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Ser Companheiro

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Entre o entusiasmo do Aprendiz e a maturidade do Mestre existe um caminho muitas vezes esquecido, o caminho do Companheiro! O Aprendiz trabalha sobre si mesmo, aprende o silêncio, a disciplina e a observação. Descobre, também, que a pedra mais difícil de desbastar já foi encontrada, não longe mas mesmo assim muitas vezes é preciso um espelho para percebe que é a sua própria pedra bruta. Com o tempo, mais curto ou mais longo, mas seu e só seu, o aprendiz percebe que é o momento em que esse trabalho interior já não basta, é preciso levantar os olhos da pedra e compreender a construção. Ser Companheiro é precisamente isso. É deixar de olhar apenas para a tarefa e começar a perceber a Obra, é aprender a medir, a comparar, a questionar e a procurar conhecimento. Não por mera curiosidade intelectual, mas porque cada novo saber amplia a nossa capacidade de servir. No Rito Escocês Antigo e Aceite, o Companheiro é convidado a percorrer um caminho marcado pelos cinco sentidos, pelas artes lib...

Quando o Templo Ganha Vida

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Na última sessão tivemos a oportunidade de fazer algo que não acontece todos os dias, uma instrução de Companheiro. Tivemos também o prazer de a tornar, de alguma forma, diferente do habitual, não pelos temas abordados, porque muitos deles fazem parte naturalmente deste grau, mas pela forma como ganharam vida dentro do Templo. Durante alguns momentos, os símbolos deixaram de existir apenas no ritual e este tornou-se vivo em quadros, em palavras, através das pessoas e dos movimentos e relações que se foram construindo dentro do Templo. Curiosamente, a noite já vinha trazendo bastante matéria para reflexão antes mesmo da subida ao segundo grau e, às vezes, acontece assim, sem combinar ou prever, temas diferentes acabam por conversar entre si e deixar ideias que provavelmente ninguém tinha planeado. O Grau de Companheiro representa uma mudança, mesmo que subtil, no percurso maçónico. Enquanto o Aprendiz aprende a trabalhar a pedra e a olhar para si próprio, aprende a reconhecer imperfei...

O estoque encalhou. É hora de pormos a maçonaria nos saldos?

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Tenho refletido muito sobre uma provocação que o meu querido irmão JR me fez recentemente: a de que, a cada dia que passa, a Maçonaria se torna um "produto" menos vendável. Não porque a qualidade da nossa "mercadoria" moral tenha decaído, mas porque o mercado onde operamos sofreu um choque tectónico. A verdade inconveniente é que já não competimos apenas com outras ordens discretas ou clubes de serviço; competimos ferozmente pelo "novo petróleo" dos tempos modernos: a atenção e o tempo dos homens. E nessa economia de escassez, onde a atenção é a moeda mais valiosa e volátil, o nosso modelo de "negócio"exige um investimento temporal altíssimo com retorno difuso e diferido: tudo que está tecnicamente em falência para as novas gerações.  O cenário é de uma clareza brutal quando olhamos para os "ladrões de tempo" que nos cercam, começando pela colonização digital do nosso lazer. Vivemos na era do entretenimento de "atrito zero", o...

O Quadro Simbólico do Grau de Companheiro no Rito Escocês Antigo e Aceite

Nos primeiros tempos da Maçonaria especulativa, qualquer local podia ser transformado num Templo Maçónico, para isso bastava a Irmão Experto desenhar no chão, com giz, o quadro simbólico do grau em que a Loja iria trabalhar. Depois da sessão, bastava apagar o quadro para se considerar que esta, estava encerrada.  Mais tarde, para facilitar o trabalho repetitivo, surgiram as telas pintadas, que eram desenroladas no início de cada sessão. Atualmente, os Templos Maçónicos têm todos os símbolos representados num quadro simbólico emoldurado, no eixo longitudinal do Templo, entre as colunetas da “ Sabedoria ” da “ Força ” e da “ Beleza ”, voltado para o Ocidente, de modo a permitir a livre circulação entre o Norte e o Sul e entre o Altar e as Colunas “J” e “B”. A presença do quadro simbólico do grau na Loja, para além de ter como função, a de informar todos os irmãos de qual o grau em que os trabalhos estão a ser realizados, informa também, que nenhum trabalho deve ser ini...

Passagem, Elevação, Receção ou Colação? Elevação, Exaltação, Colação ou Receção?

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Por vezes, a mesma situação ou ação é designada, entre os maçons, por termos diferentes, sem que muitos deles se apercebam da origem ou da razão de ser das diferentes designações. Por exemplo, alguns maçons costumam designar o acesso ao grau de Companheiro e a respetiva cerimónia como a Passagem a Companheiro; outros designam essa mesma ocorrência de Elevação a Companheiro, outros referem tratar-se de uma Receção e outros ainda falam de uma Colação. Mas também é comum haver quem utilize a expressão Elevação para referir o acesso ao grau de Mestre Maçom e respetiva cerimónia. Mas, neste caso, também há quem utiliza e expressão Exaltação, quem use a palavra Receção e quem se sirva do termo Colação. Não é incomum, numa conversa entre maçons, por vezes até da mesma Loja, verificarmos a utilização em simultâneo de todas estas palavras, para referir estas duas ocorrências. Mas, se passarmos da referência coloquial a uma análise mais aprofundada e perguntarmos a quem intervém na ...

Lição de um Mestre aos seus Companheiros - II

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Nota - A primeira lição de um Mestre aos seus Companheiros foi publicada neste blogue por Jean-Pierre Grassi, em 13 de abril de 2009 Meus muito prezados Irmãos: O vosso aumento de salário é, na realidade, um aumento de responsabilidades. Ao vos conferir o 2.º grau, vos declarar prontos a trabalhar sem a proteção da abeta do vosso avental, que passa, assim, a partir de agora, a repousar estendida sobre o corpo principal do vosso vestuário de trabalho, ao vos atribuir a designação de Companheiros, esta Oficina reconhece o vosso bom trabalho até aqui, as vossas qualidades intrínsecas, a mudança para melhor operada em vós, o vosso imenso potencial. Por tudo isso, cabe-me a mim – e com muito gosto e regozijo o faço! – dar-vos os parabéns. Mas também me incumbe alertar-vos de que a vossa celebração, embora merecida, deve ser breve. Sois agora Companheiros, mas não deixastes de ser Aprendizes. Sois agora Aprendizes também já Companheiros, adicionalmente. Por isso comecei por vos dizer que o v...

O tempo de Companheiro

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O tempo de Companheiro é um tempo difícil. O obreiro já não é um Aprendiz rodeado, apoiado, apetece até dizer mimado, por todos os Mestres da Loja. Alcançado o seu aumento de salário, afinal o prémio que obtém é apenas uma mudança do seu lugar na Loja, um pouco de cor no seu avental e... uma sensação de menor apoio. Após uma Cerimónia de Passagem que é um verdadeiro anti-clímax em relação à sua recordação do que experimentou quando foi iniciado, depara-se com um par de símbolos novos, metem-lhe uns regulamentos e um ritual e catecismo na mão e... parece que se desinteressaram dele, ele que se oriente... Não é assim, embora pareça que seja assim. E é assim que deve ser. A Iniciação foi o nascimento para a vida maçónica. O tempo de Aprendiz é a sua infância, em que se é guiado, educado, amparado, mimado. O tempo de Companheiro, esse, é o da adolescência. Já não se admite ser tratado como criança – como Aprendiz – pois já se cresceu – já se evoluiu – mas... sente-se a falta do apoio que s...

Leçon d'un Maitre à ses Compagnons

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Mes très chers Frères … Compagnons ! Con panis ! Qui partage le pain ; Le copain, comme nous disons aujourd’hui. Quel beau nom pour un grade qui, souvent, et à tort, est dénigré. Au grade de Compagnon, l’équerre et le compas se presentent de façon differente. C’est-à-dire que vous avez atteint l’équilibre entre la matière et l’esprit. Le travail que vous avez accomplit lors de votre apprentissage, a permis de vous libérer des préjugés qui sont l’apanage des profanes. La pierre sur laquelle vous avez travaillé, comme Apprentis, était brute et informe. Vous l’avez nettoyée et dégrossie et nous, les Maîtres de cette Respectable Loge, nous avons observé avec attention vos efforts et les progrès que vous avez faits. Satisfaits de votre travail, nous vous avons accordé le juste salaire que vos efforts vous ont mérité. La moitié de votre cheminement vers la lumière est achevée. Rien ne sera plus comme avant car vous avez changé, mes Frères, depuis votre admission en notre sein. Et même si vou...

Variação sobre o silêncio

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Já aqui no blogue publiquei um texto onde explanei o meu entendimento sobre o alcance, interesse e virtualidades do silêncio do Aprendiz e um outro texto dedicado ao silêncio do Companheiro . Não tencionava voltar ao tema tão cedo. Mas o homem põe e a fortuna (acaso, circunstâncias, conjunção astral, divina providência, simples mudança de opinião - cada um escolha e tome o que quiser, em cada situação...) dispõe. O Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues teve a gentileza de me pedir a opinião sobre uma determinada questão relativa à administração dos trabalhos da Loja e a análise e meditação sobre a mesma, em ordem a poder transmitir-lhe uma opinião fundamentada, conduziu-me, quase que por associação livre, a um diferente reflexo do tema silêncio do aprendiz e do Companheira de que me não tinha ainda, ao menos, conscientemente, dado conta. O silêncio do Aprendiz e do Companheiro significam que, salvo para apresentação das respectivas pranchas de proficiência no grau, o...

O silêncio do Companheiro

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O Companheiro continua ainda sujeito à regra do silêncio. Não intervém em Loja, salvo quando é dispensado do dever de silêncio para apresentar uma prancha. Em relação aos Aprendizes, já no texto O silêncio do Aprendiz procurei explicar a razão de tal determinação e as vantagens que a mesma traz para o Aprendiz. As mesmas razões valem para o Companheiro. Embora num estádio mais avançado, o Companheiro encontra-se ainda num processo de evolução, de formação. O silêncio permite-lhe a necessária concentração. A desnecessidade de intervir liberta-o para mais bem se focar no seu trabalho. E mais rapidamente estará pronto para a Elevação a Mestre. Um Companheiro já não é um Aprendiz e por isso efectua já um trabalho diferente. E percebe que não é já tão proximamente acompanhado. A sua autonomia na Arte Real vai-se criando, a sua evolução vai depender cada vez mais de si mesmo e cada vez menos do auxílio dos Mestres. Sente-se cada vez mais próximo destes, cada vez mais como estes. E assim de...

O avental do Companheiro

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Ao contrário do que sucede com o ritual de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceite, o ritual de Companheiro não faz qualquer referência ao avental usado pelos obreiros da oficina do segundo grau. Os Companheiros podem - como todos os maçons, quaisquer que sejam os seus graus ou qualidades - usar o avental todo branco de Aprendiz maçon. Simplesmente, enquanto os Aprendizes o usam com a aba levantada, pelas razões que aqui expliquei, os Companheiros usam-no com a aba deitada sobre o corpo rectangular do artefacto. A necessidade de protecção do Companheiro é já menor, o seu progresso na Arte Real já lhe permite dispensar uma alargada área de protecção. O seu trabalho na moldagem do seu carácter, no aperfeiçoamento de suas qualidades, na luta contra seus defeitos, já lhe permitiu determinar a forma como a sua pedra se integrará no grande templo projectado pelo Grande Arquitecto do Universo, laboriosa e demoradamente edificado pela Humanidade, desde os alvores da Criação. Agora o tempo é...

Reintegração do Companheiro (III)

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O novo Companheiro não necessita de se integrar no grupo. Essa tarefa já deverá estar assegurada e concluída. Mas deve reintegrar-se nele, à luz do seu novo estatuto, do grau a que ascendeu. Três atitudes deve ter como prioritárias: diligência, disponibilidade e independência. Diligência para efectuar os novos trabalhos que lhe são pedidos, sem deixar de efectuar os trabalhos que aprendeu necessários enquanto Aprendiz. Diligência para conjugar o estudo do que está em cima com o do que está em baixo. Diligência para progressivamente se libertar da orientação que lhe é proporcionada e começar caminhando por seus próprios passos, seguindo seu próprio rumo, perscrutando seu próprio horizonte. Afinal de contas, um Companheiro vem de Aprendiz... e vai para Mestre! Disponibilidade para efectuar tarefas em Loja e fora de Loja, quer rituais, quer na organização e execução de tarefas integradas nos objectivos e eventos a que o grupo se dedica. Na Loja Mestre Affonso Domingues, é comum aprovei...

Reintegração do Companheiro (II)

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Por muito que se precise que o trabalho de um maçon é essencialmente individual, não podemos esquecer que o que diferencia o método maçónico das demais formas de aquisição de conhecimentos, progressão e aperfeiçoamento é que esse trabalho individual se processa integrado num grupo heterogéneo, interagindo reciprocamente cada um dos indivíduos com o grupo. A reorientação do trabalho do maçon que ascende ao grau de Companheiro deve, pois, ser auxiliada pelo grupo, pela Loja e, especificamente, pelos Mestres da Loja. Três aspectos essenciais devem ser tidos em conta. Em primeiro lugar, importa ter presente que, para que o Companheiro possa harmoniosamente dedicar-se ao específico trabalho do seu grau há que lhe proporcionar condições para tal. Ou seja, há que prever, calendarizar e levar a cabo sessões rituais especificamente destinadas ao trabalho do segundo grau, há que propiciar o efectivo funcionamento da Oficina de Companheiros. Nessas sessões, para além da abertura e encerramento do...

Reintegração do Companheiro (I)

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A Passagem a Companheiro é um anti-clímax. Depois de uma cerimónia de Iniciação que o marcou, depois de um período de Aprendizagem em que foi confrontado com uma luxuriante quantidade de símbolos, em que focou a sua atenção nos aspectos da espiritualidade, o novo Companheiro ascende a esse grau através de uma cerimónia simples e singela e inicia um período de trabalho em que depara com muitos poucos símbolos novos e lhe é pedido que foque a sua atenção em algo que, provavelmente, foi objecto dela na maior parte da sua vida: o Homem, as Ciências e as Artes. De repente, a novidade desaparece, o que se vislumbra nesta parte do caminho do maçon é o mesmo que qualquer profano medianamente culto vê no seu dia a dia. Naturalmente que o panorama se mostra menos interessante, que é admissível e até natural o pensamento de que não se vislumbra grande diferença entre a Maçonaria e o Mundo Profano. Naturalmente que o novo Companheiro descobre em si um misto de sentimentos que lhe desagradam: desil...

O trabalho do Companheiro

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O trabalho do Companheiro é, simultaneamente, a continuação do trabalho do Aprendiz e a realização de uma tarefa diferente. O Aprendiz trabalha no seu aperfeiçoamento e simultaneamente procura conhecer e reconhecer uma significativa quantidade de símbolos e descortinar o seu significado. O Aprendiz trabalha e aperfeiçoa o espírito. Ao Aprendiz pede-se que abstraia das lhanezas do mundo e da vida e que procure subir aos altos planos do Espiritual, do Ético. O Aprendiz recorda que o Homem não é só carne, não é simples animal sobrevivendo no terceiro planeta à roda de uma obscura estrela na ponta de uma das milhares de galáxias existentes no imenso Universo. O Aprendiz relembra, interioriza, que o Homem é também espírito e que esse é o lado nobre da sua natureza. E cultiva esse lado. O Companheiro, sem esquecer tudo isso, continuando a trabalhar nesse sentido, deve voltar de novo a sua atenção para a sua Humanidade, para a sua natureza de Homem. Depois de ter trabalhado exclusivament...

A Passagem

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Chama-se Passagem à Cerimónia pela qual o Aprendiz adquire o estatuto de Companheiro, conferindo-se-lhe o segundo grau da Arte Real. Tal como a Iniciação, a Passagem é um rito... disso mesmo: de passagem. Tal como aquela, tem os três tempos de um rito de passagem: de onde vens, o que és, para onde vais. Mas, ao contrário da Iniciação, a cerimónia de Passagem deixa quase sempre no nóvel Companheiro um travo de desapontamento, uma sensação de que o que ocorreu foi menos do que o que o esperava. Efectivamente, a Cerimónia de Passagem é muito mais simples e sóbria do que a Iniciação. Se pensarmos bem, deve sê-lo! A Iniciação marca a entrada num novo mundo, marca a transição da vida profana para a vivência maçónica. A Passagem assinala apenas o dobrar de uma etapa. Uma marca que, tendo o valor de assinalar um progresso, uma melhoria, um crescimento, no entanto o maçon que dela beneficia já deverá começar a perceber que é só uma pequena parte do muito caminho que ainda tem para percorrer, se...