25 setembro 2014

Campanha VER MAIS


Já precisou de mudar de óculos, por alteração da graduação das lentes?

Já substituiu os óculos do seu filho ou da sua filha porque ele ou ela cresceu e os óculos antigos já não lhe serviam?

Tem os óculos substituídos guardados lá em casa? Para quê? Não vai voltar a usar a graduação antiga... E os seus filhos não vão encolher... E a probabilidade de a criança mais nova vir a ter exatamente a mesma necessidade de óculos com a precisamente mesma graduação que foi necessária para a sua mais velha é ínfima... Então tem os óculos lá em casa apenas para (a) ocupar espaço; (b) um dia qualquer fartar-se disso e deitá-los fora.

Pois bem, foi lançada e está em curso até 15 de dezembro a campanha VER MAIS. 

A ideia surgiu na sequência de um comentário de um amigo de que, lá em Moçambique, onde agora se encontra por razões profissionais, é frequente pedirem-lhe que empreste os seus óculos para que alguém os utilize brevemente para uma comezinha tarefa (enfiar uma linha numa agulha, por exemplo) e logo os devolva, agradecido e aliviado, porque, pura e simplesmente, a generalidade da população não tem efetivo acesso a coisas para nós tão vulgares como óculos e oftalmologistas. Pura e simplesmente, quem vê mal, mal vê. É assim e será assim por, infelizmente, ainda bastante tempo...

Portanto, parece lógico que é muito mais útil utilizar os nossos já inúteis óculos, que já só nos servem para ganhar pó e ocupar espaço, para os enviar para onde não há e são precisos para que outras pessoas possam VER MAIS.

Não nos preocupemos com o acerto das dioptrias. Quem precisaria de lentes com duas dioptrias, se tiver à sua disposição óculos com uma dioptria e meia, não fica a ver perfeitamente, mas seguramente que consegue VER MAIS do que com nenhuma...

Portanto, o apelo fica feito: pegue nos seus óculos antigos e já sem uso e envie-os por favor (já agora deixe-me abusar: se puder mandar também a caixa ou o estojo, ajuda muito a mantê-los inteiros e em bom estado no transporte...) envie-os para 

ASSOCIAÇÃO MESTRE AFFONSO DOMINGUES
Estrada de Telheiras, 102
1600-771 LISBOA

Se não puder ou quiser ter a despesa ou o incómodo de proceder ao envio, não seja por isso: mande uma mensagem de correio eletrónico indicando o número de pares de óculos que oferece, a sua morada e o seu número de telefone de contacto para


 e, em Portugal, nós arranjaremos maneira de providenciar que alguém vá buscá-los.

O armazenamento, o envio para Moçambique e a distribuição a quem necessita lá em Moçambique fica por nossa conta... Uma garantia damos: os óculos assim obtidos serão DADOS ou disponibilizados GRATUITAMENTE em centros comunitários, para serem usados por quem e quando necessite. Ninguém obterá um cêntimo de receita com eles. Fazemos ponto de honra disso!

Quem tem óculos já em desuso, mãos à obra, que podem ainda ser de novo úteis a quem precisa!

Quem não tem, também pode ajudar: use a função corta e cola do seu computador, copie este texto para uma mensagem de correio eletrónico, e envie-a para todos os seus contactos, com pedido para que façam o mesmo. É spam, reconheço-o, mas é por uma boa causa: é para que alguns bem menos privilegiados na vida do que nós, possam VER MAIS.

Rui Bandeira

22 setembro 2014

A importância da Família na Maçonaria...

 (imagem proveniente de Google Images)
 
 
Para um maçom é muito importante o apoio que lhe é prestado pela sua família face à quantidade de ausências do seu ambiente familiar  que vão sucedendo ao longo dos anos para cumprimento dos seus deveres maçónicos. Deveres estes que, na maioria dos casos, serão a frequência das sessões da Respeitável Loja a que pertença, as assembleias gerais da sua Obediência, atividades que sejam promovidas pela sua Respeitável Loja tanto no mundo profano como internamente; bem como para a assistência de cursos, debates, tertúlias e palestras que lhe interessem tanto nas várias áreas do Esoterismo como no âmbito da Maçonaria em geral.
 
Digo que é necessário este apoio,  porque com o passar do tempo é normal existir sempre algum desgaste natural nas relações familiares e por vezes as sistemáticas ausências que levam o maçom a sair do seu lar, poderão criar brechas no seu relacionamento marital se estas saídas não forem entendidas ou bem compreendidas pela sua esposa e família. Por isso é necessário também existir uma certa maturidade e confiança entre ambos para que continue acesa a tal “chama” que nos aquece o coração e que nos alimenta a alma.
Se a vida familiar de um maçom não se encontrar com a estabilidade necessária a este tipo de relacionamento, o elevado absentismo que vai existir no seu quotidiano será sempre uma fonte de crítica por parte de uma esposa ou família que se sentirão colocadas à margem da vida do casal em detrimento da vida e família maçónica.
Mas porventura o que nunca deverá acontecer (!!!) será o maçom se desculpar com as suas atividades maçónicas para justificar as suas constantes ausências para ter um comportamente menos lícito e incorreto com a sua cara-metade. - Quando um maçom disser à sua família que “vai à Loja”, é para ir mesmo! - Pois a mentira não faz parte da conduta que se espera de um maçom; o qual deverá nunca esquecer que é um homem de “bons costumes” e que deverá ser naturalmente um bom “chefe de família”.
Todavia, durante o processo de candidatura de um profano a maçom, é usual existir um contato entre os inquiridores instruídos desse processo com a família do candidato para se aferir qual o nível de aceitação que a família terá em relação à proposição do seu familiar. Pois se a família discordar, a candidatura estará “ferida de morte” logo no seu início. Pois possivelmente se for deferida esta proposição, as presenças deste novo membro em loja serão fortuitamente escassas para o que se esperaria dele. E a frequência das sessões da sua Respeitável Loja é obrigatória a todos os seus membros salvo motivo que seja atendível e aceite pelo seu Venerável Mestre (o responsável da Loja).
No âmbito desse contato, também é informada a família de algumas das obrigações do candidato nomeadamente na questão da sua presença nas sessões de loja bem como das obrigações pecuniárias que terá de cumprir, ou seja, a joia e quota mensal/anual de loja.
O que demonstra que a opinião da família é sempre deveras importante, ou não fosse a família a base estrutural da nossa sociedade. E este contato possibilita ainda à família saber o quanto é relevante também, para a futura loja que cooptará o seu familiar.
Algumas das mais valias que a família dos maçons terão/têm à sua disposição, são a possibilidade de conhecer gente que doutra forma não conheceria e que estaria fora do seu círculo habitual de amizades ou o estreitamento dos laços de amizades com outras pessoas com quem já se relacionaria num âmbito mais superficial para além de puder  confraternizar nos vários eventos que vão sendo organizados tanto pela Loja como noutros organizados a “descoberto”… Cimentando  assim, os laços que unem os maçons entre si e que se estendem às suas respetivas famílias. Sendo que na generalidade da sociedade civil mas principalmente em “meios pequenos”, as amizades e famílias maçónicas/profanas  quase se confundem, pois é sempre mais fácil o relacionamento entre Irmãos e/ou com gente que comungue dos mesmos príncipios de vida.
Existem vários tipos de família, umas grandes, outras pequenas, mas a família maçónica será sempre singular e bastante eclética…
Seja em Portugal ou no mundo inteiro, um Irmão será sempre um irmão… e isto para mim será sempre o mais importante. Ou não fosse esta  a família que escolhi, a nossa Família!


15 setembro 2014

Ser reconhecido Maçom...


(imagem retirada de Google Images)

Para alguém ser considerado maçom, primeiramente terá de ser reconhecido por outro como tal. Depois terá de passar por uma conjunto de processos após os quais será aceite ( ou não) por uma Respeitável Loja e a sua consequente Iniciação.

Mas não é tão fácil como o parágrafo anterior se apresenta, mas também não será tão difícil como se poderá supor.
Nas Maçonarias tipicamente anglo-saxónicas é usual a célebre afirmação “2B1ASK1” ou seja “ To Be One, ask One” ( Para ser Um, Pergunte a Um; numa tradução literal), o que permitirá mais facilmente atrair mais gente a esta Augusta Ordem.
Mas por norma, qualquer Obediência (Potência Maçónica) tem um domicílio físico, isto é, uma porta onde se poderá bater no caso de que algum potencial candidato que se interesse ou identifique com os princípios e causas maçónicas se puderá dirigir caso não tenha nenhum conhecido que seja maçom na sua lista de contatos ou esfera de influência. Ou também, o que sucede bastantes vezes, não tenha sido reconhecido ainda por algum outro maçom.

Mas que “reconhecimento” é esse que acabei de falar?!
Nada mais nada menos que tal como os maçons afirmam, que se reconheça em alguém que seja uma pessoa “livre e de bons costumes”, com um comportamento probo e honesto; que seja alguém considerado com bom “pai de família” e um bom colega de trabalho pelos seus pares; que esteja inserido na sociedade onde viva e que tenha vontade em aprender e partilhar o que sabe com outrem; bem como ter também a vontade em auxiliar o seu semelhante.

Todavia, e aqui algo que poderá criar confusão na mente de algumas pessoas, o candidato terá de ser alguém com defeitos, ou seja, alguém que identifique e reconheça os seus defeitos pessoais e tenha a vontade e ambição de mudar o seu comportamento para melhor - “vencer os seus vícios e paixões”… - evoluindo como pessoa e ser humano que é, através de uma via espiritual e iniciática que neste caso preciso é a Maçonaria.

Em geral, na minha opinião, não é a simples pertença na Maçonaria que tornará “homens bons” em “homens melhores”, antes pelo contrário, serão os homens que poderão tornar a instituição maçónica em algo melhor; pois as suas atitudes estarão sob o escrutíno da Sociedade. Os maçons são os seus próprios “juízes e carrascos”, o resto é conversa…

A Maçonaria através das suas “ferramentas filosóficas e espirituais” é que pode auxiliar na evolução pessoal de cada um em direção a um aperfeiçoamento moral e comportamental. Por isso é que é hábito em maçonaria se afirmar que “ a Ordem não procura homens perfeitos”, pois esses já trilharam o seu caminho… 
À Maçonaria interessa sim, quem deseja mudar, mas mudar para melhor…
Somente atuando assim, é que alguém pode um dia esperar ser reconhecido como maçom. Mas não lhe bastará apenas ter sido reconhecido, há que continuar nesta senda de perfeição, caso contrário, as palavras, as atitudes, os comportamentos serão vãos e apenas tudo culminará numa perda de tempo para ambas as partes, tanto para a Respeitável Loja e Obediência que o acolha, quanto para o próprio, que será passível de perder um reconhecimento que por regra não é atribuído a qualquer um!
Tanto que por isso, sempre após uma possível “identificação maçónica” num profano ou após a submissão de um pedido de candidatura de adesão a uma Respeitável Loja, é desencadeado um conjunto de diligências, nomeadamente um processo de inquirição, para que se possa averiguar qual a conduta do suposto candidato a iniciar. Seja através de conversas com o próprio ou com seus familiares e/ou amigos, para que se possa aferir quais as reais intenções de quem deseja que “a porta lhe seja aberta”… 

É que fortuitamente e como em qualquer instituição ou associação onde entre o bicho-homem, também por vezes a Maçonaria tem alguns erros de casting que acabam por manchar a reputação dos demais maçons e influenciar negativamente a opinião profana sobre a Maçonaria e os seus membros. E geralmente são estes casos que vêm a público, pois o bem que a Maçonaria faz, apenas fica resguardado para ela…
E, mesmo depois de ter terminado o processo de inquirição respeitante a um candidato, o mesmo ainda terá de ser sufragado pela Respeitável Loja que o irá cooptar no futuro. E somente após essa decisão da loja, será ou não iniciado.

Por isto tudo, é que afirmei no início que não seria difícil entrar na Maçonaria, mas que por sua vez também, não será tão fácil assim como se poderia supor.


Finalizando e em jeito de conclusão, tenho para mim que antes de se entrar na Maçonaria e se obter qualquer tipo de reconhecimento, já a Maçonaria “entrou dentro de nós”…

11 setembro 2014

O Maçom, Homem Fraternal...


                                          (imagem retirada de Google Images)                                          
Este é o primeiro texto de muitos, assim o espero, que irei publicar neste honorável espaço de escrita para uns, leitura para os demais.  
Espero que com o que eu irei partilhar convosco, Vos ajude a compreender qual a “missão” da Maçonaria no mundo que nos rodeia e um pouco mais sobre a vasta simbólica maçónica que existe, sendo que os meus textos demonstrarão a minha visão pessoal sobre qualquer tema que seja versado por mim.
Sendo assim, este meu primeiro texto teria de ser naturalmente, um texto muito pessoal.
Assim, hoje venho falar-Vos de como o maçom é alguém com um elevado sentido fraterno, logo irei falar de Fraternidade, algo que para mim não é apenas sentimento, mas antes sentido.
Não no sentido dos outros cinco sentidos que dispomos, nos quais eu qualificaria a Fraternidade como um sexto sentido, um “sentido espiritual”; mas trato deste sentido/sentimento como o “sentido” do verbo “sentir”, de sensação…
A Fraternidade é algo que se sente e se partilha, uma vez que a mesma tende a vivificar no nosso interior, algo que se reflete posteriormente nas nossas ações.
Por isso é tão habitual entre os maçons se afirmar que a “Maçonaria também se vivencia,  praticando a fraternidade!”.
E como Fraternidade que é, na Ordem Maçónica, o amor ao próximo, ao nosso Irmão, encontra-se presente e em permanência. Concordemos ou não com as suas opiniões, aceitemos ou não a sua forma de estar na vida, mas amamo-lo!!!
E  amar está muito além de apenas se tolerar
A Tolerância implica Respeito, um respeito pelo “outro” em toda a aceção da palavra, senão seria apenas mais uma palavra vã nos nossos dicionários, tal como outras que pela sua quantidade, mais me parecem ser tantas como as espigas que existem nos campos…
No entanto,  Fraternidade também é muito diferente de Benevolência ou Caridade, pois se tanto uma como outra podem suscitar sentimentos ditos “menores”, uma forma de auxílio em que se age assim apenas porque é moralmente aceitável ou simplesmente porque socialmente fica bem ou parece bem a quem o assim faz.
Tanto que por isso, a Fraternidade também é sinónimo de Solidariedade, algo que se encontra mais além que a Caridade ou a Benevolência; a Solidariedade é para mim um sentimento ainda mais nobre, uma vez que é suposto advir diretamente do coração. 
E ser solidário nivela-nos como Homens, pois quem o pratica e quem recebe a nossa solidariedade, encontrar-se-á num mesmo patamar moral, apesar de que socialmente seja muito diferente. E essa humildade que é necessária para quem é solidário e fraterno, deverá fazer parte integrante da nossa natureza humana como maçons. Isto sim, é o “core”, o cerne  dos tais “bons costumes” com que habitualmente nos reconhecem ou nos quais nos revemos…
Não deveriam os valores que defendemos, tais como a Igualdade, a Liberdade e principalmente a Fraternidade, serem a base da Sociedade humana?!
Todavia, tenho para mim que a Fraternidade também é uma alavanca, um apoio que está subaproveitado na sociedade em que vivemos e que a ser usada como “ferramenta social”, muito contribuiria para o progresso humano.
Cada vez mais o Homem olha apenas para si próprio, não retribuindo o mesmo valor ao seu igual. E nesse contexto, nós como maçons que somos reconhecidos, poderíamos fazer mais… e melhor.
O maçom é um livre-pensador; logo de que nos valerá sermos intelectualmente ou moralmente mais instruídos ou como tal considerados, sermos formados nas ditas “artes liberais”, as mesmas artes que libertaram os homens do obscurantismo e do jugo da Ignorância, se depois de adquirirmos estas valências, não agirmos no mundo à nossa volta também para o melhorar e o fazer evoluir no comportamento e relacionamento entre os seres?!
Não fosse a minha Iniciação na Augusta Ordem Maçónica e eu não privaria com muitos dos meus Irmãos. E digo isto porque na sua maioria temos percursos profissionais distintos, não pertencemos às mesmas agremiações profanas e o nosso percurso de vida é muito díspar. Mas por partilharmos os mesmos desígnios, em Loja nos encontramos. E afirmo, se a Loja me acolheu, eu também acolhi a (nossa) Loja na minha vida.
A Loja passou a fazer parte integrante da minha Família.
E esta fraternidade e esta sensação de amor fraterno que nos une vale muito mais do que aquilo que à primeira vista possa aparentar…
De facto, esta sensação não é imediata, e ainda bem que tal assim acontece. Pois se assim o fosse, seria uma sensação falsa e carente de sentido. Ninguém ama ninguém de um momento para o outro ou somente apenas pelo trocar de um olhar ou um sorriso.
Os amores platónicos ficam para a nossa vida profana.
E refletindo, questiono-me:
  • Como poderei eu amar alguém que não me conhece e que também eu não conheço?!
  • Como poderei eu amar alguém quando apenas o tolero?
  • Como poderei eu respeitar alguém com quem eu frequentemente esteja em desacordo?
Na Maçonaria encontro a resposta a estas questões.
A Maçonaria é fraternidade e, como tal, o seu espírito fraterno depende unicamente da união de todos os que a integram.
A nossa fraternidade só o é e somente o pode ser, se for construída dia após dia e cimentada sessão após sessão. E é aí que reside a nossa força!
Os maçons, tal como os “irmãos de sangue” não podem nem devem estar sempre em sintonia, pois as diferenças também propiciam à formação/evolução pessoal, de modo que na Maçonaria é-nos permitido discordar, concordando; e concordar, discordando; isto é, o respeito salutar que deve existir entre todos, permite aos maçons não se travarem de razões tal como quiçá o fariam no mundo profano, mas antes, ouvindo e interiorizando as opiniões contrárias à sua forma de pensar, permite-lhes que possam aprender e conviver com as diferenças e divergências que naturalmente possam existir. Somos Homens e como tal não podemos ser todos iguais.
O que seria do azul ou do amarelo, se todos fossemos vermelhos…
E tal como bagos de uvas que com a sua própria identidade estão ligados entre si, ou como as sementes de romã que se agregam no interior deste fruto, que podemos encontrar sobre os capitéis das colunas de entrada no nosso Templo, também a união e ligação dos nossos pensamentos em prol de algo melhor, a energia e sentimentos que aplicamos na Cadeia de União aumentam a coesão do nosso grupo e potenciam o nosso espírito de corpo.
Assim, na formação da Cadeia de União, um dos momentos “altos” da ritualística maçónica em sessão de Loja, o encadeamento dos Irmãos que é formado e a oração que é proferida, permite-me também sentir que aquilo que nos une é mais do que aquilo que nos poderá afastar e que os laços não-sanguíneos que nos unem, ligam-nos por um cordão umbilical ainda maior e que nos juntam numa caminhada  através da Virtude e em prol de todos Nós.
Pois se a egrégora acontece, é porque todos o assim desejamos e fazemos para que assim tal aconteça!
Para mim,  no estrito cumprimento do ritual em Loja, se demonstra  que aí reside o espírito fraternal que devemos vivenciar e transmitir também  para o mundo profano.
 Eu vivo e sinto assim a nossa fraternidade. Outros o farão à sua maneira pessoal. Podemos não ser todos iguais, mas posso afirmar que somos todos muito semelhantes

10 setembro 2014

Auxílio


O segundo termo da trilogia utilizada pela maçonaria anglossaxónica, Relief, é correntemente traduzido para português como Alívio, mas considero mais correto fazê-lo pela palavra Auxílio. Sendo ambas as hipóteses possíveis, a tradução por auxílio tem a vantagem de enfatizar a ação, enquanto que alívio é meramente a consequência ou o objetivo. É do auxílio que resulta ou se procura que resulte o alívio.

O auxílio que aqui se refere é o necessário ou conveniente para afastar ou minorar a dor, o sofrimento ou a dificuldade. Não a excluindo, não se contém apenas na vertente material. A ideia é que, identificada uma dificuldade, se venha a agir de forma a possibilitar que essa seja aliviada. A ação a empreender necessariamente que se contém dentro dos limites das possibilidades daquele ou daqueles que a levam a cabo, sem colocar em risco a sua própria vida ou integridade, família e estabilidade.

O auxílio deve ser prestado, em primeira linha, aos Irmãos maçons e às viúvas e filhos menores dos maçons já falecidos, mas, havendo possibilidades, deve ser igualmente efetuado em prol de quem quer que seja que esteja necessitado.

O auxílio a prestar é o apto a dissipar ou minorar o sofrimento ou dificuldade de quem dele beneficia, não um ato de favoritismo ou nepotismo. Há uma evidente diferença moral entre auxiliar alguém que passa por uma situação de dificuldade e favorecer alguém em ordem a que este obtenha uma situação de privilégio ou de vantagem injustificada. O auxílio destina-se a dar alívio, não a endossar vantagem... 

O auxílio a prestar deve respeitar sempre as normas legais e sociais. Auxiliar alguém a cometer uma infração, não é alívio, é cumplicidade. Auxiliar alguém a escapar ás consequências dos seus atos não é virtude, é encobrimento.

O auxílio maçónico tem, inderrogavelmente, uma caraterística de solidariedade e beneficência, mas estas não são a essência de se ser maçom, antes mera consequência de tal.

O auxílio é algo que todos os maçons devem prestar a quem e quando necessário, na medida das suas possibilidades, tal como inevitavelmente todos, em algum ou alguns momentos da sua vida - por mais afortunada ou realizada que esta seja - necessitaram ou virão a necessitar de auxílio, seja para superar ou minorar padecimentos, seja para consolar e ultrapassar desgostos e perdas, seja, enfim, para enfrentar dignamente a Grande Passagem que cada um de nós inexoravelmente fará.

O auxílio maçónico não é mais do que o exemplo do que todos os que vivem em sociedade devem praticar, pois viver em sociedade é dar e receber, ajudar e ser ajudado, cooperar para atingir objetivos, por vezes nossos, por vezes alheios, outras vezes comuns.

Rui Bandeira

03 setembro 2014

Amor Fratenal


A divisa utilizada pela maçonaria de língua inglesa (Brotherly Love - Relief - Truth; Amor Fraternal - Auxílio - Verdade) elenca as caraterísticas indispensáveis à Instituição Maçónica.

O primeiro termo dessa divisa é o Amor Fraternal. Daí a corrente referência a que a Maçonaria é uma Fraternidade. Os maçons consideram-se unidos entre si por laços afetivos similares aos que se tecem entre os irmãos de sangue.

O amor fraternal de alguma forma tem caraterísticas distintas dos outros tipos de afeição, incluindo uma natural componente de emulação entre irmãos que, bem vistas as coisas, é essencial para o desenvolvimento dos jovens seres e consolidação da espécie. 

Os forte laços afetivos entre irmãos coexistem com brigas, desacordos, marcações de território e de posições. O irmão mais velho tem que aprender a partilhar com o mais novo a atenção, cuidados, carinho e amor dos pais. Onde antes era rei e senhor vê depois um imberbe e indefeso ser, com a sua simples presença, a intrometer-se no seu espaço e - pior! - a usurpar a maior parte da atenção e cuidados que antes eram só seus. No entanto, essa constatação e a aprendizagem a ela inerente não impedem o nascimento e desenvolvimento do laço afetivo fraternal. E, a seu tempo, o irmão mais velho assegura a função de desbravador dos caminhos do mais novo e transmissor das experiências e descobertas por si vividas.

Por sua vez, o irmão mais novo cresce lutando para se igualar ao mais velho, para ser capaz de fazer o que ele faz, de conseguir o que ele consegue. Menos alto, menos forte, menos ágil, porque mais novo, procura compensar a sua inferioridade determinando nichos onde consegue ser melhor ou ter mais habilidade que o seu parceiro/adversário, o seu irmão.

A relação afetiva fraterna inclui uma mescla de cooperação, auxílio e cumplicidade com confronto e desafio. É assim que a Natureza propicia que os jovens seres simultaneamente criem as suas identidades e aprendam a viver e a cooperar em sociedade.

A relação afetiva fraterna, precisamente pela sua componente de emulação, é muito produtiva e eficiente no crescimento e aperfeiçoamento de todos os intervenientes. A emulação presente nessa relação afetiva faz com que cada um dos intervenientes queira ser melhor, enquanto simultaneamente auxilia o outro também a melhorar. A competição na cooperação propicia o avanço.

Quando um maçom trata um outro maçom por Irmão também se mostra presente essa componente da ligação afetiva fraternal. Ambos se auxiliam mutuamente a melhorar. Cada um procura ser melhor. E, ao sê-lo, constitui exemplo para que os demais também o procurem ser, em sucessivo e permanente ciclo de motivação. 

O amor fraternal entre os maçons não é só - diria que nem sequer é principalmente - um conceito de origem religiosa, no sentido de que todos somos criados por uma entidade superior. O amor fraternal dos maçons - tal como o que une os irmãos de sangue - é tecido de amizade, de cooperação, de auxílio mútuo, de cumplicidade, mas também de emulação, cada um procurando mostrar aos demais a sua evolução, o que aprendeu, o que conseguiu melhorar, ao mesmo tempo que contribui para a melhoria dos demais. E cada um progride mais em conjunto e por causa do conjunto. E cada um aprende que, quanto mais contribuir para o progresso de seu Irmão, mais ele próprio avançará.

Rui Bandeira

27 agosto 2014

A Maçonaria nos dias de hoje (republicação)


Este texto foi originalmente publicado no blogue A Partir Pedra em 20 de outubro de 2010 

A Maçonaria teve historicamente o seu auge, em termos quantitativos, após o final da Segunda Guerra Mundial. Tinham-se vivido anos de horror e de violência inauditos. Os sobreviventes dos combatentes no conflito necessitavam de manter a camaradagem, a união, o espírito de corpo, que sentiam ter possibilitado a sua sobrevivência. Uma das formas que, sobretudo nos países anglossaxónicos, acharam para o fazer foi buscar a admissão nas Lojas maçónicas e aí praticarem essa particular forma de camaradagem que inexoravelmente os marcou. Por outro lado, os horrores vividos e assistidos mostraram a muitos e muitos a necessidade de um espaço de convivência sã e de aprimoramento ético. Quem conviveu com o mal aprecia mais plenamente o bem!

O pós Segunda Guerra Mundial foi assim um período de grande florescimento da Maçonaria, em que os números dos maçons cresceram até atingirem níveis nunca antes historicamente atingidos.

Mas a vida é feita de ciclos! A essa fase de crescimento seguiu-se - inexoravelmente - uma fase de declínio. As condições sociais mudaram. A prosperidade material foi desfrutada por mais gente. As gerações sucederam-se. O que foi vivido no tempo daquela guerra passou a ser mera matéria de documentário histórico para os filhos, netos e bisnetos da geração que vivera aquele tempo. O que fora importante para a geração do pós-guerra não era já entendido nem sentido como tal pelas gerações subsequentes - e, bem vistas as coisas, ainda bem que as gerações subsequentes tiveram a possibilidade de não viver, nem sentir, nem suportar, aqueles duros tempos! Outras solicitações sociais e de utilização de tempos livres se perfilavam. E a Maçonaria, em termos quantitativos, declinou sensivelmente. Passou a ser vista como uma coisa de cotas nostálgicos e ultrapassados e de cromos com a mania de se armarem em diferentes. Tantas coisas para fazer na vida, tanta vida para viver, tanto trabalho para fazer, tanto para conquistar - para quê gastar (ou perder) tempo com essa coisa esquisita, meio desconhecida, fechada? Com a escolaridade a aumentar exponencialmente, quando os jovens passavam anos e anos a preparar-se para a vida ativa e esta era cada vez mais competitiva, que esquisitice era essa do autoaperfeiçoamento? Não era evidente que cada geração era melhor, mais sabedora, mais dinâmica, mais apta, do que a anterior? A Maçonaria não passava, para muitos, de um resto do passado, em vias de fossilização, em persistente declínio, precursor da inevitável decadência e do inexorável arquivamento nas prateleiras das curiosidades da história! A vida moderna, a tecnologia, o progresso imparável, o céu que é o limite do pujante avanço da Humanidade, relegavam a vetusta organização para a sala dos fundos onde as relíquias do passado acumulavam respeitável poeira...

Mas os ciclos inexoravelmente avançam, as suas fases sucedem-se e, nunca se repetindo exatamente da mesma forma, as grandes tendências inevitavelmente que paulatinamente se repetem. Este início do século XXI parece mostrar-nos uma mudança de ciclo da Maçonaria, em que o declínio cessou e o crescimento recomeça.

A vida moderna insensivelmente empurra-nos para a massificação, a generalização. Cada vez mais, cada um de nós é menos um indivíduo e mais um número, um fator, um pequeno elemento de um conjunto cada vez mais numeroso. E cada vez mais descobrem que a Maçonaria permite aos que a integram dispor de um espaço, de tempo e de locais em que cada um consegue afastar essa asfixiante sensação de ser apenas uma peça de um imenso formigueiro humano e assumir-se como indivíduo inserido numa comunidade e com ela e os seus outros componentes interagindo. Volta a "estar em alta" no "mercado" dos valores pessoais e sociais a necessidade de ética, a vontade de aperfeiçoamento, a interação com pequenos grupos de pares, com interesses e objetivos similares.

Cada um de nós sente que, por si só, não consegue deixar de ser apenas um número, inseto numa colmeia, peça de uma imensa máquina que é a sociedade de hoje. Mas verifica que, inserida num grupo com dimensão humana, em que todos se conhecem e se podem conhecer, a individualidade de cada um tem significado e é reconhecida nesse grupo com dimensão humana. E que, inserido nesse grupo, os progressos de cada um são reconhecidos pelos demais, tal como cada um reconhece os progressos dos demais. Ser um parafuso bem polido num depósito de milhões de parafusos é irrelevante. Mas ser uma pessoa, um indivíduo, com virtudes a cultivar, com defeitos a combater, com arestas a polir, no meio de iguais, também com virtudes e defeitos e arestas, mas sobretudo sendo cada um UM, diferente entre iguais - isso é gratificantemente diferente!

Nos dias de hoje, a Maçonaria é uma ancestral instituição que - como é caraterístico das instituições verdadeiramente relevantes e duradouras - se reinventa para responder aos desafios e às necessidades de agora. E hoje é necessário - cada vez mais urgentemente necessário! - que a vetusta instituição da Maçonaria disponibilize a quem disso cada vez mais necessita o tempo, o espaço, o meio, as ferramentas, para que o homem-número que o progresso que trilhámos criou se transforme no Homem Completo que cada um de nós tem a potencialidade de ser. Único. No melhor e no pior. Cada vez com mais melhor e menos pior. Mas sobretudo Homem - imprescindivelmente diferente entre iguais.

Tempo virá em que novo declínio experimentará a Maçonaria, em que os nossos filhos, ou netos, ou bisnetos, de forma geral a verão de novo como coisa do passado. Não é esse o tempo que vivemos. O tempo de agora é de crescimento, de consolidação, de valorização. Porque os Valores que recebemos dos nossos antecessores e que cultivamos para transmitir aos vindouros são intemporais, essenciais e imprescindíveis para o Homem e para a Humanidade.

Curiosamente, a imutável linha de rumo da Maçonaria parece atuar como força de equilíbrio na Sociedade. No passado, quando imperava a desigualdade, a Maçonaria foi um espaço de igualdade. Hoje, quando a normalização impera ao ponto de asfixiantemente nos sentirmos números num conjunto, formigas cumprindo desconhecida missão do formigueiro, obreiras mecanicamente contribuindo para a manutenção e crescimento da Grande Colmeia social em que nos sentimos aprisionados, a Maçonaria possibilita a cada um dos seus elementos que exercite, execute, desenvolva, a sua individualidade. O combate de há trezentos anos era o de convencer a sociedade inteira da igualdade essencial dos seus membros. Hoje, o desafio é o de consciencializar todos de que essa igualdade só se concretiza verdadeiramente se for permitido a cada um desenvolver a sua individualidade. Porque cada um de nós é verdadeiramente único e diferente entre iguais. E é essa Diferença na Igualdade que, afinal, constitui a maior riqueza de uma sociedade.

As épocas sucedem-se, as modas vêm e vão, os tempos mudam - mas os Valores essenciais, esses, são perenes e cultivá-los com são equilíbrio é Arte verdadeiramente Real!

Rui Bandeira