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A mostrar mensagens de outubro, 2010

O 1º dia como Venerável Mestre

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Caros Leitores Ser Venerável Mestre de uma loja é, em si, um motivo de orgulho, já que significa que os restantes Irmãos da Loja nos aceitam e nos confiam a orientação da Loja, durante um Veneralato; ser Venerável da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues é, em meu entender, mais do que isso. Vejamos: A RLMAD é uma das mais antigas Lojas que integram a GLLP/GLRP. A RLMAD é uma das Lojas mais activas, tendo sido pioneira em muitos aspectos, dos quais a presença activa na Internet constitui um excelente exemplo A RLMAD é uma Loja de referência, dado o rigor e dedicação com que se envolve em tudo. Como exemplo deste facto, pode-se destacar um determinado período da sua vida em que era a única Loja a fazer iniciações. Na RLMAD, discutem-se forte e veementemente todos os assuntos, sendo que essas discussões são sempre balizadas pelo forte sentimento de tolerância e amizade que une os Irmãos ... Face ao acima exposto, creio que fica claro que assumir o Veneralato nesta Loja, trás consigo...

O Vigésimo Primeiro Veneravel Mestre

Tem o cronista, para o efeito eu próprio, que começar por pedir desculpa por em tempo devido nao ter anunciado a eleição do ora empossado Veneravel Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues. Na sessão de 27 de Outubro, foi instalado o Irmão A.Jorge, ele também cronista deste blog e editor do sitio internet da loja. Nao foi por isso que foi eleito e instalado, foi mais porque durante 12 anos, tempo que intervalou a sua iniciação em Outubro de 1998 e a sua Instalaçao como VM, progrediu desempenhou quase todos os cargos de Loja, aprendeu, ensinou, trabalhou. A sua instalação é um corolário da sua disponibilidade para com a Loja. Dele esperamos trabalho, e progresso, serenidade e seriedade. Para mim, que ha 12 anos atrás assinei a sua ficha de candidatura, assumindo-me como proponente, foi um privilégio enorme poder ser o Mestre Instalador. Da Loja, sabe ele já que receberá tudo o que houver para dar, A Loja ao escolhe-lo sabe bem que o espremerá para que dê tudo o que tem para dar. É assim ...

Regra particular

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Cada agrupamento humano institui as regras que lhe convêm. Por vezes, uma instituição adota uma regra que normalmente não é adotada, que muitas outras não consideram boa - mas que se revela adequada à instituição que a adota, em função das suas particularidades. Na GLLP/GLRP, desde a sua fundação, vigora uma regra que não é comummente adotada - e que não creio que fosse saudável a sua adoção generalizada. Essa regra postula que, no processo eleitoral para a eleição do Grão-Mestre, efetuada a votação e contados os votos, apenas seja divulgado quem foi eleito Grão Mestre, não se divulgando o concreto resultado quantitativo da eleição - isto é, o número de votos recebido por cada candidato. Mais, os elementos que integram a assembleia de apuramento dos resultados - composta pela Comissão Eleitoral e pelos candidatos ou seus representantes - ficam obrigados a rigoroso dever de sigilo quanto a esse resultado quantitativo. Esta regra evidentemente não é adequada para a generalidade dos caso...

A interpretação e significado dos símbolos maçónicos

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Hermann Rorschach foi um psiquiatra suiço que viveu entre 1884 e 1922, e que ficou conhecido pelo seu trabalho sobre o significado psicológico de interpretações dadas a manchas de tinta, tendo desenvolvido para isso uma técnica que tomou seu nome: o teste de Rorschach . Este teste baseia-se na chamada "hipótese projetiva", de acordo com a qual a pessoa a ser testada, ao procurar organizar uma informação ambígua (ou seja, sem um significado claro, como as pranchas do teste de Rorschach), projeta aspectos da sua própria personalidade. O intérprete (ou seja, o psicólogo que aplica o teste) teria assim a possibilidade de reconstruir os aspectos da personalidade que teriam levado às respostas dadas. Dito de outro modo: confrontado com um objeto sem um significado previamente estabelecido, o sujeito atribui-lhe uma conotação, uma semântica, um sentido que decorre, essencialmente, de si mesmo, não tendo que ser - e frequentemente não sendo - uniformes e invariáveis os significados ...

A Maçonaria nos dias de hoje

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A Maçonaria teve historicamente o seu auge, em termos quantitativos, após o final da Segunda Guerra Mundial. Tinham-se vivido anos de horror e de violência inauditos. Os sobreviventes dos combatentes no conflito necessitavam de manter a camaradagem, a união, o espírito de corpo, que sentiam ter possibilitado a sua sobrevivência. Uma das formas que, sobretudo nos países anglossaxónicos, acharam para o fazer foi buscar a admissão nas Lojas maçónicas e aí praticarem essa particular forma de camaradagem que inexoravelmente os marcou. Por outro lado, os horrores vividos e assistidos mostraram a muitos e muitos a necessidade de um espaço de convivência sã e de aprimoramento ético. Quem conviveu com o mal aprecia mais plenamente o bem! O pós Segunda Guerra Mundial foi assim um período de grande florescimento da Maçonaria, em que os números dos maçons cresceram até atingirem níveis nunca antes historicamente atingidos. Mas a vida é feita de ciclos! A essa fase de crescimento seguiu-se - inexor...

Como se pode - ou não - falar de religião em loja

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A proibição de discussão religiosa em loja é assunto reiteradamente debatido. Não há, todavia, como o exemplo para ilustrar o princípio. Quando procurava uma ocorrência - real ou fictícia - que não soasse forçada, recebo um simpático cumprimento feito por um leitor aqui num dos comentários: "Que o Senhor lhe conceda discernimento para encontrar a verdade que liberta e está em Cristo Jesus!" . Nem de propósito. Este cumprimento, feito sem qualquer dúvida com a melhor das intenções, consubstancia, precisamente, o tipo de discurso que, apesar de socialmente admissível fora de loja, não o é numa loja maçónica. Mas porque é que um simples cumprimento como este - que até é auspicioso, traduzindo os desejos de que suceda ao seu destinatário uma coisa que o emissor tem por positiva - não é admissível em loja? Vejamos com mais atenção o que se diz. "Que o Senhor"... Até este início insuspeito pode gerar controvérsia; se, por exemplo, se pertencer a uma religião que denom...

"Sim, mas o que é que fazem na cama?"

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Imaginem um celibatário virgem a tentar entender o conceito de "casamento" explicado por um homem casado. "- Ouvi dizer que as pessoas casadas fazem coisas esquisitas na cama. O que é que fazem na cama?" "- Isso não é, de modo algum, o mais importante. De qualquer modo, as pessoas casadas não costumam falar disso a pessoas que não são casadas, e as outras pessoas casadas sabem suficientemente do que se trata para que não seja necessário discuti-lo." "- Porquê? É segredo? Dê-me lá só um exemplo, para eu ter uma ideia." "- O que se passa no leito conjugal é do foro da intimidade do casal, e não é para ser discutido por estranhos. De qualquer modo, o essencial é a camaradagem, que de tão intensa nos leva a pertencer um ao outro. É esse o nível de comprometimento." "- Pois, eu tenho grandes amigos, mas não abdico da minha liberdade..." "- A liberdade não se perde; passa-se é a decidir em conjunto, e em função um do outro. Ao...

Maçonaria e Modernidade

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Modernidade não é substituir o antigo pelo novo. É adicionar o novo ao antigo. A Maçonaria, herdeira das tradições dos construtores de catedrais da Idade Média, soube, no século das Luzes, reinventar-se, evoluir para a sua atual forma de Maçonaria Especulativa, assumindo a modernidade do Iluminismo sem deixar cair o acervo das tradições, da ética, dos costumes, dos maçons operativos. Neste dealbar de novo século e milénio, no findar da sua primeira década, importa refletir sobre o papel da Maçonaria num Mundo que evolui e se transforma a um ritmo nunca dantes visto, com um avanço tecnológico ímpar na História da Humanidade, mas também com riscos e desequilíbrios de uma dimensão global, também novos, em tão ampla escala. Importa refletir sobre a melhor forma de bem utilizar as Novas Tecnologias de Informação. Importa refletir sobre como integrar os novos conhecimentos, os avanços científicos, as evoluções sociais, no paradigma maçónico. Importa refletir sobre o papel, o interesse, a con...

Vida em sociedade: confiança vs. ordem?

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A população mundial há apenas 200 anos era 8 vezes menor do que é hoje. Recuemos alguns milénios e veremos a população mundial reduzir-se a poucas dezenas de milhões, número que hoje associamos a uma grande cidade. Primeiro nas tribos nómadas, depois nas aldeias após o advento da agricultura, agremiavam-se poucas dezenas de pessoas que se conheciam e conviviam do berço ao túmulo. Não havia como se esconder numa pequena povoação; mais valia não se ter nada a ocultar. Sabia-se precisamente quem eram "os nossos" e quem eram "os outros", os "da casa" e os "de fora". Se algo a isso obrigava, tinha que se fugir para outra povoação mais longínqua; não havia como permanecer e passar despercebido. Esse facto condicionava fortemente o comportamento das pessoas, que agiam em função da reação da comunidade, que por seu lado estava vigilante e atenta (sempre houve coscuvilheiras...) e caía implacavelmente em cima do prevaricador. Como a Terra não estica, o ...

Ainda os Altos Graus

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Mesmo depois de tudo quanto foi já explicado quanto à natureza dos Altos Graus e à sua vacuidade de poder, poderão restar ainda algumas dúvidas facilmente sanáveis. Desmontemos então, uma por uma, as bases em que tal argumentação se sustenta. Em primeiro lugar, os Altos Graus estão, muito democraticamente, ao alcance de qualquer mestre maçon que seja suficientemente empenhado para investir o seu tempo e o seu dinheiro (sim, que os aventais, luvas e demais adereços não são de graça, e a maçonaria não recebe subsídios...). Pensemos neles como graus académicos, mas sem a "pequena questão" da avaliação: quem frequenta obtém o grau. Ora, tal sistema não permite distinguir quem sabe de quem não sabe, já para não falar de outras qualidades. Um sistema que permita chegar-se ao topo apenas com tempo e dinheiro só pode ser interessante para o próprio, o que é justamente o caso. Em segundo lugar, não sendo objeto de eleição ou escrutínio, os Altos Graus não conferem qualquer legitimi...

José Luís Ribeiro Moita de Macedo, maçom improvável

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Ao longo dos quase vinte anos que tenho da Loja Mestre Affonso Domingues, conheci umas centenas de Irmãos. Com alguns forjei laços de amizade. Com outros, construí uma agradável relação de camaradagem. Com outros ainda, uma saudável relação fraterna de integração num mesmo grupo. Com poucos, muito poucos, as circunstâncias do nosso contacto não possibilitaram um conhecimento mútuo. José Luís Moita de Macedo foi um desses poucos casos, nem sei bem porquê. Quando preparava a edição do livro relativo aos Vinte Anos da Loja, o José Ruah enviou-me a lista, que trabalhosamente efetuou, dos obreiros que, ao longo deste tempo, passaram pela Loja. Um dos nomes incluídos nessa lista era o do José Luís Moita de Macedo - com a indicação de que já tinha falecido. Uma vez que o projeto do livro previa a inclusão de textos evocativos dos Irmãos da Loja que, nos dois decénios de vida desta, tinham já passado ao Oriente Eterno, a minha falta de memória em relação ao José Luís tornava-me tarefa quase im...

5 de Outubro, revolução e maçonaria

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Não pode deixar-se passar a data de 5 de Outubro - aniversário da implantação da República em Portugal - sem se falar na Maçonaria. É público e conhecido o papel que a maçonaria teve neste evento. De facto, a revolução não só terá sido promovida, arquitetada e executada - pelo menos em parte - por maçons, como a maçonaria terá na mesma participado ativamente de forma institucional. O que poucos saberão é que tal modo de atuação é daqueles que distingue a Maçonaria Regular da Maçonaria Liberal. Não se questiona o mérito da causa, mas a forma e os meios utilizados. De facto, as razões invocadas para a revolução - o despotismo político-religioso, a ausência de liberdade de culto e da liberdade de consciência que se viviam no regime de então - são válidas e meritórias, e pode mesmo dizer-se que pertencem ao ideário maçónico. Todavia, algumas questões de fundo separam inexoravelmente as duas correntes da Maçonaria - Regular e Liberal - e podem ser apreciadas neste contexto. Por um lado, ...

Poema à Amizade

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Pode ser que um dia deixemos de nos falar... Mas, enquanto houver amizade, Faremos as pazes de novo. Pode ser que um dia o tempo passe... Mas, se a amizade permanecer, Um de outro se há-de lembrar. Pode ser que um dia nos afastemos... Mas, se formos amigos de verdade, A amizade reaproximar-nos-á. Pode ser que um dia não mais existamos... Mas, se ainda sobrar amizade, Nasceremos de novo, um para o outro. Pode ser que um dia tudo acabe... Mas, com a amizade construiremos tudo novamente, Cada vez de forma diferente. Sendo único e inesquecível cada momento Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre. Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre. Albert Einstein

Correlação e causalidade (III)

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Por esta hora estarão já uns quantos a pensar: "Podia ter-lhe dado para pior. Falar de coisas que nada têm que ver com a Maçonaria num blogue sobre Maçonaria..." Quem assim pensar está rotundamente equivocado, por três razões. Em primeiro lugar, porque, como disse já, confundir estes dois conceitos leva-nos a conclusões precipitadas e, frequentemente, erradas e afastadas da verdade, porque ilógicas; e o estudo da Lógica é parte integrante da formação de um maçon. De facto, o estudo das Artes Liberais - base da formação para o gentlemanship - é promovido e incentivado entre os maçons. Em segundo lugar porque um meio a que os maçons recorrem para se aperfeiçoarem consiste, precisamente, na exposição aos demais das sua próprias conquistas, das suas próprias conclusões e do seu próprio aperfeiçoamento, para que cada um possa dela retirar os ensinamentos que tiver por convenientes. Neste caso, estes textos, decorrentes da minha própria pesquisa e especulação, refletem o meu...