelas presenças neste encontro quase que me apraz dizer que se tratou de um “almoço de família”… Fica assim desta forma aqui explicitado publicamente o meu agradecimento a quem organizou tal refeição. Posto isto, vou " aflorar " um pouco acerca do relacionamento maçónico entre irmãos. Noutra ocasião – noutro texto – já tive  a oportunidade de abordar o relacionamento entre maçons e suas  famílias  particulares, por isso venho agora focar-me noutro ponto deste mesmo tipo de relacionamento. Os maçons consideram-se irmãos entre si, logo dessa forma, como partes integrantes de uma “grande família”, que também é assumidamente universal. É habitual após a realização das reuniões/sessões maçónicas existir uma refeição ...

Sugestão Musical para a Coluna da Harmonia “Los Hermanos” de Atahualpa Yupanqui...

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A música que hoje publico, “Los Hermanos” , e que  em relação à qual  poderia ter feito a sua respetiva análise quanto à  simbólica  maçónica que se pode encontrar nela, não a farei. E não a farei apenas porque o simbolismo intrincado nela é bastante explícito, bem como quero deixar ao critério de quem a ouve ou mais abaixo lê a sua letra, fazer esse tipo de exercício. Esta canção pertence a um autor, compositor e músico argentino que nunca foi membro da Maçonaria, tendo sido   inclusive  perseguido e encarcerado pelo regime de Juan Domingo Péron (que era maçom) por ter pertencido durante algum tempo ao Partido Comunista Argentino. O autor desta canção, o argentino Héctor Roberto Chavero (31/01/1908-23/05/1992), mais popularmente conhecido por “Atahualpa Yupanqui” , legou-nos uma música que eu não poderia deixar de salientar neste espaço e também de a enaltecer, dada a beleza e o sentido fraterno contidos  nela. (Para quem afirmo...

Formalismos na Maçonaria…

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(imagem proveniente de Google Images) Na Maçonaria existe o costume de os seus membros se tratarem por irmãos ou manos , uma vez que a Augusta Ordem Maçónica é uma Irmandade de carácter fraternal. Mas para além deste hábito, existe outro que costuma fazer alguma confusão aos recém-chegados. É o facto de todos no seu trato habitual se tratarem por “tu”. Independentemente da idade, do grau ou da  qualidade maçónica   (cargo que se represente em Loja ou na Obediência) , todos, mas mesmo todos,  se tratam por “tu”. Enquanto na vida profana é habitual  as pessoas tratarem-se com alguma deferência, nomeadamente tratarem-se por “você” ou por “senhor” ou até mesmo pelo título académico que detenham, na Maçonaria não existe esse distanciamento pessoal. Quando se aborda um irmão, é por “tu  isto …” ou “tu  aquilo …” É “tu” e prontos! Isto por si só, é uma demonstração que aos maçons não interessam os cargos ou as profissões que um irmão desempen...