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O Peso do Malhete

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Na primeira sessão de Julho, fui eleito Venerável Mestre da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues, e e screver ou até pensar nesta frase ainda me parece estranho. É uma mistura de orgulho, alegria, gratidão e, há que dizê-lo, também de algum peso. Ainda não fui instalado, nem tão pouco me sentei na Cadeira de Salomão ou peguei no malhete de VM, mas penso que comecei a sentir o peso da responsabilidade no momento em que o resultado da votação foi anunciado. Na nossa Loja, como em outras, existe a tradição de o caminho até ao Oriente não aparecer de repente, vai-se fazendo através do exercício de diferentes cargos, primeiro observando, depois ajudando, assumindo responsabilidades e aprendendo a olhar para a Loja de diferentes lugares. É um percurso que se vai preparando e que, de alguma forma, também se vai esperando e até ambicionando. Mas uma coisa é sabermos que estamos nesse caminho, outra é chegar o momento em que os nossos Irmãos são chamados a votar.  Por muito que a tradi...
  HUMANIDADE 2 - INTEGRAÇÃO Ruben Portinha Há pouco tempo fui surpreendido pela RTP. Assistia à transmissão de um programa de entretenimento musical com o Fernando Pereira, imitador famoso, cantor, entretainer com carreira longa e cheia de êxitos pelos palcos do mundo. Fernando Pereira apareceu acompanhado por diversos convidados e entre eles uma figura que se cruzou comigo nos idos da TVL por razões que, na época, nada tinham a ver com música. Refiro-me a Ruben Portinha, velho conhecido e pessoa que me deu a honra de poder acompanhar nalgumas das suas atividades, na época muito longe da música que ele hoje interpreta e muito bem, refira-se. O Ruben Portinha é invisual e na época que refiro (estávamos em 2013) era, além de desportista valoroso, Presidente da direção da ANDDVIS ( Associação Nacional de Desporto para Deficientes Visuais) , lutando com enormes dificuldades para manter e desenvolver a atividade de apoio social que era seu objetivo. Foi nessa qualidade que o c...

Regular, Reconhecido, Irregular — três palavras que não significam o que pareces pensar

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O vocabulário que usamos todos os dias na loja merece uma revisão honesta. As frases que já ouviste: "Aquela potência não é reconhecida.", "Esse irmão é irregular.", "O REAA deles é espúrio." Frases assim circulam em qualquer encontro maçónico em Portugal ou no Brasil. Quem as diz raramente está errado na conclusão, mas quase sempre confunde os conceitos pelo caminho.  E a confusão importa porque, quando misturamos  o regular  com o  reconhecido,  chegamos a conclusões que os factos não sustentam. Vale a pena separar as peças. O que é uma potência (e o que não é) Uma potência maçónica (também chamada obediência) é uma entidade que governa as lojas por meio de um Grão-Mestre. O que distingue uma potência de uma confederação é simples: na potência, as lojas respondem a um único Grão-Mestre; numa confederação, várias potências independentes agrupam-se voluntariamente, mas cada uma mantém o seu próprio Grão-Mestre sem responder ao de outra. Em Portugal temos d...

HUMANIDADE 1 - "CAIS"

 Este título tem a ver com o que iremos “blogar” agora e em mais alguns momentos seguintes com referência a uma coluna vertebral a que chamarei Humanidade. Na Maçonaria temos como preocupação central a trilogia Liberdade, Fraternidade, Igualdade e estas 3 grandezas maiores do Homem desenvolvem-se com cada vez maior dificuldade. Nunca foi fácil mas sempre houve quem esperasse que o tempo, esse grande senhor que se calhar não existe (!), desse alguma ajuda com o que poderia ser o amadurecimento do Ser Humano. Acontece porém que o Ser Humano parece teimar em não amadurecer. Pior do que isso, o Ser Humano parece que está a apodrecer antes de amadurecer. Acontece com muitos frutos esse fenómeno. Como se diz no Alentejo como justificação “à patrão, tá tude podre, dê-lhe a bicheza…”. O que constato lamentavelmente, conforme os acontecimentos da vida vão passando, é justamente isso. Parece que o Ser Humano também está “ca bicheza”, “bicheza” que não o deixa amadurecer e o faz cair de podre...

O Primeiro Passo

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Na última sessão da nossa Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues tivemos a alegria de receber um novo Irmão, o João A. Há momentos que, por mais que os queiramos explicar, perdem sempre qualquer coisa quando passam para palavras, a iniciação é um desses momentos. Não porque tenha de ser escondida atrás de mistérios exagerados, nem porque precise de ser envolvida em dramatismos desnecessários, mas porque há experiências que simplesmente têm de ser vividas. E cada um vive a sua iniciação à sua maneira, cada Maçom guarda dela memórias diferentes, emoções diferentes, silêncios diferentes e até dúvidas diferentes. Talvez seja precisamente essa vivência tão própria que torna a iniciação tão especial, todos batemos à mesma porta e todos somos recebidos da mesma forma, o caminho que trilhamos é que nunca é o mesmo. Quem já passou por ela sabe do que falo, quem ainda não passou, por muito que leia ou que lhe expliquem, nunca conseguirá perceber verdadeiramente o que se sente naquele caminho ...

A Prancha que Não Te Pertence

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Você já notou que as pranchas sobre o esquadro e o compasso dizem todas a mesma coisa? Não aproximadamente. Exatamente a mesma coisa, às vezes na mesma ordem. Obviamente, isto não é coincidência. A maioria dos irmãos não escreveu o que apresentou. Existe uma ecologia de textos maçônicos circulando em grupos de WhatsApp, em blogs, em arquivos de Word que circulam sem rastreio. Alguém pesquisa, copia, ajusta dois parágrafos, coloca o nome. O trabalho está feito. A loja ouve. O irmão senta. Ninguém fala nada. Eu entendo o impulso. Um Google, um chatgpt e voilá . Preparar uma prancha do zero é trabalhoso, e a maioria de nós chega ao dia marcado com pouco tempo e muita pressão. Um rascunho de outra pessoa parece uma saída razoável. O problema é que ele resolve a situação de forma incorreta. A Loja não precisa de mais uma exposição sobre o Esquadro. É o aprendiz que apresenta que precisa ter pensado no que aquele símbolo significa para ele. Isso é diferente. Quando você passa meses tenta...

Ser Companheiro

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Entre o entusiasmo do Aprendiz e a maturidade do Mestre existe um caminho muitas vezes esquecido, o caminho do Companheiro! O Aprendiz trabalha sobre si mesmo, aprende o silêncio, a disciplina e a observação. Descobre, também, que a pedra mais difícil de desbastar já foi encontrada, não longe mas mesmo assim muitas vezes é preciso um espelho para percebe que é a sua própria pedra bruta. Com o tempo, mais curto ou mais longo, mas seu e só seu, o aprendiz percebe que é o momento em que esse trabalho interior já não basta, é preciso levantar os olhos da pedra e compreender a construção. Ser Companheiro é precisamente isso. É deixar de olhar apenas para a tarefa e começar a perceber a Obra, é aprender a medir, a comparar, a questionar e a procurar conhecimento. Não por mera curiosidade intelectual, mas porque cada novo saber amplia a nossa capacidade de servir. No Rito Escocês Antigo e Aceite, o Companheiro é convidado a percorrer um caminho marcado pelos cinco sentidos, pelas artes lib...