Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Antigos Deveres

A (im)perfeição e as Old Charges (III)

Imagem
Para além da questão da deficiência física coloca-se a da deficiência mental. Poderá um deficiente mental ser iniciado maçon? Neste caso, a porta já não se abre tanto quanto face à deficiência física, mas também não se fecha de todo. É tudo uma questão da natureza e das consequências da deficiência. Um profano, para ser iniciado maçon, tem que ser "livre e de bons costumes". A pedra de toque da questão da deficiência mental coloca-se, precisamente, na liberdade. Há três vertentes em que se exige que uma pessoa seja livre se quer ser admitido: - Liberdade da luta pela auto-suficiência. Para ser admitida na maçonaria, uma pessoa tem que dispor dos meios económicos para se bastar a si mesma de modo que o sustento diário não seja uma preocupação tal que se sobreponha a todo o resto. Não está em causa a quantidade dos rendimentos, mas que este sejam suficientes e adequados ao garante do sustento do próprio e daqueles que tenha a cargo - descendentes ou ascendentes. Deve, ainda, pe...

A (im)perfeição e as Old Charges (II)

Imagem
Em pleno século XIX houve diversas tentativas de se tornar menos estrita a regra que impedia a admissão de deficientes físicos na Maçonaria, alegando-se ser esta um legado dos tempos da maçonaria operativa. Algumas Grandes Lojas deixaram, mesmo, cair este requisito, exigindo apenas que o candidato tivesse a capacidade física estritamente necessária a que pudesse ser iniciado e receber os ensinamentos da Ordem. Mas logo vozes se elevaram, recordando que o que estava em causa era um dos landmarks da Maçonaria, que são por definição imutáveis, e por isso a questão não careceria sequer de mais discussão. Independentemente da origem do preceito residir na maçonaria operativa e ter, entretanto, deixado de fazer sentido, este deveria ser cumprido, sob pena da retirada do reconhecimento às Obediências que não o cumprissem e fizessem cumprir. Mas não se pense que, sem mais debate, a questão se ficava por aqui, ou que os argumentos alegados eram desprovidos de substância; pelo contrário. Al...

A (im)perfeição e as Old Charges (I)

Imagem
No Livro das Constituições de Andersen, de 1723, aprovado por maçons ilustres como Desaguliers, Cowper e Payne - reputados e reconhecidos pela sua sabedoria maçónica - podem encontrar-se estas palavras: "The men made masons must be free-born, no bastard, and of mature age, and of good report, hale and sound, not deformed, or dismembered at the time of their making" (Os homens feitos maçons devem ter nascido livres, não bastardos, de idade madura, boa fama, saudáveis e sãos, não deformados ou amputados na altura da sua admissão). Isto levanta a questão: manter-se-á esta exigência nos dias de hoje? Não há melhor forma de entender uma lei do que descobrir e entender o propósito do legislador quando se deu ao trabalho de a elaborar. Em Junho de 1718 - fazia a Grande Loja de Inglaterra um ano - o Grão-Mestre manifestou o desejo de que os Irmãos que tivessem acesso a registos e escritos antigos sobre Maçons e Maçonaria os trouxessem à Grande Loja, para que pudessem ser c...

Desafio - Resposta sobre a subtileza

O nosso Leitor Escriba disse... Meu caro José, antes de mais quero agradecer a atenção que dispensaste a esta minha questão. No que concerne á segunda, a da subtileza, tem que ver com uma reportagem que deu na Sic Noticias, onde aparecia o Grão Mestre do GOL e um ex-Grão Mestre da GLRP, onde explicaram as diferenças entre as obediências. Essa explicação remeteu para uma pesquisa onde encontrei a tal enfase das obediências em motes diferentes, o GOL na Liberdade, Igualdade e Fraternidade e a GLRP na Sabedoria Força e Beleza. Isto terá que ver com a GLRP ser mais conservadora, não sei se será o termo, pois o GOL existe há muito mais tempo. De não ter percebido bem a nuance dos motes é que decorreu esta minha iniciativa de aqui colocar a questão. No GOL iniciam-se ateus e agnósticos, nas palavras do seu Grão Mestre, na GLRP não. Não sei se me fiz entender bem, mas foi o que se arranjou. Começaria por recomendar a leitura de textos publicados aqui no blog e que poderá encontrar procurando...

ANTIGOS DEVERES: Da conduta

Imagem
O sexto e último tema dos Antigos Deveres respeita à conduta que os Maçons devem ter, em todos os aspectos da sua vida: 1. NA LOJA, ENQUANTO CONSTITUÍDA Não organizareis comissões privadas nem conversações separadas sem permissão do mestre, nem falareis de coisas impertinentes nem indecorosas, nem interrompereis o mestre nem os vigilantes nem qualquer irmão que fale com o mestre; nem vos comportarei jocosamente nem apalhaçadamente enquanto a loja estiver ocupada com assuntos sérios e solenes; nem usareis de linguagem indecente sob qualquer pretexto que seja; mas antes manifestareis o respeito devido aos vossos mestre, vigilantes e companheiros e venerá-los-eis. Se surgir alguma queixa, o irmão reconhecido culpado ficará sujeito ao juízo e à decisão da loja, a qual constitui o juiz próprio e competente para todas as controvérsias desse tipo (salvo se seguir apelo para a Grande Loja) e à qual elas devem ser referidas, a menos que o trabalho do Senhor seja no entretanto prejudicado, motiv...

ANTIGOS DEVERES: Da gestão do trabalho na Irmandade

Imagem
O quinto tema dos Antigos Deveres respeita à forma como se deve organizar e processar o labor numa Loja Maçónica. Também aqui é evidente que se trata de normas fixadas desde o tempo Operativo, regulando efectivamente o exercício do múnus profissional dos construtores em pedra. Tais princípios são adaptados e seguidos, feita a transição para a Maçonaria Especulativa, para o trabalho simbólico da construção do Templo interior do maçon. Todos os maçons trabalharão honestamente nos dias úteis para que possam viver honradamente nos dias santos; e observar-se-á o tempo prescrito pela lei da terra ou confirmado pelo costume. O mais apto dos companheiros será escolhido ou nomeado mestre ou inspector do trabalho do Senhor; e será chamado mestre por aqueles que trabalham sob ele. Os obreiros devem evitar toda a linguagem grosseira e não se tratar por nomes descorteses, mas sim por irmão ou companheiro; e devem comportar-se com urbanidade dentro e fora da loja. O mestre, conhecendo-se a si mesmo ...

ANTIGOS DEVERES: Dos Mestres, Vigilantes, Companheiros e Aprendizes

Imagem
O quarto tema dos Antigos Deveres respeita directamente aos obreiros, nos seus diversos graus e qualidades: Toda a promoção entre maçons é baseada apenas no valor real e no mérito pessoal, a fim de que os senhores possam ser bem servidos, os irmãos não expostos à vergonha e a arte real não seja desprezada. Portanto, nenhum mestre nem vigilante é escolhido por antiguidade, mas pelo seu mérito. Torna-se impossível descrever estas coisas por escrito, e cada irmão deve ocupar o seu lugar e aprendê-las na maneira própria desta Fraternidade. Fiquem apenas sabendo os candidatos que nenhum mestre deve tomar aprendiz a menos que tenha ocupação bastante para ele e a menos que se trate de um jovem perfeito, sem mutilação nem defeito no corpo que o torne incapaz de aprender a arte, de servir o senhor do seu mestre, e de ser feito irmão e depois companheiro em tempo devido, mesmo após ter servido o número de anos consoante requeira o costume do país; e que ele provenha de pais honestos; de maneira ...

ANTIGOS DEVERES: Das Lojas

Imagem
O terceiro tema dos Antigos Devers é dedicado às Lojas: Uma Loja é o local onde se reúnem e trabalham maçons. Portanto, toda a assembleia ou sociedade de maçons, devidamente organizada, é chamada loja, devendo todo o irmão pertencer a uma e estar sujeito ao seu regulamento e aos regulamentos gerais. Uma loja é particular ou geral e será melhor entendida pela sua frequência e pelos regulamentos da loja geral ou Grande Loja, adiante apensos. Nos tempos antigos, nenhum mestre nem companheiro se podia ausentar dela, especialmente quando avisado para comparecer, sem incorrer em severa censura, a menos que parecesse ao mestre e aos vigilantes que a pura necessidade o impedira. As pessoas admitidas como membros de uma loja devem ser homens bons e leais, nascidos livres e de idade madura e discreta, nem escravos, nem mulheres, nem homens imorais ou escandalosos, mas de boa reputação. Note-se como desde os tempos da Maçonaria Operativa já estavam definidos os critérios de admissão de maçons a ...

ANTIGOS DEVERES: Do Poder Político

Imagem
O segundo tema dos Antigos Deveres respeita ao relacionamento que o maçon deve ter com o Poder Político e respectivas autoridades. Eis o seu teor: U m Maçon é sempre um súbdito pacífico, respeitador do poder civil, em qualquer lugar que resida ou trabalhe. Jamais está implicado em conspirações ou conluios contra a paz e a felicidade da nação, nem se há-de rebelar contra a autoridade, porque a guerra, os derramamentos de sangue e as perturbações, têm sido sempre funestas à Maçonaria. Assim, os antigos Reis e Príncipes sempre estiveram dispostos a proteger os membros da corporação posto que sua tranquilidade e fidelidade, que refutavam praticamente as calúnias de seus adversários, realçavam a Honra da Fraternidade, que sempre prosperou em tempos de paz. De modo que, se um Irmão se rebelasse contra o Estado, não deveria ser sustentado em seus actos. Todavia, poderia ser confortado, como um infeliz, e se não for reconhecido culpado de nenhum outro crime, embora a fiel Confraria deva des...

ANTIGOS DEVERES: De Deus e da Religião

Imagem
Já anteriormente, a propósito do Segundo Landmark , aqui referenciei os Antigos Deveres (Ancient Charges), que devem ser respeitados pelos maçons. Tendo sido compilados nas Constituições de Anderson de 1723 , estão divididos em seis temas, o primeiro dos quais o respeitante a Deus e à Religião e que é do seguinte teor: Um Maçon é obrigado, pela sua condição, a obedecer à lei moral. E, se compreende correctamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Mas, embora, nos tempos antigos, os maçons fossem obrigados, em cada país, a ser da religião desse país ou nação, qualquer que ela fosse, julga-se agora mais adequado obrigá-los apenas àquela religião na qual todos os homens concordam, deixando a cada um as suas convicções próprias: isto é, a serem homens bons e leais ou homens honrados e honestos, quaisquer que sejam as denominações ou crenças que os possam distinguir. Por consequência, a Maçonaria converte-se no Centro de União e no meio de conciliar uma amiza...