09 janeiro 2008

Vamos poupar energia...


O “e = mc2” já está passado, mas foi durante muitos anos a bandeira dos físicos. Constituiu a enorme descoberta de uma relação matemática entre “energia” e “matéria”, relação que já se sabia que existia muito antes mas não estabelecida e provada matematicamente. Foi esse o enorme passo que Einstein deu.

Entretanto aqui, no A-Partir-Pedra, o tema foi base de um encontro, mais um, de textos esclarecidos e esclarecedores e ao qual quero dar uma achega, isto é, não resisto a meter a colherada.

- É da maior importância a discussão sobre o ambiente e a sua manutenção;
- É muito importante trazer a ‘campo descoberto’ o relacionamento, ou o possível relacionamento, com a atitude maçónica;
- É da discussão que nasce a luz (?) já diziam os meus avós, e eu posso constatar que da discussão nascem as ideias, as coisas novas, as melhores e mais importantes descobertas.
Então se é assim só posso apoiar esta “discussão” !

O consumo de energia e respectiva produção estão directamente relacionados com o equilíbrio do sistema ecológico, mas também a forma como essa energia é consumida e é produzida.
Isto é, o problema não está apenas nos actos do consumo e da produção, mas está também na maneira como se faz esse consumo e essa produção, porque é possível fazer a produção de forma menos agressiva, tal como é possível fazer o consumo mais criterioso, obtendo melhor rendimento daquilo que se gasta.
E, de facto, não há produção de energia sem transformação de matéria.
Diz o nosso Caro “Simple” (a partir de Lavoisier) “… que tudo se transforma” !
Muito bem, é ainda uma quase verdade na época em que estamos.
É que a transformação da energia em matéria, que significaria a sua reciclagem (m = c2/e) exigiria o controlo do “c”, e aí estamos tramados, por enquanto.
Algum dia será, mas agora ainda não.
Algumas teorias dizem que algum dia foi assim, o “big bang” teria sido isso mesmo, mas por agora está fora do nosso controlo.
O homem ainda não conseguiu o seu “bang”, nem grande nem pequeno.
No dia em que isso for conseguido acabam as companhias aéreas e passamos a movimentar-mo-nos por transmutação da matéria.
A questão é que a transformação da matéria em energia (o nosso querido corpinho a ir-se num sopro) já se faz de forma… assim, assim, ali vai ele num fio de cobre ou numa radiação electro-magnética qualquer.
A inversa é que… (a tal equação com a incógnita trocada m = c2 / e )
Entramos numa “espécie de cabine telefónica” e vamos parar, num momento, numa outra “espécie de cabine telefónica” do outro lado do mundo !
Já pensaram o que se vai poupar em transporte ?
Vejam o IC19 sem filas de automóveis… O pessoal passa todo a deslocar-se por transmutação ! Vai ser sensacional !
Só um aspecto me preocupa. O que acontecerá quando no meio da minha viagem houver um apagão ?
Do outro lado, na tal “espécie de cabine telefónica” de chegada irá sair assim como que uma espécie de JPS.
Por acaso esta ideia não me entusiasma !

Mas regressando à conservação do Ambiente…

Diz o Rui que relacionar Maçonaria e Ambiente é como que fazer a quadratura do círculo…
Mas então a Maçonaria não tem o Homem como preocupação central ?
E o objectivo não é a sua melhoria, espiritual (claramente) mas física também ?
E como melhorar a condição humana deixando degradar o ambiente de vida ?
Correndo o risco do “impossível” que é “quadratar” o círculo, afirmo que a Maçonaria se relaciona com o ambiente, sim !

Ao Maçon compete-lhe, também, preservar o sistema ecológico sem o qual o animal humano ficará em risco de sobrevivência.
A questão poderá mesmo chegar ao ponto em que o Homem tenha de escolher entre o sobreviver e o continuar a viver com as suas comodidades (o que poderá significar acabar com a espécie).
E se… qual vai ser a decisão ?
Se o leitor decide manter o seu status-quo actual… é bom que encomende já a urna porque na altura poderá não haver madeira para tal !
Se o leitor decide sobreviver, então comece já a poupar. Talvez consiga ainda evitar a dispensa de algumas das mordomias que tem e que terá de abandonar.

E a Maçonaria tem a ver com isso, tem mesmo !
JPSetúbal

2 comentários:

Rui Bandeira disse...

1. Em Janeiro do ano passado, o debate foi sobre Tolerância, entre mim e o José Ruah (que, presentemente, anda "desaparecido em combate"). Em Janeiro deste ano, pelos vistos o debate (aliás interessante) é sobre maçonaria e Ambiente e vai sendo travado a três vozes (JPS, simple e eu). Isto promete...
2."É da discussão que nasce a luz" (!!!). Meu caro, és um génio! Basta passarmos a discutir para caramba e temos o problema da produção de energia para iluminação resolvido!!!
3.Quadratura do círculo: não a tenho por impossível (algum dia, algum maçon, quiçá com a ajuda de um supercomputador, encontrará a medida - ao nível do mícron de mícron - do lado do quadrado cuja área corresponda à quadratura do círculo, de forma a ser possível desenhar um e outro com super-hiper-maxi precisos régua, esquadro e compasso). Mas que é difícil, é!
O mesmo sucede, do meu ponto de vista, na relacionação entre Maçonaria (sistema filosófico e ético), ou seja o suco da barbatana das coisas do espírito, do etéreo e da ética, e as questões do Ambiente, que respeitam ao mais material do que materialmente existe, particularmente quando o ambiente está sujo e poluído. E, aqui para nós, acho que a Humanidade, apesar de tudo, ainda tem sorte. Vê só o caso dos peixes, que expelem os seus xi-xis e có-cós para a água que "respiram"...).
Mas obviamente que é sempre possível fazer uma sofrível relacionação dos dois temas. É, aliás, o que venho tentando com os meus arrazoados. Mas que não é fácil, não é...

Simple disse...

«Great minds discuss ideas. Average minds discuss events. Small minds discuss people.»
(Eleanor Roosevelt)


Discutir ideias faz-nos grandes e melhores; quanto mim, pelo-me por uma boa refrega. Não sei se da discussão nasce a luz; porém, dela resulta, certamente, menos escuridão, pois se cada um trouxer o seu archote iluminará a escuridão do outro. Esta é, de resto, a minha forma de discutir: partilhar o que sei, e sorver o que possa do que os restantes queiram partilhar comigo. Pelo caminho, tento "encaixar" o meu conhecimento prévio com o recém-adquirido, e chegar a conclusões novas.

Quanto ao facto de a discussão, por si mesma, resolver o problema da iluminação, nunca vi; mas já vi, muitas vezes, a discussão resolver o problema da baixa temperatura ambiente...

Ao Rui, que está no "leme" desta temática do ambiente, sugiro que aborde o tema por via da chamada "tragédia dos comuns". Há mais e um grande artigo (em inglês)aqui.

Comparar esta discussão com a discussão sobre a Tolerância parece-me especialmente feliz. Já nessa altura se discutiu uma questão fundamental: como agir perante a intolerância? Sendo tolerante, ou sendo intolerante para com esta? Pelo que percebi (corrijam-me se pensei mal) cada posição advém de uma visão distinta da Maçonaria. Quem considere que a Maçonaria apenas versa sobre o indivíduo defenderá, e bem, que se a tolerância é um valor, ser tolerante para com a intolerância é uma forma de manifestar esse mesmo valor - um pouco na linha do "ama o teu inimigo". Contudo, quem entenda que a Maçonaria verse sobre o melhoramento global da Humanidade defenderá, e bem, que se a tolerância é um bem, a intolerância é um mal - e um mal a erradicar, pelo que não pode ser tolerada.

A presente discussão parece acabar, assim, por ser reveladora da postura prévia de cada um perante esta outra questão que é mais basilar e infra-estrutural: a Maçonaria é um processo que visa promover o melhoramento pessoal do Indivíduo, ou visa antes o melhoramento do Homem no seu todo - mesmo quando este implique o "melhoramento forçado" do Outro?

E devo estar a fazer uma grande confusão, mas... não é esta, precisamente, uma das grandes distinções entre Maçonaria Regular e Maçonaria Liberal?

Um abraço do confundido
Simple Aureole

P.S.: A quadratura do círculo é uma impossibilidade matemática pelo facto de o PI ser irracional. "Irracional", neste contexto, quer dizer "não passível de ser expresso por uma razão" - razão no sentido de fracção, de quociente entre dois números inteiros. Não é possível (o que se demonstra matematicamente) obter-se um número irracional a partir do produto de dois números racionais. Daí a impossibilidade referida.

P.P.S.: Quanto ao teletransporte do JPSetúbal, chamo a atenção para um "pequeno" pormenor: não é preciso "apagão" para o processo ter efeitos perversos. Imaginem que a tal máquina, para produzir a tal perfeita cópia à distância, destruía o original. Para quem esteja de fora, quem surge do outro lado é a mesma pessoa; para a cópia, há a ilusão de continuidade; mas e o original destruído? Não sei se quero... Antes ir a pé ou de bicicleta... (e não, a ideia não é minha; sou apenas um confesso devorador de ficção científica...)