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A maçonaria vista de fora - vista de dentro

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Hoje comecei por pensar escrever simplesmente sobre "A maçonaria vista de fora", mas nesse caso versaria sobre o que quem está de fora vê da Maçonaria. Vi então que não era o que pretendia. Pretendo antes mostrar um pouco do que, quem está dentro, vê quem, de fora, tenta espreitar para dentro. Há muita coisa disponível na Internet, em Livrarias, alfarrabistas, bibliotecas, enfim... um pouco por todo o lado. Quando me comecei a interessar pela maçonaria não me coibi de perguntar a quem tinha paciência para me responder. Ao mesmo tempo, comecei a comprar livros, a procurar filmes e videos, e a ler outros sites. Muito do que sobre Maçonaria se lê na Internet é de duvidosa qualidade, mas eu lá ia - ou assim acreditava - conseguindo separar o trigo do joio. A certa altura, quando contei, muito orgulhoso - creio que ao José Ruah - que estava a ler "The Meaning of Masonry" , de Walter Leslie Wilmshurst, ele respondeu-me com certa secura algo como "Eu não perderia t...

Origem e primórdios do Rito Escocês Antigo e Aceite - hipótese sobre o nome

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O exílio dos Stuart em França originou que grande parte da nobreza católica, particularmente escocesa, mas também católicos ingleses, se refugiasse também em França. Muitos desses nobres eram já maçons Aceites. Foram-se constituindo e reunindo em França as primeiras Lojas maçónicas, Lojas maçónicas dos "Escoceses", que reproduziam os rituais que tinham aprendido na Escócia, muito similares - por menos ou nada expostos às alterações a partir de 1717 introduzidas pelos "Modernos" da Premier Grande Loja de Londres - aos rituais recebidos da Maçonaria operativa e aos que viriam, poucos anos mais tarde, a ser defendidos e praticados pela Grande Loja dos Antigos. Esta, na minha opinião - que friso dever ser tida como hipótese, até agora não infirmada, mas carecendo de confirmação cabal -, a origem remota do nome que, umas décadas mais tarde, veio a ser conferido ao rito que acabou por se estabelecer: Rito Escocês Antigo e Aceite. Escocês, porque derivando dos "Escoce...

Votar: direito e dever individual

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Houve hoje, em Portugal, eleições para a Presidência da República. Acompanhei durante as últimas semanas - como, de resto, muitos outros portugueses - os factos e as histórias, as verdades e meias verdades, as cabriolas e acrobacias que cada uma das campanhas apresentava ao eleitorado - a cada um de nós, portanto. Todos assistimos às alianças feitas e desfeitas, aos jogos de conveniências, aos ataques, às defesas, às vítimas silenciosas, aos que gritavam ser vítimas, aos que se faziam de vítimas, às virgens ofendidas, às faces estoicamente  impassíveis, às caras desavergonhadamente impassíveis, às explicações impossíveis, à esperança na mudança, ao desespero pela mudança, à indiferença face à expetativa da mudança das moscas, ao frenesim das contagens, ao sentido do dever cumprido, ao cansaço ao fim de um dia comprido. Em conversa com uma amiga minha - que priva com alguns políticos dos dois maiores partidos - comentou esta que, não obstante haver, como era sabido, can...

Origem e primórdios do Rito Escocês Antigo e Aceite - Antecedentes em Inglaterra

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William e Mary Para se entender as circunstâncias do surgimento e estabelecimento do REAA, há que começar por relembrar alguns factos anteriores, quer especificamente relacionados com a Maçonaria, quer factos históricos em geral. As Lojas operativas de construtores em pedra regulavam o ofício e transmitiam os ensinamentos a ele inerentes, conjuntamente com normas éticas e conhecimentos científicos vindos de tempos imemoriais, particularmente no domínio da Geometria. Foram essenciais na regulação do ofício da construção em pedra por toda a Idade Média. Porém, o Renascimento, a difusão, tímida mas paulatina, do Conhecimento, facilitada pela divulgação na Europa da impressão mecânica - e consequente embaratecimento e disponibilidade de livros -, a aquisição por operários exteriores às Lojas das técnicas de construção, foram insensível mas inevitavelmente desgastando a capacidade de influência e a relevância social das Lojas operativas. Cada vez mais sabiam construir sem terem aprendido a ...

Os que ficam pelo caminho

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"Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade!" Assim escreveu o Rui Bandeira num texto publicado em 2008, ainda não tinha eu recebido o meu avental branco. Na altura, quando o li, achei estranho o tom, a naturalidade, e o que tomei por critérios de seleção apertadíssimos. Recordo-me de ter pensado algo como "Estes tipos não brincam em serviço... Devem ser bestialmente exigentes, e só escolhem os melhores para progredir... Isto devem ser chumbos de três em pipa..." Estava tão enganado! Com o tempo vim a perceber que dificilmente a Loja "chumbava" fosse quem fosse, a não ser nas circunstâncias mais excecionais, mas que, não obstante, o Rui tinha razão: havia muitos que ficavam pelo caminho. Mas se a Loja não chumbava ou impedia a progressão, quem o fazia então? Ora... o próprio, quem mais?! Comecei a pe...

Origem e primórdios do Rito Escocês Antigo e Aceite - Introdução

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O Rito Escocês Antigo e Aceite é hoje um dos mais praticados ritos maçónicos no Mundo. Milhares e milhares de maçons o executam. Os seus ensinamentos são objeto de reflexão. As suas cerimónias tocaram e tocam o coração dos que neste rito trabalham. Embora com as normais variantes locais, é hoje um rito estabilizado, em que cada um, independentemente da sua língua ou da especificidade nacional, em qualquer parte do mundo o reconhece e facilmente se integra na sua execução. No entanto, poucos conhecem a sua origem e as vicissitudes dos seus primórdios - no fundo, aquilo que fez deste rito o que ele é hoje. Nos Estados Unidos - apenas com a residual exceção de meia dúzia de "lojas vermelhas" na Louisiana - o Rito Escocês Antigo e Aceite não é praticado nos três graus simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre), existindo apenas como Sistema de Altos Graus, os chamados graus filosóficos. Na Europa, na América Latina e um pouco por todo o resto do Mundo, porém, o Rito Escocês Anti...

Porquê "meu irmão", e não "meu amigo"?

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Os maçons tratam-se, entre si, por "irmão", tratamento que é explicitamente indicado a cada novo maçon após a sua iniciação. Imediatamente após terminada a sessão de Iniciação é normal que todos os presentes cumprimentem o novo Aprendiz com efusivos abraços, rasgados sorrisos e, entre repetidos "meu irmão", "meu querido irmão" e "bem vindo, meu irmão", recebe-se, frequentemente, mais afeto do que aquele que se recebeu na semana anterior. O que seria um primeiro momento de descontração torna-se, frequentemente, num verdadeiro "tratamento de choque", num momento de alguma estranheza e, quiçá, algum desconforto para o novo Aprendiz. Afinal, não é comum receber-se uns calorosos e sinceros abraços de uns quantos desconhecidos, para mais quando estes nos tratam - e esperam que os tratemos - por irmão... e por tu! Sim, que outro tratamento não há entre maçons, pelo menos em privado - que as conveniências sociais podem ditar, em público, dist...