Atalhos

10 julho 2026

HUMANIDADE 1 - "CAIS"

 Este título tem a ver com o que iremos “blogar” agora e em mais alguns momentos

seguintes com referência a uma coluna vertebral a que chamarei Humanidade.

Na Maçonaria temos como preocupação central a trilogia Liberdade, Fraternidade,

Igualdade e estas 3 grandezas maiores do Homem desenvolvem-se com cada vez maior

dificuldade.

Nunca foi fácil mas sempre houve quem esperasse que o tempo, esse grande senhor que

se calhar não existe (!), desse alguma ajuda com o que poderia ser o amadurecimento do

Ser Humano.

Acontece porém que o Ser Humano parece teimar em não amadurecer.

Pior do que isso, o Ser Humano parece que está a apodrecer antes de amadurecer.

Acontece com muitos frutos esse fenómeno. Como se diz no Alentejo como justificação “à

patrão, tá tude podre, dê-lhe a bicheza…”.

O que constato lamentavelmente, conforme os acontecimentos da vida vão passando, é

justamente isso. Parece que o Ser Humano também está “ca bicheza”, “bicheza” que não

o deixa amadurecer e o faz cair de podre.

A Maçonaria tenta aproveitar o que possa haver de são para manter a qualidade deste

“produto” procurando salvar os possíveis de forma a que com alguma atenção se possa

produzir mais frutos sãos, capazes de resistir à tal de “bicheza”.

Mas não está fácil !

O entendimento do que é entre Humanos, ser Igual, ser Fraterno e ser Livre não tem

conseguido a recetividade que, entendemos nós, é indispensável para salvar este “pomar”.

Pelo contrário, o que vemos é a epidemia cada vez mais espalhada, mais dispersa, com o

resultado miseravelmente destruidor que está bem à vista ( e ao ouvido, e ao tacto…) de

todos os que se recusam a viver distraídos.

Há, neste “pomar”, frutos ainda sãos ?

Há e trago para o “A-Partir-Pedra” alguns exemplos. São casos isolados ? Gostaría que

não fossem, gostaria que pudessem ser realmente os exemplos a seguir por todos neste

percurso a que chamamos Vida.

São casos que são mantidos como que em segredo. Parece que o tempo (o tal senhor que

se calhar não existe) é pouco para coisas importantes como o futebol, para o detalhe bem

minucioso dos assassinatos ordenados por mentecaptos julgados poderosos ou por

desastres naturais destruidores de milhares de seres humanos. Não resta tempo para

evidenciar a fruta sã, ocupados como andamos a cheirar a fruta podre !

O sentido da nossa Cadeia de União ensina-nos a dar atenção à qualidade da vida

humana e à forma como vivemos a nossa condição de Humanos.

A Maçonaria que é importante dentro do Templo é muito mais importante fora dele.

Maçonaria faz-se, a sério mesmo, na rua porque é aí que estão os restantes nossos

Irmãos em quem pensamos (ou deveríamos pensar) quando falamos de Liberdade,

Fraternidade, Igualdade.

E porque a fruta sã deve ser exposta o mais possível para conhecimento de todos, e

exemplo, e ensinamento, e cópia, deixo-vos um pequeno trabalho chamando a atenção

para o facto de ter sido produzido em 2013 (!). Se não perceberem que foi há 13 anos…

então é porque o tempo parou na fruta podre !


Julho/6026

J.PaivaSetúbal (MM:.)

04 julho 2026

O Primeiro Passo

Na última sessão da nossa Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues tivemos a alegria de receber um novo Irmão, o João A.


Há momentos que, por mais que os queiramos explicar, perdem sempre qualquer coisa quando passam para palavras, a iniciação é um desses momentos. Não porque tenha de ser escondida atrás de mistérios exagerados, nem porque precise de ser envolvida em dramatismos desnecessários, mas porque há experiências que simplesmente têm de ser vividas. E cada um vive a sua iniciação à sua maneira, cada Maçom guarda dela memórias diferentes, emoções diferentes, silêncios diferentes e até dúvidas diferentes. Talvez seja precisamente essa vivência tão própria que torna a iniciação tão especial, todos batemos à mesma porta e todos somos recebidos da mesma forma, o caminho que trilhamos é que nunca é o mesmo.

Quem já passou por ela sabe do que falo, quem ainda não passou, por muito que leia ou que lhe expliquem, nunca conseguirá perceber verdadeiramente o que se sente naquele caminho entre a profanidade e a Luz, entre aquilo que se deixa para trás e aquilo que começa a nascer dentro de nós. A quem vier por bem e com vontade sincera de se melhorar, resta apenas dizer que tudo comoeça com um simples bater à porta.

Agora, ponto importante. A iniciação não faz, como por magia, de um homem um Maçom completo, longe disso. Se assim fosse, a Maçonaria seria apenas uma cerimónia bonita. E não é. A iniciação é antes o primeiro passo, é o momento em que alguém bate à porta, é recebido, é confrontado consigo próprio e começa uma caminhada que, se for levada a sério, nunca mais termina.

Talvez seja isso que a torna tão especial, não é o segredo ou o "aparato" ritual. Não é nem sequer a emoção natural do momento, penso que seja a percepção que estamos perante alguém que decidiu começar a trabalhar a sua pedra bruta, acompanhado por outros homens que, no fundo, continuam exatamente no mesmo trabalho.

Nenhum maçom é Justo e Perfeito, no fim de contas somos homens, mas almejamos e trabalhamos para que passo a passo, nos tornemos um pouco mais justos e perfeitos que no passo anterior. Todos continuamos a aprender, a cair, a corrigir, a melhorar, a discutir, a ouvir, a duvidar. A crescer.

Na passada quarta-feira, a Loja esteve viva. E quando uma Loja está viva, sente-se. Sente-se no silêncio, na atenção, nos gestos, nos olhares e naquele sentimento difícil de explicar de que algo importante aconteceu ali, mesmo que o mundo lá fora continue igual.

Ao João A., desejo que encontre entre nós não apenas uma Loja, mas uma Oficina. Um lugar onde se trabalha, onde se aprende, onde se serve e onde se cresce. Que encontre Irmãos verdadeiros, daqueles que ajudam, corrigem, acompanham e também sabem rir à mesa depois dos trabalhos.

A iniciação é só o primeiro passo. Mas há primeiros passos que mudam para sempre a forma como olhamos o caminho.

E talvez seja essa a verdadeira magia maçonica.

João B. M∴M∴