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01 maio 2017

Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues, n.º 5


Cada Loja é um mundo particular. No que tem de bom e no que que tem de menos interessante. A Loja Mestre Affonso Domingues não foge à regra. Uma das suas características é que no seu seio tudo (tudo não: religião e política estão excluídas) pode ser debatido. E o nosso conceito de debate inclui, naturalmente, a livre expressão da opinião de cada um de nós de forma franca, aberta e cara-a-cara. O que cada um acha que tem de ser dito, diz. Se se exceder, é chamado à pedra e dá as suas explicações e, se necessário apresenta o seu pedido de desculpas. Mas disse, não guardou dentro de si. 

Claro que quem diz sujeita-se a ouvir... Entre nós, portanto, ninguém engana ninguém. Todos dizem o que pensam, ouvem o que têm que ouvir, toda a gente fica a perceber as posições, as razões, os sentimentos, os estados de alma de cada um. E depois chega-se coletivamente a uma conclusão.

Quando há que debater, debate-se. Estejamos sós ou tenhamos visitantes connosco. Às vezes, surprendemos alguma surpresa nos olhos de visitantes... Somos assim, sentimo-nos confortáveis assim, não há razão para escondermos como somos... Poderemos ser acusados de muita coisa. De hipocrisia é que, com justiça, não!

Mas o mesmo visitantre que porventura arregale os ohos ao assistir aos debates entre nós, se (ou quando) nos conhecer bem também percebe outra coisa. Podemos debater, podemos confrontar-nos, podemos resmungar, mas, se alguém de fora tentar pisar os calos a um de nós tem de se haver com todos, juntos e sem fissuras. 

Nós debatemos este mundo e o outro. Às vezes, discutimos, resmungamos, desabafamos e atiramos argumentos como petardos. Mas fazemo-lo assim porque podemos. Porque os nosso debates, as nossas querelas, têm subjacente que todos somos irmãos e todos somos iguais. Como os irmãos de sangue, podemos ter brigas sérias, ultrapassadas e esquecidas trinta segundos depois. Porque todos somos iguais e nos consideramos e tratamos efetivamente como irmãos é que podemos esgrimir argumentos como punhais, sem receio de criar situações inultrapassáveis. Falamos francamente - e, por vezes, com dureza - porque reconhecemos aos nossos iguais e irmãos o direito de falarem connosco com igual franqueza e, por vezes, dureza. No final, podemos não concordar todos com tudo (que aborrecimento de Loja que seria...), mas todos ouvimos todos, todos podemos perceber as razões, as motivações, as preocupações, dos outros. Todos nos abrimos perante os demais. Compreendemos os demais e demo-nos a compreender aos demais. 

E depois, plácida e naturalmente, formamos a nossa Cadeia de União. E não é nada raro, nem incomum, nem motivo de qualquer espanto, que dois manos que minutos antes bravamente se digladiaram estejam lado a lado dando-se as mãos nessa Cadeia de União e, juntos, participem no momento de reflexão e comunhão coletiva.

E também não é nada raro que, no pico de uma acesa troca de argumentos, alguém largue uma piada e todos - trocadores de argumentos incluídos - se unam em saudável gargalhada, prosseguindo-se depois o debate, com naturalidade e á-vontade.

Finda a sessão de Loja, vamos todos jantar. E todos estão lado-a-lado e frente-a-frente, descontraídos e confiantes uns nos outros. Por vezes - tantas vezes! - os mesmos que se atiraram antes argumentos e contra-argumentos ali, à mesa, combinam estratégios, acertam soluções, para, em conjunto, conseguirem ultrapassar qualquer problema, resolver uma questão, intervir ajudando um irmão, o que quer que seja.

Na nossa Mestre Affonso Domingues, nós não discutimos: afinamo-nos mutuamente; não nos digladiamos: damos e recebemos incentivos para sermos, nós e os outros, melhores. Afinal, não fazemos nada de mais: é assim que os irmãos se comportam enre si...

Às vezes fazemos coisas boas. Às vezes estamos de pousio. Mas todos juntos! Os últimos quatro ou cinco anos foram duros e difíceis para a sociedade portuguesa. Foram duros e difíceis para alguns de nós. A Loja inevitavelmente que sentiu essas dificuldades. Muito teve de se aguentar. Algo teve de se providenciar. Não fizemos sempre tudo certo. Tomaram-se decisões com que nem todos concordaram. Mas agora cá estamos para prosseguir e iniciar novo ciclo. Crendo que o pior já passou. Mais bem preparados, porque atravessámos tempos difíceis juntos e juntos seguimos para o que esparamos sejam épocas melhores.

Por isso, se um dia destes alguém nos visitar e deparar com o nosso à-vontade em, sem pudores, debatermos algo, não se admire, nem se inquiete. Há muito que procedemos assim. Afinal, é assim que as famílias procedem. Afinal só quem for filho único é que não experimentou as brigas de irmãos, tão ferozes como espetacular tempestade, mas afinal tão inócuas que permitem que, momentos depois, se brinque, se galhofe, se conviva, se construa o essencial comum sem problemas com circunstanciais desacordos.

A Loja Mestre Affonso Domingues é, afinal, uma grande família, já com mais de 25 anos de história familiar. Onde cada um pode ser, e é, ele próprio e é assim aceite e respeitado. E aceita e respeita os demais. Mais picardia, menos resmungo, isso são detalhes, meras estratégias para da individualidade de cada um construirmos e mantermos a identidade comum de todos.

É das diferenças entre nós que se cimenta a nossa Força coletiva!

É por isso que, com a nossa indisciplina, com os nossos acordos e desacordos, debates e confrontos, cooperações e realizações, todos estamos orgulhosamente conscientes de uma coisa: pode ser que seja só para nós - mas, para nós, a nossa Mestre Affonso Domingues é a melhor Loja do mundo - e arredores!

Rui Bandeira

17 outubro 2016

O outro Afonso Domingues


O patrono da Loja Mestre Affonso Domingues foi um dos arquitetos do Mosteiro da Batalha, imortalizado no conto de Alexandre Herculano A abóbada. O JPSetúbal publicou neste blogue um texto evocativo do patrono da Loja, com o título Sobre o nosso patrono MESTRE AFFONSO DOMINGUES.

Mas talvez o leitor não saiba que, na Maçonaria portuguesa, houve um outro Afonso Domingues. Se assim for, vai ficar a saber!

Em algumas Obediências maçónicas há o hábito da utilização de nomes simbólicos, afinal verdadeiros pseudónimos escolhidos pelos maçons para protegerem as suas identidades. A escolha do nome simbólico por um maçom traduz, muitas vezes, para além de uma homenagem, uma identificação do maçom que o escolhe com aquele cujo nome foi escolhido. Uma das Obediências em que detetamos a prática da utilização do nome simbólico é o Grande Oriente Lusitano.

Em 1908, foi iniciado na Loja Fiat Lux, de Lisboa e do GOL, o arquiteto, escultor, pintor e autarca republicano Arnaldo Redondo Adães Bernudes. Escolheu o nome simbólico de Afonso Domingues, evocando assim o arquiteto da Batalha que veio a ser o patrono da nossa Loja. Para nós, Adães Bermudes é, assim, o outro Afonso Domigues...

Adães Bermudes nasceu no Porto em 1 de outubro de 1864, cidade em que se diplomou em arquitetura. Foi o autor dos projetos da Câmara Municipal de Sintra, de sedes do Banco de Portugal em Coimbra, Évora, Faro, Bragança, Vila Real e Viseu, do Instituto Superior de Agronomia, das Igrejas de Espinho e de Amorim (Póvoa de Varzim), do Pavilhão de Desportos de Lisboa e do Hotel Astória, em Coimbra, além de outros. Em conjunto com António Couto e Francisco dos Santos, foi coautor do projeto do monumento ao Marquês de Pombal, em Lisboa. Foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da Sociedade dos Arquitetos Portugueses. Recebeu vários prémios nacionais e internacionais, designadamente o Prémio Valmor de 1908, com o projeto do edifício de esquina entre o Intendente e a Avenida Almirante Reis, no n.º 2 desta avenida, em Lisboa.

Foi também ele o autor da conceção de um bairro de casas económicas, que veio a ser o Bairro do Arco do Cego.

Teve um estilo de arquitetura próprio, aliando traços do revivalismo com influências do Manuelino e do Barroco e elementos decorativos contemporâneos, em versão simplificada do estilo Arte Nova.

Projetou e dirigiu diversas intervenões de conservação e restauro em monumentos nacionais, designadamente o Palácio Nacional de Sintra, o Convento de Mafra, o Palácio de Queluz, a Igreja do Mosteiro dos Jerónimos e o restauro e ampliação dos Museus Nacionais de Arte Antiga e de Belas Artes, em Lisboa.

Um traço significativo da referência biográfica que lhe é feita na Wikipédia é o de que, por ser maçom, nunca aceirou condecorações!

Passou ao Oriente Eterno em Sintra em 18 de fevereiro de 1948, aos 83 anos de idade.

Fontes:

Daniel Madeira de Castro, Livro das Efemérides - Históricas, Políticas Maçónicas e Sociais, Lisboa, 2016 (efemérides de 1 de outubro lidas em JB News, n.º  2191)


Rui Bandeira

04 julho 2016

A identidade da Loja


Cada Loja maçónica adquire ao longo do tempo uma identidade própria, que a distingue, sem dificuldades, das restantes. Essa identidade começa a construir-se pelas circunstâncias do seu aparecimento (Loja essencialmente com obreiros oriundos de outra Loja: decisão consensual ou conflitual?; Loja de caráter genérico ou Loja criada com um objetivo específico? Loja criada a partir de um grupo coeso que se expandirá normalmente ou Loja de implantação numa zona, cujos fundadores a virão a abandonar quando estiver implantada e firme?), prossegue com a forma como se relacionam os seus elementos (relações de amizade ou cordiais ou existência de tensões que vão sendo dirimidas e aplainadas?) e com a forma como é gerida a Loja e efetuadas as escolhas que tiverem de ser tomadas (Loja habitualmente coesa ou Loja com grupos estabelecidos que se vão confrontando e sucedendo nas tomadas de decisão)?

A forma como a Loja adquire e molda a sua identidade determina a sua maior ou menor aproximação ao arquétipo modelar de uma Loja maçónica: espaço de harmonia, de tolerância, de cooperação, de mútuo auxílio e propiciatório do crescimento e aperfeiçoamento individual de todos e cada um dos seus obreiros. Não tenhamos ilusões: não há Lojas maçónicas perfeitas, tal como não há maçons perfeitos (se o fossem, não precisavam de se aperfeiçoar, logo não eram maçons...). Mas cabe a cada maçom e a cada conjunto de obreiros agrupado numa Loja permanentemente trabalhar para que a sua Loja se aproxime o mais possível do desejado arquétipo.

Vários caminhos, várias formas, vários estilos podem ser e são utilizados nessa busca. Não há fórmulas mágicas nem pretensas unicidades. Cada Loja, em função da sua circunstância, vai adquirindo a sua identidade, estabelecendo a sua forma de trabalhar, o seu estilo de se gerir, a abordagem que mais lhe convém para melhorar e tornar melhores os seus obreiros. É isso que eu designo por identidade de cada Loja. 

Essa identidade vai-se estabelecendo naturalmente, no bom, no assim-assim e no menos bom que ocorrer e gradualmente a Loja vai ganhando caraterísticas próprias, facilmente adotadas pelos seus obreiros e identificadas pelos seus visitantes. 

Questão essencial para o estabelecimento da identidade de uma Loja é a da escolha da sua liderança. A identidade da Loja Mestre Affonso Domingues assenta, quanto à escolha da sua liderança, em três vetores que lhe são essenciais:

1) Não há nela luta ou querela quanto à questão da sua liderança: ressalvada a ocorrência de (sempre possível) qualquer imponderável que o impeça, o Primeiro Vigilante de um ano é o Venerável Mestre do ano seguinte, e ponto final parágrafo! Todos os anos a eleição do Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues é uma mera formalidade, escrupulosamente cumprida nos termos regulamentares! (Quem quiser  saber ou recordar a origem deste princípio identitário da Loja, procure e leia neste blogue o texto A eleição do Terceiro Venerável Mestre).

Com este princípio identitário não se perde tempo em lutas estéreis, não se formam artificialmente grupos, não se estabelecem quezílias. Acordos e desacordos estabelecem-se e discutem-se em relação a opções a tomar, a tarefas a realizar, a projetos a desenvolver. Isso, sim, debate-se o tempo que for preciso até se nos tornar evidente qual o melhor (às vezes, qual o menos mau...) caminho a seguir. Porque não perdemos tempo em questiúnculas de (ilusório!) poder, podemos mais utilmente gastá-lo a debater o que vamos e como vamos fazer.

2) Cada Venerável Mestre é eleito para exercer um ano de mandato e depois dá lugar a outro.

O Regulamento Interno da Loja prevê a possibilidade uma (única) reeleição para um segundo mandato, por maioria qualificada. Mas esta é uma possibilidade ali colocada apenas em face da eventualidade de sobrevir um "dia de chuva" tal que nos obrigue a recorrer ao guarda-chuva de uma excecional reeleição. O exercício do ofício de Venerável Mestre por um ano e basta tem duas evidentes vantagens: todos os obreiros interessados e intervenientes na Loja exercem, a seu tempo, o ofício de Venerável Mestre; não se sacrifica demasiado ninguém, pois, como todos os que se sentaram na Cadeira de Salomão sabem, exercer este ofício permite ao seu titular duas alegrias: a primeira quando é instalado para exercer o ofício, a segunda quando (finalmente, ao fim de um loooongo ano...) vê instalado o seu sucessor e é aliviado da responsabilidade de dirigir a Loja.

3) O Segundo Vigilante de um ano é o Primeiro Vigilante do ano seguinte.

Este princípio identitário é crucial, pois impede que se criem cliques de direção da Loja, impedindo o Venerável Mestre recém-eleito de ser ele a escolher o seu sucessor. Com efeito, o Primeiro Vigilante é (ver princípio identitário 1) o sucessor natural do Venerável Mestre e, consequentemente, não deve ser por ele escolhido, ao contrário da esmagadora maioria dos demais Oficiais da Loja - as exceções são o Tesoureiro (eleito) e o Guarda Interno (que, salvo os inevitáveis imponderáveis é o Ex-Venerável do ano anterior). O Venerável Mestre, na Loja Mestre Affonso Domingues tem o dever de designar para Primeiro Vigilante o Segundo Vigilante do ano anterior, que foi escolhido para essa função pelo seu antecessor, com a expectativa do próprio, do Venerável Mestre que o nomeou e de toda a Loja, de ser no ano seguinte Primeiro Vigilante e , no subsequente, Venerável Mestre. Assim não proceder, para além de ser uma condenável forma de se arrogar o direito de escolher o seu sucessor, seria uma tremenda falta de respeito pelo seu antecessor, uma forma de lhe dizer meu caro, foste um palerma, fizeste uma má escolha para Segundo Vigilante, eu é que vou ser o Cavaleiro Branco que vai emendar o teu erro e escolher o homem certo para o lugar certo... O incumprimento deste princípio identitário da Loja abriria uma Caixa de Pandora de consequências imprevisíveis, correndo-se o risco de deitar a perder tudo o que a Loja foi e construiu ao longo de mais de um quarto de século: uma vez que alguém se arrogue o direito de escolher o seu sucessor (exceto quando o Segundo Vigilante, por qualquer razão, renuncie a exercer o ofício de Primeiro Vigilante - sucedeu recentemente e o problema resolveu-se aberta e consensualmente), cai pela base a confiança no princípio de que o Primeiro Vigilante de um ano é o Venerável Mestre do ano seguinte e cai-se, para o futuro, na pura e dura pugna eleitoral. A partir daí, a Loja não seria mais a mesma, teria perdido a sua identidade, deixava de ter a questão da escolha do seu líder como uma pacífica e natural sucessão de obreiros, passava a ter anualmente de resolver o problema de dirimir disputas eleitorais entre obreiros. A partir de então, a Loja poderia conservar a designação de Loja Mestre Affonso Domingues, mas não seria mais a Loja Mestre Affonso Domingues, seria uma mera caricatura dela!

A Loja Mestre Affonso Domingues é o que é porque, pura e simplesmente, nunca admitiu que no seu seio a questão da escolha da sua liderança fosse um problema ou sequer um fator de temporária desestabilização. Ao longo de mais de vinte e cinco anos, nunca tivemos uma disputa eleitoral, nunca tivemos de apanhar os cacos decorrentes de uma luta dessa natureza. Conseguimos e soubemos identificar, estabelecer e aplicar as condições necessárias e suficientes para tal, os três princípios identitários que atrás enunciei. O preço de abandonar qualquer deles seria muito elevado, seria a senda para mudar a Loja Mestre Affonso Domingues que construímos, de que gostamos e em que nos sentimos bem noutra coisa qualquer. Tão simples como isso!   

Estou há longos anos na Loja, há já um tempo significativo que vou escrevendo neste blogue, procuro deixar nele registada a Memória da Loja, conhecimento do passado que serve de lição, guia e inspiração para o futuro. Mas nada na vida é eterno nem definitivo - um dia, não sei quando, necessariamente que deixarei de escrever aqui, inevitavelmente deixarei de estar na Loja. Por isso me apeteceu hoje deixar esta mensagem, este testemunho, para ilustração presente e para memória futura.

Talvez este seja porventura o texto mais importante para a Loja Mestre Affonso Domingues que publiquei neste blogue!

Rui Bandeira

13 julho 2015

Sobre o nosso patrono Mestre Affonso Domingues (republicação)

A republicação de hoje versa sobre o patrono da Respeitável Loja que alberga os autores deste blogue.
E nunca é demais relembrar quem foi esta personagem histórica que emprestou o nome à nossa Loja.

O texto original foi publicado pelo J.Paiva Setúbal e encontra-se aqui.

"MESTRE AFFONSO DOMINGUES que viveu na segunda metade do Sec. XIV (morreu na Batalha em 1402) é uma personagem sobre a qual existem muitas lendas e mistérios e pouca informação confirmada.

De facto há fortes dúvidas sobre a data e local de nascimento, assim como sobre a sua própria vida há muitas incógnitas, algumas delas resultantes do texto que Alexandre Herculano dedicou ao Mosteiro da Batalha e à famosa Abóbada da Casa do Capítulo.

Historicamente parece certo que Affonso Domingues foi, realmente, o desenhador/arquitecto do projecto geral inicial do Mosteiro de Santa Maria da Vitória e que terá sido com ele a dirigir a construção que o Mosteiro foi iniciado.

Entretanto por razões de idade, de saúde (a história diz que cegou) ou outras quaisquer, na altura os responsaveis pelas obras eram colocados e substituidos de acordo com os humores e favores dos monarcas (nada como actualmente, em que já não há monarcas...), Affonso Domingues foi substituido na condução da obra por um tal David Huguet ou Ouguet, sobre o qual também há muitas dúvidas, não se sabendo se era irlandês, flamengo, catalão ou mesmo português.

De resto o Mosteiro da Batalha ( ou de Santa Maria da Vitória) teve vários outros intervenientes (Mateus Fernandes, Fernão Évora, Boitaca, ...) mas sobre o “nosso” Mestre Affonso Domingues recai de facto a autoria principal do projecto e talvez da construção.

Affonso Domingues viveu em Lisboa (não há a certeza de ali ter nascido) na freguesia da Madalena e teve alguma intervenção (mais aprendizagem do que intervenção realizadora) na obra da Sé de Lisboa, que lhe serviu de inspiração para o projecto da Batalha que mais tarde desenharia.

Quanto à afirmação “a Abóbada não caiu, a Abóbada não cairá” assim como a sua morte após 3 dias e 3 noites sem comer, sentado debaixo da Abóbada, no meio da Sala do Capítulo da Batalha, é definitivamente uma boa “estória” de Alexandre Herculano que serviu para exaltação dos valores Pátrios em pleno Sec. XIX.

De Affonso Domingues pouco mais há na história.

Em Lisboa, na freguesia de Sta.Engrácia/Monte Pedral, resta uma rua com o seu nome, essa sim “verdadeiramente importante” já que este escriba ali nasceu... e já agora na mesma linha de informação, também o Algueirão tem uma rua Mestre Afonso Domingues, umas vezes com um “f”, outras com os dois “ff” originais, umas vezes com o “Mestre” outras sem ele !

Posto isto, se a lenda é mais atraente que a realidade, pois sigamos a lenda!
Ao fim e ao cabo, onde começa uma e acaba a outra?"

JPSetúbal

12 dezembro 2013

Do problema que não foi, à solução pelo desafio




Por uma particularidade que não foi cogitada, viu-se a Loja Mestre Affonso Domingues numa situação inusitada. O seu Venerável Mestre por razões pessoais, vê-se compelido a ausentar-se por um período de pelo menos 5 sessões consecutivas.

Esta ausência, embora não deixando a Loja sem Venerável de direito, deixou-a sem Venerável de facto.

Se esta fosse uma associação qualquer a decisão seria de ir adiando o que fosse adiável, tornar adiável tudo que o não sendo pudesse sem grande prejuízo ser adiado e consequentemente fazer apenas aquilo que fosse mesmo premente e urgente.

Mas uma Loja maçónica não é uma associação qualquer. Numa Loja não se adia, faz-se, não se protela decide-se, e por isso desengane-se o leitor se pensou que no impedimento do Venerável os maçons da Loja Mestre Affonso Domingues iriam desanimar e pausar o seu trabalho.

Um Maçon pousa as suas ferramentas apenas e quando é chamado a fazer a derradeira viagem, mas sobre isso foi já escrito nos múltiplos textos colocados  In Memoriam, logo uma adversidade como a que ocorre actualmente apenas pode ser resolvida à maneira dos Maçons ou seja com trabalho.

Uma das belezas da Maçonaria, e estou certo que isto já foi por aqui abordado num ou noutro ou mesmo mais textos, é que não é preciso inventar nada. Tudo está previsto, quer pelos regulamentos, quer pelos landmarks, quer pela jurisprudência, quer pelo saber acumulado dos mais antigos. Aliás numa das muitas cerimónias que realizamos, o Grão Mestre ao entregar o regulamento geral ao recipendiário do mesmo afirma com a natural convicção de quem sabe que naquele regulamento se encontrá solução para todo e qualquer problema que possa surgir num Loja.

Ao anuncio de possível impossibilidade feito pelo ainda então Venerável Mestre eleito, respondeu a Loja com " isso não é um problema pois se ainda não é mais que uma possibilidade não pode ser um problema, e mais se porventura se vier a concretizar também ai não será um problema porque existem soluções, será quanto muito um desafio".

O cenário de ausência, como disse acima, concretizou-se. Acto continuo a solução preconizada no regulamento geral foi aplicada ipsis verbis, gerando-se aqui uma oportunidade de ver se de facto o que o regulamento estipula é passível de ser aplicado sem problemas ou se seria uma solução apenas teórica e logo sem aplicação prática. Nada melhor que aplicar teorias na pratica para ver se o "teorizador" era homem de tino ou não !

E não é que funciona mesmo ! Sem tirar nem por. Tal qual lá está no artigo correspondente que regula a ausência de Venerável Mestre.

Tiramos daqui uma lição. Os regulamentos quando bem feitos servem de facto para resolver as coisas.

Mas uma Loja não é só regulamentos. A adversidade fez tocar a reunir ! 

E de repente Irmãos que andavam um pouco afastados chegaram-se mais para perto. Vieram para ajudar, com a sua presença mas não só, com as suas ideias, com as suas formas de ver e de fazer.

E tiramos mais uma lição, a da disponibilidade.

Mas não foi só. 

Quando estudante os meus pais bastas vezes me acusavam de ter as matérias "coladas com cuspo", ou seja estavam na memória efémera e como tal desapareciam rapidamente.

Na Loja Mestre Affonso Domingues, e como em muitos textos foi tratado, sempre se privilegiou o ensino, a formação, a proficiência e como tal houve sempre empenho na transmissão de conhecimentos. 

Esta transmissão sempre foi feita de maneira a que a acusação acima não pudesse ser feita, muitas vezes sem que os próprios destinatários percebessem bem a insistência e a repetição.

E hoje na adversidade naturalmente quem é chamado a fazer aparece e faz, como se fosse na ultima sessão que tivesse feito ou desempenhado o cargo pela ultima vez. Na verdade para alguns já fazia mais de uma década que não desempenhavam similares funções.

A terceira lição aparece aqui. O ensino estruturado, a proficiência, a insistência na aprendizagem, a transmissão geraram que quem aprendeu interiorizou os conceitos, tornou-os seus.

Aqui permito-me incluir também quem foi chamado este ano pela primeira vez a desempenhar funções, porque tem sido um prazer ver a geração importante, não porque o sejam enquanto indivíduos, mas porque são a geração que tomará os destinos da Loja dentro de muito pouco tempo, a assumir-se e a exceder-se sessão a sessão na excelência dos seus desempenhos

Uma Loja, que tenha trabalhado ao longo dos anos na construção dos seus alicerces, das suas bases tem melhores possibilidades de atravessar uma dificuldade, e isso constata-se. Este tipo de trabalho não é na maior parte das vezes atractivo. Não trás visibilidade externa, não faz os obreiros sobressaírem no meio dos outros como sendo mais performantes, ou mais presentes ou mais desejados para outros projectos. Mas deixa-nos mais preparados.

E como a Maçonaria não se faz, não se mostra, não se exibe, porque apenas se vive então uma melhor preparação dos Irmãos faz com cada um possa vive-la de forma mais plena e gratificante e assim todos beneficiamos.

Hoje quando saí da sessão e retornei a casa, apesar de cansado e de estar em estado de "matutanço" ( um estado que o Rui Bandeira já me atribuiu várias vezes) senti que tinha valido a pena. Tinha valido a pena porfiar ao longo destes anos todos,  não sozinho como é evidente. Este porfiar permite que cada vez mais me veja como dispensável ( porque de indispensáveis está o cemitério cheio) e isso para um " marreta" é bom. Muito bom. Significa duas coisas, que o caminho tem estado certo, mas mais importante é que um novo desafio se começa a formar. Se o que sei já está passado, então tenho que ir aprender mais coisas, pensar em novas formas, e sobretudo em novos conteúdos para poder continuar a ir passando conhecimento.

José Ruah

14 julho 2011

Vem aí o 22º Veneravel

À semelhança de anos anteriores na primeira sessão do mês de Julho a Loja Mestre Affonso Domingues elege os seus Veneravel Mestre e Tesoureiro.

Para os cargos de Veneravel e Tesoureiro foram eleitos respectivamente Nuno L. e Vitor M. ambos mestres.

Vitor é uma das apostas da Loja. Não tendo sido iniciado na Mestre Affonso Domingues, nela ingressou vindo de outra Loja quando ainda era Companheiro, concluindo o seu tempo e passando a Mestre. A sua forma de estar não passou despercebida e a sua integração decorreu sem sobressaltos, tanto que hoje foi eleito tesoureiro.

Nuno pelo seu lado é já membro da Loja ha uns anos e progrediu paulatinamente passando por quase todos os oficios de Loja. Nuno apesar da sua antiguidade ainda está na "casa dos trintas" sendo por isso um jovem.

Porque esperamos trabalho de qualidade fomos absolutamente unanimes na escolha.

A instalação decorrerá, previsivelmente, na primeira sessão de Setembro.


José Ruah

13 julho 2011

O símbolo da Loja Mestre Affonso Domingues


Em comentário ao texto, Maçonaria e Filosofia Pitagórica - o QUATRO, Jocelino Neto perguntou:

Perdoe-me pela análise superficial, mas a vesica piscis faz parte do partido construtivo da imagem que identifica visualmente a R.´.L.´. (Respeitável Loja) Mestre Affonso Domingues? O significado deste símbolo é desvelado apenas aos seus O.`. (Obreiros)?

Quanto à primeira questão, a resposta é negativa. Repare-se que, enquanto a vesica piscis é o espaço comum resultante da interseção de dois círculos iguais com centros na mesma linha horizontal, a uma distância entre si inferior ao diâmetro de cada círculo (cfr. figura abaixo), a estrutura do símbolo da Loja Mestre Affonso Domingues é constituída por três círculos interligados, para além dos outros elementos.

Também a resposta á segunda pergunta é igualmente negativa. Parece haver tendência para envolver tudo o que respeita à maçonaria num véu de mistério, de segredo... Como o propósito deste blogue é precisamente mostrar que essa tendência não é consistente, aproveito o pretexto para explicar as circunstâncias da criação do símbolo da Loja Mestre Affonso Domingues e indicar o que pretende representar cada um dos seus elementos constitutivos. Quer as circunstâncias, quer os significados são o mais prosaicos possível, adianto já...!

Nos primórdios da Loja Mestre Affonso Domingues e da então denominada Grande Loja Regular de Portugal, hoje Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, a preocupação era a de aprender, criar e consolidar estruturas, enfim, trilhar o caminho da Regularidade Maçónica e da obtenção do Reconhecimento internacional. Os contactos que havia era com maçons da Grande Loge Nationale Française, que, por vezes, se apresentavam em sessão com a medalha da respetiva Loja. Também maçons portugueses iniciados no estrangeiro em Obediências Regulares podiam finalmente aceder a sessões maçónicas regulares no seu país e, comparecendo em sessões de Loja da novel Obediência Regular, frequentemente usavam as medalhas das suas Lojas de origem. Eu próprio, que tinha sido iniciado na Loja Miguel Cervantes y Saavedra, ao Oriente de Bona, no período em que frequentei a Loja Mestre Affonso Domingues com o estatuto de visitante (até ser admitido como obreiro do seu quadro), usava a medalha da minha Loja-mãe.

A Loja Mestre Affonso Domingues, sendo então a mais apurada na prática ritual, era a Loja mais visitada por obreiros estrangeiros e cedo verificou o costume de cada Loja ter uma medalha que era usada pelos seus obreiros. Foi assim simplesmente natural que a Loja, a certa altura, decidisse criar e mandar fabricar a sua medalha distintiva.

Um obreiro da Loja, artista plástico, elaborou o projeto que, com algumas modificações, sobretudo ao nível das cores (modificações essas que, assinale-se, por ser justo fazê-lo, o autor do projeto nunca viu com bons olhos), veio a servir de modelo para a confecção da medalha.

A imagem dessa medalha veio a ser utilizada como logotipo da Loja nos seus documentos e, a breve prazo, transformou-se no símbolo identificativo da Loja Mestre Affonso Domingues.

O significado dos seus elementos é simples e intuitivo e tem, naturalmente, muito a ver com o nome adotado pela Loja, Mestre Affonso Domingues, o arquiteto do Mosteiro da Batalha, imortalizado num belo texto das Lendas e Narrativas de Alexandre Herculano.

As porções visíveis dos três círculos entrelaçados cruzados por seis semicírculos virados para o exterior, evocam a principal característica da arquitetura gótica, a que pertence o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, a abóbada em cruzaria. Na figura abaixo, pode-se ver a representação esquemática de uma abóbada de cruzaria sexpartida.
Repare-se: seis arcos quebrados ou ogivais góticos (a que correspondem as seis "pontas" da medalha) unidos e sustentados por três nervuras diagonais estruturais, que suportam e distribuem o peso, a abóbada de nervuras (a que correspondem os três círculos entrecruzados, só parcialmente visíveis)

Cada uma das pontas da medalha termina em forma de flor-de-lis, tal como as existentes no brasão de armas do Mestre de Avis, depois rei D. João I, que ordenou a construção do Mosteiro da Batalha (ver figura abaixo).

Justaposto a este conjunto, estão dois círculos concêntricos, formando uma faixa de fundo branco onde está inscrito o nome da Loja, Mestre Affonso Domingues, e o local da sua fundação e o seu número de ordem na Grande Loja, Cascais - n.º 5, inscrições separadas por duas folhas de acácia, símbolo maçónico conhecido. Inscrito no círculo interior está um triângulo (símbolo maçónico comum), em fundo vermelho (cor do Rito Escocês Antigo e Aceite, rito praticado pela Loja Mestre Affonso Domingues), que contám no seu interior o também comum e conhecido símbolo maçónico do compasso e esquadro, este sobre aquele.

Como se vê, é prosaicamente simples a explicação do símbolo da Loja Mestre Affonso Domingues!

Rui Bandeira

12 maio 2010

Loja Mestre Affonso Domingues: o sítio e o blogue


A presença na Internet da Loja Mestre Affonso Domingues processa-se em dois planos: o sítio da Loja (http://www.rlmad.net/) e este blogue. São dois espaços de comunicação diferentes, embora ambos expressamente pensados e organizados para serem lidos por maçons e por profanos.

O sítio da Loja assume um cariz mais institucional - embora não demasiado. Publica textos maçónicos e material de divulgação, que consideramos interessante. Em suma, procura espelhar a identidade coletiva da Loja.

Este blogue procura ser mais coloquial, diversificado, subjetivo. O seu objetivo é mostrar como pensam, o que são, os maçons da Loja Mestre Affonso Domingues. Por isso, o subtítulo deste blogue afirma que este é feito por maçons da Loja Mestre Affonso Domingues - não pela Loja! Este blogue é a concretização de um dos princípios essenciais da Maçonaria: o respeito da identidade individual de cada um, a riqueza que constitui a integração da diversidade - de pensamento ou da simples opinião, da religião, de sentimentos, de estilos, de personalidades.

Com estes dois diferentes instrumentos (sítio e blogue), a Loja mostra a quem quiser ver duas diferentes facetas da Maçonaria: enquanto grupo, com um acervo de valores comuns (o sítio, cujo responsável sabe que tudo o que ali é publicado é visto, lido e entendido como manifestação da Loja) e (blogue) enquanto indivíduos, pessoas, maçons individualmente considerados, que espelham as suas opiniões, sentimentos, estilos, com a diversidade que cada um que aqui escreve mostra. O todo composto por indivíduos com um núcleo de valores comuns (sítio), os indivíduos que, na sua diversidade, contribuem para as caraterísticas específicas do grupo (blogue). Quem consulta o sítio, consulta a informação, as ideias do grupo, do todo, da Loja; quem lê o blogue, contacta com as ideias de quem escreve, assumindo-se como maçom e como integrante da Loja, mas sempre e principalmente posições individuais, independentes, pessoais. No sítio, tem-se o pensamento coletivo da Loja; no blogue os pensamentos individuais dos maçons que integram a Loja e que se dispõem a aqui os expressar, e quando a tal se dispõem.

Por isso, ainda que este blogue tenha tido, até agora, a maior parte dos textos nele publicados escrita por mim, sempre deixei bem claro e bem frisado que este blogue não é o blogue do Rui Bandeira e amigos, é o blogue dos Mestres Maçons da Loja Mestre Affonso Domingues. A maioria dos textos, até agora ter sido minha, haver períodos em que só se publicam textos meus, são apenas elementos circunstanciais, alteráveis a todo o tempo e, seguramente se, como espero, este blogue tiver longa existência e prosseguir enquanto a Loja existir, a médio ou longo prazo inevitavelmente alterados. Tempo virá - talvez mais próximo do que longínquo - em que os textos que eu aqui publico serão minoria; tempo se seguirá em que outrem assegurará o essencial deste blogue; tempo chegará em que este blogue prosseguirá sem novos textos meus, em que, na coluna da direita o meu nome não estará mais no rol dos que escrevem aqui - quando muito será porventura referenciado no número dos que aqui escreveram...

As caraterísticas que este blogue foi assumindo, individualidade de textos, interatividade com os leitores que decidem comentar, diálogo entre os maçons que escrevem e aqueles, profanos ou maçons, que comentam, os caminhos, quiçá anárquicos mas de uma riqueza e abertura gratificantes, que segue, à boleia da interação dos pensamentos de quem escreve e de quem comenta, podem, por vezes, fazer esquecer que este é um projeto executado por maçons da Loja Mestre Affonso Domingues, um meio, um tipo, uma forma específicos, de comunicação da Loja com o seu exterior. Mas é! Que isso por vezes não se note é a confirmação do êxito do projeto! O blogue A Partir Pedra espera merecer ser considerado um Hino à Liberdade de Pensamento dos Maçons da Loja, enquanto o sítio da Loja, desejavelmente, é a Sinfonia do Pensamento da Loja.

Aqui no blogue, vamos falando, debatendo, expondo ideias sobre de tudo um pouco, sejam matérias maçónicas, seja temas que nada têm a ver com a Maçonaria. O tema aqui é, afinal, a forma como os maçons pensam e vêem o Mundo, as coisas e os interesses que têm e que cultivam. O tema do sítio é o pensamento maçónico, que se divulga e mostra, para que quem quiser encontre, veja e leia. O responsável do sítio entende que alguns dos textos que se publicam aqui no blogue merecem estar incluídos também no sítio - e assim o sítio é também uma espécie de arquivo de textos selecionados do blogue. Isso mostra que o que os maçons da Loja Mestre Affonso Domingues aqui escrevem, sendo o produto do seu labor, do seu pensamento e da sua liberdade individuais, também integra o acervo do conjunto multifacetado de fontes que integram o pensamento institucional da Loja - e deixa-nos, aos que aqui escrevem, felizes.

A diferente natureza dos meios sítio e blogue é conscientemente utilizada em planos diversos. Que seja do meu conhecimento, a Loja Mestre Affonso Domingues é pioneira nesta utilização integrada e diferenciada das ferramentas proporcionadas pelas atuais Tecnologias de Informação. Procura utilizar rentavelmente os diferentes meios do século XXI para divulgar uma mensagem cujas raízes ideológicas provêm do Iluminismo e de mais além. E, com isso, procura desmontar dois mitos em relação Maçonaria: o seu secretismo e o seu poder oculto. Ninguém de boa fé pode acusar de secretismo uma Loja que põe à disposição de quem a ela quiser aceder dois meios de comunicação diferentes, com diferentes níveis e estilos de comunicação e com mais de dois milhares de textos sobre si própria, o seu pensamento, a forma como se organiza, o que faz, porque o faz, como o faz, etc., etc.. E quem ler e souber ler, atentar e souber entender, facilmente concluirá que o único poder que a Maçonaria busca é o de esclarecer, divulgar e, sobretudo, praticar os seus princípios.

A Loja Mestre Affonso Domingues está à beira e comemorar o vigésimo aniversário da sua criação. Esta comemoração envolve iniciativas internas e iniciativas pensadas e trabalhadas e colocadas à disposição de todas as pessoas, sejam ou não maçons. Nos tempos mais próximos, as duas diferentes dimensões do sítio e do blogue vão, temporariamente, aproximar-se. O blogue e o sítio, ambos, vão dedicar parte dos seus espaços à divulgação do vigésimo aniversário da Loja e às iniciativas por esta efeméride suscitadas.

Para já, fiquem atentos: a primeira iniciativa a ser divulgada é dedicada a todos, profanos e maçons. Mas só vou revelar o que é daqui por uma semana...!

Rui Bandeira

09 setembro 2007

Continuidade - Aí está o 18º

Em Julho passado anunciei aqui a eleiçao do JPSetubal para o cargo de Veneravel Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues.

Como isto da Maçonaria é a sério (pelo menos na Affonso Domingues), não tardou nem um dia a mais que o tempo minimo possivel para que o JPSetubal fosse instalado como Veneravel Mestre da Loja.

Instalado porque literalmente e simbolicamente o Veneravel é instalado na Cadeira de Veneravel, que representa simbolicamente a Cadeira De Salomão.

A Cerimónia decorreu com toda a SOlenidade que se impunha.

JPSetubal deu já uma clara ideia da forma como vai querer que decorra o seu Veneralato e com isso demosntrar claramente que pretende deixar a Loja mais forte , o que aliás tem sido uma constante.

A ti JPSetubal, co-blogueiro,VM e amigo um Triplo e Fraterno Abraço com votos de sucesso.

José Ruah

09 maio 2007

O nome da Grande Loja

O texto de JPSetúbal Noticiário da capoeira foi objecto de um comentário algo ácido de memorias, questionando a legitimidade do uso da sigla GLRP pela Grande Loja onde se integra a Loja Mestre Affonso Domingues, a Loja em que se enquadram os maçons que escrevem este blogue.

memorias é, manifestamente, um elemento ligado à estrutura que se designa de Grande Loja Regular de Portugal e que, segundo se deduz do que escreveu, reivindica o direito ao uso exclusivo da sigla GLRP.

Não vou aqui criticar nem desmerecer daqueles que, honestamente, então tomaram opção diversa da minha. Nem na altura da cisão havida na Maçonaria Regular Portuguesa dei para esse peditório, não o vou fazer agora.

Entendo que cada pessoa tem o direito de exprimir as suas posições, as suas opiniões e, por isso, de forma alguma critico memorias por ter expressado a sua naquele comentário. E distingo a forma do fundo. Aquela não me agradou: achei-a, como em outros comentários que entretanto li de memorias, desnecessariamente azeda e agressiva, nada ilustrativa de como um maçon deve argumentar. Este, merece a explanação do meu ponto de vista sobre o assunto. Esclarecido isto, vamos então ao assunto.

A Maçonaria Regular Portuguesa nasceu do anseio de um grupo de maçons, então integrando a única estrutura do tipo maçónico existente em Portugal, o Grande Oriente Lusitano, de assumirem o estrito cumprimento dos princípios da Maçonaria Regular e de virem a obter o reconhecimento da Comunidade Maçónica Regular Internacional como tal. Foram então esses maçons liderados por aquele que veio a ser o primeiro Grão-Mestre da Maçonaria Regular, Fernando Teixeira.

Sendo princípio inalienável da Regularidade que a constituição de uma potência Maçónica Regular deriva da transmissão dessa qualidade por uma Potência Regular pré-existente, esses maçons constituíram as suas Lojas (entre as quais a Loja Mestre Affonso Domingues) sob os auspícios da Grande Loge Nationale Française (GLNF), única Potência Maçónica Regular existente em França, agrupando essas Lojas num Distrito daquela Grande Loja.

A Maçonaria que se reclama da regularidade tem como um dos seus princípios enformadores o respeito das leis do Estado em que funciona. A legislação em vigor no Estado Português dispõe que, para uma comunidade de interesses ter relevância jurídica, deve estar constituída em associação (ou, eventualmente, fundação).

Em cumprimento da legislação do Estado Português, esses maçons refundadores da Regularidade em Portugal constituíram uma associação civil de direito privado denominada Grande Loja Regular de Portugal.

A seu tempo, a Grande Loge Nationale Française acedeu ao desejo dos maçons regulares portugueses de autonomizar o seu Distrito em Portugal e consagrá-lo como Grande Loja com autoridade exclusiva sobre a Maçonaria Regular em Portugal, com a designação, similar à da associação profana já existente, de Grande Loja Regular de Portugal.

Esta nova Potência Mónica Regular foi reconhecida como tal pela generalidade das suas congéneres de todo o Mundo, designadamente pela UGLE (United Grand Lodge of England) e pelas potências maçónicas americanas (para além, obviamente, da sua Grande Loja Mãe, a GLNF), reunindo assim o consenso do reconhecimento como Potência Maçónica Regular por todas as Potências Maçónicas Regulares chaves do globo (Grã-Bretanha, Estados Unidos e França).

Assim, e sendo Grão-Mestre Fernando Teixeira e Vice-Grão-Mestre Luís Nandin de Carvalho, ficou institucionalizada a Maçonaria Regular em Portugal com uma associação de direito civil e uma Obediência Maçónica internacionalmente reconhecida, ambas utilizando o nome de Grande Loja Regular de Portugal e a sigla GLRP.

Ocorreram então, em finais de 1996, os acontecimentos que vieram a ficar conhecidos pela cisão da Casa do Sino. Para melhor entendimento das suas consequências quanto ao nome da potência Maçónica Regular Portuguesa, importa ter presente alguns detalhes.

Os calendários eleitorais civil e maçónico não são coincidentes. Normalmente, as eleições nas associações civis ocorrem no primeiro trimestre de cada ano. Na Obediência Maçónica Regular, a eleição do Grão-Mestre sucessor ocorreu no final do segundo trimestre de 1996 e a sua posse no trimestre imediato. Por outro lado, a Casa do Sino, em Cascais, então a sede da Maçonaria Regular Portuguesa, fora arrendada em nome pessoal pelo então Grão-Mestre Fernando Teixeira.

No final do ano de 1996, alguns elementos da GLRP, discordando do Grão-Mestre Luís Nandin de Carvalho, e beneficiando do beneplácito do anterior Grão-Mestre, Fernando Teixeira, ocuparam a Casa do Sino e declararam que consideravam destituído o Grão-Mestre Luís Nandin de Carvalho.

A maioria dos maçons e das Lojas, concordantes ou não com o estilo de Luís Nandin de Carvalho, tendo ou não votado nele na eleição para Grão-Mestre, não acompanhou este pronunciamento, considerando-o violador das regras da Maçonaria Regular (eu permito-me acrescentar: das regras da maçonaria, seja ela Regular ou Liberal...), e, concordando ou discordando de Luís Nandin de Carvalho, tendo ou não votado nele, manifestou o reconhecimento pela sua autoridade de Grão-Mestre da Maçonaria Regular Portuguesa, legítima e regularmente eleito e instalado, e submeteu-se à sua autoridade, rejeitando o pronunciamento.

Os ocupantes e quem os apoiou declararam vago o cargo de Grão-Mestre e vieram a eleger, entre si, outrem a quem passaram a declarar ser o seu Grão-Mestre.

Estava consumada a cisão!

Colocou-se, porém, um problema jurídico: apesar de a maioria dos maçons regulares e das Lojas Regulares se ter mantido sob a autoridade do Grão-Mestre eleito e instalado, devido à falta de sincronismo dos calendários eleitorais civil e maçónico, os dirigentes em funções da associação civil denominada Grande Loja Regular de Portugal eram elementos que tinham apoiado a ocupação da Casa do Sino e se tinham pronunciado pela destituição do Grão-Mestre a que a maioria (concordando ou não com o seu estilo, tendo ou não votado nele) de maçons e de Lojas Regulares manteve a sua lealdade.

Para a maioria dos maçons que se mantiveram fiéis ao Grão-Mestre eleito e instalado, havia duas hipóteses: entabular um longo, desgastante e desprestigiante litígio nos tribunais do Estado sobre quem tinha direito de gerir a associação civil denominada Grande Loja Regular de Portugal ou, pura e simplesmente, não entrar em disputas estéreis e constituir uma outra associação civil que desse o enquadramento institucional civil e legal à Obediência Maçónica Regular que fora posto em crise pelo pronunciamento dos que optaram por rejeitar a autoridade maçónica Regular do Grão-Mestre eleito e instalado.

Optaram por não entrar em dolorosos, desgastantes e inúteis confrontos e criaram a associação civil denominada Grande Loja Legal de Portugal. Esta associação civil passou a enquadrar legalmente a Obediência Maçónica internacionalmente reconhecida, até aí, como Grande Loja Regular de Portugal.

Quer em virtude dessa continuidade, quer pelo peso sentimental do nome que também eles tinham ajudado e habituado a respeitar e a reconhecer, decidiram que a sua designação, enquanto Obediência Maçónica e estritamente nesse âmbito, passaria a ser Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, utilizando comummente a sigla GLLP/GLRP.

É esta a Potência Maçónica Regular que manteve o reconhecimento internacional como tal, seja da UGLE, seja da GLNF, seja das Potências Maçónicas Americanas, seja da generalidade das Potências Maçónicas Regulares de todo o Mundo

Resumindo: existe (creio que existe, admito que existe) a associação civil Grande Loja Regular de Portugal, controlada pelos que, em 1996, se subtraíram à autoridade maçónica do Grão-Mestre então eleito e empossado; existe a associação civil Grande Loja Legal de Portugal, que enquadra a Potência Maçónica Regular internacionalmente reconhecida como tal em Portugal. Esta, para evitar confusões, passou a usar a denominação Grande Loja Legal de Portugal/GLRP.

Nunca, em termos civis ou profanos, desde a cisão de 1996, a entidade que enquadra legalmente a Potência Maçónica Regular internacionalmente reconhecida como tal em Portugal usou ou usa outra denominação que não a de Grande Loja Legal de Portugal. Consequentemente, nunca usurpou ou usurpa o nome de outra associação.

Em termos estritamente maçónicos, por definição subtraídos e independentes dos poderes do Estado, a Obediência Maçónica Regular internacionalmente reconhecida como tal passou a designar-se Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, abreviadamente GLLP/GLRP, constituindo o último conjunto de quatro letras a homenagem e a ligação à sua designação original, que teve de alterar em virtude de eventos dolorosos protagonizados por elementos que tomaram opções diversas dos que se mantiveram fiéis ao que entenderam ser o espírito e a prática da Regularidade Maçónica.

A Loja Mestre Affonso Domingues e os seus obreiros orgulhosamente enquadram-se na Grande Loja Legal de Portugal/GLRP e aí seguem o seu caminho na busca do seu aperfeiçoamento.

À Loja Mestre Affonso Domingues e aos seus obreiros nenhuma mossa faz, nenhum incómodo traz, que outros, que fizeram opções diferentes das deles, usem, na organização em que se agrupam, o nome que entenderem. Essa é uma contenda que não temos, que não nos interessa, que não nos motiva e que não nos afecta! O que importa não é a designação que se usa, o que interessa é o trabalho que se faz, o projecto que se segue, o caminho que se trilha!

Desejamos sinceramente que ninguém busque criar conflitos, ou levantar contendas, ou simplesmente expressar azedume a propósito de nomes ou designações. Para esse peditório, repito, não demos, não damos e nunca daremos!

E, se alguém tiver dúvidas, pergunte a quem foi da Loja Mestre Affonso Domingues e teve a opção diferente da maioria da Loja o que, então, todos nós, combinámos! E ficará a saber que, para todos, a maioria que ficou e aqueles que se foram, quem foi da Loja Mestre Affonso Domingues é sempre da Loja Mestre Affonso Domingues, esteja onde esteja, esteja com quem esteja, pense como pensar, opte como optar! Foi, é e será sempre um dos nossos! Que fique esclarecido e que ninguém tenha disso dúvidas!

Portanto, não vale a pena quem quer que seja procurar vir a este blogue relançar pretensas rivalidades. Da nossa parte, não terá quem as sustente. O que nós desejamos é, tão simplesmente, que cada um siga o seu caminho e que seja feliz nele. O que pedimos é, tão só, que não nos venham importunar no nosso caminho. E, se algum dia, os nossos caminhos se voltarem a cruzar e a unir, tanto melhor. A isso eu chamo, também, ser maçon!

Rui Bandeira

27 fevereiro 2007

" Ele há coisas ..... "

Nao podia deixar de vir aqui contar uma curiosidade.

Há dias atrás um Irmão, membro de uma loja da GLLP/GLRP, que eu nao conheço pessoalmente, ligou-me e pediu-me que encontrasse quem fizesse ou que fizesse eu um palestra sobre um tema determinado, numa escola secundaria de Lisboa, pois tinha recebido um pedido dessa escola.

Procurei quem fizesse, mas nao consegui encontrar. Para nao deixar o Irmão sem resposta, telefonei e disse-lhe que embora nao fosse a minha especialidade que faria a palestra.

Ontem recebo uma chamada de um senhor que se indentificou como professor e que me contactou por indicação do tal Irmão. Simpaticamente deu-me mais dados sobre o que era pretendido, bem como sobre as datas que lhe davam jeito etc.

Até aqui nada de especial, mas quando lhe perguntei qual era a escola a resposta foi :

Escola Secundaria AFONSO DOMINGUES, em Marvila.

Ora e apenas para relembrar, a minha ( nossa dos escritores deste blog) Loja, a de origem e Unica é a Loja Mestre Affonso Domingues.

como diria o saudoso Fernando Pessa - " E esta hein !!!!"

JoseSR

12 setembro 2006

Novo Venerável Mestre na Loja Mestre Affonso Domingues

No passado fim de semana ocorreu a cerimónia de Instalação na Cadeira de Salomão, isto é, da tomada de posse, do novo Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues, PauloFR, que também já tem publicado textos neste blogue.

PauloFR fora eleito em Julho, por unanimidade de votos, para o exercício da função.

Esteve presente no acto o Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, Alberto Trovão do Rosário.

A cerimónia foi conduzida pelo Vice-Grão-Mestre, Mário Martin Guia.

Seguidamente, PauloFR deu, de imediato, posse aos elementos que designou para o exercício das demais funções na Loja.

Um dos elementos a quem PauloFR conferiu posse foi o assíduo colaborador deste blogue JPSetúbal, que assumiu as funções de 1.º Vigilante.

Um abraço a todos os empossados, mas em especial a estes dois co-blogueiros, manifestando a esperança de que o exercício, sempre absorvente, das funções que lhes foram confiadas e que estão agora a exercer não os impeça de continuarem a partilhar connosco os seus textos.

Rui Bandeira

01 julho 2006

Sobre o nosso patrono MESTRE AFFONSO DOMINGUES


MESTRE AFFONSO DOMINGUES que viveu na segunda metade do Sec. XIV (morreu na Batalha em 1402) é uma personagem sobre a qual existem muitas lendas e mistérios e pouca informação confirmada.

De facto há fortes dúvidas sobre a data e local de nascimento, assim como sobre a sua própria vida há muitas incógnitas, algumas delas resultantes do texto que Alexandre Herculano dedicou ao Mosteiro da Batalha e à famosa Abóbada da Casa do Capítulo.

Històricamente parece certo que Affonso Domingues foi, realmente, o desenhador/arquitecto do projecto geral inicial do Mosteiro de Santa Maria da Vitória e que terá sido com ele a dirigir a construção que o Mosteiro foi iniciado.
Entretanto por razões de idade, de saúde (a história diz que cegou) ou outras quaisquer, na altura os responsaveis pelas obras eram colocados e substituidos de acordo com os humores e favores dos monarcas (nada como actualmente, em que já não há monarcas...), Affonso Domingues foi substituido na condução da obra por um tal David Huguet ou Ouguet, sobre o qual também há muitas dúvidas, não se sabendo se era irlandês, flamengo, catalão ou mesmo português.

De resto o Mosteiro da Batalha ( ou de Santa Maria da Vitória) teve vários outros intervenientes (Mateus Fernandes, Fernão Évora, Boitaca, ...) mas sobre o “nosso” Mestre Affonso Domingues recai de facto a autoria principal do projecto e talvez da construção.

Affonso Domingues viveu em Lisboa (não há a certeza de ali ter nascido) na freguesia da Madalena e teve alguma intervenção (mais aprendizagem do que intervenção realizadora) na obra da Sé de Lisboa, que lhe serviu de inspiração para o projecto da Batalha que mais tarde desenharia.

Quanto à afirmação “a Abóbada não caiu, a Abóbada não cairá” assim como a sua morte após 3 dias e 3 noites sem comer, sentado debaixo da Abóbada, no meio da Sala do Capítulo da Batalha, é definitivamente uma boa “estória” de Alexandre Herculano que serviu para exaltação dos valores Pátrios em pleno Sec. XIX.

De Affonso Domingues pouco mais há na história.

Em Lisboa, na freguesia de Sta.Engrácia/Monte Pedral, resta uma rua com o seu nome, essa sim “verdadeiramente importante” já que este escriba ali nasceu... e já agora na mesma linha de informação, também o Algueirão tem uma rua Mestre Afonso Domingues, umas vezes com um “f”, outras com os dois “ff” originais, umas vezes com o “Mestre” outras sem ele !

Posto isto, se a lenda é mais atraente que a realidade, pois sigamos a lenda !
Ao fim e ao cabo, onde começa uma e acaba a outra ?

JPSetúbal