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A prece e a Maçonaria

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 O texto Oração para qualquer crente de qualquer crença recebeu, num grupo fechado de uma rede social, o seguinte comentário:   Esta "oração" pode ser lida (interpretada) por qualquer crente de qualquer religião, mas no seus redutos afins. Em maçonaria não! A maçonaria não é uma religião. Nos seus templos não devem (não podem) existir orações do tipo religioso. Ainda que em ritos com tendência religiosa este género de orações possam existir, isso será apenas uma particularidade (corpos rituais). Quando a maçonaria enveredar por esse caminho estará acabada (para o país ou obediência que tome esse caminho). Fernando Pessoa não era maçon, embora não fosse leigo. Respeito em absoluto esta opinião, que exprime, de forma correta, um ponto de vista diverso do meu. Concordo, aliás, com a afirmação de que a maçonaria não é uma religião, bem como com a informação de que Fernando Pessoa não era maçom. Mas, pontuadas estas concordâncias, mister é acentuar também onde, c...

Contradição fundamental

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A Maçonaria regular só admite no seu seio crentes. Deixa, porém, ao critério de cada um a crença concreta que cada um professa, nada lhe importando a forma como cada um vive a sua crença. as obrigações que respeita (ou infringe...), a forma como se organiza (ou não) a estrutura que porventura enquadre a prática da religião professada, nem sequer a designação que cada um atribui à divindade que concebe e em que crê. Por isso, adotou uma forma de se referir à Divindade por cada um venerada, que é independente da designação utilizada em qualquer religião e que pretende seja reconhecida por cada crente como referindo-se à Divindade da crença que professa: Grande Arquiteto do Universo. Assim, para a Maçonaria, um maçom pode perfeitamente, sem problemas ou reservas, ser católico, batista, anabatista, mórmon, pentecostal, evangélico, luterano, calvinista, testemunha de Jeová, muçulmano, judeu, hindu, ou o que quer que seja. A sua crença é do seu foro íntimo e é com ela que se junta a...

"Páscoas"...

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Depois de findo este tempo de “passagem” pela Páscoa, não importando tanto qual, se a Pessach, a Páscoa Cristã ou inclusive a “Páscoa” pagã, o que me importa reter é a reflexão que nos pode ser proporcionada pela vivência desta dita quadra festiva. Tanto judeus como cristãos e pagãos celebraram por estes dias, algo que nas suas praxis  religiosas convida à partilha.  Nos povos judaicos e cristãos é hábito as famílias se juntarem à mesa e repartir o pão – a “comida”- numa ceia que para cada um destes povos tem um significado especial.  Os judeus partilhando o pão ázimo é lhes relembrado não só o tempo de exílio pelo deserto do Sinai após a sua “fuga” do Egipto, mas principalmente e também,  a passagem do anjo que “condenou” os primogénitos egípcios, após a “maldição divina”. Por sua vez, os povos que baseiam a sua religião no Cristianismo, habitualmente na quinta-feira de Endoenças (mais vulgarmente conhecida por quinta-feira santa), também costuma...

O "Grande Arquiteto Do Universo" é uma divindade maçónica?

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É conhecido o facto de os maçons se referirem ao Criador como o "Grande Arquiteto Do Universo". Todavia, muitos equiparam essa expressão a outras, próprias de cada culto ou religião, no sentido de considerar o "Grande Arquiteto Do Universo" uma "divindade maçónica", assim como se pode dizer que Krishna é o nome de uma divindade Hindu, Allah o nome da divindade muçulmana, ou YHVH o nome da divindade judaica. A expressão "falsos deuses" é paradigmática de uma postura de intolerância perante uma fé distinta da de cada um, segundo a qual "se o meu Deus é o verdadeiro, os dos outros só podem ser falsos". A postura da maçonaria a este respeito é a de que  a Divindade é única, não obstante cada um Lhe chamar nomes diferentes. Assim, para um maçon não há "falsos deuses", mas antes distintas interpretações do divino; se são falsas ou não, é matéria não de discussão, mas de respeito e tolerância pela diferença e diversidade. ...

A Maçonaria e o Culto Solar

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"Todas as grandes religiões professam uma filosofia que (...) continua a tratar e a ensinar o Culto Solar e a forma como o Sistema Solar se Comporta.. (...) Hoje sabemos também que a posição do Sol em relação aos outros Eloíns ou planetas também nos afecta e conforme os Anjos, ou ângulos relativamente entre eles, produzem efeitos no comportamento quer ao nível do nosso planeta, quer ao nível do nosso corpo.  É claro que em Maçonaria, essas representações Alegóricas tem essas metáforas baseadas em «questões Morais». (...) Eu aceito que o Paulo e outros maçons, não possam falar abertamente sobre estas coisas em público...  (...) agora custa-me a aceitar e a perdoar que este conhecimento se mantenha Oculto, tudo fazendo para programar as massas não as educando ou reservando só para si, a chave de muitos problemas que afectam a nossa civilização." (de um comentário recente do Streetwarrior, que tomei a liberdade de abreviar) O nosso leitor Streetwarrior apresent...

Exortação solsticial

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Seria bom, mas não podemos esperar que todos os templos sejam utilizáveis e utilizados pelos crentes de todas as religiões. É bom que, como referi no texto da semana passada, esteja projetado num hospital português um espaço de assistência espiritual e religiosa concebido para ser utilizado pelos crentes e ministros de todas as religiões, mas essa é (ainda?) uma exceção. Deve-se aspirar a que a tolerância religiosa seja, mais do que um facto, uma naturalidade, e que locais de culto utilizáveis e utilizados por crentes de todas as religiões não só existam, como sejam uma banalidade. Mas o ótimo é inimigo do bom e não devemos confundir sonhos e aspirações com a realidade. Até que a tolerância religiosa seja tão banal e tão natural que se entenda, sem rebuço, que o que importa é que cada um cultue o Criador e não a forma como o faz e seja comummente entendido que o espaço de culto pode ser indiferentemente utilizado pelos crentes de qualquer religião, muitas águas passarão debaix...

Uma realidade próxima

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Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. (Fernando Pessoa - verso inicial da Segunda Parte / Mar Português, da Mensagem ) Na sequência do texto da semana passada, mão amiga proporcionou-me o acesso ao relatório e contas relativo ao ano de 2009 do Hospital de S. João, no Porto, que foi ultimado em 26 de março de 2010. Na página 106 desse relatório, inserida no capítulo Responsabilidade social e sob as epígrafes Outros - Religião, pude ler: No Hospital de São João, já há muitos anos que padres e ministros de outras religiões acompanham espiritualmente os seus crentes, num apoio personalizado que pretende ajudar a suportar o sofrimento. No dia seguinte ao internamento, os doentes são visitados por voluntários que lhes propõem assistência religiosa, seja qual for o credo: católico, islâmico, hindu, judaico, budista, baha'i ou de outras confissões cristãs. O espaço de culto ainda é a capela católica, mas em breve haverá um lugar multirreligioso que poderá ser utilizado p...

Um sonho meu

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Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança. (estrofe final de Pedra Filosofal , de António Gedeão) Eu acho que sei e, por isso, sonho. A dormir e, muito, acordado. A Pedra Filosofal é um dos meus poemas preferidos, onde sempre renovo o meu, espero que incurável, otimismo. Estando acordado, ter sonhos de progresso, de esperança, de fraternidade, não é ingenuidade nem perda de tempo. É, sobretudo, confiança - confiança em nós, na nossa comunidade, na Humanidade. Transmitir os sonhos que acordados temos aos outros é dar-lhes a possibilidade de serem partilhados, adotados, fortalecidos, poderem porventura ganhar massa crítica que os materialize em realidades. Se de mil sonhos dos que sonhamos acordados apenas um deixar o mundo etéreo das aspirações e, pedra a pedra, se for construindo, já se tem ganho, já existe pulo, já há avanço. Por isso, eu, impenitente otimista,...

Perceção, verdade e tolerância - V (conclusão)

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A Maçonaria não pretende, ao contrário da Religião, tratar da relação entre o Homem e o seu Criador; apenas trata da relação entre o Homem e o Homem. Nascida em tempos conturbados de guerras fratricidas de origem  religiosa, a Maçonaria tinha - e tem ainda hoje - o propósito de estabelecer entre homens bons uma ligação mais forte do que as forças que os afastam em virtude das diferentes fações - religiosas, partidárias, ideológicas ou outras - a que os mesmos pertençam. A Maçonaria procura, nesse sentido, estabelecer um meio-termo, um máximo denominador comum, um common ground com que todos se identifiquem, que a todos inclua e a ninguém deixe de fora. Quando James Anderson foi incumbido de compilar e redigir as regras e regulamentos da Maçonaria, escreveu: "Um maçom é obrigado, pela sua condição, a obedecer à lei moral, e se compreender corretamente a Arte, nunca será um estúpido ateu, nem um libertino irreligioso. Mas, embora em tempos antigos os maç...

Perceção, verdade e tolerância - IV

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"Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do Iluminismo."  disse Kant. Deste lema pode também apropriar-se a maçonaria. Esta esteve na linha avançada do Iluminismo, promovendo as ciências, as artes e a razão ao serviço do Homem. Esta tríade tem de facto vindo, paulatinamente, a dar-nos cada vez mais e melhores meios para entendermos o mundo de forma objetiva, permitindo confirmar - e refutar - muitas das convicções que antes tínhamos sem que as pudéssemos provar. Se - como afirmam alguns - a ciência tem vindo a "tentar tirar o lugar a Deus", explicando e atribuindo a fenómenos naturais o que dantes era do foro do maravilhoso e do sagrado, não era senão de esperar que o entusiasmo de uns se tornasse no anátema de outros, tornando o choque inevitável. Esse choque foi interiorizado de formas diversas em diferentes culturas. Em França deu origem a um anticlericalismo feroz, cujos princípios estiveram na génese da Maçonaria Liberal. Na Alemanha...

Dos demónios e falsos deuses

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É infelizmente frequente - e, na última década, tem-no sido mais do que nas anteriores - ouvir-se os seguidores de uma religião atacarem e denegrirem os seguidores de outras. De cada lado se vê quem, aferrado às suas "razões", esgrime argumentos teológicos, brande razões sociais e antropológicas, e por fim crava os ferros do mais baixo e vil preconceito. Em cada fação se incita o espírito de cerco, se exacerba a diferença entre o "nós" e o "eles", e se exorta ao ataque e à conquista (pela força, claro) do outro, do herege, do infiel, do adorador de demónios. Sim, que quase todas as religiões, de um modo ou de outro, reclamam a posse da Verdade, o monopólio do Caminho, a exclusividade da Luz - o que, infelizmente, é interpretado por muitos como "quem não é dos nossos está condenado". Um dos pilares de base da maçonaria especulativa, desde que esta existe, tem sido, precisamente, a oposição a este mindset , a esta forma mesquinha de gerir a dive...

A Maçonaria não é uma religião

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M. A., em comentário a O maçom e a Religião , formulou as seguintes questões: Sendo a Respeitável Loja um espaço sagrado, para os maçons, um espaço onde se executam determinados rituais (agora não em causa) e um templo, não será a Maçonaria, ela mesmo, uma religião? Não será a fusão das várias religiões, profanas, na cultura de um único grande Arquitecto, também um movimento orgânico de criação de uma religião própria, em alternativa às várias confissões, religiões existentes? Não será esta uma forma de criar uma religião alternativa, agarrada a um lema, “profano”, da necessidade de o homem se tornar livre, honrado e mais culto, uma forma de “angariar novos membros para essa tal e hipotética nova religião? As perguntas colocadas e as respostas que tenho para elas fazem-me lembrar uma peça processual que há muitos anos vi, escrita por um antigo, patusco e bem-humorado Advogado, uma contestação a uma ação em que eram alegados três factos. Escreveu então o meu bem-humorado Cole...

O maçom e a Religião

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A Maçonaria não é uma religião. Mas a Maçonaria Regular lida com a espiritualidade e, nesse sentido, atende inevitavelmente à conceção religiosa dos seus obreiros. Tal como em relação à Política, é vedada, no seio da Maçonaria Regular, toda a discussão ou controvérsia religiosa. Mas, sendo uma agremiação em que apenas são admitidos crentes, obviamente que a espiritualidade, em geral, e as convicções religiosas, em particular, são objeto da atenção dos maçons. Como procedem então os maçons para satisfazer o seu interesse na espiritualidade e nas convicções religiosas sem violar a proibição de discussão ou controvérsia religiosa? De uma forma espantosamente simples e de uma eficácia comprovada ao longo de centenas de anos: estabeleceram o denominador comum e, para além dele, deixam ao íntimo de cada um as respetivas opções. O maçom Regular é crente num Criador do Universo. Esse o denominador comum. Quais as características, poderes, atuações, propósitos, intervenções, etc., do ...

Maçons e controvérsia sobre religião

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Os princípios existem para serem seguidos sem desvios. Por isso são princípios. Os princípios enformadores da Maçonaria Regular, os Landmarks, que por vezes também designamos pela Regra dos Doze Pontos, existem e são observados desde há centenas de anos. Um desses princípios é o sexto Landmark, a que já dediquei um texto e cujo teor aqui agora reproduzo: A Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das opiniões e crenças de cada um. Ela proíbe-lhes no seu seio toda a discussão ou controvérsia, política ou religiosa. Ela é ainda um centro permanente de união fraterna, onde reinam a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam estranhos uns aos outros. Recordei que este basilar princípio existe para ser aplicado em todas as circunstâncias há poucos dias. No último parágrafo do texto Escada em caracol escrevi, erradamente, que "(...) a escada em caracol não deve ser confundida com a escada de Jacob, símbolo eminentemente cristão, (...)". Atento, o ...

A Regra de Ouro

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Para os cristãos, a semana que passou foi a Semana Santa. Outras religiões têm dias, semanas meses ou outros períodos que consideram santos, sagrados ou de assinalar. Faz parte da convicção religiosa assinalar, marcar determinados períodos de tempo destinados a condutas e celebrações que buscam a aproximação do Homem com a Divindade. É uma boa ocasião para publicar aqui no A Partir Pedra uma imagem que me mandou o Simple Aureole . Como ele, considero-a significativa e interessante. E um bom exemplo da razão por que a Maçonaria considera igualmente respeitáveis todas as convicções religiosas. A Regra de Ouro, ou ética da reciprocidade, como muito bem a designa o Simple Aureole , mostra-se presente nas principais convicções religiosas do Mundo. Monoteístas, politeístas, deístas, teístas, ocidentais, orientais. A imagem acima reproduzida é elucidativa (clicar sobre a imagem para a aumentar). Abaixo, fica a tradução do texto. Traduzo da esquerda para a direita, de cima para baixo. A ord...

Serei crente?

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Já aqui fiz referência ao excelente blogue Grémio Estrela d'Alva . É um blogue que continuo a visitar regularmente, sempre com com gosto e proveito. Deparei há dias com um notável texto intitulado Serei ateu? , que me inspira o texto de hoje. Não é uma resposta, nem uma manifestação de desacordo - pelo contrário! O meu propósito é tão somente complementar as ideias expressas naquele texto com o meu, de algum modo simétrico, entendimento. Daí, aliás, a escolha do titulo deste meu escrito... Mas, para bem entender ao que aqui venho, faça o leitor, antes de mais, a fineza de aproveitar o atalho que acima coloquei e ler o dito texto Serei ateu? , da autoria de Carl Sagan . Vale a pena! Já está? Prossigamos, então! Ao ler o referenciado texto de Carl Sagan, a minha primeira reacção foi de admiração por ser possível uma tão grande comunhão de pensamento entre duas pessoas que, de alguma forma, estruturaram a sua forma de ver o mundo a partir de pressupostos opostos:...