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A mostrar mensagens de 2013

Boas Festas!

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Quis o calendário que, este ano, o dia da semana em que habitualmente publico os meus escritos aqui no A Partir Pedra  corresponda, esta semana, ao dia 25 de dezembro, o dia em que os cristãos celebram o Natal.  Desde a mais remota Antiguidade que a Humanidade celebra uma festa por volta do solstício de inverno (no hemisfério norte), celebrando o renascer da esperança, a vitória da Luz sobre a Sombra que assola a paisagem, após a ocorrência do dia mais curto - e consequentemente da noite mais longa - do ano.  Esta celebração, pelas condições de vida  impostas pela estação do ano, tem a ver com recolhimento e solidariedade familiar, com a reunião à volta do fogo, que aquece e ilumina. E relembra-nos que, suceda o que suceder, quaisquer que sejam as dificuldades, há um núcleo que nos rodeia, protege, aconchega, acarinha, um grupo no seio do qual aprendemos a ser gente e gente responsável - a família. 25 de dezembro é, para os cristãos, o dia de Natal, a ...

Pavimento Mosaico

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Em todas as Lojas maçónicas regulares está presente, em todo ou em parte do solo da sala onde ocorrem as sessões de Loja, um pavimento mosaico, constituído por um conjunto de quadrados brancos e negros, colocados alternadamente entre si.  O símbolo remete claramente para a dualidade - mas também para a harmonia entre os opostos. Cada quadrado de uma das cores está rodeado de quadrados da outra cor. É assim frequente referir-se ao recém-iniciado que o pavimento mosaico representa a sucessão entre os dias e as noites, o bem e o mal, o sono e a vigília, o prazer e a dor, a luz e a obscuridade, a virtude e o vício, o êxito e o fracasso, etc.. Mas também a matéria e o espírito como componentes do Homem. Ou, simplesmente, recordar que, como resulta da lapidar equação de Einstein, a matéria é composta por massa, mas também por energia. O dualismo provém de antigas tradições humanas. A civilização suméria dotava os seus templos de piso em pavimento mosaico, que só podia ser ...

A morte.

A minha ilusão pode perfeitamente ser a tua ilusão, a tua vida inteira, as nossas, mas não é e, em boa verdade, é impossível de o ser e ambos o sabemos. Mas (também) sei que aqui não há qualquer ilusão. És matreira e até falsa, pois fazes as “coisas” sem pré-aviso e de uma forma insensível, portanto a ilusão, a existir, é apenas fruto da minha ingénua imaginação. A nossa relação, não é, nunca foi, nem nunca vai ser fácil, recuso-me, por muito que me eduquem para tal, a reconhecer-te como uma fase desta passagem, é algo meu, sem falsos rodeios, posso afirmar-te, a ti e a quem quiser, é pura e sentida reciprocidade. Não somos, nem nunca vamos ser amigos, é de todo impossível nutrir por ti, outro qualquer sentimento que não seja a repulsa. Como poderei respeitar, encarar e entender algo que não se dá a conhecer? Por muito fértil que fosse a minha imaginação, até tu reconheces, que é de todo impossível.   Compreendo que não tenhas de avisar-me de nada do que fazes, não sou...

Do problema que não foi, à solução pelo desafio

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Por uma particularidade que não foi cogitada, viu-se a Loja Mestre Affonso Domingues numa situação inusitada. O seu Venerável Mestre por razões pessoais, vê-se compelido a ausentar-se por um período de pelo menos 5 sessões consecutivas. Esta ausência, embora não deixando a Loja sem Venerável de direito, deixou-a sem Venerável de facto. Se esta fosse uma associação qualquer a decisão seria de ir adiando o que fosse adiável, tornar adiável tudo que o não sendo pudesse sem grande prejuízo ser adiado e consequentemente fazer apenas aquilo que fosse mesmo premente e urgente. Mas uma Loja maçónica não é uma associação qualquer. Numa Loja não se adia, faz-se, não se protela decide-se, e por isso desengane-se o leitor se pensou que no impedimento do Venerável os maçons da Loja Mestre Affonso Domingues iriam desanimar e pausar o seu trabalho. Um Maçon pousa as suas ferramentas apenas e quando é chamado a fazer a derradeira viagem, mas sobre isso foi já escrito nos múlti...

Esquadro e compasso

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Talvez o mais conhecido dos símbolos da Maçonaria seja o que é constituído por um esquadro, com as pontas viradas para cima, e um compasso, com as pontas viradas para baixo. Como normalmente sucede, várias são as interpretações possíveis para estes símbolos. É corrente afirmar-se que o esquadro simboliza a retidão de caráter que deve ser apanágio do maçom. Retidão porque com os corpos do esquadro se podem traçar facilmente segmentos de reta e porque reto se denomina o ângulo de 90 º que facilmente se tira com tal ferramenta. Da retidão geométrica assim facilmente obtida se extrapola para a retidão moral, de caráter, a caraterística daqueles que não se "cosem por linhas tortas" e que, pelo contrário, pautam a sua vida e as suas ações pelas linhas direitas da Moral e da Ética. Esta caraterística deve ser apanágio do maçom, não especialmente por o ser, mas porque só deve ser admitido maçom quem seja homem livre e de bons costumes. É também corrente referir-se que o...

Farinha do mesmo saco

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Em tempos idos, depois da colheita e da debulha, tomavam os agricultores o seu grão que levavam ao moleiro para que o transformasse em farinha. Diversas variedades de grão davam origem a diversos tipos de farinha, que não se queriam misturados; afinal, farinha de trigo e farinha de centeio resultam em tipos de pão muito diferentes... Por isso, cada um dos vários tipos de farinha era cuidadosamente ensacado separadamente dos restantes. Ficava, assim, a farinha mais fina separada da mais grosseira, e a mais branca separada da mais escura. O povo, pródigo em aforismos, terá visto nas várias qualidade de farinha uma metáfora para as qualidades humanas. Do latim nos chega, assim, a expressão  ejusdem farinae ( "da mesma farinha" ),  dizendo-se de vários indivíduos serem, como diríamos hoje, "farinha do mesmo saco", quando apresentassem qualidades ou defeitos comuns. No fundo, a expressão dá a entender que os bons se juntam aos bons, enquanto os maus andam na...

Salomão Sequerra Amram (1933-2013), maçom discreto

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Diz o Povo que um mal nunca vem só. Os provérbios populares advêm de constatações empíricas, umas vezes justificadas, outras apenas decorrendo da maior ou particular atenção que, em certas circunstâncias, se dá a uma categoria de fenómenos. A extinção da vida é um desses fenómenos que, quando ocorre em relação a alguém perto de nós, estimula esse tipo de atenção. É, assim, comum que, quando alguém próximo de nós se extingue, haja a tendência de nos interrogarmos da proximidade de outro evento semelhante. E, às vezes, a álea da vida confirma a dúvida. Ainda mal refeitos da notícia da Passagem ao Oriente Eterno de um Irmão que foi fundador da Loja Mestre Affonso Domingues, fomos surpreendidos por outra de natureza semelhante, a da Passagem ao Oriente Eterno de Salomão Sequerra Amram. t O Salomão, insigne cardiologista, que nos deixou no dealbar da sua oitava década de vida, já se retirara da Loja há alguns anos. Dos atuais obreiros da Loja Mestre Affonso Domingues, poucos pr...

Rui Clemente Lelé (26/8/1958-18/11/2013), maçom organizado

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Há pouco mais de uma semana, a notícia da passagem ao Oriente Eterno do Rui Clemente Lelé chegou, chocante e inesperada. Sabia que o Rui tinha sido, dias antes, submetido a uma delicada intervenção cirúrgica, mas também sabia que se tratara de uma intervenção programada e que havia notícia de que tinha corrido bem e o Rui passara sem problemas o período de recobro e de maior risco. Mas, embora gradualmente diminuindo, há sempre um risco numa intervenção cirúrgica - e, no caso do Rui, aconteceu o que já se pensava estar ultrapassado. O Rui foi fundador da Loja Mestre Affonso Domingues, no ano de 1990. Quando, no ano seguinte, eu, oriundo de uma Loja germânica, ingressei na mesma Loja, integrámos juntos a Coluna dos Companheiros. Fomos Exaltados Mestres Maçons na mesma sessão. Vivemos e partilhámos juntos os tempos, para nós memoráveis, da implantação e consolidação da Loja. Ao longo de mais de duas décadas, partilhámos cumplicidades e distanciamentos, mas sempre uma sólida e pa...

A trolha

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A Maçonaria utiliza os artefatos e ferramentas ligados à atividade da construção como símbolos ilustrativos dos ensinamentos que procura transmitir e preservar. É o caso, por exemplo, da trolha. A trolha, ou colher de pedreiro, é uma ferramenta do ofício da construção utilizada para separar, transportar, projetar ou colocar argamassa, massa ou cimento nas superfícies, paredes ou muros, de uma construção. Serve também para alisar a massa, argamassa ou cimento colocada, por exemplo, numa placa ou na união entre pedras ou tijolos de uma parede ou muro. Tendo em conta estas utilidades para o ofício da construção, a Maçonaria Especulativa adapta o conceito para simbolizar virtudes ou comportamentos que devem ser adotados pelos maçons e naturais numa Loja maçónica. Tal como a ferramenta operativa alisa as superfícies, assim também o maçom deve utilizar a trolha da concórdia, da conciliação, para alisar, regularizar, aplainar diferenças ou conflitos entre Irmãos.  A...

O visível limite da Tolerância!

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A Maçonaria, sendo algo de sério, não tem que ser sisuda. Os maçons tratam do que é sério com seriedade, mas também sabem descontrair, brincar e utilizar o humor para evidenciar pontos de vista, quando é o momento e o ambiente para tal. O episódio que vou contar é uma demonstração disso mesmo. Ocorreu recentemente, no decorrer de um ágape da Loja Mestre Affonso Domingues. Os ágapes são importantes complementos das reuniões maçónicas. No decorrer das sessões trabalha-se de modo sério, compenetrado, concentrado e tão eficiente quanto possível, sobre os assuntos que são objeto da reunião. Finda a sessão formal, os obreiros da Loja reúnem-se então à volta de uma mesa e, partilhando uma refeição, convivem, conversam, debatem, brincam, enfim, conhecem-se melhor e reforçam os laços entre si. É frequente que, mesmo nesse ambiente descontraído, sejam colocados temas para debate ou análise que, sendo sérios, não perdem nada em serem tratados de forma mais coloquial. Foi o caso num...

O Dever, caminho para a realização

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Os maçons falam muito de Dever. É natural. O aperfeiçoamento individual a que se dedicam implica, inevitavelmente, que identifiquem o que têm a corrigir e definam como fazer a correção, isto é, o que se deve  fazer para melhorar. O caminho do maçom não é uma avenida de direitos, é uma vereda de deveres a cumprir. Mais: um conjunto de deveres que o maçom escolhe  cumprir. Na ética maçónica, em primeiro lugar vem a obrigação, o cumprimento dos deveres - só depois se atenta nos direitos. Porque o caminho é este, não há constrangimentos nem vergonhas na reclamação ou no exercício dos direitos, porque se interiorizou que estes são o reverso correspondente aos deveres que se cumprem. Assim, o cumprimento do dever é preâmbulo do exercício do direito - nunca o oposto. Esta postura, que é o oposto do facilitismo e do hedonismo tão propalados por certos media  comummente referidos de cor-de-rosa, que insidiosamente vão influenciando as mentes mais frágeis ou meno...

Lavagem solidária e cómoda

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A associação CAIS desde 1994 que vem efetuando um assinalável trabalho de apoio à reinserção social de sem-abrigo. O mais conhecido projeto desta associação é a revista com o mesmo nome, CAIS, cuja forma de distribuição é, a meu ver, exemplar no auxílio à recuperação da dignidade de quem , por erros próprios ou desafortunados golpes do destino, caiu numa situação de desamparo e exclusão social. A revista é exclusivamente vendida por sem-abrigo e outras pessoas em risco, mediante a assunção de rigoroso compromisso de cumprimento de regras de conduta, entre as quais a venda da revista sempre devidamente identificado como vendedor autorizado pela CAIS, manutenção de higiene e limpeza pessoal e de vestuário e renúncia à mendicidade. O preço de capa da revista CAIS são dois euros e 70 % dele reverte para o vendedor. Habituei-me a adquirir as edições da revista que vão sendo publicadas, como uma pequena e insignificante forma de contribuir para a reinserção de quem caiu fundo e ...

O maçom, a vida e a morte

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Só pode ser admitido maçom regular quem seja crente num Criador, qualquer que seja a sua conceção Dele, e creia na vida para além desta vida. Só assim faz sentido o processo iniciático maçónico, só assim é profícuo o labor de análise, interpretação e aprofundamento da simbologia maçónica, alguma dela diretamente baseada em elementos extraídos de textos de natureza religiosa. No seu processo de construção de si mesmo segundo o método maçónico, o estudo, a meditação, a associação livre, a descoberta de significados dos significantes que são, afinal, os símbolos, o maçom, se bem fizer o seu trabalho, inevitavelmente que nalgum momento se confrontará com a busca do significado da Vida, do seu lugar no Mundo e na Vida, com a Vida ela mesma e com a morte do seu corpo físico. Se bem faz o seu trabalho, o confronto com a morte física, à luz da sua crença na vida para além da vida e dos elementos colhidos nos seus estudos simbólicos, algo de muito positivo lhe traz: a perda do me...

Os construtores da Utopia

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Desde que, no século XVI, Thomas More inventou a palavra e dela fez título de uma das suas obras que se designa por Utopia a sociedade ideal, perfeita. Em termos sociais, os maçons procuram contribuir para a construção dessa Utopia. Fazem-no desde logo procurando melhorar a qualidade dos materiais de que se fazem todas as sociedades: os homens, suas ideias e suas ações. Nenhuma sociedade organizada, qualificada e funcionando com um exigível nível mínimo de organização, qualidade, liberdade e eficiência pode assentar em pessoas desqualificadas, seja em termos de conhecimentos e preparação, seja do ponto de vista da Moral e dos Valores inerentes a uma sã, agradável e produtiva vida em comum. Não há Valores sociais que se fundem perenemente em homens de baixo caráter e inferiores qualificações pessoais e relacionais. Homens apenas primários, sem capacidade para ver e agir para além dos seus interesses pessoais egoísticos e imediatos não geram nem acalentam valores essen...

Reflexão

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No século XVIII, quando se expandiu a Maçonaria Especulativa, esta seguia e divulgava os princípios do Iluminismo. A Maçonaria foi então um farol que apontou o caminho da evolução social, da conceção laica, livre, igual, fraterna e tolerante do mundo, da sociedade e do lugar nela do Homem.  O pensamento escolástico é substituído pela Ciência Experimental; racionalismo e empirismo substituem o pensamento arcaico apenas fundado nas interpretações teológicas dominantes; Locke teoriza a Tolerância como valor social; emerge o reconhecimento e proteção dos direitos humanos; o absolutismo é substituído pela submissão à Lei; a soberania por direito divino é substituída pelo conceito de que a soberania pertence ao Povo e deve ser exercida em nome do Povo, para o Povo e pelos representantes designados pelo Povo; emerge e triunfa a noção de que as sociedades devem prezar e preservar a Liberdade, assegurar a Igualdade, possibilitar a vivência em Fraternidade; o princípio da separaçã...

O Vigésimo Segundo Venerável Mestre

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Foi o primeiro maçom iniciado já no século XXI que assegurou o ofício de Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues. Cedo se destacou como um elemento interessado, muito válido e dinâmico. Rapidamente conquistou a confiança da Loja e viu serem-lhe confiados diversos ofícios, que sempre cumpriu a contento. Conhecia de experiência feita os deveres dos ofícios burocráticos (indispensáveis ao funcionamento da Loja) e dos ofícios rituais. Fora iniciado ainda jovem e atingia o veneralato no auge da vida.  O Vigésimo Segundo Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues foi talvez o maçom que mais bem preparado foi e estava para assumir o ofício de dirigir a Loja quando tal lho foi solicitado pelo conjunto dos obreiros, em unânime eleição ocorrida em julho de 2011.  Os mais veteranos reconheciam-lhe a preparação, as capacidades, a dinâmica, o mérito e o espírito de liderança e gostosamente o acompanharam e auxiliaram. Os mais jovens elementos da Loja viam-no c...