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As Lojas e a Grande Loja: conceção centralista - e sua crítica

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A Maçonaria só se estabeleceu, expandiu e evoluiu a partir da criação de Grandes Lojas. O relacionamento internacional faz-se entre Grandes Lojas e ou Grandes Orientes, não diretamente entre Lojas. A estrutura logística de funcionamento e de reunião é assegurada pelas Grandes Lojas e são estas quem efetua a coordenação da utilização dessas estruturas pelas várias Lojas. São as Grandes Lojas que assumem a preservação da cadeia iniciática, a manutenção dos princípios fundamentais e a disciplina de comportamento de Lojas e obreiros. A unidade das práticas rituais necessita de coordenação e prevenção de desvios e alterações que só pelas Grandes Lojas ou Grandes Orientes pode ser assegurada. Estas e outras afirmações - no essencial corretas, acentue-se - fundamentam a conceção centralizadora do relacionamento entre a Grande Loja, ou Grande Oriente, e as Lojas da sua jurisdição. Para esta conceção, as Lojas transferiram para a sua estrutira superior um conjnto de competências que or...

Tentar tirar sentido do que não tem sentido

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Mais de seis dezenas de mortos. Mais de seis dezenas de feridos, alguns com gravidade. Mais de uma centena de pessoas que ficou com a sua casa destruída ou fortemente danificada. A maior tragédia do género de que há memória recente em Portugal. Um incêndio grassa desde sábado na zona centro de Portugal. Ainda não está debelado no momento em que escrevo.  Todos os anos Portugal é assolado pelas chamas. Clama-se contra o eucalipro. Denuncia-se a falta de prevenção. Aponta-se o dedo a incendiários. Prometem-se medidas. Reforçam-se meios. Mas todos os anos recomeça o calvário. No entanto, desta vez não há dedos a apontar, culpas a denunciar. Desta vez, pura e simplesmente aconteceu porque a natureza fez acontecer e nada nem ninguém podia ter evitado que acontecesse. Uma trovoada seca. Um raio que cai sobre uma árvore e a incendeia. Temperatura altíssima, da ordem dos quarenta graus centígrados. Humidade baixíssima. O incêndio que a natureza ateou propaga-se como um rasti...

Goose and Gridiron

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(sinal original da taberna "Goose and Gridiron") É conhecido o relato segundo o qual, a 24 de junho de 1717, quatro lojas maçónicas se teriam reunido na taberna "Goose and Gridiron" (Ganso e Grelha) e aí constituido a primeira Grande Loja e eleito o seu primeiro Grão-Mestre. Este acontecimento é consensualmente considerado o "dia zero" da Maçonaria Especulativa. Não obstante a sua importância, não chegou aos nossos dias qualquer prova documental deste evento: nem uma ata (que só começaram a lavrar-se em 1723), nem uma lista, nem sequer um simples relato em primeira mão. De facto, o registo mais antigo de que dispomos são as Constituições de Andersen, na sua edição revista de 1738 - ou seja, 21 anos depois. Curiosamente, a versão original - de 1923 - nada refere a este respeito. Muito se especula, três séculos volvidos, quanto à precisão histórica da descrição de Andersen. Armas da Worshipful Company of Musicians O que é certo é que, num loc...

As Lojas e a Grande Loja: conceção basista - e sua crítica

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Em 24 de junho de 1717, quatro Lojas maçónicas londrinas reunidas na taberna Goose and Gridiron  decidiram associar-se numa Grande Loja e eleger um Grão-Mestre que a todos os seus obreiros representasse. Foi assim que, em síntese, James Anderson registou o nascimento da primeira Grande Loja macónica, hoje normalmente designada por Premier Grand Lodge . Este é o facto que se convencionou constituir o nascimento da Maçonaria Especulativa. Foram quatro Lojas que se associaram e decidiram constituir uma Grande Loja. Foram essas quatro Lojas e os seus respetivos obreiros que decidiram eleger um Grão-Mestre. São as Lojas que dão origem às Grandes Lojas. São os maçons que escolhem o Grão-Mestre. Esta inegável verificação constitui a base fundamentadora da conceção basista do relacionamento entre as Lojas e as respetivas estruturas agregadoras (Grandes Lojas ou Grandes Orientes). Para esta conceção basista, a origem do poder está nas Lojas e nos respetivos obreiros, tanto assim...

O Venerável Mestre, o Grão-Mestre e os obreiros da Loja

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O meu último texto, que intitulei A aventalite , mereceu vários comentários, quer neste blogue, quem numa rede social onde o mesmo foi publicado. Um dos comentadores fez uma afirmação que merece nela nos detenhamos. Rezava esse comentário, na parte que aqui interessa: "(O Venerável Mestre)  como todos sabemos e conhecemos pelo Regulamento Geral, é o único representante em Loja do Muito Respeitável Grão-Mestre." Factualmente, e no que respeita à GLLP/GLRP, este comentador tem toda a razão no que afirma. O art. 64.º, n.º 3, do Regulamento Geral da GLLP/GLRP dispõe expressamente: "O Venerável Mestre em Loja representa o Grão-Mestre." Norma vigente é norma para ser respeitada - e ponto final! Mas tal não implica que não se possa - em bom rigor, mesmo, não se deva! - analisar a pertinência de uma norma, na perspetiva do aperfeiçoamento futuro da regulamentação.  Do meu ponto de vista, esta norma vigora e, enquanto vigorar deve ser respeitada, mas...

O Painel de Aprendiz

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Tal como está no nosso ritual na página 15, vamos aborda-lo de baixo para cima e da esquerda para a direita 1.     Piso branco e preto O pavimento, alternadamente em preto e branco, simboliza, os Princípios de Bem e do Mal, simboliza a guerra entre Miguel e Satanás, dos Deuses e Titãs, entre a luz e a sombra, dia e noite, da Liberdade e Despotismo; O que é bom para mim pode ser mau para ti. Neste Grau de Aprendiz, o pavimento mosaico representa o piso térreo do Templo do Rei Salomão. 2.    As Colunas, os 3 degraus e as Romãs O local de reunião de uma Loja maçónica tem por entrada um espaço delimitado por duas colunas. Estas evocam as duas colunas que existiam no átrio do Templo de Salomão, descritas na Bíblia no 1.º Livro dos Reis, capítulo 7, versículos 15-22: As Colunas “B” e “J”, estão presentes em todos os templos maçônicos e sua posição varia conforme o Rito. Nos Ritos: Escocês, York, Schroeder, a Coluna “B” fica à esquerda e a “J” à di...

A aventalite

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A aventalite é uma afeção que assola alguns maçons, geralmente de forma aguda, passageira e facilmente curável, mas podendo evoluir para uma forma crónica, essa necessariamente mais séria e com um tratamento mais demorado e cura mais problemática. Manifesta-se por uma despropositada inflação do ego, injustificada sensação de superioridade, perturbador sentimento de poder e, nos casos menos ligeiros, inadequado comportamento em relação aos seus iguais, vistos pelo afetado como inferiores ou subordinados, por não usarem aventais XPTO. A aventalite é suscetível de atacar Grandes Oficiais e dignitários de Altos Graus, independentemente da Obediência, seja Grande Loja ou Grande Oriente, assuma orientação mais anglo-saxónica ou mais francesa, e pode atacar tanto homens como mulheres, embora empiricamente pareça ser mais frequente naqueles.   O tratamento da sua forma aguda é fácil e geralmente eficaz, se aplicado na fase inicial da doença. Consiste numa severa e sonora c...