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O Sol não muda. Nós é que mudamos de hemisfério.

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Na quarta-feira, depois da sessão, durante o nosso ágape, surgiu uma conversa curiosa sobre algo do dia a dia que raramente notamos. Em Portugal o Sol culmina a Sul, no Brasil culmina a Norte. É um facto. Esta constatação levou-nos a uma pergunta que começou por ser quase técnica, mas que rapidamente se tornou maçónica. Se o ponto mais alto do Sol muda de lado conforme o hemisfério, será que também o seu significado simbólico muda? Será que aquilo que para nós, em Portugal, representa plenitude, “lá em baixo” representa sombra? Onde se sentam os irmãos Aprendizes no Brasil? No Sul? Não foi uma pergunta de resposta imediata. Temos a sorte de ter irmãos brasileiros na Loja, mas talvez o mais interessante nem tenha sido a resposta, foi termos parado para pensar nela. Desde tempos imemoriais que o homem organiza o seu espaço segundo o movimento do Sol. Templos megalíticos alinhados com solstícios, cidades orientadas pelo nascer da Luz, civilizações que estruturaram o calendário a partir do...

O que Eu ganhei por ser maçom...

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Se perguntarem a um grupo de maçons o que ganharam com a Iniciação, as respostas tendem a ser muito similares, falam de ética, de fraternidade, de tradição, de serviço. E é verdade, sem dúvida, mas talvez seja uma resposta muito genérica ou muito politica. Há mais, bem mais... uma dimensão mais crua, mais humana, menos “de manual”.  Comecemos pelo mais ouvido e que, para mim é sim ou sim... Uma bússola para o aperfeiçoamento moral O mais citado é talvez o acesso a um caminho coeso de educação moral e filosófica. A maçonaria faz-nos integrar num sistema profundo de iniciação que explora a natureza da alma e os deveres do cidadão. Ganha-se, assim, uma estrutura intelectual que ajuda a navegar pelas complexidades da vida moderna com base em princípios éticos sólidos. A pertença a uma fraternidade universal A Maçonaria é uma fraternidade universal que transcende fronteiras geográficas e linguísticas, o maçom Ganha a capacidade de conhecer “irmãos” de diferentes origens, partilh...
A VOLTA DO “TEMPO”... QUE EU NÃO TENHO ! Os últimos textos publicados pelos meus Irmãos Fábio Serrano e João B. sobre o "tempo" reavivaram uma chama que se tem mantido latente a corroer-me o juízo. É obviamente uma questão pessoal, esta que refiro ter sido reavivada, mas que sendo esta referência meramente pessoal não é mais do que o reflexo de uma das doenças (doença digo eu…) que tem corroído a relação humana tal como a conhecemos, sendo que os mais antigos como eu, a conheceram nos idos dos meados do séc. XX. Na época a vida conseguia ser bem vivida esperando umas horas, vulgarmente não menos de um dia,  pelas conclusões de uma qualquer reunião importante dos políticos locais, ou pela informação dos vencedores dos Globos de Ouro , ou por… quase tudo ! Falar ao telefone era coisa que se fazia uma vez de 2 em 2 dias, nos pares de dias em que se falava ao telefone.  Primeiro era necessário que houvesse um telefone, depois que ele estivesse disponível, depois ainda e mais di...

Sobre o tempo que deixámos de ter

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 O texto recente do Ir∴ Fábio Serrano fez-me parar, não porque seja uma denúncia inédita, mas porque coloca o dedo num ponto que muitos de nós preferimos contornar. A Maçonaria não se tornou menos valiosa, tornou-se mais difícil de habitar. E essa dificuldade não nasce de uma crise moral da Ordem, mas de uma transformação profunda da sociedade onde ela tenta continuar a existir. Entre os vários “ladrões de tempo” que o Fábio identifica, com lucidez, o entretenimento digital, a obsolescência profissional, a paternidade intensiva, o futebol transformado em Big Brother, há um fio comum que atravessa tudo, a erosão do Tempo enquanto espaço habitável. Vivemos numa sociedade que não apenas ocupa o tempo, mas o fragmenta. O tempo deixou de ser um campo onde se permanece e passou a ser um corredor de passagem. Tudo é feito em trânsito, em simultâneo, em aceleração constante. Já nem o lazer escapa a esta lógica, a juventude de hoje em dia consome os conteúdos acelerados, vídeos a 1.5x ou 2...
                                                   Prancha de Instalação Em 2007 (ano profano), quiseram os Obreiros da RLMAD:. que me coubesse a ocupação da cadeira de Salomão para o Veneralato que se iniciava. Nessa altura li a prancha que agora aqui recordo. É à Glória do Grande Arquiteto do Universo que Vos dirijo o texto seguinte: Q. I. José Moreno  / QQ.II. Convidados / Queridos Irmãos 3 é um número com significado maçónico. Então sejam 3 os agradecimentos a fazer.   Para os nossos II:. Pinto Ferreira e AM Jorge vai o primeiro. Foram os meus inquiridores e foram os primeiros a serem enganados.   Depois o nosso I:.J.Moreno me deu entrada nesta casa e quis o GADU:. que também ele presidisse a esta instalação. Ao I:. J.Moreno dirijo o meu segundo agradecimento, porque em condições contrárias às “boas Práticas”, me aceitou no iníci...

O estoque encalhou. É hora de pormos a maçonaria nos saldos?

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Tenho refletido muito sobre uma provocação que o meu querido irmão JR me fez recentemente: a de que, a cada dia que passa, a Maçonaria se torna um "produto" menos vendável. Não porque a qualidade da nossa "mercadoria" moral tenha decaído, mas porque o mercado onde operamos sofreu um choque tectónico. A verdade inconveniente é que já não competimos apenas com outras ordens discretas ou clubes de serviço; competimos ferozmente pelo "novo petróleo" dos tempos modernos: a atenção e o tempo dos homens. E nessa economia de escassez, onde a atenção é a moeda mais valiosa e volátil, o nosso modelo de "negócio"exige um investimento temporal altíssimo com retorno difuso e diferido: tudo que está tecnicamente em falência para as novas gerações.  O cenário é de uma clareza brutal quando olhamos para os "ladrões de tempo" que nos cercam, começando pela colonização digital do nosso lazer. Vivemos na era do entretenimento de "atrito zero", o...
  Dia 17 de Janeiro de 2026 em Portugal   Pois bem reflitamos então um pouco acerca do dia de hoje. Liberdade, Igualdade, Fraternidade ! Quando o calendário é feito no início do ano constatamos que todos os dias serão previsivelmente iguais. Muda-se o número do dia no mês e o nome do dia na semana.  E é tudo. Dia a dia, semana a semana, mês a mês durante 12 meses. Acontece depois que cada dia toma uma personalidade própria. A Natureza encarrega-se de pôr diferenças em cada dia que vamos vivendo. Chuva hoje, vento amanhã, calor e sol a seguir… O Homem trata de dar uma ajuda a diferenciar cada dia de cada dia. Hoje um tratado, amanhã uma doença, guerra a seguir… mais uns discursos, umas promessas, um salvamento, um nascimento, uma morte… Os dias que nasceram todos iguais acabam todos diferentes. É o espelho da nossa própria existência. A “Mãe Natureza” encarrega-se de distribuir “qualidades” conforme Lhe vai apetecendo (é uma simplificação conveniente pa...