Atalhos

10 janeiro 2026

A Arteriosclerose de uma loja



Antes de tudo, convém assentar uma pedra angular: não escrevo estas linhas para defender o abandono do ritual ou a negligência dos nossos regulamentos. Pelo contrário, sou um fervoroso defensor de que a forma protege o conteúdo. O ritual é a moldura que permite à Loja operar num tempo e espaço sagrados, distintos do profano. Eu não proponho a anarquia, mas a vitalidade. Não questiono a regra, mas o "preciosismo cego" que, sob o pretexto de zelar pela perfeição, acaba por assassinar o espírito real da fraternidade.

Na medicina, a arteriosclerose refere-se ao endurecimento das artérias. As paredes, que deveriam ser flexíveis para permitir a circulação do sangue, tornam-se rígidas, estreitas e, eventualmente, bloqueiam o fluxo, levando à morte do tecido ou à falha do órgão. Na Loja, enfrentamos um risco semelhante. Quando o foco de uma sessão se desvia do aprimoramento moral e do calor da fraternidade para uma discussão vazia sobre a vírgula de uma ata ou o alinhamento preciso de um objeto que não afeta o andamento dos trabalhos ou a prática da verdadeira Maçonaria, estamos a sofrer de uma arteriosclerose ritualística.

O ritual deve ser uma ferramenta de trabalho, não uma mordaça. Se um Irmão comete um deslize formal, o ambiente de harmonia deveria permitir integrar e corrigir com discrição ou explicar pedagogicamente por que fazemos as coisas de determinada maneira. Muitas vezes, o que defendemos como regra máxima é apenas uma tradição oral que se fixou numa memória de trabalho local. Castigar um Irmão por algo que sequer está escrito é contraproducente e gera uma desarmonia que nos afasta do verdadeiro propósito da reunião.

Nós não nos reunimos para prestar culto à burocracia; reunimo-nos para nos tornarmos homens melhores. Se a sessão termina e os Irmãos saem mais exaustos do que inspirados, se saem mais distantes uns dos outros devido a picuices formais, então falhámos na nossa principal tarefa. O rigor é essencial, mas deve ser imbuído de humanidade. As nossas veias maçónicas precisam de ser flexíveis o bastante para aceitar as imperfeições humanas, permitindo que a fraternidade flua sem obstáculos. Assim, ao soar o malhete de encerramento, garantiremos que cada um saia do Templo mais justo e feliz do que quando entrou.


Fábio Serrano, M∴ M∴



01 janeiro 2026


1 DE JANEIRO

É um dia especial.

Marca o início de mais um ano solar e para muitos a retoma de tarefas ou do percurso para objetivos novos ou ainda não cumpridos ou, pura e simplesmente, a estreia de roupa nova.

Para mim marca sobretudo a memória de um grande Amigo e para a R:.L:. Mestre Affonso Domingues a memória de um Maçon exemplar.

É o Aniversário do Luís Miguel Rosa Dias e seria cumprido de forma bem mais festiva se fossemos suficientemente afortunados para o termos ainda connosco.

Lembrei-me de homenagear a sua memória com a publicação de um pequeno vídeo que teve a sua participação, ainda que não apareça nele.

Porque o vídeo que Vos trago o proporciona, aproveito a recordar também outro Querido Irmão, também já no Oriente Eterno.

O nosso querido e saudoso João Pinheiro, aqui trazido por sua Filha, a Teresa Brum Pinheiro.

A Teresa, além da sua vida profissional mantem uma segunda atividade (ou será a primeira ?) cantando o Fado. É fadista e que fadista…

É um excerto da atuação da Teresa durante o lançamento do livro “A Filha do Papa” do Luís Miguel Rocha (Março2013) onde estivemos como TVL.

A Teresa também compõe e neste fado juntam-se a música da Teresa e a letra do Luís Miguel (aqui, como nos seus outros escritos assinado como Miguel Roza).

Com esta ligeiríssima homenagem deixo a todos votos de excelente 6026.

J.Paiva Setúbal